<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257</id><updated>2012-01-10T14:15:21.589-03:00</updated><category term='Relacionamento'/><category term='Reflexão'/><category term='Klaus'/><category term='Paullus.'/><category term='Canção Desesperada'/><category term='Casamento'/><category term='Samuel'/><category term='Metatexto'/><category term='Trabalho'/><category term='Paullus'/><category term='Monólogo'/><category term='Amores Possíveis I'/><category term='Poesia'/><category term='Hires'/><category term='Romantismo'/><category term='Psicanálise'/><category term='Baixo Rio'/><category term='Sentimentalismo'/><category term='História Suja'/><category term='Clara'/><category term='Miguel'/><category term='Breno'/><category term='Nina'/><category term='Pequena Serenata Noturna'/><category term='Cotidiano'/><category term='O homem no espelho'/><category term='Fuga'/><category term='Tragédias pessoais'/><category term='Dani'/><title type='text'>Cognome - Verdade</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>121</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2141436432329510395</id><published>2010-04-12T20:39:00.001-03:00</published><updated>2010-04-12T20:41:15.921-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Desapego</title><content type='html'>Imaginas que sofro com tua ausência?&lt;br /&gt;De fato conjecturas sobre meus sentimentos.&lt;br /&gt;Imaginas que afundei-me em decadência,&lt;br /&gt;Sofrendo por te ter em meus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensas que lembro-me de ti com afeto,&lt;br /&gt;Que em meu coração ainda encontra alento,&lt;br /&gt;Como se fosse teu refúgio secreto,&lt;br /&gt;Para quando a vida te por em sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofro sim, mas não pense que seja por saudade,&lt;br /&gt;Pois tudo que trouxes foi desgosto e ilusão.&lt;br /&gt;Sofro por teres ido tão tarde,&lt;br /&gt;Agora que descobri que não há solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo os prazeres da vida e da carne,&lt;br /&gt;Sem no entanto ofertar meu coração&lt;br /&gt;Deitei-me com mulheres de todas as idades,&lt;br /&gt;Experimentei o sexo de ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não preciso mais de tuas lamúrias,&lt;br /&gt;Muito menos de seus achaques e sandices,&lt;br /&gt;Descobri que posso viver da luxúria,&lt;br /&gt;E que perder meu tempo contigo, foi pura tolice.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2141436432329510395?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2141436432329510395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2141436432329510395&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2141436432329510395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2141436432329510395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2010/04/desapego.html' title='Desapego'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6818338022531171516</id><published>2010-03-28T10:42:00.002-03:00</published><updated>2010-03-28T10:46:07.847-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Fim / Rotina</title><content type='html'>- Você não sabe amar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritava com lágrimas nos olhos. Cobrava apenas aquilo que considerava a equidade do sentimento que tinha por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferente ele acendeu um cigarro, soprou a fumaça pro alto e fitou-a em silêncio. Aguardando o que mais poderia advir daquela discussão que considerava desnecessária e enfadonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela começou a chorar, primeiro em silêncio, depois parecia fora de si chorava e gritava encolhida no sofá. Naquela situação o silêncio dele a feria mais do que quaisquer palavras que pudesse dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pé diante dela, ele apenas fumava o cigarro enquanto ela chorava. Apagou o cigarro pela metade, sentou-se ao lado dela passou-lhe a mão pelos cabelos. Ela, com raiva empurrou-lhe gritando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sai daqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele levantou-se acendeu outro cigarro e caminhou em direção à porta, abriu-a, olhou pra trás e disse em tom seco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me liga amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi-se embora e nunca mais ouviu falar dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6818338022531171516?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6818338022531171516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6818338022531171516&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6818338022531171516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6818338022531171516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2010/03/fim-rotina.html' title='Fim / Rotina'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8403073968323233209</id><published>2010-03-01T16:10:00.000-03:00</published><updated>2010-03-01T17:11:11.273-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Desaprendizado</title><content type='html'>&lt;small&gt;&lt;em&gt;Começando a conversa: esse talvez seja o primeiro texto declaradamente pessoal que publico em um espaço que não seja o meu bloguinho, meu cantinho escondido onde falo abertamente de mim. Claro que, dentro do meu entendimento de literatura e partindo do pressuposto de que sou uma literata, muitos dos textos que escrevo, embora ficcionais, têm relação comigo ou com vivências que experimentei. Mas, nesse post sincerista, não vou me travestir de literata. Sou eu, palavra por palavra. Fácil não é. Uso a literatura justamente para falar de mim sem me expor. Mas como o espaço é dedicado aos românticos incorrigíveis, me sinto à vontade, é quase como conversar com a melhor amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo um texto sincerista, o estilo também é o sincerismo. Escrevo como falo, como sinto, sem preocupações maiores com o vernáculo. Principalmente por saber que, quando há sentimento, quem também sente entende, e isso independe da forma como é dita. Basta sentir.&lt;/small&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou há quase quinze dias sem ver meu namorado, fato que não ocorre há mais de um ano. Difícil, sabem? Ser dividida em duas cidades sempre faz do período de férias um drama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passar tanto tempo longe da &lt;em&gt;cara persona&lt;/em&gt; acabou me proporcionando diversas epifanias, coisas que tinha ignorado até então e surgiram em momentos de olhar pra dentro. Descobri que, ao contrário do pressuposto comum de que com o amor se aprende, eu desaprendi uma série de coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que tenho medo de andar sozinha à noite. Eu, que sempre curti a noite (entendam, eu disse a noite e não a “nigth”), que sempre caminhei sozinha à noite pra pensar, que andava mais de dez quarteirões com a melhor amiga depois das dez da noite só pra botar a conversa em dia, tenho medo de andar sozinha à noite. Percebi isso ontem, enquanto voltava pra casa saindo da casa de um amigo. Porque há mais de um ano, quando eu volto pra casa, meu namorado tá no banco do passageiro do carro. E parece que só a presença dele garante minha segurança e bem-estar. Não, não me sinto uma mulherzinha indefesa e não vejo nele o guerreiro medieval que vai afastar os monstros na noite escura. É só aquela reação mecânica de pensar que, se algo acontecer, não vai ter ninguém do meu lado pra ajudar. Também não significa que antes eu me sentia Highlander. É difícil explicar. Mas, resumindo: antes dele, eu andava à noite sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri também que não sei mais dormir em cama de solteiro. Sozinha, então, é terrível. Descobri numa noite fria, e não só por me faltar o cobertor de orelha, aquela coisa de dormir abraçadinho e tal. Ilustrando: sempre durmo com o ar-condicionado ligado. E há sempre aquele momento, no meio da madrugada, que o frio do ar aperta. Quando isso acontece e quando estou com ele do meu lado, me basta dizer “amor, tou com frio”. Em um minuto – às vezes até menos – o ar já está desligado, ele já ajeitou os cobertores e já me abraçou daquele jeito dele que me deixa mais aquecida. Parece romance, né? É bem piegas, né? Talvez até seja. Mas quando você acorda no meio da noite morrendo de frio e leva cinco minutos pra perceber que a &lt;em&gt;cara persona&lt;/em&gt; não está lá pra desligar o ar-condicionado, fechar a janela, virar o ventilador pro outro lado, ajeitar os cobertores ou dar aquele abraço, qualquer coisa que demonstre que seu incômodo incomoda também aquele a quem ama, quando você acorda no meio da noite e percebe que não tem ninguém ali do lado que cuide de você, dá um aperto, ó. Uma vontadezinha fajuta de chorar, chorar de saudade porque você se pega pensando se a outra pessoa também está em casa rolando na cama sem conseguir dormir, porque de repente aquela cama ficou enorme demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que todos aqueles rituais matinais vistos nos filmes estão apenas lá, nos filmes, mas que ainda existe uma maneira de amanhecer ao lado da pessoa amada sem perder a ternura. Abraços, desejos de bom-dia, mais abraços, ele se levanta pra se preparar pra sair (eu me dou ao luxo de ficar na cama até as onze). Toma um banho, come alguma coisa – se o horário permite – e sempre antes de sair me dá um beijo, um abraço e me deseja de novo um bom-dia. Às vezes diz que vai tentar resolver o que tem pra resolver e voltar, e se volta, me traz coxinha de frango e Baré, café da manhã dos campeões. E assim eu desaprendi não só a dormir sozinha mas, obviamente, a acordar sozinha, e meu humor oscila durante o dia se não tenho nosso rituais matinais. É como se a ausência do desejo dele de bom-dia acabasse influenciando no meu dia de fato, deixando ele bem meia-boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que assistir a competições de artes marciais sem ele também não tem graça nenhuma. E olha que eu adoro artes marciais. Sempre assisti ao UFC, campeonato de MMA (mixed-martial-arts, o antigo vale-tudo), mas com ele tudo fica tão mais engraçado e divertido, sabe como? Porque não é só assistir ao evento. É deixar de sair num sábado à noite, comprar umas cervejinhas e acompanhar com fervor religioso os competidores se matando numa gaiola – e o amor tem dessas coisas, de transformar em poesia um esporte violento. Tentei assistir ao UFC sem ele durante as férias, mas dormi durante o primeiro round da primeira luta. E isso nunca tinha acontecido antes dele. Com ele, então, impossível. Porque ao menor cochilo eu acordava assustada ao som de “pega, puta! Dá na cara dele! Joelhada, joelhada! Muito foda, muito foda!”. Claro que é incrível descobrir, no meio de tanta gente, alguém com tanta afinidade para as coisas menos prováveis, como o MMA. E quando se encontra, parece que não dá mais pra dissociar. Daí a gente desaprende a acompanhar se a pessoa não está por perto, pra fazer com que o gosto pela coisa faça sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que todo esse processo de desaprendizado leva a pessoa a aprender coisas novas. Aprendi e aceito a condição de lembrar dele ao ouvir heavymetal, e por lembrar dele, de sentir saudade de ouvir heavymetal. Aprendi a perder uma tarde inteira assistindo ao desenho animado preferido dele (Flapjack, recomendo, passa no Cartoon) só pra ter a impressão de que estamos juntos em casa e eu o observo rachar de rir enquanto assiste. Aprendi que saudade dá pra se matar assim, aos poucos e com pequenas coisas, enquanto não chega o momento de estar junto de novo. Aprendi que o meu lugar preferido do mundo é o peito onde ele me abriga, ainda que à distância, ainda que quebrada em duas cidades, e acredito no poeta que diz que &lt;em&gt;deve haver um porto¹&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como pude descobrir, à la Orkut, o que aprendi com os relacionamentos anteriores (impossível deixá-los de lado, sou feita de memória): o amor é cigano. Caminha, caminha, caminha, tece trilhas e mais trilhas até o local perfeito pra se parar e descansar. &lt;em&gt;The long and widing road that leads to your door²&lt;/em&gt;. O longo e sinuoso caminho que me levou até a porta dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;small&gt;1 – Caio Fernando Abreu&lt;/small&gt;&lt;br /&gt;&lt;small&gt;2 – Lennon &amp; McCartney&lt;/small&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8403073968323233209?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8403073968323233209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8403073968323233209&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8403073968323233209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8403073968323233209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2010/03/desaprendizado.html' title='Desaprendizado'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3587743540992694841</id><published>2010-02-01T16:48:00.003-03:00</published><updated>2010-02-01T16:50:07.615-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fuga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hires'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;ele grita. ela olha. ele berra mais alto. ela acende o cigarro entra as unhas já não mais tão perfeitamente vermelhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ele fala, agora mais manso: "me responde. me res-pon-de."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ela termina o cigarro. joga no chão. apaga. vira as costas. e fala. ainda de forma que ele escute.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"quando tu aprender a ser homem, tu me procura."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3587743540992694841?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3587743540992694841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3587743540992694841&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3587743540992694841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3587743540992694841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2010/02/ele-grita.html' title=''/><author><name>hires héglan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17415775622982647030</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_WOyBd4_B3YI/SXSy11rbZHI/AAAAAAAAANo/QHPlgz1itug/S220/15-08-06_1627.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-117240777677541865</id><published>2010-01-19T17:45:00.000-03:00</published><updated>2010-01-19T18:39:09.060-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Epifania mal-interpretada</title><content type='html'>Era tarde. Quer dizer, à tarde. Eu caminhava pelo deserto semi-árido que é Brasília no período da seca, entre o Palácio do Buriti e o Memorial JK. Tinha perdido um ônibus, eu acho. Ou sei lá, acho que ia até o Sudoeste a pé, justamente por ter perdido o ônibus, isso. Ia passar na casa dela por algum motivo que não me lembro agora, só que era um motivo doído. Tipo acertar os detalhes da separação. Tipo pegar a caixa com as minhas coisas essenciais ("os quadros deixa aí que eu coloco pra vender numa galeria depois" - ela disse, muito vaca. Comprei aqueles quadros de um artista vanguardista que ela adorava a um preço absurdo, dá pra entender a revolta?). Enfim, eu tinha rompido com a mulher da minha vida, o ser humano a quem mais amei na face da terra e por quem briguei com minha mãe e fui banido de todos os almoços de família para sempre. Deus, como eu amava aquela mulher. Mas ela, bruxa má do oeste, percebeu que em algum momento eu a sufocava e quis dar no pé. Quer dizer, dar no pé é só pra ilustrar a situação, porque quem ficou sem carro e sem apartamento fui eu. Porque eu jamais deixaria a mulher amada e desamparada na rua da amargura. Sendo que a rua da amargura dela era um outro cara no meu apartamento. Que agora era dela. Não sou um monstro, sou um romântico burro e incorrigível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando. Perco o foco às vezes, desculpem aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava debaixo daquele calor inclemente de Agosto caminhando em direção à casa que um dia foi minha ouvindo uma das musiquinhas mudernês que ela gostava. Nem sei o nome da banda. Tinha colocado no meu mp3 porque me fazia lembrar dela, e sou desses que gosta de se torturar após um fim de relacionamento. Eu não gostava daquele tipo de música até ela aparecer na minha vida. Ela era mudernê, entendam, eu era um classicista chato, extremamente preconceituoso e sem vontade de conhecer nada novo. Brigávamos horrores por conta disso, porque ela queria ir pras festas de discotecagem mudernê da cidade e eu nem queria ir e nem queria que ela fosse, porque ficar sem ela por algumas horas me deixava em completo desespero. Eu emburrecia sem ela. Sabe como? Não sabia o que fazer das pernas. Mas ela queria ir, e batia o pé, e dizia que se sentia um pássaro aprisionado na gaiola comigo. Eu também odiava essas metáforas, ela era a rainda das metáforas, mas como eu a amava eu suportava isso. E depois que ela me deixou eu virei o rei das metáforas também, mas perdi meus amigos por conta disso. No fim das contas ela acaba indo pras festinhas mudernês e eu ficava em casa macambúzio olhando pro relógio de minuto em minuto esperando seu regresso. E quase sempre colocava um brega sofrido no som porque era assim que eu me sentia, um cara brega que sofria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tentar desenvolver o tópico sem resgatar esse tipo de lembrança dolorosa. Bom, era à tarde de um dia quente e eu tinha perdido o ônibus e então eu decidi ir caminhando até a casa dela pra buscar qualquer coisa minha da qual ela queria se livrar. Era agosto. Em Brasília. Isso significa que nessa época do ano faz um calor desgracento e o tempo seco e a baixa umidade não ajudam em absolutamente nada, apenas no pôr-do-sol mais bonito que já vi na vida. Então era agosto, e como é final do período da seca, costuma chover de uma hora pra outra, chuva das fortes mesmo, repentinamente, como ela me deixou, r-e-p-e-n-t-i-n-a-m-e-n-t-e. Então eu ia caminhando quando olhei pro céu e percebi que lá no horizonte ele estava mais carregado que o meu peito (eu disse que tinha virado o rei das metáforas). Ia chover em cinco minutos, no máximo. Vocês conhecem Brasília? Na região central existe apenas um descampado com cerrado seco, sem árvores, sem prédios com marquise, sem absolutamente nada que possa fazer um pobre coitado se abrigar da chuva. A maior parte do tempo eu amo Brasília, mas nessas horas ela me dava um pouco de raiva. Ia cair um temporal e eu estava completamente desabrigado, obviamente sem guarda-chuva, porque ao sair de casa pela manhã estava um sol insano. Eu me sentia a criatura mais tola e infeliz da face da terra, caminhando no sol e depois na chuva só pra ver por dois minutos a mulher que me largou. E muito embora em tempos outros eu conseguisse ver poesia e beleza nisso tudo, nessa hora só um alarme apitava na minha cabeça, como se dissesse que eu estava deixando de fazer sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva chegou antes do previsto (como eu disse, r-e-p-e-n-t-i-n-a-m-e-n-t-e), mas não me pegou. Curiosamente, no exato ponto em que eu estava, não chovia. Como num desenho animado, só que ao contrário. Olhei para o céu, como se pedindo clemência, ou até mesmo agradecendo por não estar encharcado, e vi a metáfora de mim mesmo. Parado ali, com uma nuvem negra ao meu redor, e só havia luz sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu não tenha entendido direito a coisa. Saí do spot de luz que Deus tinha me dado por breves momentos, como uma epifania bizarra e completamente palpável, e caminhei ainda mais decidido à casa da mulher amada. Obviamente peguei muita água no caminho, porque o spot de luz ficou lá, paradinho, sem me perseguir (no momento achei que isso fosse acontecer, ainda como num desenho animado, sabe como? Só que ao contrário, no desenho animado chove sobre você, e esse não era o caso). Depois de quase meia hora de caminhada e encharcado até os ossos, toquei a campainha do apartamento que era meu, virou nosso e agora era dela. Ela abriu a porta e sequer se dignou a me oferecer uma toalha, só pediu pra eu esperar que ela já voltava com as caixas. Quando voltou, perguntei se ela podia me dar uma carona, porque estava chovendo, ela se desculpou e disse que não podia por estar muito ocupada. Ficou parada à porta me olhando com cara de "por que você ainda não foi embora" quando eu desperdicei toda a epifania que Deus me deu naquele momento anterior, aquela coisa toda da luz e da chuva. Pedi a ela que voltasse pra mim, pelo bem da minha saúde. Prometi a ela que a deixaria respirar, como se eu garantisse que abriria a gaiola pra ela dar uma voltinha e quem sabe fazer as fezes longe do jornalzinho (não disse isso, mas soou como se eu tivesse dito, o que pensei depois ser uma grande estupidez). Prometi que seria o melhor marido do mundo e faria dela a mulher mais feliz e amada da face da terra. Ela só me pediu pra ir embora. Mais nada. Só disse "por favor, vá embora". Joguei a caixa com meus pequenos pertences no chão e a abracei pela cintura, desesperado mas sem chorar, e disse que não sabia o que fazer da vida sem ela. Ela se afastou, foi tudo tão rápido, ela se afastou e o punho cerrado do cara que eu não conhecia e morava com ela atingiu meu nariz com tanta precisão que na hora nem senti dor. Fiquei pensando "Deus, que golpe preciso, será que ele luta?" até cair no chão. Senti o sangue quente escorrer pelo rosto e aí doeu, porra, doeu muito. Ela não se mexeu, ficou lá em pé parada com cara de vaca ainda esperando que eu fosse embora. Eu me levantei, limpei o nariz sangrento na camisa de maneira absolutamente inútil e fui embora com minha caixa com meus pequenos pertences e deixando pingos de sangue pelo corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saí do prédio já não chovia mais e o calor abismal tinha voltado. O sangue secou no meu rosto e coçava. E eu olhei pro céu com raiva de Deus, porque na minha cabeça aquela luz sobre mim indicava que, se eu pedisse com carinho, ela me aceitaria de volta. É, eu não era bom em entender sinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apareci na casa da minha mãe a cara do abandono. Ela se encheu de pena, quis me dar banho, disse que ia matar a vaca e essas coisas que mães falam. Fui pro quarto que ainda era meu, mesmo depois de banido, me joguei na cama e chorei com tanto gosto que até desanuviou o peito. Uns dez minutos depois, minha mãe abriu a porta e disse, toda alegrinha "veja pelo lado positivo, agora você pode participar dos almoços de domingo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-117240777677541865?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/117240777677541865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=117240777677541865&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/117240777677541865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/117240777677541865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2010/01/epifania-mal-interpretada.html' title='Epifania mal-interpretada'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-9078669920612201101</id><published>2009-08-25T15:33:00.000-03:00</published><updated>2009-08-25T15:34:59.513-03:00</updated><title type='text'>Da fome</title><content type='html'>Tem gente que se alimenta de comida. De música. De amor. De luz. Ela se alimentava de mágoa. Deixava acumular, fingia que perdoava, chorava sozinha e mordia a ponta dos dedos, sentindo toda a mágoa do mundo de uma vez só. E somente quando se cansava muito é que ela conseguia sair da letargia e, por fim, se recuperar. Mas só pelo excesso de mágoa que deixava juntar no peito. Como se no fundo do fundo do poço sem fundo houvesse uma mola que se alimentasse também das dores dela, e somente muito pesada pudesse impulsioná-la para fora. Alimentada de mágoa ela conseguia levantar da cama e organizar a casa, tirar dois quadros da parede, arrumar o banheiro que está há dias esperando o conserto, somente alimentada de mágoa ela sentia que tinha que se reencontrar e, sabe? Viver. Porque sem isso era como se não houvesse fome. E sem fome era como se não houvesse porque levantar da cama depois de dois dias. Ela se enchia de mágoa pra comer o próprio coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-9078669920612201101?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/9078669920612201101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=9078669920612201101&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/9078669920612201101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/9078669920612201101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2009/08/da-fome.html' title='Da fome'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-4486200479211450334</id><published>2009-07-29T10:32:00.003-03:00</published><updated>2009-07-29T14:29:50.159-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Devaneio</title><content type='html'>Ele vinha caminhando rua abaixo imerso em pensamentos. Em meio a seus pensamentos rápidos e atropelados divagava sobre tudo e sobre nada enquanto seu corpo caminhava automaticamente para lugar algum. Era como se o mundo ao seu redor não existisse até o instante em que chocou-se com outra criatura tão distraída quanto ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa&lt;br /&gt;- Eu que peço desculpa estava aqui viajando e nem te vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despediram-se e seguiram seus caminhos confusos de destinos incertos. Ele sentou-se num banco e pôs-se a tentar devanear como já fazia antes da  brusca interrupção que sofrera, foi quando deu-se conta de que não pensava em nada antes de interromperem-no. Quanto mais pensava menos conseguia lembrar de seus pensamentos anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou então a ser tomado por um sentimento incômodo de não ter em que pensar. Todo mundo tem no que pensar, oras. Por que justamente ele não conseguia pensar em outra coisa além da incômoda sensação de não conseguir pensar? A dúvida o torturava: teria ele algo em que pensar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se e pôs-se a observar os transeuntes. Todos sisudos, estariam eles imersos em seus mundos de problemas inexistentes e medos injustificáveis? Não tendo no que pensar começou a pensar sobre o que estariam os outros pensando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora caminhando do outro lado da rua tinha um olhar despreocupado, enquanto aquele homem de meia-idade que passava por ela naquele exato instante tinha um caminhar apressado. De cabeça baixa e cara amarrada facilmente seria comparado a um touro pronto para atacar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando deu-se conta de que estava observando as pessoas então pensou consigo se alguém o estaria assistindo naquele exato instante. Deu um giro sobre si mesmo procurando seus possíveis observadores e nada encontrando voltou a observar os outros e tentar descobrir sobre o que eles pensavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomado por grande curiosidade decidiu que teria que decifrar o mistério. Uma jovem de uns vinte anos de idade vinha subindo a rua. Cabisbaixa, usava toca e cachecol para se proteger do frio e enquanto respirava soltava aquela fumaça resultado da diferença da temperatura corporal para o ambiente frio que a circundava. Resolveu perguntar o que ela pensava e imaginou grandes respostas sobre trabalho, família ou faculdade. Talvez o término de um relacionamento ou o início de um novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, quando ela ultrapassou-o ele soltou um grito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hey!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela parou de andar e voltou a cabeça para ele, por sobre os ombros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está pensando no quê agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela voltou a caminhar com um passo ainda mais apressado e saiu balançando a cabeça, deixando-o na dúvida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-4486200479211450334?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/4486200479211450334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=4486200479211450334&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/4486200479211450334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/4486200479211450334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2009/07/devaneio.html' title='Devaneio'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2491555891986762782</id><published>2009-03-04T18:30:00.000-03:00</published><updated>2009-03-04T18:40:36.664-03:00</updated><title type='text'>Dos excessos</title><content type='html'>Assim como veio foi, e quase como num daqueles blues antigos, o que me sobrou foi muito tão pouco que considero nada. Havia tanta fome um dia, havia tanta sede um dia, havia tanta de tanta coisa que hoje em dia nem sei dizer se era enfim real o que havia. Era tanto sentir. Assim como veio foi, aquela necessidade de sangrar por todos os poros pra ver se ainda havia vida, porque de tudo que havia, a vida é o que menos preenchia os espaços. E de todas as lacunas vazias, a tua presença não preenchia as mais severas do peito, disso eu sabia, mas não sentia porque teu olhar me dizia coisas outras. "E de te amar assim muito e amiúde", dizia o Poetinha e eu repetia aos brados pelos cantos do peito porque eu acreditava nisso. Ah, eu te amava demais. Hoje em dia só ficou o café de requentar, o pão com manteiga do café que me olha quando chego à noite em casa. Hoje em dia só ficou o ficar, porque de tudo que havia, constato, nada aconteceu de continuar a existir, como se de mim uma parte você tivesse transformado em todo e assim levado contigo o todo que sou eu. E um dia aconteceu de você me perguntar "por que você me ama assim, hein? nesse exagero todo de quem vai morrer?". E aconteceu de responder "porque se eu não te amar eu morro, oras". Oras, não era claro? Mas, olha só, nem morri. Chorei, sequei, mas nem morri.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2491555891986762782?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2491555891986762782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2491555891986762782&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2491555891986762782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2491555891986762782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2009/03/dos-excessos.html' title='Dos excessos'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5354612503772277653</id><published>2008-12-16T18:00:00.001-03:00</published><updated>2008-12-16T18:16:28.274-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Semi-árido</title><content type='html'>A luz amarelo-mortiça do poste deixava a rua com uma aparência meio mórbida. O frio de enregelar ossos uivava no meu ouvido. Era quase um deserto, e eu esperei em vão ouvir um barulho seco de um disparo. Eu ouvia as passadas dela à minha frente e cada passo doía, como um golpe seco, como doía. Ela ria, bêbada, e gritava &lt;em&gt;andiamo, andiamo!&lt;/em&gt;, mas eu não conseguia alcançá-la. Talvez tivesse medo de alcançá-la, na verdade. Porque de nada adiantaria chegar até lá pra não conseguir dizer que eu a amava. Porque eu nunca consegui escrever poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que ela ligasse pra poesia, ela não ligava pra maioria das coisas que eu ligava, e no estado em que se encontrava, ela não ligava pra absolutamente nada. Minha prima, ela. Meu amor desde que tenho lembrança. Minha melhor amiga. Que me ligou no início da noite pra dizer que o namoro tinha acabado e ela estava arrasada e ia beber umas vodcas pra variar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu visse ali, em sua dor e embriaguez, uma possibilidade pra dizer a ela que eu a amava sem medida, desde sempre, e que ela nunca soube porque eu nunca pude dizer. Não, eu não via. Porque quando a encontrei, já bêbada, o seu olhar seco (como o golpe seco que era cada passada dela, como o vento seco que corria naquela noite árida, como seco é o som do disparo que me acordaria pra vida) me disse que ali não haveria mais nada de amor, pelo menos não por um tempo, aquele tempo que todo mundo precisa quando sofre uma desilusão, e costuma desperdiçar em todos os bares da cidade. E não, não poderia só me aproveitar de sua fragilidade pra ter uma noite tórrida de um sexo embriagado e seco, porque a ela eu amava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuava a correr e eu continuava a lhe acompanhar, de longe, não queria sentir o cheiro do cabelo dela. Até que ela parou, olhou pra trás com olhos de perdição e piedade, o olhar que ela tinha vez em quando e que me dilacerava e pediu: primo, me leva pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pude lhe oferecer um abraço, sabendo que ali estaria toda a minha poesia, transbordando dos meus braços pro corpo dela, mas era tudo que eu podia. E senti seus cheiros, tanto o perfume quanto o hálito de vodca quanto o suor da correria quanto o sangue do joelho machucado quanto o vômito da esquina anterior e amei todos aqueles cheiros num desespero silencioso e momentâneo, e fui feliz tendo todos aqueles cheiros assim tão perto de mim. E a levei pra minha casa e a deitei na minha cama e ela adormeceu de embriaguez e dor. E eu adormeci no chão, ao lado dela e sentindo a respiração dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei no meio da tarde seca e cinzenta, só havia dela os cheiros deixados, cheiro de suor seco, de sangue seco, de embriaguez seca, vômito seco, lágrima seca e coração seco. Assim como era seco o disparo que ouvi e que me acordou naquele deserto semi-árido que era a tarde. Meu coração junto com o dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5354612503772277653?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5354612503772277653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5354612503772277653&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5354612503772277653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5354612503772277653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/12/semi-rido_16.html' title='Semi-árido'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2106565722828240806</id><published>2008-12-08T19:24:00.002-03:00</published><updated>2008-12-09T08:26:15.145-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Limites ultrapassados</title><content type='html'>Nós estávamos nessa vida terrível de idas e vindas. Terminamos nos últimos três meses coisa de umas 7 vezes. Brigávamos pelos motivos mais banais, e reatávamos pelos menos importantes. Não havia nada que nos mantivesse unidos, nem nada que conseguisse nos manter separados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que, nunca na minha vida, viverei algo tão intenso quanto o fim desse relacionamento. Agora que acredito que ele realmente tenha chegado ao ponto sem retorno, vejo que amadureci demais. Vivenciei sentimentos que jurava ser incapaz de sentir. Odiei, perdoei, odiei ainda mais e alcancei novamente o ápice do perdão. Quis vinganças, busquei serenidades e cheguei até a admitir que a situação estava fora do meu controle, coisa que, para mim, é praticamente impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de eventos descabidos, como eu me trancando no banheiro para não levar uma facada, ou ela correndo escada abaixo de camisola para não levar uma surra, finalmente cheguei à conclusão de que havíamos ultrapassado até mesmo o limite do irracional. Obviamente não foi uma decisão comum. Xingamos-nos, brigamos, nos agredimos fisicamente e no auge da briga começamos a nos beijar. Um beijo intenso, vívido e quente. Desses que imaginamos ser coisa de novela até nos acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizemos sexo. Um sexo sem limites, sem perversão e sem sentimento. Sexo puro e simples. Depois de terminado o coito eu limpei o canto da minha boca, que sangrava por causa de uns socos que ela havia me dado após desferir-lhe um tapa na cara. Olhei o sangue em minha mão e vi meu rosto marcado nas dezenas de reflexos no espelho quebrado, que milagrosamente manteve-se  na moldura do guarda-roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali eu entendi o grau de insanidade a que havíamos chegado. Sem falar nada eu retirei as malas de cima do guarda-roupa e comecei a jogar minhas roupas dentro. Ao ver a cena ela começou a pedir que eu não fosse embora, que eu era tudo que ela queria na vida. Vendo que não me abalei ante seus apelos ela se pôs a chorar e começou a me xingar. Xingou-me de uma maneira tão impiedosa que, por um milésimo de segundo ponderei recomeçar a briga que havíamos acabado de encerrar como dois animais no cio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fechei a mala e comecei a vestir a roupa que eu estava usando antes ela começou a me bater. Desvairada. Chorava, gritava, xingava e me batia. Eu estava tão decidido que parecia que não estava vivendo aquela cena. Eu apenas continuei me vestindo calado enquanto ela me batia e ficava cada vez mais fraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdeu as forças e sentou-se nua no chão, sem importar-se com os cacos de vidro espalhados, os restos de um porta-retratos com uma linda foto nossa. Botou a cabeça entre os joelhos e chorou todas as lágrimas do mundo. Um choro convulsivo e desesperador que sequer me tocou. Havíamos ultrapassado o limite há muito tempo, muito embora só ali eu tenha me dado conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei a mala e sai porta afora. Quando cheguei ao térreo do prédio o celular tocou. Era ela. Eu apenas atirei o aparelho no espelho d'água na entrada do prédio, sem atendê-lo. Dirigi-me até o carro, acendi um cigarro e olhei pela última vez para a janela do apartamento onde morávamos. Joguei a mala dentro do carro e sai guiando sem direção até parar em um desses botecos de esquina, tão imundos na entrada que chega a dar medo de pensar em como é o banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi uma garrafa de uísque e adormeci na mesa do bar, embriagado com aquele uísque falsificado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2106565722828240806?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2106565722828240806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2106565722828240806&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2106565722828240806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2106565722828240806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/12/limites-ultrapassados.html' title='Limites ultrapassados'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-1592224642737170079</id><published>2008-11-12T18:18:00.000-03:00</published><updated>2008-11-12T18:42:58.825-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'></title><content type='html'>Ele vinha, passava um tempo que eu considerava a eternidade ao avesso e depois sumia, demorava uma eternidade de verdade pra voltar. E eu sei lá o que ele fazia quando ia. Sei que ele ia e eu me afogava em Lou Reed e cigarros e, pasmem, adquiri o hábito bacana de beber uísques todos os dias, umas duas ou três doses duplas de qualquer uísque que aparecesse. E ele devia andar a fazer trilhas ou qualquer coisa pseudo-inteligente, dentro das diversas decisões pseudo-inteligentes que ele havia tomado quando éramos um casal feliz - é assustador pensar que já fomos um casal feliz e hoje temos uma relação assim-assim. Porque, assim, quando éramos um casal feliz as coisas iam em conjunto e tínhamos os mesmos gostos e vontades, e de repente não mais que de repente ele resolveu que a vida andava parada demais e tinha tanta coisa pra se ver, não acha? Não, não achava, queria só ficar por aqui, mas ele achava que tinha tanta coisa pra se ver e se foi, oh, se foi mesmo, de verdade verdadeira, e me deixou a comer unhas e enlouquecer um pouco a cada dia. Passava uns três meses em destino incerto e não-sabido e voltava com uns presentinhos fajutos, arte de hippie, e eu me desmilinguia toda porque, no fim das contas, ele havia pensado em mim por um minuto que tivesse sido. Aí passava uns dias comigo, dias loucos e cheios de vida e sexo e amor, muito amor meu, depois partia pra um outro lugar que ele tinha a certeza que precisava conhecer. E aí eu me afundava de novo em cigarros e Lou Reed, e antes eu me afogava em vodka porque era a nossa bebida, nossa amada puta russa, mas depois fui acumulando umas raivas dele e abandonei a puta russa também, quando eu me embriagava muito eu sentia o cheiro dele nela ou por causa dela ou qualquer coisa nesse sentido e me enchia de ciúme e mágoa. E quando ele me ligava eu chorava e pedia peloamordedeus que ele voltasse logo porque senão eu ia pintar meu cabelo de laranja e a parede do quarto de preto, ia fazer um corte moicano no nosso cachorro (o Zé, criaturinha agradável) e ter um filho com um desconhecido. Ele ria e perguntava se eu queria ir pra onde ele estava, pedia pra ele dizer mas ele não dizia, falava que não ia e ele suspirava e desligava o telefone. Numa dessas ele me ligou de Portugal. Não acredito, não acredito, não acredito que você foi parar em Portugal sem mim, eu berrei no telefone, abraçada com carinho à garrafa de Jackson Daniel, meu atual melhor amigo. Ele suspirou fundo fundo bem fundo e falou que o tempo todo ele quis me levar mas eu nunca quis ir, estava com os pés fincados a este apartamento de quarto-e-sala que a terra um dia há de comer junto com meus olhos porque vou pedir pra ser enterrada dentro dele ou junto com ele e ai da funerária se não houve um caixão que caiba, volto pra infernizar a vida de todo mundo. Não, não é bem assim, você quis fazer isso sozinho, eu repliquei. Ele suspirou ainda mais fundo e disse que andava cansado, sabe? Tava pensando em parar um pouco em algum lugar pra ver o que acontecia. Eu te amo, eu disse. Para por aqui e você descansa e a gente descansa junto pra sempre. Isso soou meio mórbido, descansar junto pra sempre. Você quer me matar?, ele perguntou num misto de susto e riso e eu me dei por tranquila, sorri para o Jackson Daniel e ele sorriu pra mim, porque eu sabia que mesmo em Portugal meu amor pensava em mim. Pelo menos eu achava, né, porque ele nunca voltou, já tem um ano ou mais isso, nunca voltou, nunca mais ligou, mas eu sei que anda vivo porque a mãe dele me disse da última das trezentas vezes que liguei na casa dele. A mãe dele me disse que ele ainda estava em Portugal e deve andar se entupindo de pastéis de Belém ao lado de uma portuguesa bigoduda com certeza. Enquanto isso eu continuo aqui, com meu Lou Reed e meu Jackson Daniel e meus cigarros, na decisão pseudo-inteligente de não utilizar a passagem que comprei pra ir atrás dele. Porque, você sabe, se entupir de pastéis de Belém não é uma coisa saudável de se fazer. Meus poucos amigos me dizem que devo aceitar que acabou e pronto, mas eu acho só que ele esqueceu, ou perdeu alguma coisa no meio do caminho. Prefiro acreditar nisso a aceitar o fato de que meu amor partiu. O Jackson Daniel concorda comigo. E um cutelo na cabeça da portuguesa bigoduda até que ia bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-1592224642737170079?