Caminhavam felizes pela calçadinha do parque, naquele pôr-do-sol típico de Brasília. Aquele céu encantador com suas tonalidades rosáceas, alaranjadas mesclando-se à negritude da noite que se aproximava.
Marcelo era alto, esguio e sorridente. Priscila era baixa, formosa e séria. A despeito dessa disparidade notória, formavam um casal perfeito. Suas discordâncias eram saudáveis e enalteciam as discussões do casal. Discussões das quais, não raro, ambos saiam com pontos de vista transformados, característica comum dos que estão abertos á novas idéias.
Combinavam em tudo, até mesmo nesse gosto provinciano de caminhar de mãos dadas ao final da tarde, enquanto o sol se põe. Caminhavam felizes conversando sobre a vida, o cotidiano e sobre os planos futuros.
Ele levava a vida como uma grande brincadeira o que fazia com que Priscila assumisse o papel da pessoa lúcida do casamento. Marcelo era a alegria que faltava a Priscila e ela era a seriedade que falta a ele. Uma relação simbiótica ímpar.
Nesta segunda-feira brasiliense típica eles caminhavam pelo Parque da Cidade, um casal de idosos ia à sua frente também caminhando, enquanto eram ultrapassados pelos atletas amadores, ciclistas de patinadores. Apenas caminhavam pelo prazer de estar lado a lado ao final de um dia de trabalho estressante.
- Sabe, amor...
- Hum...
- Não entendo como alguns casais não conseguem e manter juntos.
- Que papo é esse? Eu, hein...
- Ah, é que o Augusto lá do departamento tá se separando.
- Sério? Por quê? Aconteceu alguma coisa?
- Ah, eu perguntei a ele. Disse que não dá mais. Só isso.
- Como assim "não dá mais"?
- Foi o que eu perguntei. Ele só repetiu que não dava mais e saiu meio nervoso.
- E porque ele ficou nervoso?
- Foi o que eu me perguntei, mas não tive coragem de perguntar a ele. Na verdade eu acho que ele ainda gosta dela.
- Se gosta, por que vai separar?
- Porque não dá mais.
- Todo engraçadinho, você, né?
- Ah, amor. Eu penso nessas coisas e fico com medo de acontecer com a gente.
- E porque você acha que pode acontecer conosco?
- Não sei. Vai ver é só um medo bobo, mas não deixa de ser um medo.
- Eu não tenho medo.
- Não?
- Não. Quero você e pronto.
- Que bom então.
Abraçou-a. Enquanto conversavam aproximaram-se do casal de idosos que, inevitavelmente ouviu a conversa. Enquanto Marcelo e Priscila se afastavam abraçados e sorridentes, Seu João olha Dona Catarina. Abraça-a, dentro das possibilidades que seu corpo enrijecido permite e lhe beija a face.
- Foi assim que a gente conseguiu não foi, meu bem?
- Deixa de ficar ouvindo a conversa alheia, velho safado.
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Cretino conquistador
Ela sempre foi muito bonita, isso eu não tenho como negar, foi assim que a conheci: tentando conquistá-la. Ela estava em um vestido preto que mostrava o corpo esguio e aquele busto fenomenal. Estava conversando com uma senhora de uns quarenta anos excessivamente bem vestida para a ocasião e com uma maquiagem que parecia inspirada em bailes de carnaval. Aproximei-me com um copo de uísque na mão.
– A festa está bem animada, não acham?
Ambas me olharam com desdém e voltaram a conversar como se eu não estivesse ali. Eu fingi que aquilo não me abalou.
– É... nem todo mundo está animado. Frigidez é um problema sério. Tchau, minhas queridas.
A senhora fingiu que não era com ela, mas Mariane não resistiu. Ofendeu-se. Eu já estava virando de costas e saindo quando ela falou:
– Tchau, palhaço.
