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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ele grita. ela olha. ele berra mais alto. ela acende o cigarro entra as unhas já não mais tão perfeitamente vermelhas.
ele fala, agora mais manso: "me responde. me res-pon-de."
ela termina o cigarro. joga no chão. apaga. vira as costas. e fala. ainda de forma que ele escute.
"quando tu aprender a ser homem, tu me procura."

quarta-feira, 16 de julho de 2008

o retorno

eu voltei... é voltei sim. mas não foi pra pedir perdão não... não, não... foi pra te dizer... olha pra mim! foi pra te dizer que sem a tua presença, sou uma pessoa muito, muito melhor. é, é... sabe aquela pessoa que eu sempre quis ser? é, aquela que põe água nas plantas, não fuma e consegue beber com moderação sim. uma pessoa muito melhor. até tô mais bonito. já disse pra olhar pra mim. eu voltei pra dizer, minha cara, que sem a tua presença, a tua presença desprezível, eu sou bem mais eu. bem mais eu sem ti. sem a tua influência podre. meus dentes tão até mais brancos. olha aqui ó: muito mais bonitos. e não adianta esfregar na minha cara essa foto do teu namorado não.

não dou duas semanas pros dentes deles estarem podres...

agora dá licença que eu vou de vez!

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Trilogia do raio-x - parte 3

quase como que por instinto, durante o último raio x, quase que perguntei: e ele é feliz mostrando as fraturas das pessoas?

e imaginei a moça respondendo que às vezes... em dias de mau-humor, ele se agradava de ver pernas e braços quebrados ao meio!

terça-feira, 3 de julho de 2007

Trilogia do raio x - Parte 2

quase como que por instinto, durante o segundo raio x, quase que perguntei: e dá pra mostrar pros outros pra eles saberem o que se passa aqui dentro?

e imaginei a moça respondendo: não... abre a boca e fala, estúpida, antes que as coisas nunca mais esperem por ti!

domingo, 17 de junho de 2007

Trilogia do raio-x - parte I

quase como que por instinto, durante o raio x, quase que perguntei: e dá pra ver o que tem lá no meio? bem no meio da gente, onde, às vezes, até a gente tem dúvida?

e imaginei a moça respondendo que não... atravessar os sentimentos o raio ainda não atravessava, mas dava pra tentar morrer mais cedo tendo ele e eles como causa...

domingo, 10 de junho de 2007

"Os olhos ela puxou à mãe", minha família me dizia. "Essa cor mel, meio verde quando fica brava ou apaixonada, é bem a mãe dela". "Não esqueçam do cabelo também. Essa escuridão. Antes da mãe dela pintar de vermelho era assim: escuro como breu!", a tia-avó mais velha insistia. "E o narizinho arrebitado!!! Na tua idade, tua mãe foi Miss! Miss! Botava qualquer uma no chinelo, só com aqueles olhos mel, aquele cabelo escuro e ondulado e o narizinho. Todos como os teus". "Olhos cor de lodo", eu corrigia mentalmente. "Mas não vamos esquecer da boca do pai. Essa lindeza de sorriso. Se não fosse por ele, ela não tinha essa boca, meu Deus!" E eu sorria amarelo, com a vontade de não-sorrir. "Mas as covinhas são da mãe. União perfeita!" Meu avô olhava de longe. Não se metia na descrição da neta. Não se metia na indiscrição das irmãs. "A cor da pele! Esse moreno que ninguém sabe de que parte da família veio. Só ela e a mãe têm. O irmão nem tanto e a outra é mais branquinha".

Meu avô levantou do canto onde estava, passou a mão nos meus cabelos e sussurou no meu ouvido: "Só não casa, morena. Não casa que homem só dá problema!"

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A morena veste saias como camisas-de-força. Coloca pela cabeça e deixa os braços presos por alguns segundos. Depois os tira, arrumando a saia, fechando o zíper.

Se perguntam pra morena porque ela usa somente saias, ela responde que se sente mais livre. Que usar saias é mais feminino. Que tem até seu charme lutar contra o vento pra não levantar a saia.

Mas a morena sabe que, lá no fundo, é pelos momentos dentro da camisa-de-força. Pelos momentos com os braços presos, pela impossibilidade de mexê-los.

A morena sabe que, lá no fundo, é pela prisão!

terça-feira, 29 de maio de 2007

sumi... sumi mesmo... assim ó: puf! desapareci. nem sei se sobrou alguma cosia de mim, mas sumi. a partir do sumiço, a única voz que ouço é a minha. monótono e triste, mas verdade. nem tô ligando mais pro que eu falo, pro que eu canto, pro que eu finjo que sei. porque sumida, finjo que sei tudo de todas as coisas. finjo que sei até fofoca dos seres humanos que conheci antes de sumir. finjo que sei física quântica, todos os mistérios da vida e a acender isqueiro. eu nunca aprendi a acender isqueiro antes de sumida... sumida assim finjo de tudo só pra aparecer!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

E ela me obrigava a ler aqueles poemas grotescos, horrorosamente mal escritos, cheios de futilidades, banalidades, irrisórias causalidades circunstaciais as quais não eram extraordinárias para serem escritas, eternizadas, transformadas em versos e rimas.

E ela me obrigava a ler! E eu olhava com meu jeito desdenhoso. Não sorria. Não xingava. Não movia um músculo a favor ou contra. Era um crime escrever daquele jeito. Era um crime gastar papel, tinta, pele, cognição para tamanha desgraça.

E ela me perguntava: tá, tio! diz logo o que achou! E eu não sorria, não falava, não queria. Eu apenas entregava os papéis, afagava sua cabeça, e saía. Tal qual faria qualquer um que ainda por cima escrevesse pior do que ela.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Anódino Adendo Misantropo

morar com os outros, ter visitas, enfim, viver em uma sociedade comunitária é ter sua pasta de dente desorganizada pelo apertão no meio de seu conviva desatencioso...