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/1592224642737170079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=1592224642737170079&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1592224642737170079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1592224642737170079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/11/ele-vinha-passava-um-tempo-que-eu.html' title=''/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6801931664798617577</id><published>2008-11-04T16:56:00.002-03:00</published><updated>2008-11-04T17:02:03.318-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romantismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Casais</title><content type='html'>Caminhavam felizes pela calçadinha do parque, naquele pôr-do-sol típico de Brasília. Aquele céu encantador com suas tonalidades rosáceas, alaranjadas mesclando-se à negritude da noite que se aproximava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo era alto, esguio e sorridente. Priscila era baixa, formosa e séria. A despeito dessa disparidade notória, formavam um casal perfeito. Suas discordâncias eram saudáveis e enalteciam as discussões do casal. Discussões das quais, não raro, ambos saiam com pontos de vista transformados, característica comum dos que estão abertos á novas idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinavam em tudo, até mesmo nesse gosto provinciano de caminhar de mãos dadas ao final da tarde, enquanto o sol se põe. Caminhavam felizes conversando sobre a vida, o cotidiano e sobre os planos futuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele levava a vida como uma grande brincadeira o que fazia com que Priscila assumisse o papel da pessoa lúcida do casamento. Marcelo era a alegria que faltava a Priscila e ela era a seriedade que falta a ele. Uma relação simbiótica ímpar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta segunda-feira brasiliense típica eles caminhavam pelo Parque da Cidade, um casal de idosos ia à sua frente também caminhando, enquanto eram ultrapassados pelos atletas amadores, ciclistas de patinadores. Apenas caminhavam pelo prazer de estar lado a lado ao final de um dia de trabalho estressante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, amor...&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Não entendo como alguns casais não conseguem e manter juntos.&lt;br /&gt;- Que papo é esse? Eu, hein...&lt;br /&gt;- Ah, é que o Augusto lá do departamento tá se separando.&lt;br /&gt;- Sério? Por quê? Aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;- Ah, eu perguntei a ele. Disse que não dá mais. Só isso.&lt;br /&gt;- Como assim "não dá mais"?&lt;br /&gt;- Foi o que eu perguntei. Ele só repetiu que não dava mais e saiu meio nervoso.&lt;br /&gt;- E porque ele ficou nervoso?&lt;br /&gt;- Foi o que eu me perguntei, mas não tive coragem de perguntar a ele. Na verdade eu acho que ele ainda gosta dela.&lt;br /&gt;- Se gosta, por que vai separar?&lt;br /&gt;- Porque não dá mais.&lt;br /&gt;- Todo engraçadinho, você, né?&lt;br /&gt;- Ah, amor. Eu penso nessas coisas e fico com medo de acontecer com a gente.&lt;br /&gt;- E porque você acha que pode acontecer conosco?&lt;br /&gt;- Não sei. Vai ver é só um medo bobo, mas não deixa de ser um medo.&lt;br /&gt;- Eu não tenho medo.&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;- Não. Quero você e pronto.&lt;br /&gt;- Que bom então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraçou-a. Enquanto conversavam aproximaram-se do casal de idosos que, inevitavelmente ouviu a conversa. Enquanto Marcelo e Priscila se afastavam abraçados e sorridentes, Seu João olha Dona Catarina. Abraça-a, dentro das possibilidades que seu corpo enrijecido permite e lhe beija a face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi assim que a gente conseguiu não foi, meu bem?&lt;br /&gt;- Deixa de ficar ouvindo a conversa alheia, velho safado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6801931664798617577?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6801931664798617577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6801931664798617577&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6801931664798617577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6801931664798617577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/11/casais.html' title='Casais'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3529905537355654328</id><published>2008-10-09T17:55:00.000-03:00</published><updated>2008-10-09T18:08:18.378-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Noite de Bukowski</title><content type='html'>Não fiquei necessariamente surpreso quando ela anunciou, de maneira apoteótica, o fim do nosso casamento. Fiquei ofendido, de certa forma. Assim, não que o casamento tivesse salvação, estávamos num declínio vertiginoso há anos, mas eu não podia aceitar que ela me deixasse, como macho dominante que sou – ou pelo menos devia ser. Tentando recuperar um restinho de dignidade, anunciei que ela podia até me deixar e nunca mais olhar na minha cara de novo, mas quem sairia de casa seria eu. Ela riu, condescendente. “Moramos na casa dos seus pais, idiota”. Titubeei um segundo, não tinha atentado praquilo, e de repente sair de casa me pareceu sem sentido. Mas me mantive firme na decisão. “Não faz diferença. Quem deixa esse lugar que um dia, sonhadoramente, chamei de lar, sou eu”. Ela riu de novo, mais condescendente ainda, e aquilo me irritou. Peguei uma mala no armário, enfiei minhas roupas de qualquer jeito e por último arremessei meu portfólio de fotografias por cima de tudo, de um jeito propositalmente dramático. Ela me olhava e eu sei que se enchia de pena a cada segundo que passava, mas mantive minha cena cinematográfica. Fechei a mala de qualquer jeito, dei uma última olhada pelo quarto e saí sem olhar pra ela. Passei no quarto dos meus pais e inventei uma viagem de última hora, não queria preocupá-los, e fui embora. A pé, porque fugir da casa dos pais com o carro que o pai te deu não me pareceu muito rebelde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo seguinte já estava arrependido, porque chovia a cântaros e cada osso do meu corpo doía com o frio. Caminhei até um hotelzinho do centro, o atendente mal humorado da recepção me jogou num quartinho de segundo andar com a janela emperrada e o ar condicionado quebrado. O quarto cheirava a casa de gente morta. O chuveiro só tinha água gelada, então só troquei de roupa e me joguei na cama. Por um segundo pensei estar agindo feito um estúpido, mas como essa era uma sensação velha conhecida, não lhe dei atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ter dormido duas horas, aproximadamente. Depois de beber todos os mini-uísques que vi pelo quarto (e não eram muitos), liguei para a recepção e perguntei ao atendente mal humorado se ele sabia onde ficava o bar mais próximo. Não consegui entender uma palavra do que ele me disse, mas soou como “primeira à esquerda, segunda à direita, putas baratas”. Ainda tentei retrucar esclarecendo que não estava à procura disso, mas ele simplesmente desligou o telefone. Peguei minha câmera e saí fotografando as ruas da cidade, os postes, ainda caía uma chuvinha fina, mas eu fotografei tudo que vi pela frente. Os passantes me olhavam de maneira suspeita, acho que não era comum alguém fotografar àquela hora da noite um lugar que seria teoricamente sem atrativos. Mas a luz (ou a ausência dela) me atraiu naquele lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei caindo na esquina das tais putas baratas, e elas realmente estavam lá. Fui a um bar próximo, tomei uma cerveja gelada cujo primeiro gole me pareceu irreal e pedi para fotografá-las. Elas riram, meio tímidas, me perguntaram se era algum tipo de tara, expliquei que não, que era fotógrafo e queria fotografá-las, podia até pagar por foto, sei lá. Então elas se animaram, fizeram pose, comprei mais cervejas e bebemos e fotografamos por quase meia-hora, e nos intervalos para trocar o filme da máquina eu contava a elas minha história. Quando já estávamos todos meio bêbados e as putas bem menos tímidas, apareceu um cafetão sabe-deus-de-onde e me encheu de pancada. Destruiu minha máquina e os rolos de filmes, e só não destruiu minha estrutura facial porque as meninas conseguiram explicar a tempo que eu não era um tarado, nem da polícia e nem de um puteiro cybernético, era apenas um recém-divorciado que tinha a mania doentia de fotografar putas e pagar pelas fotos. Ele tomou isso como aceitável e me deixou ir embora, jogando cem reais em cima de mim pelo conserto da máquina que não teria conserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para o hotel bêbado, encharcado de chuva e suor do cafetão, sangrando e mancando muito. O atendente mal humorado não queria que eu subisse pelo elevador pra não manchar o carpete, armei um escândalo na recepção e ele me xingou de vários palavrões num castelhano feroz. Então ele não era brasileiro, por isso eu não entendia uma palavra do que ele dizia. Mas ele tinha cara de brasileiro, isso era o assustador. Tinha cara de José da Silva, mas não era brasileiro. Tentei dizer isso a ele, que se enfureceu ainda mais e gritou palavras de ordem em castelhano, das quais só consegui entender ‘&lt;em&gt;viva la revolución!&lt;/em&gt;’ e ‘&lt;em&gt;Guevara hasta siempre!&lt;/em&gt;’. Boliviano? Quando perguntei ele subiu no balcão da recepção, colocou um chapeuzinho de lã na cabeça e cantou o hino, que imaginei ser da Bolívia e preferi acreditar que seria, aquilo já tinha ultrapassado todos os limites. Ao final da demonstração de ataque de hipoglicemia ufanista, ele bradou ‘&lt;em&gt;EVO! EVO! EVO!&lt;/em&gt;’. Ótimo, um José boliviano. Disse a ele num castelhano arranhado que era partidário de Evo Morales e da revolução indigenista (isso existia?) e pedi que me conseguisse uns mini-uísques. Ele me perguntou onde eu tinha conseguido o olho roxo, falei que na esquina das putas baratas e ele começou a guinchar feito uma hiena mutante, mas me arranjou os mini-uísques. Saiu por uma portinha lateral, eu fiquei batucando os dedos no balcão, impaciente. No calendário pendurado na parede, a foto de uma modelo muito feia mas muito gostosa, possivelmente boliviana. Quando me dei conta da data, entrei em choque. 16 de agosto. Aniversário do velho Bukowski. A informação me veio num relance, eu não me lembrava de saber a data de aniversário daquele velho safado, mas de algum jeito eu sabia que aquela era a noite de 16 de agosto, ou seja, era aniversário do Velho Buk, então era por isso que todas essas coisas estúpidas estavam acontecendo comigo. Prestidigitação cigana. Devo ter passado muito tempo com a boca aberta, em choque, porque quando o José boliviano voltou com umas vinte garrafinhas de mini-uísque voltou a guinchar feito uma hiena, apontando descaradamente da minha cara pra cara da moça do calendário. Tentei explicar que não tinha achado a moça bonita, mas ele continuou a guinchar e eu me dei por vencido, tomei as garrafinhas dele e fiz questão de subir pelo elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei ao quarto ele estava parecendo uma sucursal do inferno de tão quente. A janela estava emperrada, então era impossível abrir sem quebrar, e se eu destruísse o hotel do José boliviano ele mandaria o Evo me matar. O ar condicionado não funcionava, ou melhor, ligava mas não refrigerava o ar, soltando aquele bafo quente na minha cara. Culpa do velho Buk, eu repetia, completamente sem sentido. Que noite horrível. Fiquei me perguntando o que minha ex-mulher teria feito, se já teria dito aos meus pais que eu fugi de casa num arroubo de adolescência tardia, se já teria contado sobre o fim do casamento, se já teria viajado para as Ilhas Fiji com aquele amante sem vergonha que ela tinha e que trabalhava na Bolsa de Valores. Fiquei me perguntando o que meus pais estariam pensando de mim, se já teriam mandado as equipes de busca atrás do meu corpo apodrecendo nas ruas perigosas, escuras e fétidas do centro. Depois pensei nas putas e fiquei me perguntando porque diabos eu não tinha chamado uma delas pro hotel, elas me disseram que eram baratinhas mas o material era de qualidade, e me pareceu mesmo, cada bunda e par de peitos que nunca tinha visto antes. De todos os pensamentos, pensar nas putas foi o que mais me confortou, então fiquei com ele. Tentei limpar o filtro do ar condicionado, sem sucesso, e a única solução para aquele calor infernal seria tomar um banho no chuveiro que só tinha água gelada. Ok, banho de uma hora, banho de onanista (a puta loira me fez uma grande companhia), já me senti melhor. Tentei dormir mas não consegui, tomei os outros mini-uísques e quando passava das duas da manhã minha mãe adentrou o quarto do hotel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Certo. Filho, já sabemos o que está acontecendo. É hora de voltar pra casa.&lt;br /&gt;__ Não vou voltar, mãe. Acabei de declarar minha independência. Vou fazer quarenta anos e ainda moro com vocês! Isso é ridículo.&lt;br /&gt;__ Tudo bem. Tudo bem. Quer morar sozinho?&lt;br /&gt;__ Quero!&lt;br /&gt;__ Tudo bem, a gente prepara aquele apartamento da Augusta pra você. A Linete pode ir lá duas vezes por semana pra fazer a limpeza.&lt;br /&gt;__ Certo!&lt;br /&gt;__ E dinheiro?&lt;br /&gt;__ Vou fotografar profissionalmente. Vou vender minhas fotos.&lt;br /&gt;__ Tudo bem, vou te passar uma lista depois dos nossos conhecidos em jornais e revistas e essas coisas. Entro em contato direto com eles.&lt;br /&gt;__ Ótimo!&lt;br /&gt;__ Será que agora podemos voltar pra casa?&lt;br /&gt;__ Não! Só saio daqui direto pro meu apartamento!&lt;br /&gt;__ Bom, você é quem sabe. Vou deixar diárias pagas até o final da semana. Tudo bem pra você?&lt;br /&gt;__ Sim!&lt;br /&gt;__ Certo, então. Boa noite, meu filho. Ligue para o seu pai amanhã.&lt;br /&gt;__ Boa noite, mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deu as costas e cinco minutos depois o telefone do quarto tocou. O José boliviano disse que ela deixou as diárias pagas e mais todo o estoque do bar do hotel à minha disposição, então eu devia ir até lá pegar os mini-uísques porque ele não andava em elevadores por medo de queda. Desci de roupão até a recepção, e fiquei batucando os dedos na mesa esperando o atendente voltar. Olhei de novo para o calendário, e muito embora tecnicamente não fosse mais 16 de agosto, ainda estava acordado desde que o aniversário do Velho Buk começara. Decidi comemorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci de roupão até a esquina das putas baratas e encontrei a minha loira. Comemoramos com o Velho Buk no estilo do Velho Buk até amanhecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3529905537355654328?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3529905537355654328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3529905537355654328&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3529905537355654328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3529905537355654328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/10/noite-de-bukowski.html' title='Noite de Bukowski'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8580381835391332414</id><published>2008-10-02T08:54:00.001-03:00</published><updated>2008-10-02T08:56:39.523-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Amor doentio</title><content type='html'>Trancada no banheiro Giovana gritava histericamente, enquanto seu noivo, ou àquela altura ex-noivo, socava a porta aos berros chorando desesperado. A notícia do término despertou no homem uma bestialidade tal que, quem o visse naquele estado, não acreditaria nunca que se tratava de Luís Sousa: médico cirurgião. Homem dos nervos de aço e de mente serena. Bastante admirado em seu trabalho pela sua frieza em situações de emergência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai embora, Luís. Sai daqui, não quero te ver nunca mais!&lt;br /&gt;- Giovana, me perdoa. Eu perdi a cabeça... me perdoa, pelo amor de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cacos de vidro e sangue fresco estavam espalhados pelo chão da casa, enquanto uma ponta de cigarro manchado de batom queimava um pedaço do sofá na sala, enquanto isso Luís sentava no chão do corredor, apoiando as costas na porta do banheiro. Com o rosto entre as mãos, e os braços apoiados nas pernas chorava compulsivamente, um choro desesperador e amedrontador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do banheiro Giovana chorava encostada no azulejo frio, manchado de sangue. Um choro silencioso, como se estivesse tentando não denunciar sua presença a algum monstro que rondasse pela casa à espreita de qualquer movimento seu. Enquanto chorava, absorta em seus pensamentos não ouvia através da porta do banheiro o choro convulsivo do homem que amou durante tantos anos. Apenas chorava silenciosamente e pensava em dar Um basta à sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís desfazia-se em prantos e soluçava de maneira quase convulsiva enquanto pegava um caco do porta-retratos que arremessara na parede e cortava os próprios pulsos. "Se não for pra viver com ela, que tudo mais vá pro inferno", pensava enquanto cortava os próprios pulsos, sem imaginar que dentro do banheiro Giovana tomava todos os comprimidos que encontrara no armário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora calado, aguardava a morte de braços estendidos, sangrando pelos cortes de precisão cirúrgica que havia feito em seus próprios pulsos, a despeito do instrumento rudimentar do qual dispunha, e se olhava na foto que estava ali perto dentro dos restos do porta-retratos, uma foto onde sorridente, carregava a então noiva em seus braços, num momento de amor primaveril e radiante. Foi então que se pôs a chorar novamente até perder a consciência. Chorava novamente aquele choro bestial e nem percebia a fumaça que preenchia o ar do corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrera naquela mesma posição, vigiando a porta do banheiro onde estava a mulher que adorava mais que tudo nesse mundo, enquanto o fruto de seu esforço, o apartamento que dividiam, era consumido pelo fogo que se alastrava pelos tapetes, carpetes e cortinas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8580381835391332414?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8580381835391332414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8580381835391332414&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8580381835391332414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8580381835391332414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/10/hi.html' title='Amor doentio'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2689028198415318085</id><published>2008-09-30T15:54:00.001-03:00</published><updated>2008-09-30T16:01:14.862-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'></title><content type='html'>E era assim, e desde que te conheci era assim, eu pensava em ti todos os dias. Todos os dias. Qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa do meu dia, fazia me lembrar de ti. Fosse porque o céu estivesse mais azul, fosse porque ventava, fosse porque o dia era comum, qualquer coisa me fazia lembrar de ti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assim. Eu te conheci, e nunca mais descansei. As coisas não têm paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2689028198415318085?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2689028198415318085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2689028198415318085&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2689028198415318085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2689028198415318085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/09/e-era-assim-e-desde-que-te-conheci-era.html' title=''/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5013193129825278440</id><published>2008-09-24T11:50:00.000-03:00</published><updated>2008-09-24T11:51:28.019-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Loucura</title><content type='html'>Isolado em sua própria mente,&lt;br /&gt;Pedro vivia sua vida decadente.&lt;br /&gt;Não tinha amigos nem parentes&lt;br /&gt;Tinha apenas sua imaginação doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua camisa branca ele descansa,&lt;br /&gt;De braços enlaçados como uma criança.&lt;br /&gt;Em seu abraço carente de esperança&lt;br /&gt;Pedro revive suas lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu quarto acolchoado o protege,&lt;br /&gt;Sua camisa branca o aquece,&lt;br /&gt;Seu abraço constante o fortalece,&lt;br /&gt;E a realidade dura o persegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamentos correm inconclusos,&lt;br /&gt;E perdido em devaneios obtusos&lt;br /&gt;Anseia por objetivos escusos&lt;br /&gt;Por não ver na vida algum uso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5013193129825278440?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5013193129825278440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5013193129825278440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5013193129825278440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5013193129825278440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/09/loucura.html' title='Loucura'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6737801448227071138</id><published>2008-09-18T15:39:00.001-03:00</published><updated>2008-09-18T15:45:29.077-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>O cheiro que precede a chuva</title><content type='html'>Dia normal e enfadonho no trabalho. A verdade é que eu já não ligo mais a mínima para o que acontece ou deixa de acontecer no escritório. Eu me rendi ao sistema e trabalho no modo automático executando instintivamente todas as tarefas do cotidiano. Sair do escritório é como sair de uma caverna após um século hibernando, como todos os dias úteis anteriores neste último ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que nem sempre foi assim. Antes havia alegria e vigor. Antes havia vida. O fato é que meu mundo tornou-se cinzento desde que meu amor morreu. Engraçado falar isso assim de maneira tão displicente: "meu amor morreu". Nunca percebi o quanto isso soa ridiculamente emotivo e pensando bem, agora que isso soa demasiadamente emotivo percebo que acabei me tornando malditamente frio: o tipo de pessoa que eu desprezava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando até o carro sinto aquele cheiro de terra molhada que precede as chuvas após o período da seca nesta savana maldita que é o cerrado do Planalto Central. Esse cheiro me traz tantas lembranças. Encontros, desencontros, brigas, tréguas, realizações e frustrações. Dizem que isso acontece porque raramente os sentimos por estas bandas, já que a chuva é escassa por aqui, mas eu prefiro acreditar que é porque eu sou ridiculamente emotivo. Preciso resgatar alguma coisa boa do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar no carro tiro a gravata e desabotôo o colarinho em busca de ar, especialmente aquele ar com o cheiro que precede a chuva. Então fico lá sentado divagando experimentando o meu passado distante e o meu passado recente. Lembro-me de Júlia por alguns instantes e procuro afastar esses pensamentos. Ligo o carro e o dirijo até minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá chegando eu entro, abro todas as janelas, desligo todas as luzes e abro uma garrafa de Cabernet argentino. Fico no escuro sentindo aquele cheiro especial que me trazia de volta o passado até mesmo mais do que minha própria memória e a lembrança de Júlia inevitavelmente ressurge. Fico lembrando nossa última conversa, de quando ela me contou o quanto achava miserável por sentir pena de mim mesmo. Ela achava que eu tinha potencial, mas que eu mesmo me sabotava. Por fim disse que já não sentia mais a mesma coisa por mim, que estava gostando de outro e que estava indo embora de minha vida. Saiu sem me dar oportunidade de falar nada, não que eu quisesse, mas acho que merecia essa oportunidade. Simplesmente virou as costas e saiu. Eu fiquei na janela acompanhando a sua partida e sentindo esse mesmo cheiro que sinto agora. Foi esse o dia que meu amor morreu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6737801448227071138?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6737801448227071138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6737801448227071138&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6737801448227071138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6737801448227071138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/09/o-cheiro-que-precede-chuva.html' title='O cheiro que precede a chuva'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2779352065122425720</id><published>2008-09-17T19:12:00.000-03:00</published><updated>2008-09-17T19:25:52.074-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'></title><content type='html'>Termina o café. Apaga o cigarro. Solta a fumaça.&lt;br /&gt;Ela caminha, mas num caminhar incerto, desses mesmo de quem não sabe aonde ir. Recusa uma ligação. Respira fundo enquanto olha a Lua, cheia. Num meio sorriso, lembrando de outro tempo, ela quase uiva. Não, não é momento.&lt;br /&gt;De tanto caminhar, se cansa. Pára e senta num banco de praça. Afaga o peito pra conter a lágrima. E cai a chuva.&lt;br /&gt;E com a chuva ela atende a ligação há pouco recusada. Num meio sorriso, mais de resignação, ela conversa. Porém nada manifesta, apenas diz sem dizer, como já é de seu costume fazer.&lt;br /&gt;Volta a caminhar, agora sabendo aonde ir. E de tanto caminhar acaba chegando, ofegante, ao lugar onde não deveria estar. &lt;br /&gt;Toca a campainha uma, duas, dez vezes. Ninguém vem ao seu encontro. Ninguém nunca está.&lt;br /&gt;Pára diante da porta. Senta. Acende o cigarro. Solta a fumaça. E a lágrima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2779352065122425720?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2779352065122425720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2779352065122425720&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2779352065122425720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2779352065122425720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/09/termina-o-caf.html' title=''/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2668648631684024537</id><published>2008-09-09T15:08:00.002-03:00</published><updated>2008-09-15T15:16:36.551-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História Suja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicanálise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequena Serenata Noturna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miguel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Metatexto'/><title type='text'>Profissão: literato</title><content type='html'>"Workshop de literatura com Miguel Leal, autor dos best-sellers 'O anjo dos fracassados' e 'O amor e seus demônios'. De 22 a 26 de setembro..." e blá blá blá, eu enjoava toda vez que lia aquele anúncio no jornal. Aí meu editor me ligava, empolgadíssimo: "leu o anúncio do jornal? Vou fazer uns contatos hoje, acho que consigo veicular no rádio e na tevê também" e eu tinha mais um colapso mental. "Já te disse que não quero fazer isso, Otávio. Não posso ensinar ninguém a escrever", eu dizia, mas era vão, ele não me ouvia. Podia imaginá-lo quicando por sua sala, feliz da vida com o novo contratado de sua editora: eu. E só um ser humano que teve hiperatividade na infância e a cabeça cheia de Ritalin poderia ficar empolgado em me contratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do rolo com a editora anterior e sua revisora mal comida, gastei uma fortuna pagando as custas do processo, os danos morais e materiais, até o tratamento psiquiátrico daquela desgraçada ficou por minha conta. Tive de tirar meu blog do ar e fiquei meses sem conseguir me publicar. Curiosamente, foi o meu período mais fértil, escrevi quase cinco romances, todos eles com qualidade acima da média. Como dizia Ana, a mulher amada, eu estava enfim beirando a perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, numa tarde dessas secas e quentes de Brasília, fui até o bar do Rubens pra tomar uma cerveja e vi o Otávio por lá. A gente já se conhecia de longa data, fizemos faculdade juntos, ele seguiu e eu larguei. Sentei à mesa com ele, conversamos, relembramos velhas histórias e demos muita risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ E você, Miguel? Grande literato, quem diria. Já tem previsão de quando sai livro novo?&lt;br /&gt;__ Estou sem editora, Otávio. Não publico nada há quase um ano, mas estou cheio de material.&lt;br /&gt;__ E como você conseguiu ficar sem editora?&lt;br /&gt;__ Uma história suja aí. Envolvendo um blog e uma revisora, enfim.&lt;br /&gt;__ Você fazia sexo com ela, ahn? Pode falar, garanhão, pode falar! Fez sexo com ela, tirou fotos e postou no blog, ahn?! &lt;br /&gt;__ Meu Deus, Otávio, você é doente. Não foi nada disso. Só tive um problema judicial, que já está resolvido. Mas fiquei sem editora e sem dinheiro.&lt;br /&gt;__ Hum. Eu abri uma editora há pouco mais de seis meses. &lt;br /&gt;__ Eu soube. E aí?&lt;br /&gt;__ Muito trabalho. Tem muita gente nova querendo ser publicada. Conhece a Mariana de Médicis?&lt;br /&gt;__ Nunca ouvi falar.&lt;br /&gt;__ Incrível. Ela é incrível. Tem 22 anos. Já publicamos dois livros dela. Quase tudo tirado da internet, ela também tem um blog.&lt;br /&gt;__ Ah. Mais uma. &lt;br /&gt;__ Como assim?&lt;br /&gt;__ Mais uma dessas. Orgias, drogas, pais ricos que não se importam.&lt;br /&gt;__ Exatamente. Maravilhoso. Maravilhoso. Isso vende que nem água.&lt;br /&gt;__ Isso não é literatura.&lt;br /&gt;__ Não seja purista. Enfim. Manda algum material seu, quem sabe a gente publica.&lt;br /&gt;__ Pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim fui contratado, não por período, nem por obra. Apenas fazia parte do casting da editora, já conhecida no mercado editorial por publicar praticamente qualquer coisa que tivesse mais de cem páginas, fosse lá o que fosse. Logo depois o Otávio teve a idéia de fazer o maldito workshop, pra avaliar como andava minha aceitação com o público antes de voltar a me publicar, muito embora meu romance já estivesse pronto pra ser distribuído. E me passou o endereço do blog da tal Mariana de Médicis, que joguei fora sem me interessar em ler. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia de aula eu estava nervoso. Não por ter de dar aulas, falar sobre literatura nunca foi problema pra mim. Eu estava nervoso por não concordar com aquilo. Quer dizer, como eu ia ensinar a alguém como ser um bom escritor? Isso não fazia sentido. Você pode ensinar alguém a escrever, juntar palavras de um jeito que tenha significado, mas jamais vai poder ensinar alguém a ser um escritor talentoso. Cansei de explicar isso pro Otávio, mas ele simplesmente não me dava ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao local do maldito workshop e, para meu terror, estava lotado. Infestado de jovenzinhos da classe tipo Mariana de Médicis, todos que escrevem em blogs e sonham em um dia ver suas reclamações sobre a vida em papel impresso exposto em uma livraria qualquer. Vários estudantes de Letras que achavam que o domínio da norma culta o faziam literatos melhores que seus ídolos, gente tipo o Paulo Coelho e Sidney Sheldon. O tipo de gente que eu abomino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Pois bem. Agradeço a presença de todos vocês aqui. Gostaria de dizer que ser um escritor de talento é bem simples. Basta ter nascido com ele. Se você nasceu com talento, ótimo. Vá escrever e encaminhe seu material pra editora e colha os louros da fama. Se você não tem talento, desista. Estude pra concurso público, vá trabalhar numa loja de shopping, vire artista de tevê, celebridade instantânea, participe de um reality show ou o que valha. Mas, por favor, não escreva. É isso. Obrigado por terem vindo e tenham todos uma boa tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiquei pra esperar a reação, apenas dei as costas e fui embora, me sentindo dez quilos mais leve. Poucas sensações no mundo se assemelham a de alívio. Voltei a pé pra casa, uma caminhada considerável, passei na casa de Ana pra dar-lhe um beijo e lhe dizer que a amava e finalmente entrei em casa. O Otávio já estava lá, tomando um cafezinho com a minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Meu editor favorito.&lt;br /&gt;__ Miguel, Miguel. Como você pôde fazer isso comigo?&lt;br /&gt;__ Eu disse pra não contratá-lo, Otávio.&lt;br /&gt;__ Obrigado, mãe. Otávio, eu cansei de dizer que não concordava com aquilo. E continuo discordando. É absurdo. Surreal.&lt;br /&gt;__ Certo. Certo. O mais importante, porém, é que a pesquisa que fizemos no final de tudo indica que sua imagem não foi assim tão afetada. Eles te acham excêntrico, e excêntrico no mundo editorial é sempre um elogio.&lt;br /&gt;__ Hum.&lt;br /&gt;__ Ok. Vamos devolver o dinheiro deles e pedir que eles comprem seu livro. Já autorizei a distribuição. Mês que vem teremos noite de autógrafos! Saudade?&lt;br /&gt;__ Não.&lt;br /&gt;__ Hum. Você é realmente excêntrico. Bem, tenho uma reunião com a Mariana, parece que querem filmar o último livro dela, isso é fantástico.&lt;br /&gt;__ Sim, estou molhado de excitação.&lt;br /&gt;__ Ei! Você não quer ir à reunião comigo? Ia ser ótimo se os dois maiores escritores da minha editora se conhecessem.&lt;br /&gt;__ Não posso. Tenho que colocar meus pés na água morna.&lt;br /&gt;__ Não seja chato. Vamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois chegamos à casa da tal Mariana, uma mansão no Lago Norte. Exatamente como eu imaginava. Ela era linda, loira e pseudo-rocker, ou punk de boutique, como já ouvi por aí. Usava roupa de couro preto, um coturno pesadíssimo e uma maquiagem que a deixava com cara de defunta. Contei uns cinco piercings numa primeira olhada, e no fim de tudo cheguei à conclusão que ela me dava medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Mari, meu amor. Como você está?&lt;br /&gt;__ Hum. Entrem.&lt;br /&gt;__ Oi, eu sou o Miguel.&lt;br /&gt;__ Sei quem você é. O cara do blog. Ele saiu do ar, né?&lt;br /&gt;__ Sim.&lt;br /&gt;__ Essas 'fucking' instituições...por isso eu gostava de morar em Nova York. Existe liberdade de expressão por lá.&lt;br /&gt;__ E por que voltou pro Brasil?&lt;br /&gt;__ Uns lances aí. Família, 'tals'.&lt;br /&gt;__ Tals?&lt;br /&gt;__ É. &lt;br /&gt;__ Hum. Otávio, vem até aqui no meu escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxei o Otávio de volta em direção à porta e anunciei dramaticamente que iria embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Miguel, quer parar com isso? Dê uma chance à menina!&lt;br /&gt;__ Otávio, ela fala 'tals'! Eu sei lá que diabos é isso! Se eu ficar, vou fazê-la se sentir tão deprimida que aí sim haverá razão pra cara de defunta dela.&lt;br /&gt;__ Por favor, cara. Em nome da nossa amizade. E pra apagar o que você fez comigo hoje à tarde.&lt;br /&gt;__ Tudo bem. Mas não me responsabilizo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos à sala e ela bebia um dry martini enquanto fumava um charuto. Tudo nela me parecia ensaiado, forçado, pensado com calma. Pedi um uísque duplo sem gelo e me sentei no canto oposto da sala, meio que acuado no sofá, rezando pra que conseguisse permanecer calado. Otávio começou a falar do filme com ela e ela parecia propositalmente desinteressada. Dizia coisas como 'whatever', 'who cares?', 'oh, gosh!' e por aí vai. Ela me dava coceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Posso te fazer uma pergunta sincera?&lt;br /&gt;__ 'Go on'.&lt;br /&gt;__ Por que você escreve?&lt;br /&gt;__ Sei lá. Um dia, contando minha história de vida pra alguém, um cara aí, ele falou que minha vida dava um livro. Então escrevi e vendeu e achei legal fazer isso. Quer dizer, agora tenho uma profissão, meu pai vivia reclamando que eu larguei a faculdade, agora posso dizer pra ele 'sou escritora, você pode viver com isso?'. Meu pai me odeia, 'by the way'.&lt;br /&gt;__ E você escreve como fala?&lt;br /&gt;__ 'Ié, babe'.&lt;br /&gt;__ Deus. Você sente o mínimo de paixão por isso?&lt;br /&gt;__ Minhas paixões são engarrafadas, querido. O resto é consequência do líquido.&lt;br /&gt;__ Literatura não é profissão, Mariana.&lt;br /&gt;__ Rá, vai dizer isso pro Paul Rabbit!&lt;br /&gt;__ E quem diabos é esse?&lt;br /&gt;__ 'Gosh', o Paulo Coelho!&lt;br /&gt;__ Otávio, agora é sério, eu vou embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei as costas e saí da sala, doido pra respirar. Quando já estava a uma distância segura, liguei pra editora e pedi pra cancelarem meu contrato. Depois liguei pra minha mãe e avisei a ela que tinha enfim saído da editora, que voltaria a ser um peso pra ela e pro Estado. Ela sorriu e disse 'tudo bem, meu filho, não há nada tão ruim que não possa piorar'. Fui pra casa da Ana e disse a ela que não aguentava mais aquilo, estava decidido a largar tudo, encarar literatura como profissão foi justamente o que fez desses últimos dois anos os piores de minha vida. Disse a ela que minha meta agora era escrever tão somente por prazer, e deixar os escritos espalhados pela casa, os visitantes poderiam ler caso se interessassem, mas nada de publicar ou assinar contratos ou autografar exemplares em livrarias lotadas de imbecis. Ela sorriu o sorriso mais lindo da face da terra e disse que finalmente eu alcançara a perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto escrito para ler ao som de "Essa moça tá diferente", do Chico Buarque. Ou qualquer música que seja uma conversa do autor com sua própria obra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2668648631684024537?