Voltei, abri o sorriso mais cretino que uma pessoa consegue simular e olhando nos olhos dela disse:
– Pelo menos você viu alguma graça em mim, já eu não posso retribuir a afirmação.
Sai sem esperar resposta e ela ficou sem reação. Ela sabia que era linda e ouvir de um homem que ela não o atraía era como uma bomba que seu orgulho não seria capaz de suportar.
Continuei: bebi, dancei e flertei com várias mulheres. A festa estava realmente bastante animada e cheia de mulheres bonitas. Dancei um xote com uma das mulheres mais bonitas da festa – minhas aulas de forró estavam realmente surtindo efeito. Ao fim da música eu pedi licença, fui ao banheiro e de lá ao bar, pra pegar uma água tônica. No caminho, Mariane me puxou pelo braço.
– Você é sempre assim?
– Assim como?
– Sem educação.
– Só quando a ocasião pede.
– Olha... foi mal, me desculpe mas eu estava já estava nervosa com o papo chato daquela senhora.
– Tudo bem, agora com licença.
– Ei, você vai aonde? Estamos conversando.
– Ah, estamos? Eu pensei que o assunto havia encerrado.
– Prazer meu nome é Mariane.
– Klaus.
– Nome diferente.
– Meu pai sempre achou bonito. Não gosto muito dele, mas como não tenho outra opção, acabo aceitando.
– E então, Klaus. De onde você conhece o Henrique.
– Estudamos juntos na faculdade. Ele comprava os trabalhos dele de mim, sabe.
– Que horror.
– O quê?
– Você colaborar com isso: vender trabalhos universitários.
– Só isso? Eu vendo até hoje. É um dinheiro fácil que eu não dispenso de forma alguma.
– Um absurdo isso.
– Deixa pra lá. E você de onde conhece o Henrique?
– A Juliana é minha prima.
– Ah, a Juliana é sua prima?
– É sim.
– Que interessante.
– Por quê?
– Porque a Juliana é praticamente minha vizinha. Somos muito amigos e ela freqüenta bastante a minha casa. Aliás, fui eu quem fez as apresentações dos dois. Engraçado eu nunca ter te visto por lá.
– Bem, não somos extremamente amigas. Somos primas e só. Ela me chamou pra vir à festa hoje porque minha mãe passou na casa dela e eu fui junto. Como não nos víamos há muito tempo me chamou pra festa.
– Ela e o Henrique são perfeitos, não? É o casal mais bacana que eu conheço.
– Nossa que termo.
– O quê?
– Bacana...
– O que tem?
– Tão... chulo.
– É meu jeito, se não te agrada...
– Você é sempre assim?
– Assim como?
– Sem educação.
– Só quando a ocasião pede.
Achei que a conversa deveria terminar ali mesmo e fui saindo, ela segurou meu braço novamente e me puxou de volta.
– Você é tão bonito, por que age desse jeito?
– Por que não agir desse jeito?
E fiz novamente o sorriso cretino. Aliás, esse sorriso cretino é minha marca registrada. Um sorriso de canto de boca com os olhos meio apertados: um charme só. Ela aparentemente ficou horrorizada com a resposta que porque soltou meu braço e ficou com aquele olhar vago, fixando o vazio. Acho que ficaria assim por um minuto inteiro se eu não tivesse intervido.
Aproximei dela, segurei seu rosto com uma mão enquanto colocava a outra na sua cintura. Ela pareceu despertar com um choque e assustar-se, mas não reagiu. Apenas me olhou. Eu olhei seus olhos, sua boca, aproximei meu rosto, puxei o corpo dela contra o meu e parei. Nossos lábios estavam bem próximos.
– E agindo assim, eu agrado?
Foi então que nos beijamos. Um beijo demorado e lento. Um beijo apaixonado. Enquanto a beijava eu acariciava seus cabelos e passava a mão por suas costas. Que pele macia, que cabelos maravilhosos. Acho que nunca vou esquecer a sensação que foi nosso primeiro beijo. Uma sensação deliciosa que sinceramente, nunca mais experimentei desde então.