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2668648631684024537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2668648631684024537&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2668648631684024537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2668648631684024537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/09/profisso-literato.html' title='Profissão: literato'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5923999030806694938</id><published>2008-08-19T09:24:00.001-03:00</published><updated>2008-08-19T09:26:05.819-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Felicidade</title><content type='html'>Stanley era um sonhador. Iludido pelo sonho de ser feliz, via em todos os caminhos impostos pela vida algum desígnio do destino para que ele entrasse no caminho correto que o levaria à felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumava acordar de bom humor e via em todos um leve vislumbre do que seria uma parte da felicidade. Estava convencido de que quando a encontrasse não seria aos pedaços, mas sim completa e intacta. Ele acreditava em felicidade parcial, aquilo que comumente conhecemos como momentos felizes, para ele eram apenas uma parte da felicidade que nos seria possível alcançar, mas que rapidamente se desfazia porque a felicidade quando não é completa tende a se dissipar nas agruras da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa forma de pensamento levou Stanley a viver em sua vida uma procura incessante e incansável pela felicidade. Durante os trinta primeiros anos de sua vida fora guiado por um positivismo inigualável e alcançou sucesso em quase tudo que fez. Um ótimo salário em um trabalho invejável, o amor de uma bela mulher com a qual casou-se ainda jovem e a conquista de todos os sonhos de consumo que uma remuneração alta poderia proporcionar. Stanley tinha em mente que só seria feliz se o fosse por completo e em todas as esferas da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano em que completou trinta e um anos de idade Stanley começou a se perguntar porque ainda não conseguira ser feliz. Tinha uma bela casa, uma bela esposa que o amava, estava sempre com o carro do ano e sua carreira estava em plena ascenção. O problema é que nunca, em nenhum momento, todas áreas da sua vida estiveram plenamente bem ao mesmo tempo. Quando o trabalho estava bem, acontecia alguma briga com a esposa e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um único dia em que estava num excelente momento com sua esposa, chegando no trabalho fechou um negócio espetacular que rendeu-lhe uma promoção. Decidido a ir comemorar com a esposa pediu para sair mais cedo da empresa e, chegando ao estacionamento, seu carro não estava mais lá: havia sido roubado. Adicionalmente enquanto estava na delegacia fazendo o boletim de ocorrência sua mãe liga informando que o irmão havia sofrido um acidente de moto. Sua felicidade completa durara apenas alguns minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então Stanley passou a se perguntar o que era a felicidade e por que ele não conseguia ser feliz. Mergulhou em uma depressão profunda. Triste, seu trabalho já não rendia mais e começou a cometer deslizes que o levaram a uma demissão. Desempregado e à procura da resposta para o motivo de sua falta de felicidade perdeu a esposa e a vontade de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se patrimônio foi aos poucos dilapidado pelos credores e Stanley terminou seus dias deitado em um beco fétido, brigando com outros mendigos por um pedaço de carne podre. Em uma dessas brigas acabou sendo esfaqueado mortalmente. Enquanto agonizava, o sangue jorrando pela boca, Stanley vislumbrou seu passado. Então sorriu e, sentindo-se realizado, pensou: "eu era feliz e não sabia".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5923999030806694938?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5923999030806694938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5923999030806694938&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5923999030806694938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5923999030806694938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/08/felicidade.html' title='Felicidade'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8325653109214784277</id><published>2008-08-05T14:12:00.000-03:00</published><updated>2008-08-05T14:32:55.080-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Tempo errado</title><content type='html'>Aconteceu hoje de novo, sabe? Aconteceu de novo. Eu fico tão mal quando acontece, tão mal, mas isso sempre se repete. Todo dia alguém me vê e pergunta por você. E eu não me chateio por perguntarem, as pessoas não têm culpa de não saber. O que me enerva é que perguntam por você e eu respondo que não sei e daí eles encaixotam a discrição e o bom-senso e sempre perguntam com um ar fingidamente chocado se a gente terminou e eu respondo com o silêncio, talvez um aceno breve de cabeça, mas sempre em silêncio. E então eles começam a discursar sobre como éramos um casal bonito e feliz e, poxa, que pena que não estamos mais juntos, mas desejam que eu fique bem, essas coisas passam e logo eu vou encontrar outra pessoa - às vezes soa como "vá em frente, amigo, não morra, você consegue viver sem ela", como se eu estivesse morrendo de uma doença galopante por você ter me deixado. Outra coisa que me chateia é que quando eles perguntam por você imediatamente me pergunto por você também, porque assim como eles eu não faço a mais pálida idéia de por onde você anda. Ah, não, não me chateia não saber de você, me dá raiva por querer saber. Porque antes eu ainda tinha aquela coisa boba e dolorida de guardar os momentos bons, sabe? Antes ainda tinha aquela coisa de lembrar do dia ensolarado no parque ou qualquer coisa que eu tivesse como feliz na nossa história. E depois veio o tempo da amargura, o tempo de lembrar de todas as infelicidades e mágoas e dores pra ver se eu te esquecia. Depois veio o tempo mais feliz, pelo menos pra mim, que era lembrar de ti apenas como um ponto de referência, sabe como? Quando eu te inseria em uma lembrança minha era mais pra me situar no tempo e no espaço, algo como "choveu naquela noite", dizer "eu estava com ela" era o mesmo que dizer "foi um dia de calor absurdo". E agora eu acumulo todas as lembranças, boas e ruins, consigo me lembrar de cada gosto, de cada gesto, e agora sim eu pareço estar morrendo de uma doença galopante, porque antes não tinha isso de me perguntarem por você todos os dias. Engraçado, sabe do que me lembrei agora? Me lembrei que isso também me chateava no início de tudo, quando ainda estávamos "nos conhecendo e ficando ocasionalmente", passamos bem uns seis meses nessa, e as pessoas sempre me perguntavam por você e o que me dava raiva era porque de fato eu não sabia, você tinha a sua vida que não fazia parte da minha e era tão sua que eu não conseguia sequer imaginar o que você fazia quando estava longe de mim, porque estávamos apenas "nos conhecendo e ficando ocasionalmente" e eu não podia ligar só pra saber que diabos você andava fazendo. E muito embora eu soubesse que você tinha suas ocupações e não podia girar na minha órbita 24 horas por dia, meu coração apaixonado se enchia de delírios conspiratórios e sua ausência doía todas as noites, porque eu me sabia sozinho todas as noites mas não te sabia sozinha fumando um cigarro e pensando em mim antes de dormir. E aí se eu encontra alguém a primeira pergunta era sempre por você, e eu recalcado respondia "como é que eu vou saber?", ao que ouvia sempre uma piadinha na volta, algo como "é, se você não sabe, quem vai saber?". E foi assim até assumirmos o namoro, e incrivelmente as pessoas pararam de perguntar por você, justo na época que eu queria que perguntassem, porque aí eu saberia responder. Estão no tempo errado, todos eles. Dá vontade de tatuar na testa "não sei dela", pior é quando vão ao meu/que era nosso apartamento, "ah, ela não mora mais aqui", "por isso está essa zona" e por aí vai, e cada pergunta me traz uma lembrança nova, ainda mais corrosiva que a anterior, só fazendo aumentar a angústia e o tamanho da ausência. Quer saber? Da próxima vez que me perguntarem por ti, vou dizer que você morreu. De uma doença galopante qualquer. "Morreu, não é uma pena?".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8325653109214784277?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8325653109214784277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8325653109214784277&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8325653109214784277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8325653109214784277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/08/tempo-errado.html' title='Tempo errado'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5058295293113040300</id><published>2008-07-24T20:24:00.004-03:00</published><updated>2008-07-24T20:46:51.325-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Baixo Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amores Possíveis I'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O homem no espelho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Canção Desesperada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clara'/><title type='text'>De olores</title><content type='html'>Havia um cheiro em cada madrugada. Na primeira, o cheiro era uma mistura meio ébria de café, álcool, cigarros e maresia. Depois, com o tempo, veio o cheiro do sexo dela, do hálito amanhecido, do café requentado, sempre havia cheiro de cigarro, muitas vezes de álcool. E em mim havia o cheiro de gente doente, que morre um pouco a cada dia. Havia cheiro de flores brancas que eu sentia comigo desde o enterro de Nina, como se eu as carregasse pela eternidade em minhas mãos cansadas. E logo veio o cheiro de poeira, a poeira que se acumula sobre as coisas esquecidas na janela, em uma daquelas tardes em que estivemos a fumar e olhar o mar, tardes essas que não se repetem porque não compartilhamos cheiro algum agora. Não sinto, nunca senti o cheiro dela em minhas mãos. Lembro que ela tinha um cheiro bom na nuca, que não era perfume, era um cheiro próprio mesmo, e eu dizia que o cheiro de Clara era o meu preferido, ela ria feliz e me perguntava se eu ia engarrafar e vender. Eu, ciumento até da luz que a fazia ainda mais branca, ria e dizia que não haveria nunca de engarrafar, porque aquele cheiro estaria na nuca dela pra sempre eu haveria de senti-lo pra sempre. Tudo bem que meu 'pra sempre' era curto, mas só porque eu estava prestes a morrer, não por querer me livrar dela ou de todos os cheiros que ela tinha. Ela me dizia que eu tinha também um cheiro bom, um cheiro que não saía com banho ou a falta dele (eu tomava banho com frequência regular, só pra constar). Mas ela continuava a sentir o cheiro, e descobrimos depois de meses de uma convivência difícil e deliciosa que era o cheiro de um perfume que eu já não usava há anos. Pequenas magias. Minha casa tinha o cheiro de remédios e humores fatigados pela manhã, eu morrendo. À tarde a casa tinha cheiro de café e jazz, cheiro de tinta que eu usava pra escrever (eu sou desesperadamente formal e envelhecido, escrevo com caneta tinteiro), além do cheiro dela, um cheiro suave e marcante, que me fazia buscar seu pescoço de momento em momento. À noite a casa tinha cheiro de álcool costumeiramente, mas Clara era mundana e queria rua, sempre rua. Então eu a deixava, com o coração em um aperto só, fechando as janelas pra tentar prender o cheiro dela comigo. Às vezes eu me sufocava com o cheiro dela que era bom e se misturava aos meus que eram horríveis e corria pra beira do mar, tentando captar o cheiro de sal, e por vezes sentia junto com ele o cheiro de peixe podre do mercado ali no final da Copacana, sentia o cheiro das putas do calçadão, o cheiro de batata frita dos quiosques da orla, até cheiro de água de coco eu sentia. Todos aqueles cheiros. Voltava pra casa cansado como se tivesse corrido uma maratona e voltava a me sufocar com o cheiro dos remédios e com o cheiro da senhora dona morte que já caminhava ali perto à essa época. E um dia, um desses dias em que deixei Clara ser mundana, ela saiu e não voltou. Levou minha carteira de cigarros e levou o cheiro dela, nunca mais voltou. E enquanto o cheiro dela se esvaía o cheiro da senhora dona morte se acentuava. Ela me sorria, condescente, a senhora dona morte. Mas não, não era a hora. Senti o cheiro das flores brancas nas minhas mãos por alguns meses, alguns poucos, até o dia em que Clara voltou, era uma tarde límpida e ela voltou, branca e bela. Mas tinha um outro cheiro, não era mais o cheiro dela. Senti aquele cheiro novo na nuca dela por uma semana, sem nunca ter conseguido amá-lo. E ela se foi de novo, levando aquele cheiro estranho com ela. Nina me sorriu do espelho, senti o cheiro das flores brancas nas minhas mãos e no sorriso dela, segurei as mãos da senhora dona morte; ela toda cheirava a flores brancas. Flores brancas e mortas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5058295293113040300?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5058295293113040300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5058295293113040300&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5058295293113040300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5058295293113040300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/07/de-olores.html' title='De olores'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6588260458409624587</id><published>2008-07-22T14:24:00.001-03:00</published><updated>2008-07-22T14:27:54.605-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Confuso</title><content type='html'>Engraçado ver essas coisas acontecendo conosco, sentir essa distância se tornando cada vez maior. Juro por tudo que há de mais sagrado que tudo que eu quero é fazer com que as coisas dêem certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá pra dizer "eu te amo" o tempo todo porque têm horas que tudo que eu queria era que você virasse fumaça e sumisse da minha frente, mas logo em seguida me desespero por pensar nessa possibilidade. Minha vida sem você seria por demais penosa: uma busca constante e um eterno desgosto por não te encontrar. É justamente pensando nessas coisas que eu acho engraçado te ver assim, se distanciando e eu aqui quieto na minha só sentindo essa distância aumentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz sentido pensar que me desesperaria sem você e, ao mesmo tempo, assistir mudo e imóvel à tua partida lenta e sofrida de minha vida lenta e sofrida. Acho que cheguei nesses dias de conflito pelos quais todos passam algum dia na vida e pelos quais alguns passam a vida toda. Estou confuso a respeito do que me confunde. Não sei se estou confuso a respeito do que sinto, ou se estou confuso a respeito do que  fazer! O fato é que estou confuso, e isso não tem nos ajudado. Será que você está confusa também? Seria tão mais fácil se ainda tivéssemos a mesma comunicação de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde foram parar nosso diálogos, nossas loucuras e nossas contas telefônicas estratosféricas? Não sei e aposto que você também não sabe. Aposto que ninguém sabe. Estranho pensar nessas coisas. Estranho pensar em você sorridente no passado e te ver muda e inexpressiva hoje. Estranho achar estranho nosso relacionamento, quando antes eu o achava perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer? Pedir ajuda? A quem? A você? Você está tão perdida quanto eu, minha jovem: isso é fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(silêncio...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6588260458409624587?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6588260458409624587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6588260458409624587&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6588260458409624587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6588260458409624587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/07/confuso.html' title='Confuso'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3299788269920633890</id><published>2008-07-16T01:56:00.002-03:00</published><updated>2008-07-16T02:01:12.577-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hires'/><title type='text'>o retorno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu voltei... é voltei sim. mas não foi pra pedir perdão não... não, não... foi pra te dizer... olha pra mim! foi pra te dizer que sem a tua presença, sou uma pessoa muito, muito melhor. é, é... sabe aquela pessoa que eu sempre quis ser? é, aquela que põe água nas plantas, não fuma e consegue beber com moderação sim. uma pessoa muito melhor. até tô mais bonito. já disse pra olhar pra mim. eu voltei pra dizer, minha cara, que sem a tua presença, a tua presença desprezível, eu sou bem mais eu. bem mais eu sem ti. sem a tua influência podre. meus dentes tão até mais brancos. olha aqui ó: muito mais bonitos. e não adianta esfregar na minha cara essa foto do teu namorado não.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;não dou duas semanas pros dentes deles estarem podres...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;agora dá licença que eu vou de vez!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3299788269920633890?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3299788269920633890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3299788269920633890&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3299788269920633890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3299788269920633890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/07/o-retorno.html' title='o retorno'/><author><name>hires héglan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17415775622982647030</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_WOyBd4_B3YI/SXSy11rbZHI/AAAAAAAAANo/QHPlgz1itug/S220/15-08-06_1627.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-1213269764797041487</id><published>2008-07-15T12:28:00.002-03:00</published><updated>2008-07-15T12:31:23.061-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Dois lados - O lado dele</title><content type='html'>Estava entediado. Nenhum livro novo pra ler, computador quebrado e uma manhã inteira assistindo televisão. Sentia-me um prisioneiro dentro de casa. Repentinamente em um desses arroubos que nos acometem inesperadamente levantei-me e sai de casa. Não suportava mais aquela quietude fúnebre. Sai sem destino e sem ter idéia do que procurar fora de casa, além da sensação de não estar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como eu pude passar a manhã toda deitado no sofá assistindo televisão mudando de canal e reclamando da vida. Estava um dia muito bonito. Repassei mentalmente algumas coisas que eu faltavam em casa e decidi que iria fazer pesquisa de preços. Assim passei a tarde toda entrando de loja em loja e olhando preços, até que essa tarefa deprimente me cansou. Estava indo para uma lanchonete comer alguma coisa antes de ir para casa quando começou um temporal, absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em questão de segundos a chuva tomou conta de tudo. Corri para debaixo de um toldo em busca de abrigo, algumas pessoas chegaram junto comigo e começaram a reclamar e xingar. Eu apenas ri. O que mais se pode fazer numa situação dessas? Foi então que chegou uma garota linda. Sem esperar muito tempo procurei puxar conversa tentando parecer espontâneo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como pode, né? Estava tão claro agora há pouco.&lt;br /&gt;- Pois é. Quem diria que ia chover.&lt;br /&gt;- O bom é que quando é forte assim passa logo.&lt;br /&gt;- Ahan...&lt;br /&gt;- Bem, enquanto não passa vou entrar ali naquela lanchonete pra tomar um café.&lt;br /&gt;- Então tá...&lt;br /&gt;- Aceita um café?&lt;br /&gt;- Não, obrigado.&lt;br /&gt;- Tá, o café é o de menos. Não quer ir para um lugar onde vente menos? Lá pelo menos é coberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aceitou. Magrinha daquele jeito devia estar morrendo de frio. Chegando na lanchonete nos sentamos e conversamos bastante. Ela tinha um sorriso lindo, não conseguia deixar de reparar no quanto o sorriso dela era lindo, tanto que procurei fazê-la sorrir o tempo todo só para ver aquele sorriso iluminando aquele dia que até então estava sendo péssimo. A chuva passou e continuamos sentados. Conversando e rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando começou a escurecer ela precisou ir embora. Ela morava num prédio longe da minha casa, mas a companhia era tão agradável que nem me importei em acompanhá-la. Lá chegando ela me convidou a subir. Neguei para não parecer muito afoito. Inventei uma desculpa qualquer e peguei o número do celular dela. Iria ligar no dia seguinte ou dois dias depois, para parecer despretensioso. Ela subiu e eu fui embora. Duas quadras depois fui assaltado. Levaram minha carteira e meu celular, junto com o celular foi-se embora o telefone dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-1213269764797041487?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/1213269764797041487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=1213269764797041487&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1213269764797041487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1213269764797041487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/07/dois-lados-o-lado-dela_15.html' title='Dois lados - O lado dele'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-4595623142850479130</id><published>2008-07-15T11:54:00.002-03:00</published><updated>2008-07-15T12:33:13.281-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Dois lados - O lado dela</title><content type='html'>Nunca esquecerei a situação em que nos conhecemos. Eu precisava comprar um sofá novo pra minha casa e, como o dia estava claro, decidi sair para olhar as vitrines a pé mesmo. Caminhar, espairecer e gastar. Eu usava uma blusinha branca de alcinha e um jeans coladinho, estava bem básica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então sai por aí caminhando e olhando vitrines. Acho que só olhei sofás mesmo por uma meia hora, porque lembro de ficar deslumbrada com alguns vestidos que vi nesse dia. A sensação que eu tinha era de euforia, alegria, liberdade. O céu estava limpo, de um azul fascinante. Passei a tarde toda caminhando pelas lojas da cidade e, assim empolgada, nem percebi que o céu fechou repentinamente. Chuva de verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma chuva forte e impiedosa preencheu tudo e desapareceu em poucos minutos. Enquanto chovia, fui obrigada a me abrigar embaixo de um toldo, e lá estava ele também. Sorridente, charmoso. Ria da própria impotência ante a chuva inesperada. Quando cheguei tratou logo de puxar conversa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como pode, né? Estava tão claro agora há pouco.&lt;br /&gt;- Pois é. Quem diria que ia chover.&lt;br /&gt;- O bom é que quando é forte assim passa logo.&lt;br /&gt;- Ahan...&lt;br /&gt;- Bem, enquanto não passa vou entrar ali naquela lanchonete pra tomar um café.&lt;br /&gt;- Então tá...&lt;br /&gt;- Aceita um café?&lt;br /&gt;- Não, obrigado.&lt;br /&gt;- Tá, o café é o de menos. Não quer ir para um lugar onde vente menos? Lá pelo menos é coberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareceu uma ótima idéia, já que eu estava de camisa branca. Problemas femininos. Fomos para a tal lanchonete e lá, com certa descontração, Klaus conseguiu prender minha atenção. Acabei descobrindo a pessoa maravilhosa que ele era, tanto que a chuva passou e continuamos os dois sentados à mesa. Conversando e rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um fim de tarde ótimo. Ele me deixou no prédio onde eu morava, eu o convidei a subir e ele declinou. Disse que tinha um compromisso que não podia adiar. Pediu meu número de telefone e foi embora. Nunca me ligou, mas até hoje eu me lembro do sorriso dele. Engraçado como essas coisas acontecem, ele se tornou minha paixão platônica e eu só o vi um dia na minha vida, há dois anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-4595623142850479130?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/4595623142850479130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=4595623142850479130&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/4595623142850479130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/4595623142850479130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/07/dois-lados-o-lado-dela.html' title='Dois lados - O lado dela'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8342438063402144864</id><published>2008-07-14T20:23:00.001-03:00</published><updated>2008-07-14T20:50:08.832-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Tempo perfeito</title><content type='html'>Sabe, eu tenho essa tendência nata a complicar as coisas. O raciocínio metódico é inerente à minha pessoa. Penso, analiso, calculo, repasso. Faço tudo isso em busca de um resultado não apenas satisfatório, porque de resultados satisfatórios são feitos os homens comuns. Eu busco a perfeição, porque tenho a ambição de alcançar a excelência. Sim, é um anseio deveras ambicioso, mas, por favor, não confunda minha ambição com ganância. São coisas que, se analisadas a fundo, podem ser completamente díspares, e acredito ser esse o meu caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você deve estar se perguntando o porquê de tantos preâmbulos e eu direi agora. Tenho protelado o momento de tomar uma atitude de verdade ao que você tem considerado como "nós". A verdade, é que não existe "nós". Essa junção de duas pessoas em uma só é uma invenção patética dos românticos frustrados do passado. Veja bem, estou explicando o que, para mim, seria o "nós", e ele seria justamente isso: romantismo frustrado. Analisei a fundo essa questão e, depois de tanto pensar, firmei os pés no chão e cheguei à conclusão que tanto para mim, quanto para você deve haver um "eu e você", confesso que chega a parecer uma coisa monstruosa para a maior parte das pessoas, acostumadas a filmes água-com-açúcar veiculados por nossos meios de comunicação que tornam as pessoas cada dia mais acéfalas. Oh, desculpe-me, mas a televisão me enerva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, quando eu digo que deve haver dentro de um relacionamento o "eu e você", quero dizer que nosso relacionamento é feito por dois indivíduos diferentes, que podem pensar de maneira diferente e tomar decisões individuais. Acho que essa é a solução ideal. "Nós" é muita gente, "eu e você" somos dois indivíduos distintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim refletindo cheguei também a algumas conclusões no que tange a questões temporais. Eu e você somos duas pessoas com projetos de vida que tendem a serem construídos em torno de um pilar comum, nosso bem estar. O porquê disso? Certamente porque nos conhecemos o suficiente para nos querermos bem, e essa é uma questão que segue unicamente uma lógica passada. Por que eu haveria de gostar de quem você poderia ou não ser? Não tenho essa pretensão futura. Tenho um sentimento construído no passado e nenhum plano pro futuro. Não, não me olhe assim de maneira tão exasperada, não quero comunicar que pretendo terminar o relacionamento, muito pelo contrário, acredito que a conclusão a que cheguei é muito mais interessante do que esse pensamento comodista de quem pensa no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amantes que pensam no futuro fazem planos para futuro, fazem juras de amor eterno e essas outras baboseiras que no final se tornam apenas palavras ao vento. Oras a eternidade é por demais longa e eu tenho quiçá mais uns quarenta anos pela frente. Não, não possuo a eternidade, e ainda se a possuísse enlouqueceria, o momento de vida humano é breve para ser vivido em sua intensidade, e aí chegamos ao ponto que eu queria. Intensidade. Não te prometo amor futuro, porque do futuro eu não sei. O que posso te prometer é o melhor tempo que eu tenho na minha vida: o agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concorda que se vivermos o agora, sem a esperança de um futuro, cada segundo nos parecerá muito mais precioso do que a eternidade que as pessoas prometem como se realmente a tivessem? Então, o que te prometo é o agora, porque agora estou aqui, agora só quero você, agora esse seu sorriso me conquista, porque agora te amo. É tão simples, não sei porque compliquei durante tanto tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8342438063402144864?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8342438063402144864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8342438063402144864&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8342438063402144864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8342438063402144864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/07/tempo-perfeito.html' title='Tempo perfeito'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8858909025823182880</id><published>2008-07-10T14:15:00.002-03:00</published><updated>2008-07-10T14:30:20.066-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'></title><content type='html'>Sigo, busco, admito&lt;br /&gt;Ao teu passo repasso&lt;br /&gt;O teu ódio, a tua libido&lt;br /&gt;O ócio e o descompasso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, ópio nosso de cada dia&lt;br /&gt;Que nos leve na leveza do pensamento&lt;br /&gt;Que nos vele na eternidade do firmamento&lt;br /&gt;Que as diferenças lançadas à frente&lt;br /&gt;Sejam tua imagem e semelhança&lt;br /&gt;Tua menina, tua esperança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admito, busco o caminho&lt;br /&gt;Repasso ao teu passo&lt;br /&gt;A tua libido, o meu ódio&lt;br /&gt;O ópio, meu pequeno paço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Escrito por Adaildo Neto e Daniela Andrade]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem é Adaildo Neto? O Neto veio na safra de novos amigos dessas terras acreanas tão distantes. Escreve para os blogs &lt;a href="http://www.gritoacreano.blogspot.com"&gt;Grito Acreano&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.adaildoneto.blogspot.com"&gt;Excesso de Dúvidas Frequentes Sobre o Nada&lt;/a&gt;, dentre outros. Além de novo amigo da safra, espero que Neto seja também parceiro nesses passeios literários que surgem enquanto bebemos idéias, trocamos cigarros e fumamos cervejas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8858909025823182880?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8858909025823182880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8858909025823182880&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8858909025823182880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8858909025823182880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/07/sigo-busco-admito-ao-teu-passo-repasso.html' title=''/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2130420423017380513</id><published>2008-06-26T21:40:00.006-03:00</published><updated>2008-06-26T23:00:12.058-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Klaus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Klaus e Flavinho</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Momento inescrupuloso – Parte I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro tempo do jogo acabou e eu ainda estava divagando, pensando qual seria o motivo para Mariane ainda não ter chegado à casa da Penélope. O Flavinho me cutucou no braço e eu levei o maior susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá tudo bem, Klaus? Você tá tão calado.&lt;br /&gt;– É falta de cerveja, pega uma lá pra mim.&lt;br /&gt;– Pega você, seu folgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei um cascudo nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Deixa de ser mal-agradecido, rapaz.&lt;br /&gt;– Agora que eu não pego mesmo.&lt;br /&gt;– Deixa você me pedir cerveja de novo, pra você ver.&lt;br /&gt;– Tá bom, tá bom. Tô indo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele saiu. Eu levantei, dei aquela espreguiçada, como se estivesse sentado ali por séculos, depois fui pegar uma carne de sol na mesa, perto do Seu Dorival e da Dona Isadora. O Flavinho voltou com a latinha de cerveja aberta e bem mais leve do que deveria estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Aqui, Klaus, a cerveja que você deixou lá na cozinha. Vê se não desperdiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele moleque sempre foi uma figura, mas aquela superou todas. Eu não agüentei e comecei a rir. Seu Dorival me olhou daquele jeito meio desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá rindo do quê?&lt;br /&gt;– Olha quem tá preocupado com a cerveja. Não toma nem leite direito e vem me dar lição de moral pra não desperdiçar cerveja.&lt;br /&gt;– Flavinho, vai lá dentro e traz uma pra mim também.&lt;br /&gt;– Toma essa aqui, Seu Dorival. Tá geladinha, eu tô meio empapuçado.&lt;br /&gt;– Tá bom.&lt;br /&gt;– Flavinho, vamos comigo na casa da Juliana?&lt;br /&gt;– Ela não tá vindo pra cá?&lt;br /&gt;– Tá, mas o Henrique me ligou pedindo pra ir lá ajudar eles a arrumar umas coisas, mas não disse o que era.&lt;br /&gt;– Posso ir, pai?&lt;br /&gt;– Se quiser ir, vai.&lt;br /&gt;– Beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai, passei na geladeira, peguei duas latinhas e entrei no carro com o Flavinho. Sei que eu não devia fazer o que eu estava fazendo, mas o Flavinho era gente boa demais e ao fazer isso eu pelo menos controlava o quanto ele bebia, do contrário ele bebia escondido até ficar bêbado como no dia do casamento de uma prima deles. A sorte dele foi que eu vi antes de todo mundo e o enfiei dentro do meu carro às escondidas. Deixei-o dormindo e voltei pra festa. Quando senti que Seu Dorival estava querendo ir embora e estava procurando por ele, voltei no carro e o acordei. Ele ainda teve a capacidade de vomitar lá dentro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, entramos no carro e quando dei a partida ele abriu a cerveja e deu um gole. Eu o repreendi porque ele só deveria fazer isso quando estivéssemos longe da casa dele. Duas quadras depois parei o carro e ficamos lá dentro conversando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quê que o Henrique quer?&lt;br /&gt;– Não quer nada, seu Mané. Te trouxe aqui pra você tomar essa &lt;em&gt;última&lt;/em&gt; cerveja, hoje. Estamos entendidos?&lt;br /&gt;– Ah, Klaus. Só mais essa?&lt;br /&gt;– Enquanto teu pai não liberar, eu te encubro, mas tem que ter limite.&lt;br /&gt;– Mas eu já tenho dezesseis anos!&lt;br /&gt;– É um problema seu com seu pai, além do mais até onde sei é proibido menor de idade beber.&lt;br /&gt;– Por que você me dá bebida então?&lt;br /&gt;– Porque se eu não der você vai beber escondido, e nós dois sabemos que você não tem limites.&lt;br /&gt;– Ih, essa história de novo.&lt;br /&gt;– É essa história de novo, seu Zé Ruela. Foi dose voltar pra casa com a tua prima e o carro cheio de vômito sem poder explicar o quê que era. Eu tive que culpar o Henrique e depois disso, ela ficava no meu pé toda vez que eu saia com ele. Tudo isso pra você não levar uma surra.&lt;br /&gt;– Pô, valeu.&lt;br /&gt;– Valeu uma pinóia. Você me deve sua alma, caramba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez cara feia, porque sabia que era verdade. Eu o chantagearia eternamente por causa daquilo, muito embora até o momento estivesse sendo extremamente condescendente com ele e só o chantageasse para protegê-lo da própria sede insaciável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei para o Henrique para que passasse onde estávamos antes de ir para a casa da Penélope. Chegando juntos não haveria o incômodo de explicar porque fomos à casa da Juliana e voltamos separadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diversão inescrupulosa – Parte I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos tomando a cerveja, ambos calados. Até que o Flavinho falou uma besteira qualquer e eu discordei dele só para irritá-lo. O Flavinho era muito engraçado quando ficava nervoso. Começava a falar coisas desconexas e por fim ficava calado durante um longo tempo para depois, quando pensávamos que o assunto já estava encerrado, recomeçar a falar. Só que ele recomeçava a falar igual uma metralhadora quase sem recuperar o fôlego até que se esgotava e calava-se novamente dando tudo por encerrado, sem aceitar que tocassem no assunto novamente. Uma figura ímpar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de discordar dele ele começou a falar e falar e não falava nada com nada, até que o carro do Henrique apareceu na esquina com toda aquela velocidade de tartaruga maratonista, como sempre. Ele parou o carro dele ao lado do meu, olhou para o Flavinho todo emburrado e depois olhou pra minha clássica cara cínica. Balançou a cabeça e começou a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Vocês dois não mudam nunca. Vamos.&lt;br /&gt;– Vai na frente aí que eu vou seguindo atrás. Se eu for na frente você vai chegar lá no final do segundo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele arrancou o carro e nem se deu ao trabalho de me responder. Odiava quando falavam da forma como ele dirigia. Quase que automaticamente incorporava o Airton Senna e saia ziguezagueando os carros mais lentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu havia olhado dentro do carro de maneira discreta, mas não vi a Mariane lá dentro nem a Juliana, o que achei ainda mais estranho, já que ela e o Henrique eram unha e carne, e a Juliana era Flamenguista fanática&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei o carro e segui em direção à casa da Penélope, andando a quase vinte quilômetros por hora. Flavinho ao invés de encerrar a discussão de sua maneira particular, resolveu tentar me importunar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você fala do Henrique, mas é pior que ele.&lt;br /&gt;– Olha quem resolveu falar. É o Emburradinho da Estrela. Conhece o Emburradinho da Estrela, Flávio?&lt;br /&gt;– Vai te catar.&lt;br /&gt;– Hahaha... Calma, Flávio. Calma! Eu tô indo devagar porque Vossa Excelência ainda não terminou a cerveja.&lt;br /&gt;– Ih, nem lembrava.&lt;br /&gt;– Toma mais um gole e me dá aqui. Pode ser?&lt;br /&gt;– Pode, eu já tô cheio mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele bebeu mais um gole da cerveja e me deu a latinha, só então comecei a andar a uma velocidade compatível com a via. Indiquei a ele umas pastilhas de menta que estavam no porta-luvas havia pelo menos três meses, sem, é claro, revelar este pequeno detalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Gosto estranho. É de quê?&lt;br /&gt;– Menta arábica. Sabor novo no mercado.&lt;br /&gt;– Quer uma?&lt;br /&gt;– Ah, não. Obrigado. Vai deixar a cerveja com gosto diferente.&lt;br /&gt;– Tá bom.&lt;br /&gt;– Pode ficar com as pastilhas pra você.&lt;br /&gt;– Pô, valeu Klaus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei o som e logo chegamos à casa dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2130420423017380513?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2130420423017380513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2130420423017380513&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2130420423017380513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2130420423017380513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/06/momento-inescrupuloso-parte-i-o.html' title='Klaus e Flavinho'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6292314981432640549</id><published>2008-06-14T16:25:00.005-03:00</published><updated>2008-06-14T18:00:42.250-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Baixo Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amores Possíveis I'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Canção Desesperada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Breno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>O homem no espelho</title><content type='html'>Eu sei, é o que todos dizem: histórias de pessoas e espelhos já foram contadas antes, anos e anos antes de mim. Mas esse maldito espelho de última categoria que tenho no meu quarto não conversa comigo, não me leva a outras dimensões e tampouco afirma o óbvio: que existe alguém mais belo que eu. Ele só me mostra diariamente minha degradação física e meus colapsos mentais.&lt;br /&gt;Eu tinha uma esposa. Quer dizer, ela não era bem minha esposa, nunca fomos formalmente casados. Mas eu a conheci aos dezenove, montamos um apartamento aos meus 21 e vivemos juntos por 13 anos, quando eu tive meu primeiro colapso mental e a deixei. Aproximadamente dois anos depois ela morreu, suicídio, a covardia mais corajosa que já vi alguém cometer. Eu já estava doente antes disso e continuo doente agora, agora que se passaram cinco anos da morte dela, e muito embora eu tenha piorado consideravelmente desde que ela se foi, meu corpo sempre se esquece de morrer. Coisa muito agradável de se fazer, por sinal. Desde que ela morreu eu me abracei à minha mortalha e tenho esperado pela Indesejada, que anda me ignorando solenemente.&lt;br /&gt;Nina nasceu pra mim numa noite subterrânea na faculdade. À época eu já parecia doente, tinha um quê de sorumbático que irritava muita gente. Sempre fui uma pessoa grave e silenciosa, tão tímido quanto um ser humano podia ser, e isso parecia meio arrogante às pessoas. Ou seja, eu praticamente não tinha amigos. Cursava Filosofia, era chato e carregava comigo a maior solidão do mundo. Andava pra cima e pra baixo com meu maço de cigarros completamente amassado, um livro velho que de tão lido e relido eu já tinha decorado e o porta-uísque sempre abastecido, que passou do meu avô imediatamente pra mim por ser meu pai um abstêmio convicto e feroz. O livro era Cem Anos de Solidão, em espanhol, uma raridade que encontrei a um preço irrisório num sebo vizinho à minha casa, abandonado como eu. Não tinha lá muito respeito por ele, fazia todo tipo de anotação nas suas páginas e, por nunca deixá-lo na estante, estava todo deteriorado. Mas eu tinha um apego sobre-humano àquele exemplar, como se eu não pudesse andar sem ele. Falava pouco às aulas e, às vezes, sequer atentava para a explicação do professor, absorvido na produção do meu romance, a minha grande obra que nunca consegui concluir na vida, uma das muitas coisas às quais me dediquei e falhei miseravalmente. Ora, nem morrer eu consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nina, era de Nina que eu falava. Era uma aula de Ética III, uma das matérias mais insuportavelmente enfadonhas de todos os tempos. Metade da sala dormia e a outra metade se concentrava em qualquer coisa que não fosse aquele senhor já idoso lendo o seu plano de aula. Saí da sala sem ser notado – não que fosse uma tarefa assim difícil – e acendi um cigarro no corredor. Sorvi a fumaça como se finalmente voltasse a respirar, tomei um gole do uísque e me sentei no chão pra reler meus apontamentos. Já disse que era uma noite subterrânea, não disse? Sim, a sala era no subsolo da faculdade, e aqueles corredores silenciosos e sombrios estavam sempre à espera de uma anunciação. E ela veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O coração, se pudesse pensar, pararia”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo Soares. Meu coração parou, assim, mas sem pensar. Alguém ali ou além recitava Bernardo Soares. Me ergui num salto mais ágil do que me sabia capaz e quase caí, olhando ao redor e procurando a voz, ou melhor, a dona dela.&lt;br /&gt;__ Gosta de Pessoa?&lt;br /&gt;Ela estava à minha frente, e parecia que sempre estivera ali, eu é que nunca havia enxergado.&lt;br /&gt;__ Gosto muito de Pessoa. Mas o Bernardo é meu favorito.&lt;br /&gt;__ É, eu reparei – resmunguei sem inteligência.&lt;br /&gt;Era branca de uma brancura absurda, palpável, quase líquida. Meu instinto foi tocá-la, mas não pude, eu já não fazia mais sentido. Mal sabia se ela existia. Contrastando com sua brancura líquida, cabelos lisos de um negrume só, uma escuridão impenetrável.&lt;br /&gt;__ Como é seu nome?&lt;br /&gt;__ Breno.&lt;br /&gt;__ Oi, eu sou a Nina.&lt;br /&gt;Ela sorriu, e eu sorri de volta só porque o sorriso dela me encheu de uma felicidade imbecil. Ela usava um vestido de um amarelo berrante que ofuscava, e quando se aproximou pra me dar um abraço – que só recebi, sem retribuir – causou um choque visual ao se encontrar com a minha blusa preta.&lt;br /&gt;__ Desculpa, mas de onde você saiu?&lt;br /&gt;__ Festinha nas Cênicas. Fui ao banheiro e na volta te vi fumando. Então vim pedir um cigarro.&lt;br /&gt;__ Você faz Cênicas?&lt;br /&gt;__ Não, Desenho Industrial. Você pode me dar um cigarro? O que você estuda?&lt;br /&gt;__ Filosofia.&lt;br /&gt;__ Interessante. Por que não está na festa?&lt;br /&gt;__ Não sou de festas.&lt;br /&gt;Ela esquadrinhou o chão à procura do isqueiro e encontrou meu livro.&lt;br /&gt;__ Um intelectual, é? Sabe, eles também frequentavam festas. Os intelectuais. Bebiam absinto e usavam drogas, essas coisas.&lt;br /&gt;Dei de ombros. Ela riu, superior. Sacudiu o livro com pouquíssimo zelo, quis matá-la. Mas não pude.&lt;br /&gt;__ Gosta de García Márquez, pelo visto.&lt;br /&gt;__ É meu preferido. Esse é o livro da minha vida.&lt;br /&gt;__ Sei. Você carrega consigo a maior solidão do mundo. Eu até gosto dele, sabe? Mas prefiro poesia.&lt;br /&gt;__ Você é passional.&lt;br /&gt;Sorriu novamente, com gosto.&lt;br /&gt;__ É? E de onde você tirou isso?&lt;br /&gt;__ De lugar nenhum. É só uma teoria.&lt;br /&gt;Estava nervoso, incomodado, intimidado e crescentemente envergonhado. Ela tinha um ar insolente que me desnorteava, eu não sabia o que fazer das minhas mãos. Por fim tomei o livro e o isqueiro dela e dei as costas.&lt;br /&gt;__ Onde você vai, Bruno?&lt;br /&gt;__ É Breno. Meu nome é Breno. Vou voltar pra aula.&lt;br /&gt;Ela me puxou pelo braço, sempre sorrindo.&lt;br /&gt;__ Esquece a aula. Vem, vamos nos espalhar por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei três dias seguidos na casa dela, vivendo de sexo e brisa, ou seja, um amor desesperado e latente. Eu me apaixonei pela sua loucura. A casa era o exemplo da desordem, o som era alto dia e noite, pessoas iam e vinham a qualquer hora e ela se alimentava de maconha. E mesmo bebendo feito uma lontra selvagem e fumando maconha como quem respira ela quase nunca dormia. Tinha o maior número de amigos que pude imaginar e pintava o tempo todo, andando pela casa em trajes sumários como se estivesse sozinha. Por vezes ela me deixava à deriva e se perdia nas coisas dela que eram só dela e continuariam sendo pelos próximos quinze anos.&lt;br /&gt;Dentro do que conseguimos aceitar como sensato construímos nossa vidinha. Ou melhor, ela construiu sua vida com o resto do mundo, eu construí um castelo inacessível e nos tranquei na torre mais alta. Minha vida era ela. Meu sangue era o dela, meu respirar era o dela. Trabalhava por trabalhar, estudava por estudar, eu vivi Nina em desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois de sua morte eu tive meu segundo colapso mental e larguei o emprego, prestes a me aposentar integralmente por invalidez. Meu pai ficou felicíssimo, claro. Pediu minha interdição e me trancou num hospital em São Paulo para tratamento. Terapia, quimioterapia, eu só queria morrer, mas não podia. Nina morta em mim doía, toda a dor do mundo, toda a solidão do mundo. Após um ano tive o terceiro colapso, me dei alta daquele hospital infernal e me mudei para o Rio de Janeiro. Fumava dois maços de cigarro por dia pra ver se apressava a hora de ir embora e bebia ininterruptamente. Escrevia, virei escritor, fui publicado e lido aqui e ali, foi no terceiro mês de Rio que o espelho apareceu. Só comprei pra me livrar do vendedor, larguei aquela monstruosidade barroca no meu quarto e não lhe dei atenção por uns quatro dias, até me ver refletido nele.&lt;br /&gt;Tive o quarto colapso mental, então. Parei de fumar, reduzi drasticamente a bebida àquele cálice de vinho famigerado dos cardiologistas e tentei fazer uns amigos. Cheguei a viver um pseudo-amor com uma moça branca e bela que hoje me odeia violentamente. Adiei a morte enquanto me foi possível, mas por um motivo qualquer que ainda agora ignoro completamente, pois não havia vontade, não havia apego nenhum à vida. Continuei a amar Nina de um jeito tão doentio e agalopado que me parecia errado não estar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, hoje tive meu quinto e último colapso mental, eu acho. Cheguei em casa mais embriagado que uma marmota mutante e vi Nina branca, incrivelmente branca, no espelho. Sem pensar uma vez sequer eu o destruí, juntando seus destroços sobre a cama, e me deitei ao seu lado, todas as pílulas nas mãos ensanguentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O coração, se pudesse pensar, pararia”. Acho que pára dessa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A história de Breno, meu personagem mais longevo, está fragmentada em textos desse blog, e ainda resta uma lacuna, referente ao período que ele viveu com Clara no Rio de Janeiro. Se for do seu interesse, acompanhe sua história, lendo os seguintes textos, nessa ordem: &lt;a href="http://cognome.blogspot.com/2007/08/cano-desesperada.html"&gt;Canção Desesperada&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cognome.blogspot.com/2008/04/amores-possveis-i-breno-e-clara.html"&gt;Amores possíveis I&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cognome.blogspot.com/2008/02/baixo-rio.html"&gt;Baixo Rio&lt;/a&gt;. Só não se incomode com sua morte. Era uma morte anunciada, como o título de um livro do seu literato preferido.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6292314981432640549?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6292314981432640549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6292314981432640549&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6292314981432640549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6292314981432640549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/06/o-homem-no-espelho.html' title='O homem no espelho'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3580751073049309913</id><published>2008-06-12T23:21:00.000-03:00</published><updated>2008-06-12T23:22:03.215-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romantismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Cretino conquistador</title><content type='html'>Ela sempre foi muito bonita, isso eu não tenho como negar, foi assim que a conheci: tentando conquistá-la. Ela estava em um vestido preto que mostrava o corpo esguio e aquele busto fenomenal. Estava conversando com uma senhora de uns quarenta anos excessivamente bem vestida para a ocasião e com uma maquiagem que parecia inspirada em bailes de carnaval. Aproximei-me com um copo de uísque na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A festa está bem animada, não acham?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambas me olharam com desdém e voltaram a conversar como se eu não estivesse ali. Eu fingi que aquilo não me abalou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É... nem todo mundo está animado. Frigidez é um problema sério. Tchau, minhas queridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora fingiu que não era com ela, mas Mariane não resistiu. Ofendeu-se. Eu já estava virando de costas e saindo quando ela falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tchau, palhaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei, abri o sorriso mais cretino que uma pessoa consegue simular e olhando nos olhos dela disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pelo menos você viu alguma graça em mim, já eu não posso retribuir a afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai sem esperar resposta e ela ficou sem reação. Ela sabia que era linda e ouvir de um homem que ela não o atraía era como uma bomba que seu orgulho não seria capaz de suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei: bebi, dancei e flertei com várias mulheres. A festa estava realmente bastante animada e cheia de mulheres bonitas. Dancei um xote com uma das mulheres mais bonitas da festa – minhas aulas de forró estavam realmente surtindo efeito. Ao fim da música eu pedi licença, fui ao banheiro e de lá ao bar, pra pegar uma água tônica. No caminho, Mariane me puxou pelo braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é sempre assim?&lt;br /&gt;– Assim como?&lt;br /&gt;– Sem educação.&lt;br /&gt;– Só quando a ocasião pede.&lt;br /&gt;– Olha... foi mal, me desculpe mas eu estava já estava nervosa com o papo chato daquela senhora.&lt;br /&gt;– Tudo bem, agora com licença.&lt;br /&gt;– Ei, você vai aonde? Estamos conversando.&lt;br /&gt;– Ah, estamos? Eu pensei que o assunto havia encerrado.&lt;br /&gt;– Prazer meu nome é Mariane.&lt;br /&gt;– Klaus.&lt;br /&gt;– Nome diferente.&lt;br /&gt;– Meu pai sempre achou bonito. Não gosto muito dele, mas como não tenho outra opção, acabo aceitando.&lt;br /&gt;– E então, Klaus. De onde você conhece o Henrique.&lt;br /&gt;– Estudamos juntos na faculdade. Ele comprava os trabalhos dele de mim, sabe.&lt;br /&gt;– Que horror.&lt;br /&gt;– O quê?&lt;br /&gt;– Você colaborar com isso: vender trabalhos universitários.&lt;br /&gt;– Só isso? Eu vendo até hoje. É um dinheiro fácil que eu não dispenso de forma alguma.&lt;br /&gt;– Um absurdo isso.&lt;br /&gt;– Deixa pra lá. E você de onde conhece o Henrique?&lt;br /&gt;– A Juliana é minha prima.&lt;br /&gt;– Ah, a Juliana é sua prima?&lt;br /&gt;– É sim.&lt;br /&gt;– Que interessante.&lt;br /&gt;– Por quê?&lt;br /&gt;– Porque a Juliana é praticamente minha vizinha. Somos muito amigos e ela freqüenta bastante a minha casa. Aliás, fui eu quem fez as apresentações dos dois. Engraçado eu nunca ter te visto por lá. &lt;br /&gt;– Bem, não somos extremamente amigas. Somos primas e só. Ela me chamou pra vir à festa hoje porque minha mãe passou na casa dela e eu fui junto. Como não nos víamos há muito tempo me chamou pra festa.&lt;br /&gt;– Ela e o Henrique são perfeitos, não? É o casal mais bacana que eu conheço.&lt;br /&gt;– Nossa que termo.&lt;br /&gt;– O quê?&lt;br /&gt;– Bacana...&lt;br /&gt;– O que tem?&lt;br /&gt;– Tão... chulo.&lt;br /&gt;– É meu jeito, se não te agrada...&lt;br /&gt;– Você é sempre assim?&lt;br /&gt;– Assim como?&lt;br /&gt;– Sem educação.&lt;br /&gt;– Só quando a ocasião pede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que a conversa deveria terminar ali mesmo e fui saindo, ela segurou meu braço novamente e me puxou de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é tão bonito, por que age desse jeito?&lt;br /&gt;– Por que não agir desse jeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fiz novamente o sorriso cretino. Aliás, esse sorriso cretino é minha marca registrada. Um sorriso de canto de boca com os olhos meio apertados: um charme só. Ela aparentemente ficou horrorizada com a resposta que porque soltou meu braço e ficou com aquele olhar vago, fixando o vazio. Acho que ficaria assim por um minuto inteiro se eu não tivesse intervido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximei dela, segurei seu rosto com uma mão enquanto colocava a outra na sua cintura. Ela pareceu despertar com um choque e assustar-se, mas não reagiu. Apenas me olhou. Eu olhei seus olhos, sua boca, aproximei meu rosto, puxei o corpo dela contra o meu e parei. Nossos lábios estavam bem próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E agindo assim, eu agrado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que nos beijamos. Um beijo demorado e lento. Um beijo apaixonado. Enquanto a beijava eu acariciava seus cabelos e passava a mão por suas costas. Que pele macia, que cabelos maravilhosos. Acho que nunca vou esquecer a sensação que foi nosso primeiro beijo. Uma sensação deliciosa que sinceramente, nunca mais experimentei desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado o beijo permanecemos abraçados, nos olhando em silêncio. Estávamos nos admirando por alguns momentos. Ela era realmente linda e tinha um jeito muito carinhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então...&lt;br /&gt;– Então o quê?&lt;br /&gt;– Isso é porque você não viu graça nenhuma em mim?&lt;br /&gt;– Você viu em mim, isso me basta.&lt;br /&gt;– Você é muito cheio de si.&lt;br /&gt;– Eu transbordo egocentrismo.&lt;br /&gt;– Percebi.&lt;br /&gt;– E aproveitou também.&lt;br /&gt;– Jesus amado, você não consegue deixar de ser assim nem um instante? – disse sorrindo.&lt;br /&gt;– Assim como, sem educação?&lt;br /&gt;– Não. Convencido.&lt;br /&gt;– Ah, eu achei que eu era sem educação. Você muda de idéia muito rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu. Pediu licença, disse que voltava e saiu em direção ao banheiro. Eu olhei o relógio, fui até a saída e pedi ao manobrista que trouxesse meu carro. Voltei à festa para me despedir do Henrique e da Juliana. Retornei à saída onde meu carro já estava esperando, dei uma gorjeta ao manobrista e fui embora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3580751073049309913?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3580751073049309913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3580751073049309913&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3580751073049309913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3580751073049309913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/06/cretino-conquistador.html' title='Cretino conquistador'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8566280354579505938</id><published>2008-06-02T18:38:00.002-03:00</published><updated>2008-06-02T18:55:09.961-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fuga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Amores possíveis II - Lígia e Bárbara</title><content type='html'>Então o plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não havia plano. Era só estímulo, manifestação, sopro, indo em todas as direções, num caminhar descontínuo e sem limite. E havia a esperança, todas as esperanças unidas no desejo latente de matar a sede. A fome. Tudo que consome e cega. E consumida e cega eu ia, faminta dos gostos dela, desconhecidos e cravados na minha pele, minha língua, meu suor que banhava a cama noite após noite. E noite após noite meus dedos a transformavam em vítima e cúmplice desse crime ensopado, e a cada amanhecer de cada dia eu era ela, ainda que ignorando por completo seu nome. E andava nos seus passos por não encontrar meus sapatos ou o que tivesse valia, eu ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E havia um dia de luz, uma luz clara de fechar olhos. E de olhos fechados eu ia até cruzar com ela, num único respirar do universo. Todos os meus poros se abriram como que para absorver o perfume que ela exalava impunemente, e naquele momento de luz e dor eu fui dela, e continuei sendo dela, todos os dias em que eu refazia aquele caminho pra cruzar com o olhar dela, esperando que de olhos abertos ela caminhasse e pudesse me ver, mendiga dos carinhos dela. E a segui, e os dias em que ela não caminhava pela nossa estrada de tijolos eram longos e vazios, daquela espera silenciosa e voraz pelo dia seguinte. Eu ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espelho me julgava e me mentia todos os dias, porque eu contrariava a natureza por desejar aquela criatura e por saber que o sexo dela era o mesmo do meu. E não só o espelho como o dia, a noite, a chuva e todos os olhares me julgavam por esse desejo errado porém latente e de uma verdade tão absoluta quanto absoluta era a equidade entre o sexo meu e o sexo dela. Mas contrariando qualquer julgamento eu continuava a esperar, e cada vez mais sedenta do sexo dela igual ao meu junto ao meu eu ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de ir acabei cegando pro que devia ter visto, e devo ter cruzado com ela em vários outros caminhos, mas a esperava sempre no lugar que julgava nosso, por tê-la visto lá a primeira vez. E não vi caminhos outros e não vi mais a ela e a mais nada. Apenas ceguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela veio caminhando por um caminho novo, num dia sem luz de fechar olhos, num dia de se caminhar seguramente por um caminho que se vê, se conhece e se deseja. Ela veio. Eu não pude ir até ela porque não sabia se ainda podia andar, eu apenas esperei. Ela veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começou a falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8566280354579505938?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8566280354579505938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8566280354579505938&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8566280354579505938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8566280354579505938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/06/amores-possveis-lgia-e-brbara.html' title='Amores possíveis II - Lígia e Bárbara'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2136610141317790939</id><published>2008-05-23T14:52:00.000-03:00</published><updated>2008-05-23T15:02:48.962-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Prato frio</title><content type='html'>Eu até poderia fingir que nunca doeu. Que nunca feriu. Eu podia fingir todas as coisas pra você, de fato poderia, e até quis por muito tempo. Aliás, penso que consegui por muito tempo, pois ainda ferido você tornava a me ferir. E não havia em meus atos ou palavras sinal nenhum de que tuas malignidades arrancavam lentamente, de uma lentidão suave e cruel, todos os amores que senti por ti e parti em milhares de pedaços, esperando em vão que de mim nunca saíssem. Mas estava em meu olhar o tempo todo, aquele desespero silencioso de quem vê a chaga mas não pode curá-la. Ou talvez não queira, na esperança de que outro, no caso a mulher amada, o faça. E é incrível olhar para trás agora, abrindo violentamente a cortina do tempo, e ver as chagas de anteontem ainda abertas. E somente te vendo agora, nua e sem vida, é que volto a me sentir vivo, como se milagrosamente eu voltasse a respirar, após um período longo e obscuro com a cabeça dentro d'água. E todas as palavras que eu quis um dia te dizer me vêm com facilidade tamanha, como se eu tirasse a mordaça que me censurou por todos esses anos. Posso até ver com clareza os seus erros, e consigo facilmente elencá-los em grau de maldade e violência. Eu estive cego durante anos, anos a fio em que você esteve a me trair, a mentir, a enganar, a sugar. Eu estive mudo durante todo esse casamento que você conseguiu, com sua fleuma de negociante, transformar em um arranjo, num jogo de interesses tão mesquinho quanto você mesma. Porém me veio a anunciação, minha cara, aquilo que chamamos precariamente e sem fé de Divina Providência. E nesta noite argentina não vou te deitar à minha cama, hei de te deixar banhada em sangue. E sairei, e rodarei, e viverei. E quanto eu voltar tu ainda estarás à minha espera, ainda nua e banhada em sangue, e como nunca silenciosa e devota.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2136610141317790939?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2136610141317790939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2136610141317790939&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2136610141317790939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2136610141317790939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/05/prato-frio.html' title='Prato frio'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-4483975661330764338</id><published>2008-05-20T11:52:00.002-03:00</published><updated>2008-05-20T11:55:33.151-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romantismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Tempos apaixonados, tempos apaixonantes</title><content type='html'>Ontem eu me peguei pensando nela novamente. Dizer isso soa muito engraçado porque não existe ELA especificamente, compreende? Acho que estou vivendo novamente um daqueles momentos mutantes da vida, onde nos pegamos nostálgicos. Relembramos tudo de bom que nos aconteceu e começamos a pensar e pensar e pensar. Assim pensando, pensando e pensando acabamos sentindo saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem eu estava com saudade dela. Daquele friozinho na barriga, daquela euforia desmedida e aparentemente sem sentido de todas as manhãs. Esperança, euforia, decepção, frustração, mais esperança, alegrias, encantos e desencantos. Olhares, sorrisos, lágrimas, mais sorrisos, mais lágrimas, espinhos, pétalas, flores, cores, odores e temores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta coisa se viveu. Tanta coisa boa, tanta coisa ruim. No final ficam as lembranças, o aprendizado e a maldita saudade. Nós nos esquecemos de tudo, mas um dia a saudade bate e traz à tona tudo que se viveu e a vontade de viver tudo de novo, e nessas horas, no anseio de se reviver,  as lembranças se misturam às fantasias, aos desejos e acabamos sentindo saudade até mesmo daquilo que não vivemos, porque também sentimos saudades dos sonhos que aparentemente morreram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos são lindos, são maravilhosos e traiçoeiros. Nunca acredite que um sonho morreu. Ele se transforma, metamorfa, se maquia e é maquiavélico. Quando menos esperamos eles voltam pra nos assombrar, de sonhos se transformam em fantasmas. Frustração mal trabalhada, sabe? Faz parte da vida acontece comigo e com certeza acontece, aconteceu ou acontecerá com você. Paciência, não se morre dessas coisas e se formos espertos o bastante ainda conseguimos transmutar esses fantasmas de volta em sonhos. Isso é viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto saudades da paixão. Sinto saudades de estar apaixonado. Sinto saudades dos meus sonhos. Sinto medo dos meus fantasmas... e eles sentem medo de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-4483975661330764338?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/4483975661330764338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=4483975661330764338&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/4483975661330764338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/4483975661330764338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/05/tempos-apaixonados-tempos-apaixonantes.html' title='Tempos apaixonados, tempos apaixonantes'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-7799631411447731493</id><published>2008-05-19T15:37:00.000-03:00</published><updated>2008-05-19T16:16:58.054-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Wishlist</title><content type='html'>E daí que casar não está nos meus planos, não mesmo. Ter um filho até, quem sabe, um Lorenzo. É, sou brega, não há remédio pra isso, já procurei na farmácia. Mas isso de ter um filho é sazonal e depende do estado dos meus nervos, então eu mudo de idéia toda vez que muda a Lua, e ainda bem que tomo pílula e todo o resto, senão o que eu ia fazer com o Lorenzo na época de não querê-lo? Oh, drogas. Também não pretendo passar o resto da vida num emprego só, mas isso não é o que todo mundo diz, o papo de promoção e progressão funcional ou trabalhar com qualquer coisa até o dia glorioso em que vou trabalhar com o que quero (tipos ser lanterneiro até conseguir chegar à Procuradoria Federal). Não. Mesmo se eu trabalhasse com o que amo desesperadamente - que no momento é aquele ser humano que toca bateria e trança o cabelo do jeito mais charmoso ever - eu ia querer trabalhar com outra coisa alguma hora da vida. E nem é por ser versátil, porque não o sou, ou por ser multifacetada, porque não gosto dessas frescuras. A questão é que me desapaixono por tudo de uma maneira tão rápida e indolor que às vezes dói, como diria o CaioF, 'lateja louca nos dias de chuva'. E a sensação de vazio me enche de tanta angústia que me perco nas coisas que nunca foram minhas, então preciso ter tudo, ora, isso não faz sentido. E também quero viajar muito e para muitos lugares, mas os locais mais não-convencionais possíveis, tipos todo mundo quer ir pra Nova Iorque só pra comprar aquela blusa idiota do I S2 NY, tudo bem soar clichê, todo mundo é clichê, mas tem o clichê charmoso, tipos eu quero a Europa, super clichê a Europa, mas não Paris e Londres e essas baboseiras que todo mundo faz. Quero a Espanha, o leste europeu, a parte mais dourada e menos cinzenta do Viejo Mondo, quero a vodca da Polônia e não da Rússia. E da Ásia prefiro a Indonésia à China, todo mundo vai pra China, todo mundo quer a China, é muita bicicleta amontoada, chega perco o ar. Nova Zelândia tá na moda, mas eu até queria, nem tanto pelos cangurus, ai, canguru é na Austrália, na Nova Zelândia é aquele pato-peixe, não é isso? Sei não. E além de viajar e não-casar e ter vários empregos vida afora, também quero ter muitos cachorros, nada de gatos, odeio gatos, mas quero ter muitos cachorros. Juro que não vou carregá-los em fakes da LuíVitón pra cima e pra baixo nem vou levá-los a DogSpas, vou deixar os bichinhos serem cachorros felizes, podem se sujar de lama e enterrar ossinhos (embora eu não acredite verdadeiramente nessa história de enterrar ossos). Enfim, eles poderão agir feito cachorros e estará tudo lindo, tudo na mais perfeita (des)ordem. E seus nomes serão coisas do tipo Zeca, Chico, Madalena, nada de Max ou Fox ou Scott ou Beethoven (se bem que um podia se chamar Wagner, de preferência o labrador de pelo negro, Wagner fica lindo). Enfim. E depois de ter vários cachorros e depois de viajar e depois de trabalhar com tudo que eu puder e depois de tudo mesmo eu queria aprender a operar um trator. Ou pilotar, ou dirigir, ou o que seja que alguém faz pra colocar o trator em movimento. Eu queria colocar um trator em movimento, com aqueles fones horrivelmente grandes no ouvido. Mas queria colocar um trator em movimento em uma avenida movimentada, tipos a Paulista às seis da tarde. Mas aí ele não ficaria em movimento, então esquece a Paulista. Não sei aonde, sei que tudo que ando querendo por agora é operar um trator. E não, pseudo-psicanalista-de-merda, isso não é um desejo reprimido, é o que é, vontade de operar um trator e pronto. Quem sabe até carregar uns tijolos pra lá e pra cá e depois tomar um café requentado. Mas é isso, por ora. Operar um trator e depois beber com os meus amigos e contar pra eles como é operar um trator, eles nunca fizeram nada parecido e vão ter inveja master. E quem sabe depois da vontade de operar trator venham vontades outras, também não-convencionais, tipos morar num iglu só pra ver se faz frio mesmo, e ver até onde suporto neve, porque eu acho neve o máximo, mas será que eu suportaria ver neve todos os dias por toda a minha vida? Não, eu não suportaria, cancela o iglu, cancela a neve. Quem sabe uma sociedade alternativa, cogu e visu da natu na cachu. Por uns três meses. Hahahahaha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, pensando bem mesmo, ainda bem que essa vontade de ter Lorenzo vem e passa rápido, não sei se eu teria coragem de operar um trator sendo mãe. É isso, cancela o filho, fico com o trator.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-7799631411447731493?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/7799631411447731493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=7799631411447731493&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7799631411447731493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7799631411447731493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/05/wishlist.html' title='Wishlist'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2077088608144709881</id><published>2008-05-10T17:34:00.002-03:00</published><updated>2008-05-10T17:41:59.014-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Simplicidade envolvente</title><content type='html'>Estávamos abraçados. Era noite e estávamos abraçados olhando pela janela, as luzes apagadas, e eu sentia o cheiro dela enquanto o aparelho de som preenchia o ambiente com aquele trip hop relaxante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fechava os olhos e sentia a textura da pele dela. Lisa, macia, tentadora. Até então a noite havia sido perfeita. Um bom jantar, um bom vinho, sorrisos, abraços, beijos e sexo apaixonado. Não importa quantas vezes você fez sexo na sua vida, quando se faz com sentimento sempre parece ser a primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mordi levemente a orelha dela. Ela passou a mão pelo braço que a apertava contra meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que faremos agora?&lt;br /&gt;- Não sei. Sei que está sendo muito bom.&lt;br /&gt;- Não me imagino mais sem você.&lt;br /&gt;- Nem eu me imagino sem você. Sem esse abraço, sem esse sorriso...&lt;br /&gt;- Mas você tem que ir embora e eu não posso ir junto.&lt;br /&gt;- Ah, não, amor. Vamos aproveitar o nosso tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, virou-se, colocou seus braços em volta do meu pescoço e me beijou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para de pensar nisso, a gente vai dar um jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simples. Fácil. Tudo para ela parecia ser assim. Ela parecia não se importar com os meandros dos caminhos da vida, com os obstáculos impostos pelo destino. Fascinante essa visão da vida. Uma linha reta: simples e sem interferências. Uma visão tão fascinante quanto perigosa. Não posso negar que fui seduzido por tudo nela, desde sua beleza até sua forma simplista de ver a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijei-a de volta, abraçando-a firmemente. Parei e, olhando dentro daqueles olhos encantadores, não pude pensar em outra coisa, além da felicidade de se viver o agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2077088608144709881?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2077088608144709881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2077088608144709881&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2077088608144709881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2077088608144709881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/05/simplicidade-envolvente.html' title='Simplicidade envolvente'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8403331563099360810</id><published>2008-04-30T17:01:00.004-03:00</published><updated>2008-06-02T19:57:41.898-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Baixo Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Canção Desesperada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Amores Possíveis I - Breno e Clara</title><content type='html'>* Do processo de conhecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Início de tarde, final de outono, Leblon, Rio de Janeiro. Clara rodava à toa pelo shopping com umas amigas, perdida de uma perdição muito menos mundana e cheia de humanidade, quando se deparou com o cartaz na livraria que anunciava o lançamento da mais recente publicação de Breno Cavalcante, "Ao piano". Divisou o literato sentado - sozinho/solitário/abandonado - através da vitrine e encheu-se de uma histeria adolescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ É verdade que o Breno Cavalcante tá lançando o livro dele aquihojeagora?&lt;br /&gt;__ Sim, senhora.&lt;br /&gt;__ E ele está autografando?&lt;br /&gt;__ Exatamente, senhora.&lt;br /&gt;__ Me vê um exemplar. Agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com seu exemplar em mãos, Clara caminhou insegura até a mesa onde o escritor estava - entediado/desligado/desamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Boa tarde.&lt;br /&gt;__ Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu com um esforço sobre-humano, ainda assim lhe faltando humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ O sr. é meu escritor preferido.&lt;br /&gt;__ Que tragédia. Sinto muito por isso. Mas, por favor, não me chame de senhor.&lt;br /&gt;__ Ah, perdão. Será que você pode autografar meu exemplar?&lt;br /&gt;__ Claro. Já leu?&lt;br /&gt;__ Ainda não, acabei de comprar.&lt;br /&gt;__ Se acaso eu autografá-lo, vai valer menos ainda quando você tentar se livrar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara sorriu, em êxtase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Isso não vai acontecer, sabe? Leio "O homem no espelho" pelo menos uma vez por mês. Amo o seu trabalho, de verdade. Dos escritores da nova geração, é com quem mais me identifico.&lt;br /&gt;__ Não sou um escritor da nova geração. Conta comigo: tenho a alma envelhecida, me falta espírito aventureiro e nunca usei drogas. Eu não me encaixo.&lt;br /&gt;__ Não faz diferença. Continua sendo o meu preferido.&lt;br /&gt;__ Nem me preocupo. Você é jovem, há tempo pra mudar. O livro?&lt;br /&gt;__ Aqui está.&lt;br /&gt;__ Seu nome?&lt;br /&gt;__ Clara. Clara Monteiro. Eu também escrevo.&lt;br /&gt;__ Mesmo? Alguma publicação?&lt;br /&gt;__ Ainda não. Encaminhei uns originais para algumas editoras mas ainda não obtive resposta.&lt;br /&gt;__ Essas cousas tomam tempo. Pronto, aqui está seu livro devidamente autografado. Caso não consiga vendê-lo, dá um excelente peso de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu novamente, agora com um pouco mais de humanidade. Um desavisado poderia até jurar ter sentido um certo tipo de calor, tímido porém vivo.&lt;br /&gt;Clara tomou seu exemplar com carinho e delicadeza tão extremos que chegavam a ser palpáveis. Retribuiu o sorriso de Breno com um calor incandescente que lhe subia a nuca e quase cegava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Posso te convidar pra um café?&lt;br /&gt;__ Clara, Clara, não se arrisque. Sou uma companhia desagradabilíssima.&lt;br /&gt;__ Me deixe ao menos tentar. Assumo o risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sorriu, apenas aquiesceu com a cabeça, usando de uma gravidade que derramava charme impunemente. Clara mal conseguia esconder sua excitação ensopada quando dispensou as amigas sem maiores explicações, usando apenas um "vamos tomar um café!!!!" desesperado.&lt;br /&gt;Ela voltou à livraria e se sentou a um canto para ler seu exemplar autografado, mas não pôde se concentrar na leitura por não conseguir tirar os olhos dele. E assim foi durante toda a tarde movimentada. Já passava das seis quando ele se levantou - cansado/desimportado/desempolgado - e se dirigiu até ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Vamos. Hora da tortura atípica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Da leitura - Café, cigarro e sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Preliminarmente: sou um cara verdadeiramente enfadonho, portanto durma ou fuja se lhe der vontade. Justamente por ser miseravelmente enfadonho é que quase nunca me ofendo. E muito embora seja lisonjeiro me ter em seu rol da fama, não me agrada falar dos meus livros, soa deveras presunçoso. Podemos conversar amenidades, caso as minhas a interessem, sou ameno da forma menos empolgante possível.&lt;br /&gt;__ Não custa deixar acontecer, vejamos até onde vai. Podemos começar com o óbvio?&lt;br /&gt;__ Tentemos.&lt;br /&gt;__ Ainda mora em Brasília?&lt;br /&gt;__ Não. Passei dois anos em São Paulo, tratamento, sabe como é. Me dei alta e mudei para o Rio, porque odeio o sol mas amo a praia, então escolhi morrer junto ao mar. E vim parar no Leblon porque sou tão clichê que chega a doer. E você?&lt;br /&gt;__ Sou nascida no interior do Rio, Resende. Vim pra capital aos dezoito, ou seja, há seis anos. Moro em Ipanema, morei um tempo na Lapa mas estava me tornando alcoólatra. Em Ipanema não é assim tão diferente, mas quando fico bêbada pelas calçadas os garçons do Garota dão aquela força.&lt;br /&gt;__ E você tem sido feliz aqui?&lt;br /&gt;__ Quase o tempo todo. Não dá pra ser infeliz no Rio, não de verdade, especialmente nessa época do ano. O outono aqui é mais bonito que em outros lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breno sorriu com tanta humanidade que até o dia se deu por satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ É bom ouvir isso de outra pessoa. E em voz alta.&lt;br /&gt;__ E você? Tem sido feliz aqui?&lt;br /&gt;__ Ah, não. Sou uma pessoa infelicíssima, sabe? O que não me impede de apreciar a beleza das coisas, em absoluto. Mas de um jeito meio mórbido. Ao invés de ver o tom dourado que todo mundo diz que o Rio tem, especialmente nessa época do ano, costumo observar como as noites são mais negras e menos estreladas. Sou um caso perdido, Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela também sorriu, e seu calor já abrasava os passantes, era visível, límpido, brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Podemos comprar nosso café e caminhar até a praia, assim ficamos junto ao mar e ainda podemos fumar, inclusive. Você fuma, não é?&lt;br /&gt;__ Parei há algum tempo. Mas não me incomoda.&lt;br /&gt;__ Então você realmente tem câncer?&lt;br /&gt;__ Realmente tenho câncer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara mordeu o lábio. Cruzamento/entroncamento/encruzilhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Então Nina realmente existiu. Não é errado pensar assim, é?&lt;br /&gt;__ Não, não é errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor de Breno se dissipou rapidamente, dando lugar mais uma vez àquela gravidade sombria que, embora ainda charmosa, começava a assustar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Não precisamos falar disso.&lt;br /&gt;__ Não há o que falar. Nina nasceu, cresceu, viveu e morreu em mim. Fim.&lt;br /&gt;__ Ela se matou.&lt;br /&gt;__ Não. Ela só morreu.&lt;br /&gt;__ Me desculpe.&lt;br /&gt;__ Não carece de desculpa. Vamos. Nosso café, seu e pseudo-meu cigarro. Depois se aparam as arestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A possibilidade de amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Sempre amei escrever. Mas era tudo tão pessoal, nunca tinha imaginado a possibilidade de me publicar antes. Não me vejo como escritora profissional porque é tudo tão exorcismo, sabe como? E não me é fácil, por Deus, nunca foi, sempre teve sangue jorrando.&lt;br /&gt;__ Gosto das suas metáforas. Emprego forte e certeiro. Você deve ser uma mulher difícil, Clara. Encantadora, mas de um jeito difícil.&lt;br /&gt;__ Obrigada. Sempre me achei bem simples, na verdade. Muita paixão, muito sentimento, muita verdade, muito suor.&lt;br /&gt;__ E eu aprecio tudo isso. Talvez por nunca ter sido assim.&lt;br /&gt;__ Não consigo acreditar nisso. Se seus personagens são mesmo cópias suas, são cheios de paixão.&lt;br /&gt;__ E medo.&lt;br /&gt;__ Normal. Sinal que há um coração pulsando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a olhou com uma profundidade quase radiográfica, sentindo no peito a alteração do pulsar das obviedades. Era isso, o que Caio Fernando chamava de possibilidade de amor. Era estar com ela à beira do mar, café numa mão, cigarro na outra - depois de quanto tempo? matando aquilo que o matava suavemente. E aquela coisa de possibilidade de amor, depois de quantos anos? Depois de tanta solidão - mastigada/revolvida/regurgitada -, cá estava ele vislumbrando uma possibilidade rica e serena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Sabe. Deu vontade de escrever agora.&lt;br /&gt;__ Sério? Deve ser de um prazer imenso acompanhar teu processo de criação.&lt;br /&gt;__ Nada tão fantástico. Quer escrever comigo?&lt;br /&gt;__ Não, não poderia. Jamais. Querer eu quero, claro, mas não poderia.&lt;br /&gt;__ Eu quero. Você quer. Vamos escrever juntos. Podemos caminhar até a minha casa.&lt;br /&gt;__ Ou a minha.&lt;br /&gt;__ E tomar mais um café.&lt;br /&gt;__ Ou um vinho.&lt;br /&gt;__ E podemos ouvir um jazz.&lt;br /&gt;__ Ou bossa nova.&lt;br /&gt;__ Suas sugestões vencem as minhas, fácil.&lt;br /&gt;__ E daí podemos, com vinho e bossa nova, escrever.&lt;br /&gt;__ E todas as outras cousas que poderemos. Se quisermos.&lt;br /&gt;__ Eu quero.&lt;br /&gt;__ Então vamos. Hora da tortura atípica, parte II.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8403331563099360810?