Terminado o beijo permanecemos abraçados, nos olhando em silêncio. Estávamos nos admirando por alguns momentos. Ela era realmente linda e tinha um jeito muito carinhoso.
– Então...
– Então o quê?
– Isso é porque você não viu graça nenhuma em mim?
– Você viu em mim, isso me basta.
– Você é muito cheio de si.
– Eu transbordo egocentrismo.
– Percebi.
– E aproveitou também.
– Jesus amado, você não consegue deixar de ser assim nem um instante? – disse sorrindo.
– Assim como, sem educação?
– Não. Convencido.
– Ah, eu achei que eu era sem educação. Você muda de idéia muito rápido.
Ela sorriu. Pediu licença, disse que voltava e saiu em direção ao banheiro. Eu olhei o relógio, fui até a saída e pedi ao manobrista que trouxesse meu carro. Voltei à festa para me despedir do Henrique e da Juliana. Retornei à saída onde meu carro já estava esperando, dei uma gorjeta ao manobrista e fui embora.
– A festa está bem animada, não acham?
Ambas me olharam com desdém e voltaram a conversar como se eu não estivesse ali. Eu fingi que aquilo não me abalou.
– É... nem todo mundo está animado. Frigidez é um problema sério. Tchau, minhas queridas.
A senhora fingiu que não era com ela, mas Mariane não resistiu. Ofendeu-se. Eu já estava virando de costas e saindo quando ela falou:
– Tchau, palhaço.
Voltei, abri o sorriso mais cretino que uma pessoa consegue simular e olhando nos olhos dela disse:
– Pelo menos você viu alguma graça em mim, já eu não posso retribuir a afirmação.
Sai sem esperar resposta e ela ficou sem reação. Ela sabia que era linda e ouvir de um homem que ela não o atraía era como uma bomba que seu orgulho não seria capaz de suportar.
Continuei: bebi, dancei e flertei com várias mulheres. A festa estava realmente bastante animada e cheia de mulheres bonitas. Dancei um xote com uma das mulheres mais bonitas da festa – minhas aulas de forró estavam realmente surtindo efeito. Ao fim da música eu pedi licença, fui ao banheiro e de lá ao bar, pra pegar uma água tônica. No caminho, Mariane me puxou pelo braço.
– Você é sempre assim?
– Assim como?
– Sem educação.
– Só quando a ocasião pede.
– Olha... foi mal, me desculpe mas eu estava já estava nervosa com o papo chato daquela senhora.
– Tudo bem, agora com licença.
– Ei, você vai aonde? Estamos conversando.
– Ah, estamos? Eu pensei que o assunto havia encerrado.
– Prazer meu nome é Mariane.
– Klaus.
– Nome diferente.
– Meu pai sempre achou bonito. Não gosto muito dele, mas como não tenho outra opção, acabo aceitando.
– E então, Klaus. De onde você conhece o Henrique.
– Estudamos juntos na faculdade. Ele comprava os trabalhos dele de mim, sabe.
– Que horror.
– O quê?
– Você colaborar com isso: vender trabalhos universitários.
– Só isso? Eu vendo até hoje. É um dinheiro fácil que eu não dispenso de forma alguma.
– Um absurdo isso.
– Deixa pra lá. E você de onde conhece o Henrique?
– A Juliana é minha prima.
– Ah, a Juliana é sua prima?
– É sim.
– Que interessante.
– Por quê?
– Porque a Juliana é praticamente minha vizinha. Somos muito amigos e ela freqüenta bastante a minha casa. Aliás, fui eu quem fez as apresentações dos dois. Engraçado eu nunca ter te visto por lá.
– Bem, não somos extremamente amigas. Somos primas e só. Ela me chamou pra vir à festa hoje porque minha mãe passou na casa dela e eu fui junto. Como não nos víamos há muito tempo me chamou pra festa.