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8403331563099360810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8403331563099360810&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8403331563099360810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8403331563099360810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/04/amores-possveis-i-breno-e-clara.html' title='Amores Possíveis I - Breno e Clara'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3629480306854908686</id><published>2008-04-28T17:37:00.000-03:00</published><updated>2008-04-28T17:38:33.396-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Descoberta, ou A constatação da dúvida.</title><content type='html'>"Eu já sabia", eu disse a ela, a constatação lacrimosa de uma dor infinda que eu realmente já previa, como uma dessas previsibilidades mais banais que a gente só não enxerga por ainda acreditar em algo. "Não tinha como saber", ela tentou me demover dessa certeza dolorida e sangrenta, como fazem os bons amigos, tentando negar o óbvio. E todas as desculpas que eu sabia que ela daria por ser amiga dele, e todas as tentativas de amenizar o crime, por ser minha amiga. "Não se desculpe por ele", eu pedi, já sabendo que viria uma explicação que não explicaria nada. Nem da parte dela e muito menos da parte dele. E depois eu me senti mal por colocá-la na linha de tiro, entre minha dor e a culpa dele, amiga que era dos dois. Mas não havia outro jeito, porque da minha solidão ela havia tomado conta e não me deixaria desfrutá-la, não da forma ideal, aquela coisa de cigarro e silêncio e solidão, mezzo deprê mezzo "tenho pena de mim mesma". Mas eu queria fazê-la entender que eu já sabia, desde o início dos tempos, que eu sabia que ele me macularia, me lanharia, e que se isso ocorreu foi tão somente por negligência minha, porque eu quis me negacear, por acolher essa oportunidade de amor com pouquíssimo zelo. Mas eu sabia que a grata surpresa haveria de ser ingrata criatura mais cedo ou mais tarde, e saber disso já fazia com que metade do caminho para a cura chegasse mais rápido e até com menos dor. E depois eu ligaria pra ele assim como quem não quer nada, como fiz no dia seguinte, na esperança de que ele colhesse a decepção na minha voz e fizesse algo, qualquer coisa, pra consertar o erro, pra fechar o buraco de bala que ele abriu no meu peito. E talvez ele tenha até percebido, mas esconde tudo tão bem e de maneira tão competente que não demonstra nada, nunca. Então não há certeza de que ele também sentiu o reflexo de ter agido como estúpido e de ter-me feito agir feito estúpida nesses últimos dois meses. E dias depois ela, a amiga de ambos, viria conversar comigo pra saber se eu havia conversado com ele, se as coisas já estavam resolvidas, como se muito pouco ou até mesmo nada tivesse acontecido, e eu sorriria com amargura e afirmaria com uma convicção tamanha que ele não vai me procurar, eu sei disso, eu sei de tudo com relação a nós dois porque conheço a nós dois como desconheço a todo o resto. "Ele vai te procurar", ela afirma com uma segurança precária. E eu volto a sorrir com amargura, saudosa da minha solidão, até penso em alugar um quarto num hotel durante um final de semana só pra me ver sozinha, pensando, como fiz daquela vez em que fui pra Goiânia pra fazer nada, só pensar. "Não adianta, eu sei como tudo acaba, eu sei quando e onde acaba. Sei que ele não vem conversar, mas sei que não conseguirei negar, então vamos nos lanhando como gato e rato, até o momento em que um dos dois não tiver mais sangue pra derramar. E esse que terá a hemorragia parcamente estancada será eu. Eu sei". "Não tem como saber disso", ela ainda tentará repetir. "Tem sim. Eu sei. Eu nunca me engano".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3629480306854908686?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3629480306854908686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3629480306854908686&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3629480306854908686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3629480306854908686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/04/descoberta-ou-constatao-da-dvida.html' title='Descoberta, ou A constatação da dúvida.'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-9061496296834090433</id><published>2008-04-23T15:33:00.004-03:00</published><updated>2008-04-25T18:42:19.919-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Timidez Subserviente</title><content type='html'>Era um rapaz bem apessoado, como diziam por aí antigamente. Dir-se-ia até mesmo bonito. Alto, porte atlético, dentes alvos e de um cuidado com a aparência beirando o exagero. Distinto, bem arrumado, inteligente, atlético; Fernandinho tinha apenas um problema: era extremamente tímido. Conquistava qualquer garota com um olhar ou um sorriso, mas bastava que uma pequena se aproximasse dele para que tudo ruísse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu péssimo desempenho com as palavras quando enfrentando a situação do galanteio rendeu-lhe a fama de sangue de barata. Fernandinho engolia seco e nada dizia, porque no fundo sabia que merecia a indesejada alcunha. Incomodava-o o apelido quase tanto quanto o embaraço no trato com as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, em casa, resolveu tomar uma atitude e por-se a galantear todas que aparecessem em sua frente, até sentir que tinha naturalidade suficiente durante uma conversa banal sobre um assunto qualquer, tendo como meta a conquista. Treinava o cortejo, gestos e ensaiava diálogos dos mais desbaratados. Quando sentiu-se seguro seguiu para a rua e tentou colocar em prática o que havia treinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desengonçado e acanhado, Fernandinho abordava as transeuntes. As faces ruborizadas ardiam num fogo de pudor e cautela inimagináveis em qualquer outra pessoa. Essa atitude defensiva e subserviente servia de pedestal para as mulheres que prontamente o ignoravam, isso quando não o destratavam. Essa onda avassaladora de negativas e humilhações fez com que no peito de Fernandinho crescesse uma revolta hedionda para com a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste, ultrajado e macambúzio, Fernandinho retirou-se para a proteção de seu lar, sem imaginar que levaria consigo as ofensas recebidas na rua. Essas manifestações indignas do poder feminino ante um homem de atitude condescendente acumularam-se e cresceram a tal ponto que dominavam agora os pensamentos do pobre rapaz. Desesperado ante a rejeição geral e desejoso de um dia conseguir ter um relacionamento qualquer que fosse com uma garota, perdeu o controle de suas faculdades mentais e mergulhou em um estado de morbidez obtuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou horas largado sobre o sofá, olhando para um ponto fixo. Quase uma estátua. Subitamente num estalo recobrou a consciência, levantou-se afoitamente e dirigiu-se ao quarto. Lá dentro, abriu o criado-mudo de onde tirou o revólver. Encostou-o em sua fronte e puxou o gatilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um disparo seco, seguido de um baque. A queda de um corpo inerte. Fernandinho, 21 anos, morrera virgem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-9061496296834090433?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/9061496296834090433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=9061496296834090433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/9061496296834090433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/9061496296834090433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/04/timidez-subserviente.html' title='Timidez Subserviente'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3410428369102994433</id><published>2008-04-23T15:33:00.001-03:00</published><updated>2008-04-23T15:36:38.914-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Beira de estrada</title><content type='html'>Exausto. Eu não tenho outra escolha, deveria parar o carro em algum lugar e dormir. O problema é que não vi sinal de civilização nos últimos 100Km. Decisões. Odeio tomar decisões. Continuar até encontrar algum lugar habitado, ou parar na beira da estrada e dormir dentro do carro? As duas opções têm riscos: ambas são perigosas. Posso dormir no volante enquanto procuro algum lugar pra dormir, assim como posso parar o carro e dormir para nunca mais acordar se algum carro me acertar a 120Km/h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indeciso sobre que decisão tomar, consulto o relógio e o odômetro. 23:47h, 423.5Km. Não sei se penso que estou há 5 horas sentado e com os braços esticados, ou se penso que estou há 400Km do último posto onde abasteci o carro. Não sei se penso que ainda falta praticamente um dia até chegar em Brasília, ou se penso já faz quase dois dias que deixei Rio Branco. Não sei se penso na vida que deixei pra trás, ou se penso no maldito futuro que me espera quando chegar ao meu destino. Os reencontros: as pessoas que perdi, as pessoas que me perderam, as pessoas que amei e que odiei, e as pessoas que me amaram e me odiaram. Tanta coisa, tantos pensamentos, um cansaço absurdo e eu preciso tomar outra maldita decisão. As coisas nunca foram fáceis. Na verdade nunca são e se algum dia estiverem prestes a se tornarem fáceis, sempre vai aparecer um filho da puta pra fuder com tudo e dificultá-las novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imerso em meus pensamentos quase não notei que ao longe surge uma cidade. Bem, pela quantidade de luzes eu imagino um amontoado de casebres com pessoas feias, fedidas e que se acham infelizes. Se elas morassem numa cidade grande saberiam o que é ser realmente infeliz, talvez algum dia eu escreva sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo dirigindo e divagando até chegar à cidade: Reidinópolis. Ruas desertas, um bêbado dormindo na praça. Engraçado, eles têm até uma praça. Cachorros, gatos, grilos e sapos fazem sua sinfonia noturna. Como eu bem esperava o lugar não tem um hotel onde passar a noite, se tem fica muito bem escondido. Rodando pela cidade eu encontro um posto policial, ou uma delegacia, ou o que quer que seja da polícia e decido descer e bater pra tentar obter alguma informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo escuro. Os policiais estão dormindo. Engraçado pensar que eles deveriam estar acordados e estão dormindo, enquanto eu deveria estar dormindo e estou aqui acordado tentado desinverter os papéis. Bato insistentemente até que uma luz se acende. Um sujeito abre a porta e eu tenho a ligeira impressão que pegaram o Severino Cavalcante e colocaram uma roupa de policial nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite.&lt;br /&gt;- Quê que foi, aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;- Não, senhor, eu só quero uma informação.&lt;br /&gt;- Nossa, isso é hora de pedir informação.&lt;br /&gt;- Bem, eu vinha pela estrada e estou precisando descansar um pouco. Tem algum hotel na cidade?&lt;br /&gt;- Não, não tem hotel aqui não.&lt;br /&gt;- Poxa, onde é que eu posso passar a noite?&lt;br /&gt;- Dorme dentro do carro embaixo de alguma árvore. A cidade é tranqüila, não vai acontecer nada.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Boa noite.&lt;br /&gt;- Ahn... será que não tem como eu dormir aí dentro não.&lt;br /&gt;- Só se for no xilindró, rapaz! Agora xispa que eu tô querendo dormir.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Anda, anda... circulando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me viro, entro no carro e estaciono na árvore em frente à delegacia, ou posto, ou sei lá que diabos que é. Espero uns trinta minutos, desço do carro e esvazio os pneus da viatura. Cago na porta, volto pro meu carro, o ligo e vou-me embora. Melhor dormir na estrada, ficar perto de certas pessoas me cansa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3410428369102994433?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3410428369102994433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3410428369102994433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3410428369102994433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3410428369102994433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/04/beira-de-estrada.html' title='Beira de estrada'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6839878553179152265</id><published>2008-04-08T15:54:00.000-03:00</published><updated>2008-04-08T15:55:17.262-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Livros</title><content type='html'>Andei pensando em você, sabe. Na verdade, andei pensando em nós. Sei que ainda não existe um "nós", e sei muito bem que poderá não existir, mas é como eu digo aos quatro cantos do mundo "eu sou um idiota romântico". Pensar em "eu e você" sem um "nós" me deixa meio confuso das idéias, então por isso me atrevo a declarar que estive pensando em nós, e pensando em nós pensei na dissintonia, na desarmonia, no destom, na disparidade, ou qualquer outra palavra que você prefira para definir nossas diferenças. Sei que sou diferente de você, sei que sou diferente das pessoas que você conhece, na verdade sei que sou diferente de muita gente. Estou acostumado com minhas diferenças e aprendi a lidar com as diferenças alheias, do contrário não teríamos nos conhecido, eu teria virado um eremita. A verdade é que com o passar dos anos, vivendo intensamente minhas decepções, assim como eu vivo intensamente tudo que há para se viver, eu aprendi que as pessoas são como livros. É possível ler as pessoas, e cada uma delas tem uma história pra contar. Ouso até dizer que cada uma delas tem histórias para contar, e cada história tem sua própria história. Somos um emaranhado complexo de divagações, experiências, vontades e frustrações, e cada mistura dessas sensações, em proporções mesmo que ligeiramente diferentes, nos dá uma nova história. O prazer de nos relacionarmos com as outras pessoas é confuso, porque ao mesmo tempo em que queremos saber, viver e sentir intensamente cada história contada nesse livro queremos também nos tornar co-autores e ajudar a escrever a história que ainda não aconteceu. Queremos escrever a história da vida das outras pessoas, e ao mesmo tempo queremos que essas pessoas nos ajudem a escrever a história das nossas vidas. Parceria e companheirismo. Sincronia. Para mim você tem se mostrado um livro fechado, lacrado, inatingível, inalcançável. Você me permite ver a sua capa, apenas, enquanto eu me abro por inteiro e me deixo ser folheado. Se quisesse entregaria agora mesmo uma caneta e permitiria que você escrevesse seus capítulos na minha vida, mas só faria isso se deixasse eu ler um pouquinho que fosse da tua história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6839878553179152265?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6839878553179152265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6839878553179152265&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6839878553179152265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6839878553179152265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/04/livros.html' title='Livros'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6256731283006159653</id><published>2008-04-04T19:27:00.000-03:00</published><updated>2008-04-04T19:28:52.899-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Futuro pretérito</title><content type='html'>E se eu tivesse coragem, te chamaria pra ver o filme que milagrosamente está em cartaz na sala de cinema fria. E compraríamos pipocas e cocacola e até ficaríamos meio sem jeito no início, mas depois as coisas tenderiam a se acertar e estaríamos de novo à vontade, como é de costume. E depois caminharíamos até um bar, ou uma sorveteria, ou um lanche (como diz o pessoal daqui) conversando sobre o filme, nossas impressões sobre o roteiro, a fotografia, a direção, quase sempre deixando a atuação de lado, fora de foco, porque somos assim e realmente temos isso em comum. E durante a caminhada iríamos vislumbrando mais e mais quanto de cada um tem no outro, e sentiríamos aquela ânsia na boca do estômago, ainda sem saber se boa ou ruim, sabendo apenas que é ânsia e se é ânsia tem uma razão de existir, talvez oculta ou clara demais, mas sempre a ponto de cegar. E depois de umas cervejas e uns cigarros a conversa já estaria solta e falaríamos sobre projetos e música e cinema e sentimentalidades e todos os assuntos sobre os quais costumamos conversar quando somos somente nós, deixando os outros nós e todos os outros seres viventes em suspenso, à deriva. E novamente a sensação incômoda de espelho, assim como tenho com ela e você deve ter com mais alguém, e novamente a sensação de medo de estar se mostrando a alguém que, embora grata surpresa, é um ilustre desconhecido. E ao chegar em casa, na sua ou na minha, iríamos sorrir daquele jeito que as pessoas sorriem quando estão sem-graça e tentando disfarçar o quanto aquela situação, por mais constrangedora que seja, é exatamente a situação que você esperava. E quase como num romance você me beijaria devagar, relembrando meu gosto, e me apertaria contra o peito como se fosse morrer se me soltasse. E eu me faria completamente sua, sem cerimônia, porque não há razão alguma em lutar contra isso, eu acredito nisso, eu me diria isso repetidas vezes em silêncio e no escuro, só a brasa do cigarro por companhia. E por acreditar nisso eu sentiria toda a intensidade do teu toque e conseguiria definir o desenho perfeito da tua língua entre os meus dentes. E você me sorriria e perguntaria, quase num sussurro, que mistério é esse que há entre nós que nos fez tão próximos em tão pouco tempo. E eu te responderia que também ando me perguntando isso, a cabeça irrequieta e o coração pateticamente exposto. E você tentaria fingir que as coisas não são assim, e eu pensaria na ingrata criatura que tu me serás futuramente, e já até sinto o gosto de cinzeiro de tantos cigarros comidos quando você findar por me machucar. Mas àquela hora, àquela hora em que estaríamos somente nós na escuridão quente do teu quarto ou do meu quarto, eu me esqueceria da ingrata criatura que tu me serás e só pensaria na grata surpresa que tu me seria naquele momento de mel e suor. E pensaríamos em todas as coisas que haveriam de ocorrer dali em diante, de como estaríamos mais próximos porém mais distantes quando todos juntos, naquelas noites de cerveja e divertimentos mundanos. E tentaríamos fingir que somos imunes a isso, melhores que isso, somos adultos e maduros, ninguém acreditaria nas ânsias que sentíamos se não disséssemos aos outros. Mas findaríamos por seguir, com medo e possíveis dores, porque haveria essa vontade soberana e inexplicável de nos sentirmos vivos. Porque seríamos esse tipo de gente assim, que sangra pra se sentir vivo. E deixaríamos sangrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6256731283006159653?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6256731283006159653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6256731283006159653&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6256731283006159653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6256731283006159653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/04/futuro-pretrito.html' title='Futuro pretérito'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5139613679581296147</id><published>2008-03-31T23:18:00.005-03:00</published><updated>2008-04-01T14:56:11.362-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Dois</title><content type='html'>__ Preciso fazer isso.&lt;br /&gt;__ Não, você não precisa. Deixa.&lt;br /&gt;__ Preciso, como você vai saber se eu preciso ou não? Como, se a lacuna é do meu peito e é da minha veia que jorra e sangra e eu não estanco?&lt;br /&gt;__ Não se leve tão a sério.&lt;br /&gt;__ Me dá dois minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larguei o telefone e corri até a cozinha, e durante o percurso senti o mal-estar dele me seguindo, silencioso e sombrio. Ele deve me odiar, pensei logo, mas logo repensei e vi que não procedia.  Quem ama cuida, já diziam os estúpidos sentimentais, e ele cuidava de mim, desde sempre, lá se vão uns quatro anos de cuidados desperdiçados e nunca retribuídos. Pelo menos não da forma que devia ter sido, da forma que faz sentido, who cares? ele dizia, e eu ria e tornava a me descuidar pra que ele tornasse a me cuidar, e assim prosseguíamos, fingindo um ódio absoluto que só podia ser amor mesmo, mais nada. E como se de mais nada precisássemos íamos vivendo no nosso mundinho de incertezas que forjávamos pra intensificar a vida, um mundinho cada vez mais escuro e frio e mofado de onde não considerávamos a possibilidade de sair não por gostar, mas por temer a luz do sol. E nada de nirvana pra nós. Queríamos beirar o inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Pronto. Voltei.&lt;br /&gt;__ Fez o serviço sujo?&lt;br /&gt;__ Escuta, posso te fazer uma pergunta?&lt;br /&gt;__ Ahn.&lt;br /&gt;__ Você gosta de mim?&lt;br /&gt;__ Estou preso a você.&lt;br /&gt;__ Resposta errada, caubói.&lt;br /&gt;__ Você nunca me perguntou isso antes.&lt;br /&gt;__ Você nunca manifestou isso antes.&lt;br /&gt;__ Como é?&lt;br /&gt;__ Hein, como está São Paulo?&lt;br /&gt;__ Cinzenta e fria, como sempre esteve.&lt;br /&gt;__ Tipo Brasília nessa época do ano. Já te disse que Brasília me dá nos nervos? São Paulo também. Odeio São Paulo.&lt;br /&gt;__ Sei.&lt;br /&gt;__ É sério. Se eu pudesse, não ficava nem aí nem aqui. Hein, vamos morar em Minas?&lt;br /&gt;__ E de Nova Iorque, você gosta?&lt;br /&gt;__ São Paulo blaster. Não é pra mim.&lt;br /&gt;__ Escuta, posso te ligar em meia hora?&lt;br /&gt;__ Por quê?&lt;br /&gt;__ Não dá pra falar agora.&lt;br /&gt;__ Tá, tá, eu sei, eu tou fodendo com o teu estilo de vida. É, pode ser, meia hora, vou comprar cigarros então.&lt;br /&gt;__ Deixa o fone no gancho. Eu vou te ligar.&lt;br /&gt;__ Eu te ligo.&lt;br /&gt;__ Mas que coisa chata. Ninguém leva meia hora pra comprar cigarros.&lt;br /&gt;__ Vou atravessar o eixão. Você precisa ver, adrenalina, foda-se montanha russa se você tem o eixão.&lt;br /&gt;__ Como estão seus braços?&lt;br /&gt;__ Pararam de latejar. Hein, vamos tomar umas cervejas? Você bebe daí e eu bebo daqui e ficamos bêbados virtualmente mas em tempo real.&lt;br /&gt;__ Não tou bebendo, você sabe.&lt;br /&gt;__ Ah, é. A coisa pseudo-religiosa.&lt;br /&gt;__ Pra curar a coisa pseudo-depressiva. Nem é Deus, porra, são só remédios.&lt;br /&gt;__ Me liga em meia hora. Vou ficar bêbada sem você, vou ver se arranjo uma puta russa.&lt;br /&gt;__ Isso mata. Não viu o jornal?&lt;br /&gt;__ Viver mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligamos sem nos despedir, como sempre. Acho que nunca dissemos "tchau", "até logo", essas sentimentalidades potencializadas pela distância. Até mesmo no aeroporto, no dia em que ele foi embora pra São Paulo, não teve despedida. Acho que ele me disse algo do tipo "não morra, te ligo em duas horas" e eu não morri e duas horas depois ele me ligou e "oi, cheguei, odeio São Paulo, comprei cervejas no aeroporto e o hotel é uma bosta" e a ladainha. Desde então passamos metade da vida no telefone, e só ele me liga e só eu ligo pra ele, e a outra metade da vida passamos ou dormindo ou sonhando ou escrevendo ou.&lt;br /&gt;Não tive espírito aventureiro para atravessar o eixão, nada havia do lado de lá. Conveniência e cigarros e puta russa, das mais vagabundas, garrafa de plástico, dez minutos no freezer e fica tudo ok, babe. Dei uma volta na quadra, me balancei no parquinho, a vida era terrivelmente vazia sem ele. Voltei pra casa e tentei adiantar umas revisões, eu precisava fazer aquilo, duas semanas sem dinheiro e eu quase morrendo de inanição, o editor e o escritor e o pai do escritor e o mundo me enchendo o saco por causa de duas dúzias de páginas de puro lixo. Odeio escritores da nova geração, não sabem escrever, mas que merda. Preciso de grana, eu dizia, puta vendida, ele dizia, nem doía mais, não de verdade, dói quando se acredita e eu nunca fui crente em absolutamente nada. Larguei as revisões e andei pela casa, acendendo um cigarro na bundinha do outro, coloquei um CD de Jazz só por causa do silêncio, Chet Baker, e andei e andei e.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Mais de meia hora.&lt;br /&gt;__ Eu sei. Precisava terminar uma coisa. Você já está bêbada?&lt;br /&gt;__ Not yet. Puta russa desqualificada ainda no congelador.&lt;br /&gt;__ E o que você fez?&lt;br /&gt;__ Andei e fumei e ouvi e só. E você? Terminou?&lt;br /&gt;__ Aham.&lt;br /&gt;__ Terminou o quê?&lt;br /&gt;__ Meu namoro.&lt;br /&gt;__ Ah, sinto muitíssimo.&lt;br /&gt;__ Eu não.&lt;br /&gt;__ Ela vai ficar bem?&lt;br /&gt;__ Espero que não.&lt;br /&gt;__ Você vai ficar bem?&lt;br /&gt;__ Nunca estive mal de fato. Hein, o que você tem lido?&lt;br /&gt;__ Muita porcaria. Tem um carinha novo que é horrível, comete erros grotescos, Jonas Monteiro o nome do pusilânime. Mas o pai do infeliz tem rios de dinheiro, e hoje em dia a máxima é "pagou, publicou". Sad, but true.&lt;br /&gt;__ Voltei a ler Kerouac, aquele que você tinha me dado e eu nem consegui na época. Difícil, por Deus, que coisa difícil. Mas é bom.&lt;br /&gt;__ Só pelo desafio?&lt;br /&gt;__ Nem. Só é bom.&lt;br /&gt;__ Me dá dois minutos.&lt;br /&gt;__ Esquece os braços.&lt;br /&gt;__ Esqueci. E esqueci também da vodca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri pra cozinha e ele ainda me olhava, sem mal-estar, um divertimento mundano, quem sabe? Eu o conhecia como ninguém, e como ninguém eu assim o desconhecia, com um desapego tão fingido que às vezes feria, mas só às vezes, nas noites de chuva. E de mim ele sabia tudo, gesto decorado, palavra mil vezes dita. E de tão afundados que estávamos naquele amor sem carinho não conseguíamos trazer à tona absolutamente nada que nos fosse externo. E assim todo relacionamento que se iniciava à parte de nós era só uma vírgula, uma lacuna, um parêntese, esperando o nosso ponto final. E sempre findava sem choro nem vela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Por que a gente não casou?&lt;br /&gt;__ Somos amigos. Amigos não se casam.&lt;br /&gt;__ Inimigos se casam?&lt;br /&gt;__ Penso que sim.&lt;br /&gt;__ Mas a gente trepou muito.&lt;br /&gt;__ Putz, nem foi assim tão bom. Quero dizer, não o sexo, o sexo era bom, acho que o fato do sexo ser entre a gente é que não era bom.&lt;br /&gt;__ E por isso a gente não casou?&lt;br /&gt;__ Nem casou, nem renunciou, nem largou, nem ficou, nem viveu, nem.&lt;br /&gt;__ Mas estamos presos um ao outro.&lt;br /&gt;__ Então pra quê casar? Somos perfeitos assim. Eu tenho você, você tem a mim. Sem brigas, sem ciúme, sem posse, sem crime, sem sangue, sem dor.&lt;br /&gt;__ E sexo? Não sente falta do sexo?&lt;br /&gt;__ Casados não trepam. Não com quem se casaram.&lt;br /&gt;__ Perguntei se sente falta do sexo comigo.&lt;br /&gt;__ Não.&lt;br /&gt;__ Não sente?&lt;br /&gt;__ Não foi isso que você perguntou.&lt;br /&gt;__ Não importa. Se um dia você se casar, o que vai dizer de mim à sua mulher?&lt;br /&gt;__ Que você é minha outra parte no mundo.&lt;br /&gt;__ Não sei se é legal de se ouvir.&lt;br /&gt;__ Você não gostou?&lt;br /&gt;__ Falo da sua esposa. Não sei se é o que ela quererá ouvir.&lt;br /&gt;__ Ela vai preferir a mentira, é isso? Isso não deve fazer sentido. Não mesmo.&lt;br /&gt;__ É, é meio surreal.&lt;br /&gt;__ Irreal. Mais e maior.&lt;br /&gt;__ Não acha o nosso relacionamento doentio?&lt;br /&gt;__ Não temos um relacionamento.&lt;br /&gt;__ Claro que temos.&lt;br /&gt;__ Não temos, são só telefonemas. Doentia é a conta que eu pago.&lt;br /&gt;__ E no que você tem trabalhado?&lt;br /&gt;__ Resenhas, críticas, colunas. O mundo underground me adora.&lt;br /&gt;__ E como você consegue chafurdar nisso de cara limpa? É terrível.&lt;br /&gt;__ Tudo se aprende, quantas vezes não te disse? E nem é nada mágico, só é vida. Who cares?&lt;br /&gt;__ E tem quanto tempo que você não bebe?&lt;br /&gt;__ Uns meses. Dois, três, nem faz diferença. Você sabe. A última bebedeira foi naquele sábado sangrento.&lt;br /&gt;__ Entendi a piada.&lt;br /&gt;__ Não, não teve piada. Eu bebi e me cortei todo e fiquei duas semanas internado, nem morrer consegui, sábado sangrento.&lt;br /&gt;__ Achei que tivesse falado da música.&lt;br /&gt;__ Que música? Você nem gosta da banda.&lt;br /&gt;__ A puta russa tá batendo. Meia garrafa para meio juízo, proporção.&lt;br /&gt;__ Mas já? É o que o meu tio velho chama de peso da idade.&lt;br /&gt;__ Estômago vazio. Porra, nunca aprendi anda na vida. Me dá dois minutos.&lt;br /&gt;__ Cacete, esquece os braços, esquece a vodca.&lt;br /&gt;__ Preciso vomitar. Isso eu aprendi: bebe vodca, vomita, bebe mais vodca. Ah, preciso fazer isso.&lt;br /&gt;__ Deixa de ser doente.&lt;br /&gt;__ Dois minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri até o banheiro e senti as mãos dele segurando meu cabelo pra não sujar, e afagando minhas costas pra eu respirar. Pude sentir a reprovação dele se alojar num canto do meu cérebro que eu não conseguia destruir mas ele sempre conseguia acessar, como um bunker dele dentro de mim. E foram as mãos dele que jogaram água no meu rosto, e depois escovaram meus dentes, e foi no passo dele meio torto pela minha embriaguez que voltei ao telefone. Vomitei de novo, no tapete, ele não limpou, aquele nojinho meio homo que ele tinha e que me divertia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Ainda viva?&lt;br /&gt;__ Quase morta. Por duas vezes.&lt;br /&gt;__ Tapete?&lt;br /&gt;__ Ié, babe.&lt;br /&gt;__ Hein, tem visto alguém?&lt;br /&gt;__ Não. Quem há para se ver?&lt;br /&gt;__ Só pensei.&lt;br /&gt;__ Escuta, posso te pedir uma coisa?&lt;br /&gt;__ Ahn.&lt;br /&gt;__ Quando a gente desligar, daqui a pouco, me diz adeus?&lt;br /&gt;__ Digo.&lt;br /&gt;__ E não me liga mais?&lt;br /&gt;__ Nem amanhã?&lt;br /&gt;__ Nem amanhã, nem depois, nem em agosto. Nem nunca mais.&lt;br /&gt;__ E você vai ficar bem?&lt;br /&gt;__ Nunca estive mal de fato.&lt;br /&gt;__ Tá certo. Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi o clique do telefone e tornei a vomitar. Eu te amo, ele disse ao meu ouvido. Eu te amo mais, ainda ousei afirmar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5139613679581296147?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5139613679581296147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5139613679581296147&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5139613679581296147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5139613679581296147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/03/dois.html' title='Dois'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-1668349222453184880</id><published>2008-03-18T18:17:00.001-03:00</published><updated>2008-03-27T17:40:43.472-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>O livro do desassossego</title><content type='html'>Me perdoa. Só me perdoa. Porque fui estúpido, porque agi feito um imbecil, ataque de hipoglicemia, como você mesma diz. Não sei o que houve, ou porque fiz o que fiz, sei que fiz e foi feio e deve ter doído aí, porque aqui em mim doeu, mas só doeu depois, quando eu percebi repentinamente, como num vislumbre, quase uma anunciação, que ao agir assim eu podia te perder. E me lembrei daquela analogia que você fez uma vez, da pessoa que perde a outra pessoa, a pessoa querida, a cara persona, como quem perde um anel precioso por dia, e não quero te perder diariamente. Quero ter sua conquista diária, como você disse. Tudo bem, vou tentar parar de te citar, é a velha necessidade de parear, isso não é novo pra mim, só estava adormecido. E estando adormecido e tendo acordado com tamanha violência e encanto, fico sem saber como agir, porque você me intimida e me invade e me atinge de uma maneira que não sei dizer se é positiva ou negativa, sei que você me atinge de maneira brutal e vai devastando os espaços que eu gostava de pensar ilesos. Não, não tenho medo de ti, não tenho medo dessa entrega, não tenho medo desse encantamento. Tampouco me incomoda o desassossego, você surgiu como grata surpresa e quero me alimentar disso sim, mas às vezes ajo assim, feito imbecil, e sei que te deixo feito nau à deriva, perdão por isso, sou tão menino perto de você. E você é tão resiliente, tão irascível, hahaha, pode rir, aprendi essas palavras contigo, você as disse ontem enquanto xingava minhas cinco gerações vindouras, eu me lembro, estava ébrio mas não fora de mim. Tanto que cheguei em casa em estado de horror e fui procurar um dicionário porque eu precisava saber do que você estava falando, porque você costuma falar e eu costumo entender, é como você diz, somos harmônicos, somos sintônicos, não quero perder isso. Então me diz que me perdoa e vamos fazer as pazes daquele jeito piegas que os casais costumam fazer, pensei numa cena pra isso, um take de cinema, a gente aqui com esse sol ameno e esse vento-quase-brisa e nós dois sentados nessa escada tentando acalmar esse desassossego. Palavra sua. Me perdoa. E aí você diz que me perdoa sim, ora porra, e eu volto a sorrir, e você me sorri também e corta a cena, tem música, talvez Chico, nosso favorito, pode ser assim? Talvez funcione assim, sei que vai, e até posso te imaginar escrevendo sobre isso, você é tão mulher e tão melhor que eu. Ah, eu sei que você me perdoa, eu sei, pequena, eu sempre soube. Daí você diz que me perdoa e eu te abraço e você me abraça e eu gosto do seu abraço porque você abraça de verdade e eu sinto o teu cheiro e o desassossego volta a ser encantamento. Mas para de me punir com esse olhar, com esses silêncios, com esses muxoxos de desaprovação, porra, eu não parei de falar e você só me olha como se me radiografasse, procurando saber a verdade, não é mentira, agi feito imbecil sei lá porquê, mas quero você. Sempre quis. E vou continuar a querer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-1668349222453184880?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/1668349222453184880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=1668349222453184880&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1668349222453184880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1668349222453184880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/03/o-livro-do-desassossego.html' title='O livro do desassossego'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-1116774134233733012</id><published>2008-03-10T20:25:00.001-03:00</published><updated>2008-03-27T17:48:03.843-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Do desespero, do cigarro e coisas outras</title><content type='html'>E daí que eu saí da minha mesa apressada e corri até a escada que dá pro estacionamento. Me sentei e acendi um cigarro e fumei num desespero absurdo. E o sol se punha e o calor era insuportável, mas eu fumei. E logo depois acendi outro, mas logo depois mesmo, tipo o tempo entre jogar fora o um e pegar o isqueiro pro outro, rapidão assim, nesse desespero. Como se disso dependesse a minha vida, sabe como? Preciso fumar esse cigarro senão morro. Tá, não faz sentido nenhum, eu sei, nem é apologia a nada também, é só uma observação, um tanto quanto minha, vivo ilhada e imersa em mim mesma. Reparei agora, enquanto escrevia, que vivo de metáforas absurdas, e isso nunca faz sentido. E depois que fumei o outro cigarro, ou seja, dois cigarros em aproximadamente cinco minutos (me lembrei daquela canção dos Titãs, nem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro, nem cinco minutos guardados dentro de dois cigarros é o meu caso) me arrependi horrores de agir feito uma desesperada, e subi de volta as escadas em direção à minha mesa muito puta comigo mesma, conversando comigo mesma e implorando a mim mesma que deixasse de ser ridícula. E andando pelos corredores eu me lembrei do contorno das costas dele e sorri, e me deu aquele embrulho na boca do estômago, golpe seco, como elas dizem? Elas, aquelas alternativinhas, como elas dizem? Ah, borboletas no estômago, é isso, faz sentido até, vê bem, parece que elas estão voando desesperadas no seu estômago, vê que não parei de escrever desespero? Arre, o que é isso. E logo depois meu chefe me pediu pra tirar cópias, era um mundo de papel, dava tempo pra fumar outro cigarro, eu pensei logo, e corri pra fumar e fumei três, três de uma vez, e me arrependi de novo. E quando eu voltei pra pegar as cópias eu pensei no quanto eu estava fumando desde que tudo aquilo tinha começado, se eu estivesse desocupada em casa com TV e rede a carteira já teria acabado, eu comprei na hora do almoço e agora que chega a noite e ela já está na metade, e me lembrei dele dizendo que eu fumava demais. "Você fuma demais", ele disse, fuma demais, bebe demais, fala demais, pensa demais, dorme de menos, você não é nada saudável e putaqueopariu, como isso é charmoso assim em você, essa coisa intelectual e boêmia e irresponsável e sensível e mais uma caralhada de coisa charmosa. Hahahaha. Caralhada é uma palavra ótima. Me lembrei dele falando isso de mim e, porra, como ele me conhece, e eu não sei nada dele, meu Deus, eu não faço idéia de quem ele seja, só sei que ele gosta do mesmo escritor que eu, como se isso fosse mudar o rumo inexorável das coisas. Nada nunca muda, e talvez nem seja tão ruim no fim. Eu não sei de nada, desde o momento em que decidi mandar às favas o sentido e a segurança e todas as minhas defesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, que dor no flanco esquerdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-1116774134233733012?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/1116774134233733012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=1116774134233733012&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1116774134233733012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1116774134233733012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/03/do-desespero-do-cigarro-e-coisas-outras.html' title='Do desespero, do cigarro e coisas outras'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-1797318855207208431</id><published>2008-03-07T18:44:00.001-03:00</published><updated>2008-03-07T18:44:57.533-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Monólogo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Raiva desmedida</title><content type='html'>Chega! Não suporto mais! Teus olhos cândidos, tua boca sorridente, esse seu ar bondoso e resignado, tudo isso para quê? O que ganhaste até agora? Nada além de piedade e elogios comedidos. Tudo em respeito à tua sacrossanta máscara de dignidade. Eu te conheço, minha jovem, teu coração é podre até o miolo! Creio que até o diabo ficaria corado frente às tuas reais intenções ao se aproximar de alguém. Te esconjuro, maldita. Suma da minha frente! Vá embora e faça-me o favor de sequer olhar para trás, ou juro por tudo que há de mais sagrado que não sei do que seria capaz. Não há nada que receba o teu toque e não pereça, faça-nos um favor: desapareça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-1797318855207208431?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/1797318855207208431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=1797318855207208431&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1797318855207208431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1797318855207208431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/03/raiva-desmedida.html' title='Raiva desmedida'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8555533134200978661</id><published>2008-02-27T16:01:00.000-03:00</published><updated>2008-02-27T18:56:10.385-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Baixo Rio</title><content type='html'>__ Mas olhar pra você é muito mais fácil que olhar pra mim. Porque o máximo que sei de mim é o que o nível de normalidade permite. E esse nível tem estado bem baixo. Por isso eu digo, é mais fácil olhar pra você e te conhecer inteirinho, saber que gesto você faz quando sente que vai chover, saber que sorriso você dá quando vê alguma notícia ruim envolvendo os Estados Unidos na TV. Conhecer seus segredos de frente e de reverso, porque eu vejo você. Mas não vejo a mim. E ver a mim é difícil, é quase impossível. Não porque eu seja um mistério a ser decifrado. É porque só tenho ao espelho, e espelhos sempre mentem.&lt;br /&gt;__ Então essa é a sua desculpa?&lt;br /&gt;__ Não é desculpa. Mas que caralho. Tou sendo honesta contigo. Eu acho.&lt;br /&gt;__ E como você sabe que isso é ser honesta se você não conhece seus conceitos? Se, como você mesma diz, não pode olhar pra si?&lt;br /&gt;__ Não faz isso. Sabe, é feio. Pegar minhas palavras e transformá-las numa navalha, e apontar essa navalha afiada pra mim.&lt;br /&gt;__ Mas você não disse isso, Clara, minha querida? Não disse que não consegue olhar pra si, que tem facilidade de conhecer qualquer defeito meu mas não consegue assumir as merdas que você faz?&lt;br /&gt;__ Paulo, eu não sei! Me diz se você consegue se definir com clareza, então. Me diz se você consegue falar mais de mim ou de você. Bora. Quero ver você tentar. Vai ser prazeroso.&lt;br /&gt;__ Não seja idiota.&lt;br /&gt;__ Não estou sendo. Tou fazendo o que você faz. Pegando suas palavras e afiando e apontando pra você pra ver você se cortar e sangrar. Até morrer.&lt;br /&gt;__ Você é uma escrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele saiu. Foi pegar fumo, algo nesse sentido. Fiquei sentada na frente do computador tentando dar seguimento ao trabalho, não consegui. Outono no Rio e eu trancada em casa depois de discutir com meu namorado, que saiu pra pegar maconha, a maconha que eu nem vou fumar porque tou me entupindo de remédios pra ver se sinto menos as coisas. E meu terapeuta cerebral (haha!) foi pra uma conferência na Europa e não deve voltar antes do meu suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol se pôs e ele não voltou. Fiz uma dúzia de telefonemas, todos em vão, e desci pra Lapa. Liguei pro meu editor e pedi pra dar uma esticada no meu prazo, ele reclamou horrores, mas aceitou, eu sabia que ele me amava. Encontrei com o pessoal de sempre no Arco Íris e rodamos os bares, eles bêbados e eu sóbria, contemplando tudo aquilo, tão imersa em mim mesma que nem me incomodei por não estar bebendo. Só a latinha vermelha na mão, o líquido negro gelado queimando a garganta e o estômago. E perguntei pra Júlia, aquele ser humano sem noção, se ela concordava com os termos da conversa que tive com o Paulo. Ela sorriu, ébria, e disse que dela sabia muito pouco, mas que sabia mais de qualquer um outro. Porque, como eu havia dito, sentar a bunda e olhar pra qualquer um é muito mais fácil que parar na frente do espelho e aceitar o que aquele filadaputa desqualificado costumava dizer pra gente de vez em quando, aquelas coisas que vinham feito ponta de lança e causavam estragos irreparáveis em corações como os nossos, o meu e o dela, sentimentais ao extremo. Sorri, ciente da vitória, mesmo sabendo que o Paulo jamais aceitaria o discurso da Júlia como válido. O importante era saber que alguém pensava o que eu pensava, e em voz alta, e nada havia de invalidar aquele depoimento. Ele ligou, a voz tão áspera que cortou meus tímpanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Onde diabos você está?&lt;br /&gt;__ Na Lapa, com o povo.&lt;br /&gt;__ Clara, pelo amor de Deus, temos que terminar um livro. Temos que terminar um livro, você tem noção disso? Estamos sem dinheiro, se não entregarmos a porra do livro vamos ficar sem ter o que comer.&lt;br /&gt;__ O editor esticou o prazo.&lt;br /&gt;__ Foda-se o prazo, tou falando de dinheiro. Precisamos entregar o livro, precisamos receber. Eu preciso de dinheiro. &lt;br /&gt;__ Não tá dando pra escrever. Não tá saindo.&lt;br /&gt;__ Você é escritora ou não é?&lt;br /&gt;__ Ser escritora não é ser bancária, seu boçal. Você é escritor e devia saber disso.&lt;br /&gt;__ E também sou responsável, tenho contas a pagar, se não der pra escrever eu me viro.&lt;br /&gt;__ Tudo bem. Tou indo pra casa. Mas se sair uma merda, nem adianta reclamar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei um taxi e pedi pra ir pela Atlântica. Parei perto do Drummond, fiz minha prece e de lá fui caminhando. Cheguei em Ipanema consideravelmente rápido, comprei um café no Garota e fui pra casa. Paulo estava na frente do computador dele, absurdamente concentrado em algo, pornografia, só pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ A noite tá linda. O trânsito tá tranquilo, deu até pra vir andando do Drummond pra cá.&lt;br /&gt;__ Senta aí. Tou com umas idéias, queria te falar um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos no fim do romance. Paulo andava trabalhando bem mais que eu esses últimos dias, o que não me fazia me sentir mal, em absoluto, mas parecia injusto pra ele. Beberiquei meu café e acendi um Marlboro, ouvindo as idéias dele sobre o fim trágico que queríamos dar praquilo tudo. E de repente veio a pequena epifania, e finalmente pude olhar pra mim, e não gostei do que vi. Rapidamente desviei minha atenção de volta pra ele, mas já tinha um gosto de mofo na garganta, o café não descia mais. Traguei o cigarro com força, quase como se estivesse soprando vida, eu vivia de metáforas bizarras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Paulo, eu acho que entendi.&lt;br /&gt;__ Entendeu o quê?&lt;br /&gt;__ O que conversávamos mais cedo. Aquilo de eu não conseguir olhar pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele parou o que estava fazendo e olhou pra mim. Nunca senti tanta intensidade da parte dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ E a que conclusão você chegou?&lt;br /&gt;__ Eu não queria olhar pra mim. Conseguir até consigo. Só nunca quis. E sempre achei poético esconder de mim quem eu sou. Porque aí eu fingia que não sabia o que andava fazendo, e se alguém viesse questionar, eu podia mentir. Porque se eu tivesse observado antes, e com um pouco mais de atenção, jamais teria achado isso poético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele deu um meio sorriso, que pra mim sempre significou perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Clara, você é a mulher mais poética que eu conheço. Agora será que dá pra gente trabalhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também sorri, e as idéias voltaram a fluir, e varamos a madrugada escrevendo. Choveu durante a madrugada, de manhãzinha descemos até a padaria e compramos café e suco de laranja, caminhamos até a praia, acendemos Marlboros e fumamos na areia até parar de chover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, à tarde, ele ficou de pegar fumo e deixar o livro na editora depois. Fui até o consultório pra pegar meu receituário e pedi pra secretária cancelar minha consulta, não queria mais saber de terapeuta cerebral (haha!). Comprei uma garrafa de vinho caríssima com o dinheiro que nos restava e voltei pra casa feliz, pensando em embriaguez e sexo pra comemorar nossa mais recente obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ A editora odiou o livro.&lt;br /&gt;__ Ahn?&lt;br /&gt;__ A editora odiou o livro. Disse pra gente aproveitar a extensão de prazo pra reescrever tudo.&lt;br /&gt;__ Cê tá brincando?&lt;br /&gt;__ Não, Clara.&lt;br /&gt;__ E agora?&lt;br /&gt;__ Sei lá. Falei com um pessoal de outra editora, em Sampa City. Daí que a gente podia dar um pulo lá hoje à noite. E falar com esse pessoal.&lt;br /&gt;__ Com que dinheiro, amor?&lt;br /&gt;__ Ainda tinha um dinheirinho na conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empunhei a garrafa de vinho francês da safra de 59, que ele adoraria em ocasião outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Meu Deus, eu juro que te mato, Clara.&lt;br /&gt;__ Eu não sabia. Onde eu ia imaginar que o editor ia odiar o livro? Se na minha cabeça ele estava perfeito?&lt;br /&gt;__ Bom. Agora é reescrever.&lt;br /&gt;__ Não, vou pedir uma grana pro meu pai e a gente vai pra Sampa. Vai de ônibus mesmo, economiza combustível e tudo. Vou ver se consigo falar com alguém de lá, pra ver se a gente consegue hospedagem, acho que a Sílvia ainda tem aquele apartamentinho na Augusta. E então?&lt;br /&gt;__ Tá, pode ser.&lt;br /&gt;__ Certo. Agora, será que dá pra gente beber esse vinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte liguei cedinho pro meu pai e consegui a grana. Comprei as passagens e parei no Leblon pra almoçar, e acabei dando de cara com o Breno. Passava do meio-dia e ele já estava completamente embriagado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Ei, escritor. Já?&lt;br /&gt;__ Ei, escritora. Como estás?&lt;br /&gt;__ Vou bem. Mais tarde tou indo pra Sampa, tentar publicar um livro.&lt;br /&gt;__ Junto com o Paulo, seu muso e co-autor?&lt;br /&gt;__ É.&lt;br /&gt;__ Todas as mulheres que amo acabam me deixando. Isso é terrível.&lt;br /&gt;__ Nina não te deixou porque quis. Nina morreu.&lt;br /&gt;__ Nina se matou.&lt;br /&gt;__ E eu não te deixei. Você que nunca quis me ter.&lt;br /&gt;__ Isso é uma mentira, Clara.&lt;br /&gt;__ Não, não é. Eu tentei, Breno. Mas o fantasma dela naquela tua casa sombria era triste demais.&lt;br /&gt;__ Aí você veio para o ensolarado Rio de Janeiro e conseguiu ser feliz para sempre.&lt;br /&gt;__ Você costumava ser menos ácido.&lt;br /&gt;__ E você costumava dormir comigo, não com aquele boçal que você chama de namorado.&lt;br /&gt;__ O Paulo me ama.&lt;br /&gt;__ Sei. E o tratamento?&lt;br /&gt;__ Me dei alta.&lt;br /&gt;__ Você é uma piada, Clara.&lt;br /&gt;__ E você é uma mortalha, Breno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me senti horrível por deixá-lo daquele jeito, mas era ele ou eu. Meu instinto de sobrevivência gritava toda vez que o Breno cruzava meu caminho. Caminhei até chegar na Atlântica, depois peguei um ônibus pro centro, pensando o tempo todo no Breno. Ele era um dos melhores escritores de que tinha conhecimento, e ainda estava vivo, e durante um tempo foi meu namorado. O primeiro livro que publiquei foi em co-autoria com ele, e foi graças a isso que consegui ser publicada outras três vezes, dessas junto com o Paulo. Breno tinha câncer, apesar de muito jovem, mas tinha morrido de verdade quando a Nina morreu. E depois disso, nunca mais amou ninguém, nem a mim. A mim, que ainda o amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra casa debaixo de chuva. O Paulo tinha saído pra comprar fumo, meu namorado é um viciado. Liguei pro Breno, caiu na secretária, pedi desculpas pelo que havia dito mais cedo, me senti um pouco melhor, não o suficiente. Paulo voltou e fumamos um juntos, depois acendi um Marlboro e fiquei na varanda, vendo o sol engolir o Rio junto com o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Hein, Clara. O que você tem?&lt;br /&gt;__ Nada. Só pensando algumas cousas.&lt;br /&gt;__ Detesto quando você fala cousas. É coisas.&lt;br /&gt;__ Eu sei. Breno falava...&lt;br /&gt;__ Breno falava cousas. Eu também sei.&lt;br /&gt;__ Eu o vi hoje, lá no Leblon. Tava acabadíssimo.&lt;br /&gt;__ E quando foi que ele esteve bem?&lt;br /&gt;__ É. Faz um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele parou do meu lado na varanda. Roubou meu cigarro e tragou profundamente. Ele também tragava como se quisesse se sentir vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Sabe, Clara. Eu te amo.&lt;br /&gt;__ Eu também te amo.&lt;br /&gt;__ E não importa se você ama o Breno mais do que a mim. Eu sei lidar com isso.&lt;br /&gt;__ Paulo, olha...&lt;br /&gt;__ Não, Clara, eu sei. Eu sempre soube que você ainda o amava, mas isso nunca me doeu. A única coisa que tento fazer é que não doa pra você também. Entende? Você me faz feliz. &lt;br /&gt;__ Você me faz feliz, Paulo. Se não fosse você ter me tirado daquele fosso escuro onde o Breno tinha me enfiado, não sei o que teria sido de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me abraçou e acarinhou daquele jeito meio esquisito que ele costumava fazer, me chacoalhando toda. A noite já tinha caído, ventava daquele jeito que só ventava no Rio. Nosso ônibus saía em duas horas, corremos para ajeitar as malas, liguei pra Sílvia pra confirmar o horário de chegada e pegamos a estrada. Fui escrevendo no caminho, Paulo dormia e Breno ainda estava grudado na minha memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos em Sampa City e fomos direto pro apê da Sílvia. Tomamos um banho, comemos pizzas frias e depois nos encontramos com os caras da editora que o Paulo conhecia. Leram um texto meu, rapidamente, depois um do Paulo, com mais calma, e por fim um trecho do romance que a gente tinha escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Clara, você não costumava escrever com o Breno?&lt;br /&gt;__ Ah, vocês conhecem o Breno?&lt;br /&gt;__ Claro. O Breno vende que nem água. A gente tem entrado em contato com ele, mas parece que ele não tá muito a fim de escrever por agora.&lt;br /&gt;__ Hum.&lt;br /&gt;__ Será que a gente pode fazer uma proposta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo se retraiu todo na cadeira. Eu já sabia o que vinha, ele também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Ia ser ótimo ver um livro seu com o Breno de novo. Nada contra a tua literatura, Paulo, pelo contrário, é maravilhosa. Mas a gente nunca publicou algo parecido com o que a Clara e o Breno escreveram.&lt;br /&gt;__ Não rola.&lt;br /&gt;__ Rola sim. Ela vai escrever. A gente volta a falar com vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo saiu me arrastando pelas ruas até chegar num ponto de taxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Eu não quero escrever com o Breno!&lt;br /&gt;__ Você vai!&lt;br /&gt;__ Qual é a sua, Paulo? &lt;br /&gt;__ Clara, você é escritora. Uma das melhores que conheço. Eu aprendi contigo. Mas não sou escritor, não como você é. E o Breno...tá, ele é um puta escritor, escreve pra caralho, o livro de vocês foi uma das coisas mais absurdas que já li, e ainda tá vendendo, e tem quantos anos que ele foi publicado? Pensa nisso, amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu soltei meu braço com violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Você tá me vendendo pro Breno, Paulo. É isso que você tá fazendo.&lt;br /&gt;__ Não seja idiota, Clara, em nome dos deuses. Você é a mulher da minha vida. Mas se você tiver que caminhar longe de mim por um tempo, caminhe. Preciso do teu crescimento. Porque se você ficar estanque, nunca vou me perdoar por ter te fechado as portas.&lt;br /&gt;__ Nunca ouvi tanta baboseira na minha vida. Será que dá pra gente voltar pra casa e reescrever nosso livro?&lt;br /&gt;__ A gente vai voltar pro Rio e você vai procurar o Breno.&lt;br /&gt;__ Vai se fuder, Paulo. Você é um escroto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei um taxi direto pra rodoviária, comprei umas cervejas, fumei uns marlboros e entrei no ônibus desejando a morte próxima. Capotamento. Sequestro. Qualquer coisa que me tirasse daquele pesadelo. Quando cheguei no Rio, ainda viva, quis morrer de novo. Breno estava na rodoviária me esperando. Seu aspecto ainda era lamentável, mas parecia sóbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ O pessoal de São Paulo me ligou. Perdão fazer você passar por isso. Eles vão te ligar de volta retirando a proposta.&lt;br /&gt;__ Não precisa se desculpar. Você não fez nada.&lt;br /&gt;__ De fato.&lt;br /&gt;__ E eu pensei muito nisso, também. Da gente. Da gente voltar. A escrever, eu digo.&lt;br /&gt;__ Não é boa idéia, Clara, mulher amada.&lt;br /&gt;__ Tem tempo que não ouço isso.&lt;br /&gt;__ E tem tempo que eu sinto. Estranho. Quer carona pra casa? A gente pega um taxi até o Drummond.&lt;br /&gt;__ Do Drummond fica longe pro Leblon.&lt;br /&gt;__ Pensei em parar em Ipanema. Assm, como quem não quer nada. Pensei em parar em Ipanema e te dar um beijo no portão. E depois te deixar ir.&lt;br /&gt;__ Ou subir.&lt;br /&gt;__ E ficar. E quem sabe até escrever. E ficar, Clara minha, mulher amada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8555533134200978661?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8555533134200978661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8555533134200978661&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8555533134200978661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8555533134200978661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/02/baixo-rio.html' title='Baixo Rio'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-7442305682767711822</id><published>2008-02-22T18:48:00.002-03:00</published><updated>2008-02-22T18:51:29.114-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Klaus vai ao psicólogo</title><content type='html'>- Ontem eu estava bem, sabe...&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Só que aí eu comecei a lembrar de como as coisas foram acontecendo.&lt;br /&gt;- Que coisas?&lt;br /&gt;- Ah, tudo... você sabe. A promoção no trabalho, a nova namorada, o carro novo... tudo...&lt;br /&gt;- Klaus, de todos que eu conheço, você é o único que reclama de ser bem sucedido na vida.&lt;br /&gt;- É difícil explicar. Você nunca se perguntou se é merecedor de tudo o que tem? Nunca se perguntou se esse consultório é realmente seu por mérito?&lt;br /&gt;- Eu batalhei muito para consegui-lo.&lt;br /&gt;- E passou por cima de muita gente também.&lt;br /&gt;- Isso não vem ao caso.&lt;br /&gt;- Aí é que está a questão: todo mundo passa por cima de todo mundo. Mas ninguém sente peso na consciência.&lt;br /&gt;- É a vida: ame-a ou deixe-a.&lt;br /&gt;- Gustavo, que raio de psicólogo é você?!?&lt;br /&gt;- Eu sou realista. Além do mais você vem aqui me aporrinhar uma vez por semana e não me paga um centavo que seja por isso. Quer que eu fique passando a mão na sua cabeça?&lt;br /&gt;- Eu pensei que você fosse meu amigo.&lt;br /&gt;- E eu sou. Por ser seu amigo eu não vou ficar te alisando.&lt;br /&gt;- Eu não quero que você me alise eu tenho minha namorada pra isso.&lt;br /&gt;- O que você quer então?&lt;br /&gt;- Eu quero entender a vida.&lt;br /&gt;- Bem, nesse caso, em pouco tempo eu te mando pro manicômio.&lt;br /&gt;- Deixa de ser cretino!&lt;br /&gt;- Isso não é cretinice, é a realidade. Viva e deixe morrer, rapaz.&lt;br /&gt;- Bah, nem sei porque ainda venho aqui.&lt;br /&gt;- Porque eu sou seu único amigo, Klaus.&lt;br /&gt;- É... tem sentido.&lt;br /&gt;- E então, você estava lembrando das coisas e...&lt;br /&gt;- E resolvi que não mereço nada do que tenho. Quer um carro novo?&lt;br /&gt;- Obrigado, já tenho dívidas demais.&lt;br /&gt;- O carro está quitado.&lt;br /&gt;- Vindo de você, com certeza é alguma sacanagem.&lt;br /&gt;- Tá ficando esperto o garoto...&lt;br /&gt;- Não falei!&lt;br /&gt;- Desta vez é sério.&lt;br /&gt;- Tchau, Klaus, tenho cliente agora.&lt;br /&gt;- Sinuca hoje á noite?&lt;br /&gt;- No mesmo copo sujo de sempre.&lt;br /&gt;- Beleza. Chegando lá eu te entrego o carro. Tchau...&lt;br /&gt;- Some da minha frente, Klaus. Hoje você está pior que de costume.&lt;br /&gt;- Viva e deixe morrer, rapaz...&lt;br /&gt;- Tchau, Klaus...&lt;br /&gt;- Tchau...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esse eu escrevi em outubro de 2007 e achei perdido por aqui.&lt;br /&gt;Não postei antes por ter achado meio ruinzinho... mas relendo agora até que me pareceu tão interessante quanto banal.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-7442305682767711822?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/7442305682767711822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=7442305682767711822&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7442305682767711822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7442305682767711822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/02/klaus-vai-ao-psiclogo.html' title='Klaus vai ao psicólogo'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6688431240973104464</id><published>2008-02-18T18:22:00.000-03:00</published><updated>2008-02-18T18:28:12.155-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Elegia</title><content type='html'>Um último cigarro antes da chuva cair, essa chuva que cai todos os dias, no mesmo horário, que me faz rir com desgosto. Ela costumava falar que em Londres chove todos os dias, perto das cinco, e os londrinos combinavam encontros sorridentes dizendo “antes ou depois da chuva?”. Como se tivesse alguma graça nisso, eu ria junto com ela, porque não havia graça em coisa outra que fosse ela, então me ria dela, e junto com ela, sentindo uma eternidade de certeza afável e certa. Mas agora eu ria com desgosto, porque isso aqui não é Londres, é só um canto perdido onde me escondo. E ela não tece mais esses comentários absurdos porque ela não está mais aqui, sabe lá onde se esconde, tão longe de mim. O medo velho-novo perpassou meu peito enquanto eu atravessava os corredores, incerto, e cheguei ao elevador sentindo a velha ardência na garganta, o choro contido, a explosão de tudo que dói. Ainda. Ela já tinha ido há muito tempo, mas eu nunca soube afirmar com certeza quando eu a havia perdido, é claro, eu a havia perdido antes dela partir, não me resta dúvida. E eu nunca soube afirmar como foi que a perdi, logo ela, sempre tão minha, como se eu de fato a tivesse comprado naquela noite potencialmente fria em que perguntei, singelamente, se podia comprá-la somente para aquela noite. Depois a libertaria, embora não o quisesse verdadeiramente. Ela sorriu e disse que não carecia de depósito, de valor algum, pois não se compra o que não se pode pagar, sorrimos juntos e o céu se abriu, e a noite ficou quente e segura como era quente e seguro o hálito dela, que provei pouco antes de beijá-la. E logo depois ela sorriu, era dada a sorrir da vida, era feliz. Ela sorria e assolava meu peito pretensamente infeliz, a coisa pseudo-depressiva que eu afirmava sem ter porquê, afinal de contas quem haveria de ser infeliz tendo a ela como guia? Talvez por isso ela me tenha deixado, eu vivia a chorar enquanto ela conseguia se rir e rir de mim e rir de tudo que lhe competia. E o que ela não conhecia fazia questão de deixar às margens, para bebericar quando desse sede, e se desse sede, mas sem se afogar jamais. Porque ela sempre soube a medida do próprio coração, enquanto eu julguei ser o meu maior do que era, e o dei a ela sem saber que dele ela não precisaria. Saí do elevador desejando a morte próxima e, senão indolor, menos dolorosa que aquela sobrevida que eu tinha agora, agora que ela não estaria em casa a me esperar, com um café preto e Billie Holiday. E sabendo que eu não a beijaria ao chegar e não sentiria teu perfume, aquele perfume que estava sempre nela, e mesmo sabendo que era perfume eu teimava em dizer que era o cheiro dela, porque aquele cheiro nunca saía. Caminhei num caminhar incerto e vacilante até a minha mesa, onde ainda jazia uma fotografia dela, de tempos melhores e felizes, onde o sol fazia o seu percurso num ritmo mais lento para que os nossos dias não findassem depressa sem nos dar a oportunidade de viver um pouco mais. E pude ouvir o riso dela quando me ligava só pra dizer que já sentia minha falta, e que estaria a me esperar, e por Deus, como ela me amava. “Quando foi que nos perdemos?”, ela me perguntou num misto de choro e raiva na última ligação, e eu fiquei calado, porque não havia verbalização praquilo que eu tentava não sentir. O telefone tocava mas eu não queria atender, porque eu sabia que não seria a canção dela, a canção da voz dela a me cantar tudo que de mais belo havia. E quando foi que eu a perdi, nunca soube. E o tanto que a amei, jamais pude mensurar, porque não havia medida. Sabia só que não tinha mais vida e nem sangue e nem suor, era só aquilo, aquela coisa morna de requentar, sem brusca poesia. Era só eu e eu só, e nunca me fui a melhor das companhias, especialmente depois dela. E eu tentava homenageá-la em palavras que fugiam sem alcançá-la, eu tentava senti-la sem que ela estivesse. E desde que a perdi eu não sentia mais nada. Mas a fotografia dela na minha mesa sorria, e isso era quase viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6688431240973104464?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6688431240973104464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6688431240973104464&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6688431240973104464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6688431240973104464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/02/elegia.html' title='Elegia'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-1457410184620179970</id><published>2008-02-14T19:46:00.000-03:00</published><updated>2008-02-14T20:08:26.097-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Feridantiga</title><content type='html'>__ Camila, o que eu faço com essa caixa?&lt;br /&gt;Olhei de viés para o Guilherme, tentando equilibrar mais de trinta pratos na mão.&lt;br /&gt;__ Que caixa?&lt;br /&gt;__ Essa. Tem seu nome.&lt;br /&gt;Deixei os pratos no balcão da cozinha e abri a caixa. Havia anos, muitos anos que eu não mexia naquelas coisas. Cheirava a passado mal-resolvido, a feridantiga (como diz o Caio Fernando). Estreitei os olhos e senti o pesar atravessar meu peito.&lt;br /&gt;__ Eu me viro com essa. Pode deixar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi as escadas rapidamente, trancando a porta atrás de mim. Guilherme não fazia parte daquela outra vida e não fazia sentido, não tinha porquê eu participar a ele o que me ocorrera há tantos anos, ele não entenderia. A primeira coisa que tirei da caixa foi uma foto. Uma foto já amarelada pelo tempo, dobrada nas pontas, envelhecida e cansada como eu. A única foto da trupe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi há mais de vinte anos. Eu tinha apenas treze e fugi de casa, com um namoradinho da época que me prometera uma vida bonita e livre. Fomos parar no interior paulista, onde nos encontramos com alguns de seus amigos, e seguimos com um grupo de teatro e circo que atuava nas ruas das cidades interioranas, passando a mensagem de liberdade e beleza verdadeiras. Era muito poético no início. Mas eu tinha mais medo que qualquer outra coisa à época, e um dia decidi voltar pra casa e encarar a tirania dos meus pais no conforto do meu quarto aquecido e das três refeições diárias e regulares. Passei anos evitando me lembrar daquele tempo pra não me sentir muito covarde, e tinha conseguido, até aquela caixa renascer das cinzas. Eu devia tê-la jogado fora, eu me dizia agora, tardiamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheci Clarisse de imediato. Minha Clarisse, minha melhor amiga daqueles meses infernais. Passávamos a noite a falar de tudo que nos vinha, de todos os medos, de todas as vivências, de todas as perdas, das pequenas conquistas...ela já estava longe de casa há anos, já tinha se apaixonado, já tinha desapaixonado, feito um aborto, enfim. Ela tinha vida. Eu tinha apenas a imitação da vida que eu queria pra mim, apoiada num discurso frágil de liberdade que no fundo eu não queria. Clarisse foi meu porto seguro, acima de tudo, e bem mais que meu namoradinho. Ela me roubava sorrisos e enxugava lágrimas. E me encorajou a voltar e assumir a condição, quando disse a ela que não mais podia com aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda trocamos cartas por um tempo, até que elas pararam de chegar, de repente. Nunca soube o que havia sido feito de Clarisse, e julguei que tivesse me esquecido ou coisa que o valha, porque o meu namoradinho me esqueceu, e meus outros amigos me esqueceram. E por fim eu esqueci, e conheci Guilherme, e vivia agora uma vida que nunca quis, mas que me satisfazia porque eu me enganava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Remexi um pouco mais na caixa e encontrei as cartas que ela me mandava, todas elas. Ouvi Guilherme gritar com Pablo no andar de baixo, ele não era um pai muito paciente, sorri sem querer sorrir. Reli carta por carta e chorei em todas elas. E a dor da feridantiga foi crescendo, a cada letra, a cada lágrima. A última carta era infelicíssima. Clarisse tinha conhecido esse Valter e abandonara o grupo pra ficar com ele, julgando ter encontrado o amor que tanto buscava. É claro que não era nada daquilo, nunca é de verdade, nunca é nada. Sei que ela não estava bem, queria voltar pra casa, pela primeira vez em muitos anos ela considerava a possibilidade de voltar pra casa, mas não sabia como seria. A mãe dela, pelo que contava, era um verdadeiro pesadelo. Tinha o pai, a quem ela amava verdadeiramente, mas não entendia. Tinha o irmão, namorado da melhor amiga dela. E tinha essa melhor amiga, Mariana, que devia ter fugido com ela mas nunca pôde, ou nunca quis. Mariana era a única coisa que estimulava Clarisse a voltar, mas ela não aceitava a volta, não aceitava o erro. Terminou a carta dizendo que me abraçava apertado e daria um jeito de me ver na capital em breve. E sumiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei algumas voltas pelo quarto, a cabeça trabalhando rápido, o coração fervendo. Tentei imaginar Clarisse mais velha e criando filhos, como eu, mas não dava, a imagem dela jovem e livre estava grudada na minha memória. E a dor de feridantiga atingiu seu ápice. Eu sabia o que devia fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias depois eu estava em frente à casa de Clarisse. Nem podia acreditar que atravessei metade do país praquilo, mas lá estava. Bati à porta e um senhor me atendeu, um homem velho-novo, se é que me entende.&lt;br /&gt;__ Boa tarde. Geraldo?&lt;br /&gt;__ Em que posso ajudá-la, senhora?&lt;br /&gt;__ Sou...quero dizer, fui. Fui amiga de sua filha, a Clarisse.&lt;br /&gt;O olhar dele fugiu, ele não conseguiu me encarar.&lt;br /&gt;__ Minha filha morreu há muitos anos.&lt;br /&gt;__ Eu sei. E sinto muito por isso. Mas eu queria falar com a Mariana. A melhor amiga dela. O sr. sabe onde posso encontrá-la?&lt;br /&gt;__ Deve estar em casa. Atravesse a pista.&lt;br /&gt;Ele apontou para a casa em frente e fechou a porta, sem me dar oportunidade de dizer mais nada. Idéia estúpida, pensei logo. O que diabos eu diria para a Mariana? "Oi, fui amiga da Clarisse, vim só dar um alô?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessei a pista ainda em dúvida. O quintal da casa estava atulhado de brinquedos e um cachorro latiu quando eu me dirigi até a porta. Toquei a campainha e a porta se abriu quase que instantaneamente.&lt;br /&gt;__ Oi, moça.&lt;br /&gt;__ Oi. Sua mãe está?&lt;br /&gt;__ Está. Vou chamar.&lt;br /&gt;A criança que me atendeu correu até o interior da casa. Logo depois Mariana estava diante de mim. Eu tentava a todo custo não chorar.&lt;br /&gt;__ Desculpe incomodá-la. Fui amiga de Clarisse. Meu nome é Camila.&lt;br /&gt;Ela sorriu de maneira tão sincera que me senti em casa.&lt;br /&gt;__ Por favor, entre. Clarisse falava muito de você nas cartas. Sempre com muito carinho.&lt;br /&gt;__ Era o mesmo com você.&lt;br /&gt;__ Ah. Ela faz falta. Todos os dias. Venha, venha até a cozinha, estou ajudando essa criança a preparar biscoitos.&lt;br /&gt;__ Seu filho é lindo. &lt;br /&gt;__ Obrigada. Mas não se parece nada comigo. É a cara do Caíque.&lt;br /&gt;__ O irmão da Clarisse?&lt;br /&gt;__ Esse mesmo. Está trabalhando, não deve demorar a chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversamos amenidades por duas horas, aproximadamente. Filhos, casamento, carreira, as vidas que decidimos seguir. Mas ao contrário de mim, Mariana parecia feliz. E eu a invejei por isso, e disse isso a ela. Quando Caíque chegou, criança e cachorro fizeram festa e eles se ocuparam para me deixar à vontade com Mariana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Sabe...há uns dias, quando revi as cartas e as fotos, senti tanta dor...eu vivo uma mentira. Não sou feliz. E meu marido sabe disso, e meu filho vai ser vítima disso, cedo ou tarde.&lt;br /&gt;Mariana sorriu, condescendente.&lt;br /&gt;__ Eu passei muitos anos invejando a Clarisse. Sério. Me sentia mal por não ter tido coragem de fugir com ela, me sentia mal por namorar o irmão que ela tanto detestava, me sentia mal por ter seguido com minha vidinha enquanto ela estava acelerando o processo natural das coisas. Até aceitar que eu era completamente diferente dela. Nem melhor nem pior. Só diferente. Sinto falta da minha amiga todos os dias, e ainda hoje não há quem a substitua. Mas o fim que ela teve foi tão indigno de quem ela era, que me fez questionar se também era isso que eu queria.&lt;br /&gt;Eu já chorava.&lt;br /&gt;__ Ainda dá vontade de fugir, às vezes. Minha vida não é esse comercial de margarina light que parece. A vida de ninguém é. Mas eu sou feliz. Caíque me faz feliz, meu filho me faz feliz, meu cachorro, meu trabalho, os poucos e valorosos amigos. E quando sinto tudo excessivo, entro no quarto e respiro no saco. É sério! Respiro no saco e fica tudo bem.&lt;br /&gt;__ E o que eu faço? Respiro no saco também?&lt;br /&gt;__ Há ungüento para toda dor, Camila. Encontre o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversamos mais um pouco, até a noite. Tive de pedir desculpas, tinha que voltar pra casa, ela me convidou pra pernoitar, disse educadamente que não, precisava me resolver com meu peito. Dirigi a esmo até a cidade seguinte mas não dormi, não conseguia parar, eu estava prestes a enlouquecer. O celular estava desligado desde que saí de casa, três dias atrás, e eu o mantive assim enquanto dirigia, sozinha no carro, Chet Baker me tocando como poucas coisas na vida tocavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais três dias de estrada e voltei pra casa. Guilherme estava à beira de um infarto, coitado, senti tanta pena dele por ter dedicado os últimos anos pra um casamento de farsa que era o nosso...mas ainda me via sem coragem pra nada. Abracei meu filho como se pudesse transmitir naquele abraço todo o meu amor e, ao mesmo tempo, me desculpar. Abracei meu esposo com a frieza de quem se despede, com a sobriedade de quem tomou a decisão mais importante da vida. E então disse adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chet Baker ainda tocava no som do carro. Não sabia pra onde ir. Apenas ia. Apenas fui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-1457410184620179970?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/1457410184620179970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=1457410184620179970&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1457410184620179970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1457410184620179970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/02/feridantiga.html' title='Feridantiga'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8133310778242910167</id><published>2008-01-13T22:35:00.000-03:00</published><updated>2008-01-13T22:36:25.284-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Redenção</title><content type='html'>A chuva cai ruidosamente, fustigando minhas janelas. Porém fica em mim aquele torpor de final de tarde, de final de esperança, quase final de vida. Caminho pela casa como se me fosse estranha, como se cada passo fosse um tiro no escuro, como se eu não soubesse pra onde ir. Não sei, de fato. Acendo o cigarro mais por hábito que por vício, companheiro de horas solitárias, companheiro de horas vazias. O telefone não toca há três dias. Não que eu espere que toque, nada tenho a esperar. Aliás, a casa anda quieta e silenciosa já há tanto tempo que por vezes me certifico de estar viva, por parecer a casa a morada final de um morto. Silenciosa e fria. E o torpor de fim de tarde em mim. E o último raio de sol ficou no meu olhar, como se eu tivesse direito a uma outra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei o som ontem e o deixei fora de sintonia, como se comigo conversasse, como se algo não faltasse, como se o vazio não fosse palpável, como se o silêncio não fosse audível. Desliguei o som porque não fazia sentido. Concorda? Faz sentido não. Senti falta dele, doeu no corpo, doeu sim. Tentei ligar mas perdi um compasso, ele não iria atender, nem adiantaria. Olhei mais uma vez a janela, chovia a cântaros, eu me encontrava ilhada e imersa em mim mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei papel e caneta e me desafiei. Ia escrever pra ele. Só pra dizer que o amava sobre todas as coisas, e pra sempre, e se ele não voltasse eu haveria de enlouquecer, que já estava prestes a isso, mais um pouco eu raspava a cabeça. Escrever pra dizer que fiz tudo que é tipo de terapia e aquele vazio continuava em mim, aquele torpor não saía, aquela dor não sarava nunca. Escrever pra pedir perdão pelo egoísmo, mas que ele voltasse ligeiro ou eu não sei o que seria de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi até não poder mais de dor nas mãos, os olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Envelopei com carinho e cuidado, sem me dar conta no momento que eu não tinha o endereço dele. Mas ainda assim o fiz. Guardei o envelope como quem guarda tesouro na gaveta do criado-mudo, fechei as cortinas e me deitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever liberta. Amar perdoa. Perdoar redime.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8133310778242910167?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8133310778242910167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8133310778242910167&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8133310778242910167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8133310778242910167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2008/01/redeno.html' title='Redenção'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8372668599409176288</id><published>2007-12-11T17:12:00.000-03:00</published><updated>2007-12-11T17:15:40.026-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Retrato do fim de semana</title><content type='html'>__ E então? Que nome vamos dar para o texto?&lt;br /&gt;__ Não faço idéia.&lt;br /&gt;__ Memórias do cárcere?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Quem foi que escreveu Memórias do cárcere mesmo?&lt;br /&gt;__ Graciliano Ramos.&lt;br /&gt;__ Ah, eu me confundi. Pensei que tivesse sido o Dostoiévski.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Mas o Dostoiévski escreveu um livro quando esteve preso.&lt;br /&gt;__ Foi.&lt;br /&gt;__ Qual o nome mesmo?&lt;br /&gt;__ Orgulho e preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas risadas. Muitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Preparativos para o Esbórnia Urbana.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8372668599409176288?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8372668599409176288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8372668599409176288&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8372668599409176288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8372668599409176288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/12/retrato-do-fim-de-semana.html' title='Retrato do fim de semana'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-567867463383036786</id><published>2007-12-10T02:43:00.000-03:00</published><updated>2007-12-10T03:28:04.067-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>História suja</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Cheguei ao bar do Rubens debaixo de chuva torrencial e logo percebi que Ana não estava em sua cadeira cativa. Senti falta da Coca sobre a mesa e do caderninho vermelho em que ela escrevia seus apontamentos. Acendi um cigarro e caminhei até o balcão. Rubens parecia um doido com uma espátula de cozinha na mão, tentando matar uma mosca. Estava realmente concentrado, a língua entre os lábios, suando.Tanto que não me percebeu. Finalmente matou o inseto incômodo e voltou para a chapa para terminar o frango a passarinho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Rubens...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Oi.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Cadê a Ana?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Sei não.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ela já esteve por aqui hoje?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Sei lá. Tava ocupado, não reparei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Matando moscas?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Não é você que está desse lado do balcão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Fala sério. São apenas moscas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Não enche, Miguel.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ok. Cadê os jovens em puberdade?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Quer perder no pôquer de novo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Eles me embriagaram. E com um uísque vagabundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Sempre um ardil, Miguel. Sempre um ardil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Não enche, Rubens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Perdeu quanto da última vez?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Por que o interesse?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Apenas curiosidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Sabe que às vezes eu acho que eles agem a mando seu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Bebe, Miguel. Bebe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele apanhou um copo embaixo do balcão e me ofereceu uma dose de cachaça vagabunda, fabricação do próprio, que tinha a coragem de dizer que era material de qualidade. Nunca recusei um copo e ainda estou vivo. Conheci abstêmios que morreram aos 30. Pobres coitados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi então que a Ana entrou no bar, de súbito, esbaforida e ligeiramente pálida. Ela sempre foi um tanto quanto elétrica, mas a forma como ela dizia frases sem nexo me deixou assustado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ei. Aconteceu alguma coisa? Está tudo bem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Acabei de arranjar briga com um cara.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Que cara? Por quê? Diz!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Porra, eu tava entrando no bar e o cara me chamou de princesa. Você sabe que eu detesto isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Hum. E aí?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Aí eu respondi que princesa de cu é rola. E arremessei minha latinha na cabeça dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ana, pelo amor de Deus. E aí?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E aí eu saí correndo, ué!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E ele?