– Ela e o Henrique são perfeitos, não? É o casal mais bacana que eu conheço.
– Nossa que termo.
– O quê?
– Bacana...
– O que tem?
– Tão... chulo.
– É meu jeito, se não te agrada...
– Você é sempre assim?
– Assim como?
– Sem educação.
– Só quando a ocasião pede.
Achei que a conversa deveria terminar ali mesmo e fui saindo, ela segurou meu braço novamente e me puxou de volta.
– Você é tão bonito, por que age desse jeito?
– Por que não agir desse jeito?
E fiz novamente o sorriso cretino. Aliás, esse sorriso cretino é minha marca registrada. Um sorriso de canto de boca com os olhos meio apertados: um charme só. Ela aparentemente ficou horrorizada com a resposta que porque soltou meu braço e ficou com aquele olhar vago, fixando o vazio. Acho que ficaria assim por um minuto inteiro se eu não tivesse intervido.
Aproximei dela, segurei seu rosto com uma mão enquanto colocava a outra na sua cintura. Ela pareceu despertar com um choque e assustar-se, mas não reagiu. Apenas me olhou. Eu olhei seus olhos, sua boca, aproximei meu rosto, puxei o corpo dela contra o meu e parei. Nossos lábios estavam bem próximos.
– E agindo assim, eu agrado?
Foi então que nos beijamos. Um beijo demorado e lento. Um beijo apaixonado. Enquanto a beijava eu acariciava seus cabelos e passava a mão por suas costas. Que pele macia, que cabelos maravilhosos. Acho que nunca vou esquecer a sensação que foi nosso primeiro beijo. Uma sensação deliciosa que sinceramente, nunca mais experimentei desde então.
Terminado o beijo permanecemos abraçados, nos olhando em silêncio. Estávamos nos admirando por alguns momentos. Ela era realmente linda e tinha um jeito muito carinhoso.
– Então...
– Então o quê?
– Isso é porque você não viu graça nenhuma em mim?
– Você viu em mim, isso me basta.
– Você é muito cheio de si.
– Eu transbordo egocentrismo.
– Percebi.
– E aproveitou também.
– Jesus amado, você não consegue deixar de ser assim nem um instante? – disse sorrindo.
– Assim como, sem educação?
– Não. Convencido.
– Ah, eu achei que eu era sem educação. Você muda de idéia muito rápido.
Ela sorriu. Pediu licença, disse que voltava e saiu em direção ao banheiro. Eu olhei o relógio, fui até a saída e pedi ao manobrista que trouxesse meu carro. Voltei à festa para me despedir do Henrique e da Juliana. Retornei à saída onde meu carro já estava esperando, dei uma gorjeta ao manobrista e fui embora.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Tempos apaixonados, tempos apaixonantes
Ontem eu me peguei pensando nela novamente. Dizer isso soa muito engraçado porque não existe ELA especificamente, compreende? Acho que estou vivendo novamente um daqueles momentos mutantes da vida, onde nos pegamos nostálgicos. Relembramos tudo de bom que nos aconteceu e começamos a pensar e pensar e pensar. Assim pensando, pensando e pensando acabamos sentindo saudades.
Ontem eu estava com saudade dela. Daquele friozinho na barriga, daquela euforia desmedida e aparentemente sem sentido de todas as manhãs. Esperança, euforia, decepção, frustração, mais esperança, alegrias, encantos e desencantos. Olhares, sorrisos, lágrimas, mais sorrisos, mais lágrimas, espinhos, pétalas, flores, cores, odores e temores.
Quanta coisa se viveu. Tanta coisa boa, tanta coisa ruim. No final ficam as lembranças, o aprendizado e a maldita saudade. Nós nos esquecemos de tudo, mas um dia a saudade bate e traz à tona tudo que se viveu e a vontade de viver tudo de novo, e nessas horas, no anseio de se reviver, as lembranças se misturam às fantasias, aos desejos e acabamos sentindo saudade até mesmo daquilo que não vivemos, porque também sentimos saudades dos sonhos que aparentemente morreram.
Sonhos são lindos, são maravilhosos e traiçoeiros. Nunca acredite que um sonho morreu. Ele se transforma, metamorfa, se maquia e é maquiavélico. Quando menos esperamos eles voltam pra nos assombrar, de sonhos se transformam em fantasmas. Frustração mal trabalhada, sabe? Faz parte da vida acontece comigo e com certeza acontece, aconteceu ou acontecerá com você. Paciência, não se morre dessas coisas e se formos espertos o bastante ainda conseguimos transmutar esses fantasmas de volta em sonhos. Isso é viver.
Sinto saudades da paixão. Sinto saudades de estar apaixonado. Sinto saudades dos meus sonhos. Sinto medo dos meus fantasmas... e eles sentem medo de mim.
Ontem eu estava com saudade dela. Daquele friozinho na barriga, daquela euforia desmedida e aparentemente sem sentido de todas as manhãs. Esperança, euforia, decepção, frustração, mais esperança, alegrias, encantos e desencantos. Olhares, sorrisos, lágrimas, mais sorrisos, mais lágrimas, espinhos, pétalas, flores, cores, odores e temores.
Quanta coisa se viveu. Tanta coisa boa, tanta coisa ruim. No final ficam as lembranças, o aprendizado e a maldita saudade. Nós nos esquecemos de tudo, mas um dia a saudade bate e traz à tona tudo que se viveu e a vontade de viver tudo de novo, e nessas horas, no anseio de se reviver, as lembranças se misturam às fantasias, aos desejos e acabamos sentindo saudade até mesmo daquilo que não vivemos, porque também sentimos saudades dos sonhos que aparentemente morreram.
Sonhos são lindos, são maravilhosos e traiçoeiros. Nunca acredite que um sonho morreu. Ele se transforma, metamorfa, se maquia e é maquiavélico. Quando menos esperamos eles voltam pra nos assombrar, de sonhos se transformam em fantasmas. Frustração mal trabalhada, sabe? Faz parte da vida acontece comigo e com certeza acontece, aconteceu ou acontecerá com você. Paciência, não se morre dessas coisas e se formos espertos o bastante ainda conseguimos transmutar esses fantasmas de volta em sonhos. Isso é viver.
Sinto saudades da paixão. Sinto saudades de estar apaixonado. Sinto saudades dos meus sonhos. Sinto medo dos meus fantasmas... e eles sentem medo de mim.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Idealização
Angustiado. Assim me sinto agora. Consegui em pouco tempo estragar tudo, como sempre, mas não é culpa minha, pelo menos não diretamente. Sou dessas criaturas sensíveis que se deixam levar pelo arrebatamento de uma paixão repentina e põem-se a fantasiar o futuro e as diversas possibilidades que existem entre o agora e o porvir. Dentro desses devaneios sou capaz de criar as mais diversas probabilidades de um relacionamento feliz, porque assim sou: dedicado de corpo e alma ao bem-estar de ambas as partes dentro de uma relação. Em minha imaginação, eu vejo o teu sorriso e os teus olhos olhando dentro dos meus, como se não fosse capaz de conter sozinha toda a paixão que sente e precisasse de alguma maneira comunicar-me que eu faço parte de tudo isso, como se toda a tua felicidade estivesse contida apenas na minha existência. Imagino-te ao meu lado fazendo todas essas coisas que ninguém mais faz porque estão todos tão ocupados vivendo suas vidas corridas e sem emoção, que acabam se esquecendo que a companhia de quem amamos é a melhor em qualquer momento, até mesmo nos mais simples: vejo estrelas, vejo a lua em todas as suas fases, vejo o sol poente, vejo o sol nascente, vejo o céu limpo e nós dois caminhando lado a lado em um gramado, assim como vejo o céu nublado e nós dois deitados juntinhos assistindo um filme. Sinto tua cabeça deitada em meu peito, e sinto teu cheiro, o cheiro de teus cabelos, a textura de tua tez, o gosto de teus lábios e me perco nessa imensidão toda do teu ser. Um ser que idealizei, e que agora trago aqui comigo corroendo meu peito, por não saber se existirá sequer uma parte ínfima de tudo aquilo que eu criei. Eis a razão da minha angústia. Por quem estou apaixonado? Por você ou pela pessoa que a minha paixão criou?