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Tá entrando. Atrás de você.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ana deu a volta e se escondeu sob o balcão. Rubens pressentiu o perigo, alarmado, e segurou a espátula nas mãos. Mas não ia adiantar muito. O cara era um dos maiores homens que eu já havia visto, e tinha uma cara de psicótico que me fez rever toda a minha vida em câmera lenta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Cadê aquela vaca?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele estava encharcado de cerveja, e apesar de me ver em meus últimos momentos, não pude evitar me lamentar pelo desperdício. Sei, sei. Mas é melhor morrer de uma forma espirituosa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ei. Não fale assim – eu disse para o trasgo, num ato inédito de coragem idiota.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E o que você tem a ver com isso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Não te interessa. Só não permito que você se refira a ela e a mais ninguém nesse recinto dessa maneira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os acontecimentos se seguiram de maneira muito rápida. Ele sacou uma garrafa vazia da mesa ao lado, eu corri feito um idiota e o Rubens levantou a espátula de um jeito pateticamente ameaçador. Eu caí, e antes de cair ainda pude sentir o sangue quente na minha nuca. E então eu apaguei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;*&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ouvi uma voz distante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Miguel? Miguel?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A vista foi esclarecendo aos poucos...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Miguel?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando consegui recobrar a consciência, me deparei com uma enfermeira debruçada sobre mim no que seria, certamente, uma cama de hospital.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Puta que pariu, de novo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ahn?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Nada...esquece. Quem me trouxe aqui?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Foi um tal de Rubens. Ele está no quarto ao lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Cara, o que aconteceu com ele?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Bem...vocês chegaram aqui há uns dois dias. Você estava desmaiado e ele tinha um buraco enorme na barriga, aqui assim, do lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Meu Deus!!! Ele está bem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Sim, sim...ele estacionou uma Belina aqui na frente do hospital, buzinou e desmaiou. Fizemos a sutura, mas ele já tinha perdido muito sangue. Mas já está bem agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Posso falar com ele?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Está dormindo. E você não deve sair da cama, não por enquanto, levou uma pancada muito forte na cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E a Ana?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Que Ana?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ A Ana. Estava conosco no bar do Rubens, entrou aquele ogro querendo bater nela e...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Miguel, ainda não sabemos o que aconteceu. O tal do Rubens acordou perguntando por uma espátula e desde então não diz coisa com coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Me levantei apressado, mas a enfermeira me deu um mata-leão e eu voltei a deitar, resignado e dolorido, olhando o teto estrelado e me perguntando se a morte estaria próxima novamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Miguel, você não deve se levantar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Mas eu preciso saber da Ana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Mas não tem nenhuma Ana aqui, eu já disse! Quer me contar o que houve?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Não, obrigado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fiz cara de emburrado, mas dei a entender que não me levantaria de novo. Ela pareceu aceitar, pois me deixou sozinho no quarto, fechando a porta atrás de si. Esperei cinco minutos pra me levantar. Meio tonto, tirei aquele pijama verde ridículo e vesti minhas roupas ensangüentadas. Já estava com a mão na maçaneta quando esta girou e Rubens entrou, ainda de pijama e com uma expressão conspiratória no rosto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Miguel, eles roubaram minha espátula.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Rubens, eu...eles o quê?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Roubaram minha espátula, a minha espátula! Meu Deus, onde você conseguiu tanto sangue?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Rubens, tá tudo bem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E o que você acha? Você tá todo ensangüentado, eu não tenho mais a minha espátula e não estamos no meu bar! Quer me dizer o que aconteceu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Não temos tempo. Vamos. Temos de sair daqui, e agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Não vou a lugar algum sem minha espátula.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ah, Rubens, não fode. Anda logo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Puxei o Rubens pelo braço, impaciente. Ele ofereceu resistência, então fui arrastando aquele imbecil pelos corredores. Conseguimos passar despercebidos pela maioria dos funcionários, e foi aí que constatei, com desgosto, que estávamos em um hospital público. Não consegui disfarçar meu nojo e terror, e julguei que por isso uma mão me puxou para trás com violência. Dei o combate, me embolei com ele no chão e o Rubens saiu gritando pela espátula. Só depois de socar meu oponente repetidamente me dei conta de que era o Fernando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Seu imbecil! O que você pretendia?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Eu tava te gritando! Você nem me olhou!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Mas eu não ouvi meu nome nenhuma vez!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Mas eu tava te gritando! Gritei “pai” feito um condenado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ah, claro. Às vezes esqueço que tenho um filho. Tá de carro?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ A Belina do Rubens tá aí no estacionamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Vem. Vamos sair daqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fernando vestiu Rubens com sua jaqueta, disfarçando o pijama verde horrendo. Saímos os três naquela atitude furtiva, como se tivéssemos roubado algo além da nossa própria liberdade, tão toscamente usurpada naquele açougue mantido pelo Estado. Fernando ia caminhando à frente pelos corredores, nos avisando sobre funcionários e, quando necessário, os distraindo. Eu seguia logo atrás, tapando a boca do Rubens enquanto ele tentava, em vão, reclamar a maldita espátula.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alcançamos a entrada. Atendentes mal humorados protelavam o serviço, enquanto cidadãos contribuintes e, de um modo geral, bem trouxas, imploravam pelo atendimento que necessitavam. Mas não havia como garantir que não prestariam atenção na gente, até porque o Rubens continuava agindo feito doente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Fernando!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Oi, pai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Para com essa porra de “pai”, eu já disse. É o seguinte. Você vai ter que inventar alguma distração pra eu poder sair daqui com o Rubens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E eu faço o quê?&lt;br /&gt;__ Se vira. Você não nasceu quadrado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Tá, né! Não tem outro jeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele saiu correndo e passou direto pela porta de entrada. Ninguém prestou atenção nele. “Filho da puta”, eu pensei...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E de repente ele voltou correndo, alarmando a todos para o fato de um segurança estar batendo no Dr. Almerindo. Todo mundo correu para fora, inclusive Rubens e eu. Fernando apontava para a parede lateral do hospital, gritando a plenos pulmões:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Já estamos indo, Dr. Almerindo!!! Já estamos chegando, já consegui o socorro!!!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Correu, e todos o seguiram. Aproveitei o ensejo para correr desabalado até a Belina cor de goiaba do Rubens, tentando convencê-lo de que haveria uma espátula lá dentro. Nunca achei que um carro pudesse estar tão distante, e enquanto corria agradecia a Deus por ter dado um tantinho de cérebro ao Fernando, e não aquela noz ressecada que a mãe dele tinha na caixa craniana e nunca usava. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas...ouvi um tropel de passos em nossa direção e olhei instintivamente para trás. Fernando fugia desesperado dos funcionários do hospital, que gritavam “não tem nenhum Dr. Almerindo nesse hospital, filho da puta!!!”. Fiquei parado, sem reação. Rubens despiu a jaqueta e correu de volta ao hospital, o pijama balançando de maneira tão patética que quase me fez rir. Mas não tinha como ser espirituoso num momento como aquele. Eu só consegui ficar parado, pensando tristemente: “puta merda...”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Quem de vocês roubou minha espátula?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ele! Foi ele que fugiu! Cadê o outro que tava com ele?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Eu quero a minha espátula, seus usurpadores! Ela é minha, eu paguei por ela!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Três seguranças arremessaram o Rubens no chão, que ainda bradava pela espátula infeliz. Registrei nota mental de, em uma próxima oportunidade, amaldiçoar Rubens e todas suas gerações vindouras por ele estar agindo de maneira tão estúpida. Olhei para a Belina goiaba, desejoso, e para o Rubens, furioso. Me debati num duelo interior sangrento, e a amizade de Rubens falou mais alto. Maldito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Corri em direção a eles, tentando apaziguar a situação. Algum funcionário descerebrado do hospital achou que eu ainda sangrava e deu o alarme, ao que dois ogros enfatiotados em ternos mal cortados tentaram me agarrar. Fernando pulou nas costas de um deles e foi arremessado ao chão, tal qual um saco de batatas. Por um momento a chama da paternidade queimou em meu peito, mas eu fiz questão de mandá-la às favas e tratar de me proteger. Não sei quando, nem como, mas antes de apagar pela 2ª vez consegui ver Ana e cinco policiais fortemente armados correndo em nossa direção. Olhei para o telhado do hospital e vi dois franco-atiradores. Uma luzinha vermelha piscou nos meus olhos. Achei que fosse o laser dos snipers, mas era só sangue. Em um último esforço contra a escuridão que descia, ainda pude ouvir Rubens urrar de dor, e vi Fernando socar um dos funcionários.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;*&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acordei sem companhia dessa vez. Estava em um cômodo ligeiramente escuro, quente, deitado e amarrado em um catre duro. Uma mistura de sons invadia minha cabeça e não me deixava pensar direito. Tentei me acalmar, esperar o zunido constante passar. Um tempo depois, consegui distinguir os sons. Eram dois caras conversando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Aquela galega do plantão noturno?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Não, a outra. A que entra depois dela, de manhã.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ A Márcia?!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Essa mesma. Fode bem pra caralho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A esta altura, e considerando todos os fatos bizarros acontecidos, ouvir falar de sexo finalmente me trouxe um pouco de razão: eu ainda estava vivo e o mundo ainda era o mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ ÔÔÔÔÔÔUUU!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Silêncio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Eu sei que vocês tão aí fora, caralho!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ O Miguel acordou...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Vai lá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Por que eu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Anda logo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um rapaz franzino, de uns vinte e poucos anos, meteu a cara na porta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Boa tarde, Miguel.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Boa tarde...boa tarde é o caralho! Diz aí, que porra é essa? Tou amarrado por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Olha, a culpa foi sua – ele foi entrando, cauteloso e inseguro – porque quando o enfermeiro foi aplicar o analgésico, você deu um soco nele e quebrou a agulha dentro da veia. Deu um trabalho absurdo pra tirar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ah...não me lembro disso...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Normal. Me admira que ainda esteja vivo, com esse galo na cabeça!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Mas...onde você disse que eu estou mesmo? Cadê a Ana, o Fernando e o Rubens?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Cadê quem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ O Rubens. O cara da espátula.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ah. Não sabemos. Foi o único resgatado pela doida que chegou com os federais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ A Ana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Deve ser essa aí. Ela é gostosona?&lt;br /&gt;__ Quem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ A Ana. Porque a que veio com os federais era gostosona.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Sorte sua eu estar amarrado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ai, valentão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Me diz onde eu estou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Na ala psiquiátrica do hospital.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Mentira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Juro por Deus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E como foi que eu vim parar aqui?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ É uma longa história. Escuta...você esteve desacordado os últimos dois dias, e não deu trabalho nenhum pra gente. O esquema é o seguinte: conseguimos contrabandear umas cervejas pra dentro do hospital, mas eu preciso de garantias de que você não vai nos dedurar. Pra isso, vamos deixar você beber. Mas sem tentativa de fuga, ouviu bem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E como é que eu vou beber, ficar bêbado e fugir se eu tou amarrado, filho da puta?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ A gente vai te desamarrar. Isso não é óbvio? Quer dizer, não desamarrar de verdade, só um braço, o suficiente pra você segurar a lata. Pode ser?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Porra, claro. Nem sei quanto tempo tem que eu não bebo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Então tá certo. Agüenta aí.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ei. Espera. E o Fernando?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Quem, o chato? Ele é seu filho, né?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Nem adianta me olhar assim, a culpa não é minha, foi criado pela mãe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Tá. Enfim. Tudo que sei é que ele não conseguiu fugir. Tinha uns quatro seguranças em cima dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Hum.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um assomo de remorso invadiu meu peito. Meu filho tentou me ajudar e eu não fiz porra nenhuma por ele. Mas o remorso não demorou a dar lugar a uma excitação juvenil quando o outro enfermeiro, gordo e de bigode, entrou com uma caixa de isopor no quarto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Deus seja louvado. Nunca quis tanto uma cerveja na minha vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Espera, filhote. Vou desamarrar o braço direito. Se comporta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ei, alguém tem cigarro?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Isso aqui é um hospital, porra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhei incrédulo para o enfermeiro. Depois parei pra pensar na situação e tentei me lembrar com clareza de todas as coisas esdrúxulas que me aconteceram desde que a Ana entrou no bar, dias atrás, nem sei mais quantos. Puta merda. Sempre sobra pra mim, sempre. O enfermeiro gorducho que apelidei carinhosamente de El Bigodón desamarrou meu braço e me deu uma cerveja. Aquele gole gelado me pareceu irreal. Bebi a latinha em pouquíssimo tempo, e fique tonto de uma maneira tão absurda que me recusei a acreditar. Nem quando eu tinha 15 anos e tava começando a beber eu ficava bêbado tão rápido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Seus desgraçados. Me entupiram de remédio e depois me oferecem álcool. Isso é perverso. Doentio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E você tá reclamando? Aquela puta te deixa apanhando, duas vezes pelo que tou sabendo, a gente te dá uma cerveja geladinha e você ainda reclama?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E quem é a puta mesmo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ A tal da Ana. Ou alguma outra puta te deixou apanhando esses dias?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Joguei a latinha de lado e dei um soco gostoso naquele bigodudo desgraçado. O enfermeiro magricela me olhou assustado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Eu avisei, seu filho da puta. Agora me tira daqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os enfermeiros se olharam, avaliando a situação. Resolvi partir para a linguagem universal, o esperanto do funcionalismo público: apelei para o suborno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ O negócio é o seguinte: o Rubens, da espátula, é meu melhor amigo. E tem um bar. Tenho acesso livre, a hora que eu quiser. Vocês me liberam, em segurança, e eu arrumo uma ou duas garrafas de Red Label pra vocês. Johnnie Walker, original.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O argumento final, preciso e certeiro. Eles me desamarraram e me deram outra cerveja. Mas o bigodudo parou de chofre, me olhando desconfiado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ E como sabemos que você não mente? Como sabemos que você é confiável?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Amigo, você bebe. Eu bebo. Não confie em alguém que NÃO bebe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Você é cheio de argumentos, hein.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Tá, só me tira daqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Só um minuto. Vou pegar suas roupas no armário.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;El Bigodón trouxe meus trapos. Nunca fiquei tão feliz em vestir uma roupa tão imunda. Exceto, é claro, naquele dia bizarro em que concebi o Fernando. Outra história.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vestido, tomei mais uma latinha e saí andando pelos corredores, tonto feito helicóptero com hélice quebrada, escoltado pelos dois enfermeiros. Parei na porta do hospital e rabisquei meu endereço atrás de uma receita de remédio que teoricamente era pra mim. Disse a eles que contassem uns dois dias pra aparecer, e que levassem uma espátula. Eu precisava ressarcir o Rubens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saí andando pelas ruas, me perguntando aonde eu deveria ir primeiro: à minha casa, à casa da Ana, ao bar do Rubens ou ao primeiro boteco que aparecesse. Tendo em vista minha condição ligeiramente bêbada e a ausência de dinheiro, optei por ir até a casa da Ana. Uma caminhada de aproximadamente uma hora e meia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Caminhar me fez melhorar. Tudo bem que vi um cachorro de três patas passeando com sua dona, mas tomei como resultado da mistura bebida + remédio, que bombeava meu cérebro, e não dei muita importância.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cheguei à praça em frente à casa da Ana e um mal estar percorreu meu corpo. Onde estavam os mendigos de sempre? Estranho. O Alegria não estava lá. Alegria, o flanelinha que sempre estava lá, não estava lá. E ele não saía daquela praça nunca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Decidi refazer meu plano, aquela situação era muito incomum. Não ia entrar de uma vez na praça. A lembrança dos snipers e daquele bando de agentes armados ainda estava vívida em minha cabeça. Dei a volta por trás de um bloco comercial e parei numa esquina, perto da padaria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De longe eu reconheci um dos agentes que acompanharam Ana ao hospital, aquela cicatriz tosca que ia da boca até a orelha era inconfundível. Ele estava à paisana, mas parecia em estado de alerta. E todo agente à paisana fica de óculos escuros e aquela pose de tira do FBI.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Revirei o lixo da padaria e encontrei um pedaço de pau, grande até, acho que armação de cama. “Quem não tem cão, caça com Deus”, dizia meu avô, abençoado seja. Segurei o pedaço de pau nas costas, gargalhando internamente com a excelente piada que isso daria no balcão do bar do Rubens, me enchi de coragem e atravessei a praça. Já estava quase no centro quando o agente me abordou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ei, você.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Fala, Tripa Seca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Como é que é?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Nada. Nada não. Posso ajudar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Tá indo aonde?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fingi indignação, e ele percebeu que a abordagem não tinha sido das melhores. Acho que isso explicava a cicatriz na cara dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Me sentar num banquinho! Pensar na vida! Refletir!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ah, não me diga.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ É sério. Quer conversar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O agente titubeou, mas aceitou o convite. Eu enchi o saco dele, coitado, e não sabia como me livrar. Falei do meu pai e como ele queria que eu fosse regente de orquestra, como ele. Falei da minha mãe e de como ela ainda me abrigava em casa, mesmo eu tendo mais de 40 anos. Falei de meu filho nascido aos meus quinze anos e de como a mãe dele, aquela riponga doida, levou o moleque pra uma sociedade alternativa e só me voltou agora, 18 anos depois, pra deixar um completo estranho sob meus precários cuidados. Falei de como eu não o suportava, de como eu odiava a mãe dele, de como eu odiava meu pai e de como minha mãe não me suportava. Falei do meu melhor amigo, que ele podia ter sido bem sucedido se não fosse tão conivente com os bebuns folgados que penduravam a conta há anos, eu inclusive, que nunca paguei um único copo de cerveja que bebi no Rubens. Falei da mulher que eu amava, de como ela tinha uns 20 anos a menos e não me amava, nem queria saber de mim. Falei, falei, falei. Falei tanto que o agente foi atrás de umas cervejas pra gente, e sentou e bebeu e falou. Falou, falou, falou. Ele era fraco pra bebida, logo vi, pendurou a cabeça no meu ombro e reclamou horrores do superintendente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Mas o pior de tudo é aquela filha dele. Meu Deus, eu não suporto aquela mulher.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Porra! Ela pensa que é a Polícia Federal! Dia desses ela destacou um aparato completo da PF, com snipers e tudo, só porque um amigo dela tava virtualmente preso num hospital público. E agora eu tenho que ficar aqui, zumbizando a casa dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Sério?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Tou falando! Parece que o cara é o amor da vida dela, mas é só um velho desocupado. Isso foi o que o pessoal comentou depois.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Ah, não. Eu tenho certeza que ele tem um bom coração.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Pode até ser. Ou não. O cara é dono de boteco, pelo amor de Deus! E passou os últimos dias perturbando Deus e o mundo por causa de uma espátula.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Como é que é, amigão?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Meu estômago revirou, deu voltas. Ana e Rubens? Seria possível? Não, o Rubens jamais faria isso comigo, sabia que eu a amava, sempre soube.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi aí que vi Rubens sair da casa dela, acompanhado dela. Caminharam felizes e quase saltitantes, as mãos dadas, até a padaria. Me levantei num impulso absurdo, como se o banco estivesse em brasa, e corri até eles, brandindo o pedaço de pau tal qual espada. Rubens me olhou estupefato, sacou a espátula do bolso do jeans, mas não ofereceu resistência alguma.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dias depois, acordei num lugar que parecia uma cela, suja e mal cheirosa. “Vazia, Deus é bom, Deus é justo”, eu pensei. Me levantei com alguma dificuldade e divisei Fernando, ladeado por um carcereiro e com uma marmita nas mãos, do outro lado das grades.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Oi, pai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;__ Lá vamos nós de novo. Puta que o pariu.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O primeiro post realmente escrito a quatro mãos, enquanto bebíamos idéias e trocávamos cervejas. Escrito dia 09/12/2007, numa das mesas da Adega da Cachaça.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-567867463383036786?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/567867463383036786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=567867463383036786&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/567867463383036786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/567867463383036786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/12/memrias-do-crcere.html' title='História suja'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-826036395965370984</id><published>2007-12-04T16:18:00.000-03:00</published><updated>2007-12-04T16:23:16.737-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Metatexto'/><title type='text'>Psicanálise</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Então...Sr. Miguel Leal, é isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Isso, doutor. Miguel Leal. Não precisa me chamar de senhor. Só Miguel. Só Leal. Miguelito, como diz o pessoal do bar. Enfim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Bom...primeiro vamos definir o porquê da sua presença aqui. Recebi um relatório de uma moça da editora que diz...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Foi a Rosana, não foi? Pode dizer, doutor, eu sei que foi aquela vaca mal comida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Perdão. Não vou estimular esse palavreado dentro do consultório.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Ah, então o senhor é outro desses psicanalistas de merda que nem deixam a gente dizer o que pensa? Deus, como eu odeio aquela editora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Voltando ao que interessa...o senhor foi encaminhado até aqui por “bloqueio literário”. E pelo que me parece, andou publicando material ofensivo na internet.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Foi só um textinho no blog. Besteira, doutor, besteira. A editora quis me processar, a Rosana quis me processar, não falei nem fiz nada demais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ O senhor tem um contrato de dez publicações em cinco anos. Por que fez isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Porque eu sou louco! Que outra explicação há de haver? Quem escreve dois livros por ano? Só o Paulo Coelho, e eu duvido que seja ele que escreva de fato, agora que está até aparecendo &lt;st1:personname productid="em novela. Sei" st="on"&gt;em novela. Sei&lt;/st1:personname&gt; lá porque eu fiz isso. Doutor, eu amo escrever. Amo. Mais que tudo. Não, não mais que tudo. Amo minha mãe e minha namorada. Aliás, só consegui ser publicado depois que a Ana entrou na minha vida, ela é uma maravilha de pessoa, o senhor precisa ver, doutor. Então. Mas depois da Ana e da minha mãe, eu amo escrever. E eu nunca tinha publicado porra nenhuma na vida, nem carta em matéria de revista semanal, sempre fui frustrado, sempre. Sempre. Mas aí conheci a Ana e meu estômago se encheu de borboletas e eu comecei a escrever de um jeito que desse certo e essa editora gostou e me contratou, não por obra, mas por período, o que é bom, mas dois livros por ano? Só um louco assinaria embaixo, concorda? O problema é que não consigo mais escrever, porque só quero falar de amor, mas não sei falar de amor sem ser brega, porque as pessoas são ridículas quando amam, são bregas, eu acordo ouvindo Roberto Carlos! O senhor acredita nisso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ E por que não escrever sobre amor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Porque a editora não quer! Porque a Rosana é uma mal amada que não quer que as pessoas sejam felizes com seus amores bem resolvidos. Eu tentei, doutor, eu juro que tentei. Mandei mais de cinco rascunhos por semana. Todos com o mesmo tema, é claro. O amor e a felicidade de amar e ser amado e como o dia é mais azul e feliz quando o amor dá certo. Mas eles não querem. Querem que eu fale sobre maldade e doenças radioativas e bombas de hidrogênio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Miguel...o que foi que você escreveu no blog?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Só umas coisinhas, nada demais. Foi desabafo, doutor, desabafo, coisa de pseudo-intelectual desocupado. Tá, xinguei a Rosana uma ou duas vezes, falei que ia rescindir o contrato e fazer fogueira dele. Mas é besteira. Eles que levaram muito a sério. O blog teve muitas visitas, vê bem, todo mundo na editora se amarrou porque finalmente alguém estava desmascarando a Rosana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Aqui diz que ela entrou de licença médica. Você não se sente responsável?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Eu não. Acho até que vou escrever algo sobre isso. Ela é uma neurastênica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ E sobre essa visita? Vai escrever algo no blog sobre essa sessão?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;__ Claro! E qual é o pseudo-intelectual que não se amarra em análise?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-826036395965370984?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/826036395965370984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=826036395965370984&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/826036395965370984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/826036395965370984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/12/psicanlise.html' title='Psicanálise'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3037445402662992456</id><published>2007-11-25T05:39:00.000-03:00</published><updated>2007-11-25T05:40:32.393-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Post-it</title><content type='html'>A chuva vem fustigando a janela há alguns dias, e tem aquele silêncio morno que invade as persianas. E tem também aquele cobertor bem grosso. Tem o lençol que eu troquei ontem, aquele outro eu já deixei na lavanderia. Tem uma rotina, tem um dia-dia, tem um ser ou não ser que não é de fato. Tem um acordar diário bem cedo, levantar preguiçosamente junto com o sol. Tem um adormecer muito tarde, dormir cansada junto com a lua, que varou a noite no azul. Tem um trabalhar que cansa, e que é bom. Tem um ter você de novo. Tem a nossa música e a nossa cor, na janela, na persiana e no dia inteiro. No teu olho e no meu brinco. Tem tudo aqui, amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cê precisa de outra coisa que não seja só isso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3037445402662992456?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3037445402662992456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3037445402662992456&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3037445402662992456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3037445402662992456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/11/post-it.html' title='Post-it'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-1695505022160524027</id><published>2007-11-21T02:11:00.000-03:00</published><updated>2007-11-21T02:12:06.572-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Catálogo de erros III</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ah, não adianta, você não entenderia mesmo. Eu me cansei de dizer, eu falei tantas e tantas vezes, você ignorou solenemente, ou foi um retardado de primeira grandeza, você nunca entendeu, puta que o pariu, eu detesto isso. Detesto falar com a sensação horrenda de conversar com paredes, ou com seres humanos tão sensíveis quanto, seu caso, seu sofrível caso. Sério. Só na última semana, que se Deus quiser vai ser a última mesmo, eu falei umas trinta vezes. Tudo, eu repeti mais de trinta vezes. Não, eu não fico contando, não seja idiota. Mas a impressão que tenho é essa. Troca a porra da chave que vai quebrar, e quebrou, e eu do lado de fora debaixo de chuva esperando o chaveiro. Troca a água das plantas que você insiste em manter e alimenta o seu cachorro, prestes a morrer de inanição, não fosse por mim, que mesmo detestando aquele bicho maldito ainda o alimentei nesses últimos dez anos. É, eu podia tê-lo deixado morrer, e daí? E daí que não sou você, sua ameba. É, eu detesto cachorro, mas não vou matar só porque você é um completo inútil e não cuida do que é seu. E aquele vazamento do banheiro??? Você viu o resultado, não viu? E você quase quebrou suas costelas escorregando lá, aquela água toda, só pra me dar o trabalho de te levar pro hospital e cuidar de você. Pára de fumar, eu venho te pedindo isso há quantos anos? Aliás, por que diabos eu estou com você há tantos anos, me diz? Me diz, se o amor acabou perto do terceiro mês, é essa minha mania de lutar, de conquistar, de mudar as coisas. Eu pensei que você fosse crescer, pelo menos um pouco, aceitar que a faculdade acabou e que a vida tava aí pra ser vivida de um jeito digno, minimamente decente. Mas eu me cansei. E olha que fui fiel, e fui imbecil, perdoei quando você me traiu com aquela vaca desgraçada que se dizia minha amiga. Na minha cama...você é um boçal e eu sou uma retardada, não tem outra explicação, não é possível, isso não está certo, nunca esteve.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Chega de reclamar. Suas coisas já estão separadas, eu não arrumei, você entende. Sua mãe vem te pegar daqui a pouco, e vê se leva essas flores ridículas. Já passa da hora de você perceber que eu detesto rosas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-1695505022160524027?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/1695505022160524027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=1695505022160524027&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1695505022160524027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1695505022160524027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/11/catlogo-de-erros-iii.html' title='Catálogo de erros III'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3044093517433867986</id><published>2007-11-18T21:45:00.000-03:00</published><updated>2007-11-18T21:52:12.400-03:00</updated><title type='text'>Catálogo de Erros II</title><content type='html'>Aquele sapato cor-de-burro-quando-foge.&lt;br /&gt;Ele só combina com o meu sorrisinho amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 cocadas numa tarde.&lt;br /&gt;Nem a TPM perdoa tamanha gula. Olho grande. Elas jamais sairão das minhas coxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As passagens da BRA.&lt;br /&gt;Erro, mas eu não tinha como adivinha que aquela porcaria ia falir semanas depois... ou tinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você.&lt;br /&gt;Um erro gostoso, confesso. Mas um erro do tipo que  eu adoro cometer só pra falar mal por um tempo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3044093517433867986?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3044093517433867986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3044093517433867986&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3044093517433867986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3044093517433867986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/11/catlogo-de-erros-ii.html' title='Catálogo de Erros II'/><author><name>hires héglan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17415775622982647030</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_WOyBd4_B3YI/SXSy11rbZHI/AAAAAAAAANo/QHPlgz1itug/S220/15-08-06_1627.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2897698886027961370</id><published>2007-11-16T02:05:00.000-03:00</published><updated>2007-11-16T02:07:29.376-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Eterno</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ah, minha amada rainha. Minha mulher. Eu não podia, simplesmente não podia te deixar partir. Eu, que te amei toda a minha vida, desde o início imemoriável dos tempos, desde que éramos apenas crianças e eu te dedicava toda a minha atenção. Não, rainha amada, não havia como permitir sua fuga. Eu, que não me vejo sem você. Você, mulher minha, que nunca conseguiu vislumbrar todo o amor que sempre tive por ti. Não, amada rainha, não me queira mal. Apenas me queira pra sempre, assim como eu sempre te quis. Por isso, amada minha, entenda. Foi só por isso que te matei.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2897698886027961370?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2897698886027961370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2897698886027961370&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2897698886027961370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2897698886027961370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/11/eterno.html' title='Eterno'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-7987185438331918991</id><published>2007-11-14T16:34:00.000-03:00</published><updated>2007-11-14T16:42:36.882-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;eu tô com tanta raiva de mim que eu queria só passar a raiva pra ti e te bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater bater&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tanto porque te espancar ia ser bem melhor do que qualquer coisa que eu pudesse fazer por mim&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-7987185438331918991?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/7987185438331918991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=7987185438331918991&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7987185438331918991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7987185438331918991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/11/eu-t-com-tanta-raiva-de-mim-que-eu.html' title=''/><author><name>hires héglan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17415775622982647030</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_WOyBd4_B3YI/SXSy11rbZHI/AAAAAAAAANo/QHPlgz1itug/S220/15-08-06_1627.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-326159381981872737</id><published>2007-11-09T12:04:00.000-03:00</published><updated>2007-11-09T12:05:42.187-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>A fórmula mágica</title><content type='html'>Procuro não olhar enquanto ela fala. Essas acusações sem sentido me irritam, e quando eu me irrito as coisas sempre pioram pra mim. A mente feminina e os caminhos tortuosos que ela percorre quando uma mulher raciocina são coisas inexplicáveis. Neste exato momento estou sendo acusado de ser "insensível" e um "porco capitalista", porque não quis almoçar em casa esse final de semana. Pelo amor de Deus, não me perguntem como ela conseguiu chegar à essa conclusão, acho que nem ela sabe quais foram as conexões de raciocínio que a levaram até aí, o importante nessas horas é que ela me ofenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amor, eu só queria fazer algo diferente.