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Carlos e Carolina
Sábado, três horas da tarde. Carlos voa pela estrada em seu carro conversível, o vento bagunça seus cabelos, no som do carro John Mayer leva o público ao delírio com mais um de seus sucessos. Carlos adora álbums gravados ao vivo porque se sente um espectador na platéia assistindo aos seus artistas preferidos.
O carro desliza de maneira veloz e calma pela estrada que entrecorta a paisagem semi-árida do cerrado do planalto central, local que sempre foi sua paixão. Enquanto dirige ele pensa na vida, em todas as coisas que já fez, pensa em seus objetivos, refaz o seus planos e também canta John Mayer.
Ele ouvia John Mayer no dia em que conheceu Carolina no posto de gasolina. Conheceram-se na loja de conveniência. Tomaram algumas cervejas juntos, e a química foi tão forte que de lá mesmo foram para o motel mais próximo e fizeram sexo apaixonadamente por toda a tarde. Carolina era um misto de vulcão e brisa, nela se reuniam os traços marcantes da mulher fogosa e a simplicidade dos carinhos de uma criança. Tudo isso aprisionado no corpo de uma mulher de aparência bonita, embora não fosse excepcionalmente linda. Uma beleza comum como a que vemos todos os dias em locais do nosso cotidiano como a estação do metrô.
Carlos teve que ir embora de Brasília no dia seguinte, complicações na empresa que trabalhava, a filial de Belo Horizonte estava dando problemas e ele, apesar de seus vinte e três anos, era um auditor experiente e de eficácia inquestionável.
Agora, três meses depois, o problema estava resolvido e ele voltava para Brasília, onde encontraria Carolina no mesmo posto de gasolina. Ansioso e contente, a saudade a apertar-lhe o peito, Carlos sorri atrás de seus óculos escuros, e o vento continua a bagunçar-lhe os cabelos.
O carro desliza de maneira veloz e calma pela estrada que entrecorta a paisagem semi-árida do cerrado do planalto central, local que sempre foi sua paixão. Enquanto dirige ele pensa na vida, em todas as coisas que já fez, pensa em seus objetivos, refaz o seus planos e também canta John Mayer.
Ele ouvia John Mayer no dia em que conheceu Carolina no posto de gasolina. Conheceram-se na loja de conveniência. Tomaram algumas cervejas juntos, e a química foi tão forte que de lá mesmo foram para o motel mais próximo e fizeram sexo apaixonadamente por toda a tarde. Carolina era um misto de vulcão e brisa, nela se reuniam os traços marcantes da mulher fogosa e a simplicidade dos carinhos de uma criança. Tudo isso aprisionado no corpo de uma mulher de aparência bonita, embora não fosse excepcionalmente linda. Uma beleza comum como a que vemos todos os dias em locais do nosso cotidiano como a estação do metrô.
Carlos teve que ir embora de Brasília no dia seguinte, complicações na empresa que trabalhava, a filial de Belo Horizonte estava dando problemas e ele, apesar de seus vinte e três anos, era um auditor experiente e de eficácia inquestionável.
Agora, três meses depois, o problema estava resolvido e ele voltava para Brasília, onde encontraria Carolina no mesmo posto de gasolina. Ansioso e contente, a saudade a apertar-lhe o peito, Carlos sorri atrás de seus óculos escuros, e o vento continua a bagunçar-lhe os cabelos.
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