&lt;br /&gt;- Deixa de ser cínico, Cláudio. Você está dizendo isso agora pra tentar contornar a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, claro. Eu causei a situação toda, como sempre. Eu adoro restaurante e ela sabe disso, só queria saber porque cargas d'água justo hoje ela montou toda essa tragédia grega por causa de um simples almoço. A vontade de arrancar alguns dentes dela está crescendo. Pego a chave do carro e começo a caminhar em direção à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso, foge mesmo, seu covarde. Medroso! Covarde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega, essa foi a gota d'água. Eu volto, dou um tapa na cara dela, aponto-lhe o dedo em riste e declaro solenemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acabou a palhaçada! Estou indo almoçar fora, se quiser venha comigo, se não quiser fique aqui. Na volta eu quero dar uma trepada e se você não quiser eu vou conseguir uma na rua. Fui claro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou parada com a mão na cara me olhando com aquele ar de incredulidade. Então eu pergunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levanta pega a bolsa e sai caminhando à minha frente, tão silenciosa quanto se estivesse indo a um velório. Acho que encontrei a fórmula mágica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-326159381981872737?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/326159381981872737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=326159381981872737&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/326159381981872737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/326159381981872737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/11/frmula-mgica.html' title='A fórmula mágica'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5228214560409426830</id><published>2007-11-06T21:16:00.000-03:00</published><updated>2007-11-06T21:19:17.397-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>A Fé Solúvel</title><content type='html'>Ajoelhada Roberta reza novamente, agora sem esperanças, para um Deus que nunca a ouve. Seus joelhos machucados pela fé que nunca a ajudou em nada já não suportam mais o mutismo intransigente e a passividade de um ser superior que vive a ignorá-la. Suas lágrimas já secaram e até mesmo a dor passou.&lt;br /&gt;Roberta sempre fora um exemplo de fé inabalável dentro de sua comunidade, até o dia em que cruzara com Klaus. Um jovem modesto e cheio de ambições que levava a vida da maneira mais objetiva possível. Dir-se-ia dele uma dessas pessoas práticas para quem o tempo vale muito e não pode ser desperdiçado com algo que não gere retorno imediato.&lt;br /&gt;Conheceram-se e se apaixonaram. Ela, sempre firme em sua fé, pedia-lhe somente os domingos, reservados única e exclusivamente para Deus. Todos os outros dias da semana seriam dele. Ele de início aceitou, achou até bonita aquela celebração semanal de uma fé tão fervorosa, coisa que até então desconhecia. Porém o tempo, como sempre, revelou-se o formidável combustível para incendiar o fogo da destruição causado pelas diferenças.&lt;br /&gt;Klaus trabalhava de sol a sol, sempre pragmático e objetivo na construção daquilo que ele dizia ser seu império, e nessa ganância de sempre obter mais para comprar mais e desejar mais começou a aceitar trabalhos noturnos. "O dinheiro é o ópio dos homens sábios" dizia ele, e considerando a si mesmo um homem sábio, fazia jus à própria afirmação. Nesses acasos que constituem a vida, Klaus e Roberta foram se distanciando um do outro pelo trabalho que agora o consumia, acabando por restar somente o dia de domingo livre para se verem.&lt;br /&gt;Roberta, que era realmente apaixonada por Klaus, encontrava-se dividida entre o amor a Deus e o amor ao namorado. Não queria abrir mão de nenhum dos dois, pois amava a ambos intensamente. Até que, dividindo-se da maneira que podia, recebeu o ultimato:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Roberta, larga dessa história de Igreja. O único dia que temos é o domingo. Eu não agüento mais ir à missa.&lt;br /&gt;__ Ah, amor, não me peça isso. Ia ser muito mais fácil se você diminuísse sua carga de trabalho.&lt;br /&gt;__ Diminuir meu trabalho? Nunca! Absolutamente tudo que conquistei foi devido a ele. E ainda tenho muito mais a conquistar.&lt;br /&gt;__ Eu sei, eu entendo...mas desde que você começou a trabalhar tanto a gente quase não se vê mais. E eu não posso abandonar a Igreja. É o único dia que tenho reservado a Deus, não posso abrir mão dele.&lt;br /&gt;__ Mas, Roberta...isso funcionava antes, quando tínhamos tempo suficiente pra nos vermos durante a semana. Agora, com o meu trabalho, não faz mais sentido. Vá à Igreja durante a semana, se quer tanto. Deixe o domingo pra gente.&lt;br /&gt;__ Não posso! Tenho trabalho, tenho faculdade durante a semana. Além disso, tenho compromissos nas missas dominicais, o Padre João conta comigo. Não posso, Klaus, não posso!&lt;br /&gt;__ E o que vamos fazer então?&lt;br /&gt;__ Ora...já lhe propus isso, mais de uma vez...trabalhe menos.&lt;br /&gt;__ Não vou, Roberta. Você sabe que posso crescer mais e mais na minha área, e pra isso preciso de total dedicação.&lt;br /&gt;__ Só o que estou te pedindo é que se dedique a nós também.&lt;br /&gt;__ E eu estou te pedindo a mesma coisa, Roberta. Exatamente a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta perdeu dias e dias tentando encontrar uma solução para seu caso, crente na sua fé inabalável que Deus acabaria por dar respostas. Tentou conversar com a mãe, a quem considerava uma mulher sensata e ponderada, mas só o que ouviu foram palavras de desânimo, pois tanto ela quanto seu pai desaprovavam Klaus veementemente. Achavam sua ambição negativa e um péssimo exemplo para a filha, sempre tão dedicada e subserviente. Suas amigas também não simpatizavam muito com ele, por não ser da Igreja, sequer tinha feito a Primeira Eucaristia. Padre João, porém, costumava ser seu bastão de tranqüilidade, e foi ter com ele dias após a última conversa com o namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Padre, me perdoe, pois eu pequei.&lt;br /&gt;__ Quando foi sua última confissão, minha filha?&lt;br /&gt;__ Há duas semanas, padre.&lt;br /&gt;__ Sim...o que houve?&lt;br /&gt;__ Padre...o senhor sabe que namoro esse rapaz, Klaus, há coisa de seis meses. Mesmo ele não sendo uma pessoa de fé, aceitou a minha prontamente, por me amar e me respeitar. Mas logo isso se tornou um problema. Não a minha fé, exatamente. Ele começou a trabalhar demais e ficamos sem tempo para que pudéssemos nos ver. Na verdade, padre, o único dia em que podemos nos ver é o domingo.&lt;br /&gt;__ Mas aos domingos tem a Igreja, Roberta.&lt;br /&gt;__ Sim, padre, eu sei. Eu argumentei isso com ele. Pedi a ele que continuasse a compreender e aceitar, mas ele está irredutível. Pedi a ele que trabalhasse menos, pois assim eu não precisaria abandonar a Igreja, mas ele sequer considera essa possibilidade.&lt;br /&gt;__ E quais são as razões dele para trabalhar tanto?&lt;br /&gt;__ Ele é uma pessoa prática, padre. Além disso, bastante ambiciosa. Costuma esperar por resultados imediatos às suas ações, e sempre acha que há mais por se conquistar. Mas não é uma ambição negativa, padre, de forma alguma. Ele jamais faria mal a alguém ou a si mesmo pra alcançar seus objetivos.&lt;br /&gt;__ Mas não é exatamente isso que ele está fazendo, Roberta? Abrindo mão do amor que você tem por ele, que vejo ser verdadeiro, pra conseguir tudo o que quer? Colocando você contra a parede? Responda-me...você acha isso justo, Roberta?&lt;br /&gt;__ Padre, eu o amo, e sei que ele me ama. Não quero que ele perca nada por mim. Mas não quero perder nada, também. Não quero me afastar da Igreja ou abalar minha fé, por um único momento, por causa dele.&lt;br /&gt;__ Sua fé já está abalada, minha filha. Do contrário, você rechaçaria de pronto qualquer chantagem nesse sentido. Lembre-se, Roberta, o amor de Deus é o único verdadeiro. É o único que vai seguir contigo por toda a vida, é o único que tem como recompensa a verdadeira felicidade.&lt;br /&gt;__ Mas, padre...&lt;br /&gt;__ Você tem que fazer uma escolha, Roberta. É o único caminho que lhe resta. Agora eu te repasso essa penitência, para que se arrependa por questionar o amor de Deus.&lt;br /&gt;__ Amém, padre. Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo seguinte Roberta não foi à missa pela manhã, passando na casa de Klaus logo cedo. Quando chegou o viu sentando na varanda, com uma caneca do que provavelmente seria café, um meio sorriso nos lábios. Seu cachorro corria freneticamente de um lado para o outro.&lt;br /&gt;__ Bom-dia, Klaus.&lt;br /&gt;__ Roberta...você não me avisou que vinha.&lt;br /&gt;__ Pensei em conversar. Precisamos conversar.&lt;br /&gt;__ Tudo bem. Estou ouvindo.&lt;br /&gt;__ O que há com esse cachorro?&lt;br /&gt;__ Nada. Só dei um pouco de café pra ele.&lt;br /&gt;Roberta ficou chocada. Sabia que Klaus tinha umas idéias bastante perturbadoras, mas nunca o tinha visto colocar nenhuma delas em prática.&lt;br /&gt;__ Você deu café para o cachorro? Isso é perverso!&lt;br /&gt;__ Eu nunca me diverti tanto.&lt;br /&gt;__ Meu Deus, Klaus, eu...enfim. Não importa. Vim para falar sobre a situação do nosso namoro. Quero saber se você vai continuar irredutível.&lt;br /&gt;__ Roberta, de uma vez por todas, entenda. Eu não vou abrir mão do meu trabalho por causa do seu capricho.&lt;br /&gt;__ Não é capricho, Klaus, isso é minha fé! É a única coisa na qual acredito, é a minha vida!&lt;br /&gt;__ Meu trabalho é a minha vida. Eu vim do nada, Roberta. Olha pra mim agora. Será que você não percebe? Como você espera ter tranqüilidade, segurança, conforto, se eu não trabalhar pra conquistar tudo isso? Diga-me, Roberta, com sinceridade, do que vamos viver? Da sua fé? Vamos viver de amor e fé? Isso é ilusório.&lt;br /&gt;__ Deus nos concede tudo.&lt;br /&gt;__ E você por acaso tem uma conta bancária onde Ele, o Todo Poderoso, deposita a pensão mensal pra você pagar suas contas? Ele te alimenta?&lt;br /&gt;__ Alimenta minha alma.&lt;br /&gt;__ Chega, Roberta. Honestamente, me encanta que uma mulher sensata e inteligente como você tenha cegado à realidade.&lt;br /&gt;__ O que me encanta é que você tenha se transformado nesse monstro egoísta e mesquinho. Você só pensa em dinheiro, Klaus.&lt;br /&gt;__ E vou pensar em quê? Preciso viver, Roberta. E o seu Deus não vai me prover, disso eu tenho certeza.&lt;br /&gt;Klaus tomou o café de um gole só e atirou a ponta apagada do cigarro no cinzeiro.&lt;br /&gt;__ Eu te amo, Roberta. Mas acho melhor passarmos um tempo distantes um do outro. Reorganize suas prioridades.&lt;br /&gt;__ Você está terminando comigo, é isso? Está terminando comigo porque eu tenho a minha fé?&lt;br /&gt;__ Não, Roberta. Estou terminando com você porque não sei quem você é.&lt;br /&gt;__ E você, quem é? Veja como o dinheiro talhou você, Klaus. Você costumava ser carinhoso e sonhador. Agora é um arrogante ambicioso que só espera benefícios. O Padre João estava certo.&lt;br /&gt;__ Você falou com o padre sobre mim?&lt;br /&gt;__ Falei com ele sobre nós. E sabe o que ele me disse? Disse que se você fosse realmente uma boa pessoa jamais me pediria pra abandonar a Igreja só porque você não pode fazer um sacrifício mínimo por mim.&lt;br /&gt;__ Ah, não? E todas as manhãs que acordei mais cedo pra te acompanhar à missa? E todas as tardes que perdi ouvindo o mesmo sermão o dia inteiro? E o tanto que eu deixei de lado por você, Roberta? Não seja injusta. Eu te amo, Roberta. E fiz isso porque eu te amo. Só não posso fazer mais.&lt;br /&gt;__ E por que não?&lt;br /&gt;__ Porque você não me ama.&lt;br /&gt;Klaus assoviou para o cachorro, que continuava sua corrida frenética sem demonstrar sinais de cansaço e sequer lhe deu atenção. Deu as costas à Roberta e entrou em casa sem dizer palavra, batendo a porta atrás de si.&lt;br /&gt;Ele realmente amava Roberta. Realmente queria aquela mulher em sua vida, por sua dedicação, sua inteligência e por todo o amor que ele achava que ela sentia. Sem contar-lhe nada, Klaus fez planos para os dois, deixando um pouco de lado seu comedimento natural, pois acreditava que seria feliz ao lado dela. Tencionava lhe pedir a mão em casamento quando um ano de namoro se completasse, mesmo sabendo que os pais dela o detestavam. E por isso vinha trabalhando tanto...além de sua satisfação pessoal, queria dar à Roberta e aos seus filhos o que ele nunca teve.&lt;br /&gt;Porém Klaus era, acima de tudo, uma pessoa realista. Não perdia tempo em devaneios e nem acreditava que o sobrenatural viesse resolver o que competia a ele próprio. Por isso, perdeu um compasso quando entrou em casa, deixando uma Roberta chocada do lado de fora. Mas, passados poucos minutos, ligou o computador do escritório e deu início ao seu processo pessoal de limpeza: excluiu fotos, e-mails e o projeto de cinco anos que havia estabelecido para ambos. Depois, abriu a pasta do trabalho e adiantou todo o serviço da semana. Na certa, ganharia uma excelente bonificação por isso.&lt;br /&gt;Roberta, por sua vez, dedicou-se completamente à Igreja, freqüentando todas as missas e grupos que seus horários permitiam. Condenou a si mesma por ter acreditado em Klaus e no amor que ele dizia sentir, aplicando a si mesma uma pena severa que seguia à risca. Seus pais ficaram extremamente preocupados e solicitaram a intervenção do Padre João, mas Roberta estava irredutível. E acreditava que Deus iria recompensá-la por tanto esforço, aceitando seu sincero pedido de perdão e seu arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedicando-se integralmente à Igreja, Roberta acabou deixando de lado o trabalho e a faculdade, acabou negligenciando a família e os amigos, e em pouco tempo se viu completamente sozinha.&lt;br /&gt;Sem perspectiva, Roberta resolveu procurar por Klaus, depois de meses sem nenhum contato, nenhuma notícia. Descobriu que ele havia sido transferido para a sede da empresa, em outro estado, para ocupar um cargo de alto prestígio e alto salário. Descobriu que ele ainda podia alçar vôos maiores, por sua dedicação, competência e ambição. E até pôde imaginar Klaus feliz, por ser isso tudo que ele sempre quis, tudo pelo que ele sempre lutou. E ela, o que exatamente tinha? Pelo que havia lutado? Quais eram as suas conquistas? Pela primeira vez em sua vida, Roberta sentiu revolta e cansaço. Roberta pôde ver a si mesma completamente abandonada, porque o Deus em quem ela tanto acreditava parecia ignorá-la completamente. Pela primeira vez ela se permitiu a questionar se esse Deus realmente existia, se realmente era bom e misericordioso...e se existia, qual seria a verdadeira razão para que Ele permitisse que isso tivesse acontecido a ela. E se lembrou de uma frase que ouviu de Klaus, há meses, assim que começaram a brigar: “Deus é perverso a maior parte do tempo. Nos joga aqui e ainda espera que nos arrependamos pelos atos que ele diz que podemos tomar. E enquanto nos deixa aqui, sequer se digna a nos ouvir ou atender nossas preces”. “Mas podemos conversar com Ele. Pra isso existe a confissão, Klaus. Nós falamos e Ele nos ouve. Depois Ele nos responde, seja pela Eucaristia, seja pelo sermão do padre. Nós falamos, um de cada vez. E ouvimos, um de cada vez”, retrucou Roberta. Klaus, incrédulo, apenas respondeu: “dois monólogos não fazem um diálogo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Klaus estava sentado na varanda de sua nova casa. Seu irmão estava em casa, para uma visita. O cachorro, mais uma vez, corria freneticamente.&lt;br /&gt;__ Você deu café para o cachorro de novo? Meu Deus, Klaus, você é doente.&lt;br /&gt;Klaus sorriu, satisfeito. Acendeu um bom charuto cubano, deu uma golada no excelente Johnny Black que ganhou por ajudar um amigo e suspirou:&lt;br /&gt;__ Ah...isso sim é que é vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5228214560409426830?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5228214560409426830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5228214560409426830&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5228214560409426830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5228214560409426830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/11/f-solvel.html' title='A Fé Solúvel'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2439678422548159380</id><published>2007-11-01T18:52:00.000-03:00</published><updated>2007-11-01T18:54:19.840-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Carta para Clariana</title><content type='html'>Clariana,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que as coisas têm sido difíceis entre nós, se é que eu ainda posso dizer que existe  "nós". Essa situação esquisita em que o nosso relacionamento se encontra tem me deixado louco! Tenho pensado noite e dia em todos os acontecimentos de que posso me recordar, lembrando-me dos mínimos detalhes em busca de uma pista qualquer que me indique onde foi que eu errei. Sim, penso desta maneira, que o erro foi meu, porque é fato que eu não vejo nenhum erro de tua parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre dedicou-se a mim de corpo e alma, com essa devoção fervorosa quase impossível de se ver nos dias de hoje, e isso conquistou-me e deixou-me mal acostumado. Onde estão as ligações perguntando como estou, onde estou ou o que tenho feito? Teu cuidado me faz falta, assim como faz uma falta imensa aquele brilho especial que eu via em teus olhos sempre que nos encontrávamos, e aquele sentimento de que o peito estava prestes a explodir de saudade, antes mesmo de terminarmos nosso beijo de despedida. Onde está essa Clariana que me conquistou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje mal me liga, quando nos vemos está sempre dispersa, sempre distante, e quando nos despedimos parece que estou te tirando um peso enorme dos ombros? Por favor, não agüento mais essa situação! Eu pergunto todo santo dia o que está acontecendo e esse teu silêncio me fere mais do que se uma adaga em brasa tivesse sido transpassada em meu coração! Ao menos me dê uma resposta! Tenha ao menos a dignidade de falar que não me quer mais, que eu não sou mais o homem da sua vida, que não quer mais ter filhos e um futuro comigo e todas as outras coisas que sempre disse, mas não me torture mais com a tua indiferença e esse teu silêncio. Se há algo que me fere mais que as tuas palavras é a total ausência delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta carta é meu último recurso em busca de uma resposta para tudo o que tem acontecido. Quem sabe escrevendo não se solte mais e me conte o que está acontecendo. Por favor, não me negue uma resposta a esta carta. É tudo o que eu te peço: as coisas como elas realmente são, preto no branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos,&lt;br /&gt;Marcos Aurélio Damasceno&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2439678422548159380?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2439678422548159380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2439678422548159380&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2439678422548159380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2439678422548159380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/11/carta-para-clariana.html' title='Carta para Clariana'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-4992893660841538678</id><published>2007-10-22T00:28:00.000-03:00</published><updated>2007-10-22T03:06:34.981-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Pequena epifania</title><content type='html'>"Aliás, se o presente só surge para virar passado, não daria para dizer que o tempo é uma caminhada rumo à não-existência?"&lt;br /&gt;Santo Agostinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a pensar nisso, confusa e desesperançosa. E se isso é realmente inevitável? Porém, via de regra, desviei meus pensamentos. Minha cabeça pensa o que quer, coisa mais incômoda, estou sempre a pensar em outras coisas. A velha questão nova: quanto perco? De que vale essa caminhada se tudo se acaba num não-existir infinito? Sendo assim, não há mais o que se conquistar, perder ou temer, pois tudo vira "pó, cinza e nada". E me escondendo atrás de falsas premissas vou negando meus desejos, silenciando minhas vontades e negligenciando vivências a mim mesma. Pronto. Acabo de criar o conceito de auto-embargo.&lt;br /&gt;Lógico, existe uma motivação para essa cadeia melancólica de conclusões apressadas. Se não existe pena, o pecado não tem valia. Se o pecado nada vale, nada vale te querer, pois ainda que me seja concedido o gratificante direito de te provar, cedo ou tarde isso há de ser relegado ao esquecimento, e nada mais saboroso que o usufruto da memória. De outra feita, me satisfaço com o eterno benefício da dúvida. Se hei de prová-lo, mais dia menos dia? Não sei...E como sou covarde, prefiro não saber, por não saber quem és nem o que esperar de ti. Prefiro permanecer neutra, vendo teus exércitos invadirem meu país, sem querer lutar pela posse de mim mesma. A velha pretensão falha de sair na chuva sem me molhar. Quero dizer, de que adianta te querer, te ter, se hei de ter perder, invariavelmente?&lt;br /&gt;Então vou me guardando nessa redoma pouco nítida, onde meu mundo tem dias de 50 horas que não passam, e até o Sol faz seu percurso num ritmo mais lento que o de costume. Uma sensação? Frio. Um sabor? Amargo. Uma cor? Preta. Um desejo? A inércia completa. Uma saudade? Você.&lt;br /&gt;Aliás, por onde andas enquanto te procuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Escrito em março de 2006.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-4992893660841538678?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/4992893660841538678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=4992893660841538678&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/4992893660841538678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/4992893660841538678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/10/pequena-epifania.html' title='Pequena epifania'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3252262970184373558</id><published>2007-10-18T10:00:00.000-03:00</published><updated>2007-10-18T09:55:11.653-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romantismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Idealização</title><content type='html'>Angustiado. Assim me sinto agora. Consegui em pouco tempo estragar tudo, como sempre, mas não é culpa minha, pelo menos não diretamente. Sou dessas criaturas sensíveis que se deixam levar pelo arrebatamento de uma paixão repentina e põem-se a fantasiar o futuro e as diversas possibilidades que existem entre o agora e o porvir. Dentro desses devaneios sou capaz de criar as mais diversas probabilidades de um relacionamento feliz, porque assim sou: dedicado de corpo e alma ao bem-estar de ambas as partes dentro de uma relação. Em minha imaginação, eu vejo o teu sorriso e os teus olhos olhando dentro dos meus, como se não fosse capaz de conter sozinha toda a paixão que sente e precisasse de alguma maneira comunicar-me que eu faço parte de tudo isso, como se toda a tua felicidade estivesse contida apenas na minha existência. Imagino-te ao meu lado fazendo todas essas coisas que ninguém mais faz porque estão todos tão ocupados vivendo suas vidas corridas e sem emoção, que acabam se esquecendo que a companhia de quem amamos é a melhor em qualquer momento, até mesmo nos mais simples: vejo estrelas, vejo a lua em todas as suas fases, vejo o sol poente, vejo o sol nascente, vejo o céu limpo e nós dois caminhando lado a lado em um gramado, assim como vejo o céu nublado e nós dois deitados juntinhos assistindo um filme. Sinto tua cabeça deitada em meu peito, e sinto teu cheiro, o cheiro de teus cabelos, a textura de tua tez, o gosto de teus lábios e me perco nessa imensidão toda do teu ser. Um ser que idealizei, e que agora trago aqui comigo corroendo meu peito, por não saber se existirá sequer uma parte ínfima de tudo aquilo que eu criei. Eis a razão da minha angústia. Por quem estou apaixonado? Por você ou pela pessoa que a minha paixão criou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3252262970184373558?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3252262970184373558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3252262970184373558&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3252262970184373558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3252262970184373558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/10/idealizao.html' title='Idealização'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6742265855831866480</id><published>2007-10-15T17:23:00.000-03:00</published><updated>2007-10-15T17:25:45.331-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Carta de Carlos para Carolina (parte I)</title><content type='html'>Belo Horizonte, 25 de maio de 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo para nos aproximarmos um pouco mais um do outro. As coisas têm sido difíceis entre nós dois devido a essa maldita distância que, ao mesmo tempo em que enleva e potencializa meu amor por você, tem me deixado cada vez mais doente de saudade. Não sei nem ao certo como começar, tendo em vista que esta é a primeira carta que eu escrevo de punho próprio. Acho melhor começar explicando porque estou escrevendo uma carta ao invés de enviar um e-mail. Aliás, vou falar de como anda a minha vida. E logo você vai entender o porquê da carta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana parece que todas as forças que regem o mundo resolveram conspirar contra minha pessoa. Segunda-feira eu acordei passando muito mal. No domingo eu estava com muita preguiça de cozinhar e resolvi jantar fora de casa, mas acho que eu ainda não me acostumei a essa cozinha mineira tão cheia de temperos. O resultado foi que eu só consegui chegar no trabalho no meio da tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terça, por causa do trabalho acumulado, em função da segunda mal trabalhada, eu tive que levar trabalho pra casa. Recebi um e-mail de um colega do trabalho que estava com vírus e meu computador foi pro espaço. Então, resolvi me acalmar dando uma volta. Lembra que na terça você ficou de me ligar? Então, durante a volta caiu uma chuva torrencial e eu estava sem guarda-chuva no meio de um descampado. Cheguei vivo em casa, mas meu celular vai precisar de uma missa de sétimo dia, porque ele não quer mais ligar. O coitado ficou todo encharcado! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira eu cheguei atrasado no trabalho porque eu usava o maldito celular como despertador pra acordar. O chefe me passou um pito daqueles por ter chegado atrasado duas vezes na semana, e o pior de tudo, por estar com o trabalho atrasado. Ele me falou coisas horríveis e eu, já muito puto com a minha semana de azar, acabei respondendo a altura. Não fui demitido, mas acabei recebendo uma advertência... se eu receber mais uma volto pra Brasília antes do esperado. Ah, isso seria realmente ótimo. Só que se eu voltar é sem emprego e com alguma dificuldade de ser contratado em qualquer lugar que seja, porque o homem é cheio de contatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quinta-feira as coisas começaram a andar melhor, porque eu recebi como pagamento de uma dívida uma garrafa de uísque bem carinha. O cara me devia R$ 50,00 e a garrafa valia R$ 89,00 (eu fui ver o preço pra saber se eu não tinha sido enganado, né). Eu achei que a sorte estava começando a mudar, então chamei o Klaus pra consertar meu computador. Aquele bêbado só veio porque prometi dar o uísque a ele. Eis que chegando aqui, terminando de arrumar o micro, ele abre a garrafa e dá um gole: o uísque era falsificado. Ele ficou puto e me obrigou a comprar outra garrafa pra ele "porque ele tinha saído de casa só pra isso". Acho que ele não deixou a internet funcionando por vingança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sexta-feira e graças a Deus não é dia 13. No trabalho tudo correu bem, apesar do chefe ter passado o dia me olhando meio atravessado. Ainda assim eu consegui colocar o trabalho em dia. Saí de lá e passei na Vó Dita, aquela benzedeira que mora na esquina aqui da rua. Amanhã eu compro outro celular e poderemos pelo menos nos comunicar através de mensagens. O Klaus me deixou sem internet, e enquanto eu não arranjar outro uísque, sei que ele não vai dar a mínima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria muito que você estivesse comigo. Apesar de saber que problemas assim vão surgir, penso que estar com você facilitaria o processo, porque tua presença me acalma. Mal posso esperar pela hora de te ver, te abraçar, mal posso esperar pela hora de esquecer esses dias só por estar perto de você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dê notícias suas, amor meu. Como se não bastasse a distância, o silêncio só aumenta a ausência. E me diz o que achou da letra. Se for o caso, te escrevo uma carta por semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se esqueça que te amo, e sempre que puder, me deseje boas vibrações. Essa semana foi um completo pesadelo. Chego a ter medo do que está por vir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Cavalcante Neto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O primeiro de uma série de posts em dupla.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6742265855831866480?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6742265855831866480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6742265855831866480&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6742265855831866480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6742265855831866480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/10/carta-de-carlos-para-carolina-parte-i.html' title='Carta de Carlos para Carolina (parte I)'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6279435279954943318</id><published>2007-10-08T19:49:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T19:55:40.696-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Amar é para os loucos</title><content type='html'>Sábado à noite, eu estou tentando terminar de me arrumar e fico aguardando um telefonema que eu sei que não vou receber de uma pessoa por quem estou apaixonado mas que só sabe da minha existência por mero acaso do destino. Onde diabos eu estava com a cabeça quando dei meu telefone a ela assim, sem mais nem menos?! Ela deve ter aceitado por pena. Não que eu seja uma criatura feia horrendamente grotesca e digna de pena por possuir uma aparência miserável, muito pelo contrário, sou até bem-apessoado, ás vezes até acusado de ser bonito, mas o fato é que entregar assim, de maneira tão subserviente, o meu telefone com aquele maldito olhar-de-cachorro-sem-dono, que eu luto para não fazer, mas minha personalidade patética e humilde insiste em manter, é uma coisa de realmente dar pena em qualquer ser humano que tenha um bom coração, imagine então em pessoas como Madalena, que possui a fama de ser a mulher mais cruel com quem um homem pode cruzar em sua patética vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madalena... Madalena... ruiva de olhos azuis, corpo esguio, busto farto e um quadril de deixar louco o mais sério dos homens. Foi criada com a melhor embalagem e o pior conteúdo. E enquanto eu termino de me arrumar para sair e ver se me encontro com essa mulher que é a minha doença, a minha paixão e o meu desespero, não deixo de pensar no quanto eu sou ridículo, talvez até mais ridículo que meus predecessores porque eles foram humilhados sem nem saber com quem lidavam, ao passo que eu já conheço toda a história de Madalena. Sou uma ovelha procurando pelo lobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone toca, eu corro feito um louco para atender. Retiro o telefone do gancho, tento me recompor, afinal de contas correr 3 metros com obstáculos é uma tarefa que tira o fôlego de qualquer fumante. Regulo a respiração, coisa que infelizmente não consigo fazer com meu coração que bate de maneira louca e desordenada ante a expectativa de ouvir a voz dessa mulher que para mim é ao mesmo tempo maravilhosa e obscura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;- Oi, quem fala?&lt;br /&gt;- É o Jorge.&lt;br /&gt;- Jorge é Madalena, tudo bem?&lt;br /&gt;- Tudo.&lt;br /&gt;- Então, meu bem, eu estava pensando em passar no Hell'o'rama hoje, aquela boate nova que abriu na Independência.&lt;br /&gt;- Tudo bem pode ser.&lt;br /&gt;- Compra uma carteira de cigarros pra mim, eu estou sem dinheiro.&lt;br /&gt;- Claro, meu anjo. O que você quiser.&lt;br /&gt;- Te pego que horas?&lt;br /&gt;- Me encontra lá eu vou de carona com o Zé Luiz, meu ex-namorado.&lt;br /&gt;- Tudo... tudo bem.&lt;br /&gt;- Algum problema?&lt;br /&gt;- Não de forma alguma, até logo.&lt;br /&gt;- Até mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligo o telefone, em meio ao deslumbramento do telefonema, que foi tão esperado quanto inesperado, e à decepção de saber que ela não será somente minha nunca. Ela praticamente me avisou que eu não sou único na sua vida. Essa história de amizade com ex-namorado recente é conversa fiada. Ninguém mantém amizade com um parceiro de um relacionamento recém terminado a não ser que ainda haja sexo e cumplicidade. Agora estou indeciso entre a realização de um desejo voraz que me consome e me atormenta e a manutenção da minha dignidade, do meu amor-próprio. Ah, Madalena, não sei o que faria com você, mas tenho muito medo das coisas que eu faria sem você após tê-la possuído por um dia só que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino de me arrumar escovo os dentes e volto a me olhar no espelho me achando ainda mais patético que antes, talvez com um ar de homem humilhado, ultrajado por alguém que nem mesmo tem esse direito de ultrajar-me. Acho que estou ficando louco, dizem que amar é coisa de louco e eu concordo plenamente que as coisas se passam na minha cabeça em um turbilhão de sentimentos, lembranças, desejos e saudades de coisas que eu ainda não vivi de verdade, mas que minha mente, fantasiosa e infantil, criou e que no íntimo do meu ser eu acredito que foram cenas reais, que me renderam sensações carnais reais e das quais possuo até mesmo as cicatrizes que ninguém além de mim consegue ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio de casa, sigo direto para a Independência, lá chegando eu lembro que me esqueci de abastecer o carro e procuro o posto de gasolina mais próximo. Paro o carro e instruo o frentista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Completa, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço e vou á loja de conveniência comprar a carteira de cigarros e imaginem a minha surpresa ao encontrar Madalena aos amassos com o ex-namorado. E eu juro, por tudo que há de mais sagrado, não há sentimento mais humilhante para um homem do que ver outro concretizando o desejo mais íntimo que possui. Antes de ir ao balcão comprar o maldito cigarro eu caminho até o casal de pombinhos que está quase se comendo em público dentro da loja e mal nota a minha chegada, acendo o isqueiro e ponho fogo nos cabelos de Madalena. Ela demora a notar, mas quando dá por si já é tarde demais para salvar um fio de cabelo que seja. Então ela se põe a gritar e não sabe se chora se tenta me socar ou joga alguma coisa na própria cabeça para diminuir a dor das queimaduras no couro cabeludo. O pateta do ex-namorado ficou lá atônito sem saber o que fazer, olhava para Madalena, depois olhava para mim e permanecia imóvel com aquele olhar vidrado de quem não sabe o que está acontecendo ou às vezes até sabe o que se passa, mas não sabe como reagir à situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu avanço em sua direção, empurro Madalena em cima de uma estante de salgadinhos Elma Chips, o outro me olha com aquela expressão de medo. Ah... como eu adoro esse olhar de medo, ele nos torna mais fortes, mais destemidos, mais obstinados. Seguro o canalha pela gola da camisa e começo a socá-lo repetidamente. O primeiro soco pega logo abaixo da boca, ele tentou desviar. Eu bato a sua cabeça na parede com força, ele parece atordoado. O segundo soco é preciso: quebrei-lhe o nariz. Eu continuo a socá-lo e ele parece estar perdendo a consciência. Madalena se levanta e tenta me agredir. Eu a chuto, jogo o pateta do ex em cima dela e saio da loja de conveniência sob o olhar amedrontado de todos os presentes. Ninguém se atreveu a tentar me parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto para o carro pago o frentista e deixo uma gorjeta generosa. Ligo o carro e volto para casa, onde uma caixa de havanas e um Jack Daniels me aguardam. Amar é para os loucos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6279435279954943318?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6279435279954943318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6279435279954943318&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6279435279954943318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6279435279954943318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/10/amar-para-os-loucos.html' title='Amar é para os loucos'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5025949625846962943</id><published>2007-10-04T18:49:00.000-03:00</published><updated>2007-10-04T18:54:05.026-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Catálogo de erros</title><content type='html'>Café.&lt;br /&gt;Parei pra pensar nos eventos recentes e nunca me senti tão cansada. Porque nunca penso no que quero exatamente, e minha mente caprichosa e treinada me boicota, procurando sempre pelos lances futuros. Nunca nada acaba pra mim.&lt;br /&gt;Cigarro.&lt;br /&gt;Dia desses até considerei a possibilidade de voltar para a casa da minha mãe. Pude me ver tirando meus livros das caixas e tentando reconquistar meu espaço, com aquela sensação tardia de que a casa da sua mãe, por pior que seja, é melhor que a casa de seu marido. Certo, não é bem isso que penso verdadeiramente. Tampouco quero senti-lo. Prefiro acreditar que a casa do meu marido vai ser boa um dia. Afinal de contas ela também é minha.&lt;br /&gt;Água.&lt;br /&gt;São quase três. Dentro em breve ele vai se levantar para o duo água-banheiro, vai me ver no sofá, me olhar com pena e perguntar “ainda acordada, amor?”. Vou olhá-lo com resignação e dar um meio-sorriso, cheio de significação, que vai passar despercebido ao coração simples dele.&lt;br /&gt;Simples, não simplório.&lt;br /&gt;Simplória sou eu. Vou reclamar de enxaqueca todos os dias, e ainda assim vou tomar café de madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Gabriel vai viajar de novo. Vai passar duas semanas longe, de novo. Posso até ver a nossa cama vazia. E a dele, num hotel luxuoso, certamente preenchida com uma vagabunda desqualificada. De novo.&lt;br /&gt;Por Deus, quando vou pôr um fim nisso? Até quando vou manter essa relação doentia com alguém que não me ama, só porque eu pretensamente o amo? Como eu pude permitir que ele destruísse um casamento perfeito? Aliás, como eu pude destruir um casamento perfeito? Porque certamente ele não encontrou aqui, em mim, aquilo que ele sente falta, e talvez por isso procure por aí. Ou não. Vai saber.&lt;br /&gt;Sim, já pensei em vingança, milhares de vezes, cada viagem é um plano novo. Já pensei no irmão, no melhor amigo, no pior inimigo. Mas são todos fiéis, por incrível que pareça. Ou seriam, não sei verdadeiramente, nunca tive coragem pra tentar, sou um caminhão de barbaridades sim, mas meio covarde. Além do mais, Gabriel já deve tê-los alertado, existe alguma maneira de se proteger de mim, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terapia.&lt;br /&gt;E remédios, e crise, e choros. Minha cama vazia. O ódio do Gabriel assolando meu peito. Minha mãe alcoólatra tentando destruir o pedaço que resta. O melhor amigo a salvo.&lt;br /&gt;Preciso de um exorcista.&lt;br /&gt;[Muito fácil culpar o capeta].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, um dia qualquer, fui abordada por uma criança, que me sorria como se me amasse. Como se eu fosse sua mãe. A Bia disse que é um sinal divino, algo está por vir. Mas deixei de acreditar nessa baboseira espiritualista. Nada acontece. Além do pavor absoluto que tenho por crianças. Nesse dia, nada de remédios. Hard rock e tequila pra dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei agora da casa do Gabriel, aquela que também era minha. Fui pegar uns itens que havia esquecido deliberadamente por lá, pra ter a desculpa de voltar. Gabriel estava sentado na rede da varanda, tomando um chimarrão. Uma mulher me atendeu, me foi solícita, por fim tive de mandá-la ao inferno, ninguém é educado assim de uma maneira não-proposital. Ele veio ter comigo, me levou ao quarto, fizemos sexo selvagem e eu me senti um lixo, pior que qualquer uma das desqualificadas com quem ele me traía costumeiramente.&lt;br /&gt;Da próxima vez que eu voltar, vou pegar tudo de uma vez e parar com essa encenação ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor amigo me procurou. Queria conversar sobre tempos imemoriáveis, de antes mesmo da faculdade. O resultado final foi dizer que era apaixonado por mim desde sempre, que havia caído em depressão quando me casei com Gabriel, que agora não havia razão para que não ficássemos juntos. Excluindo o fato soberano que eu amava meu ex-marido desesperadamente, sobre todas as coisas, e que estava considerando a possibilidade urgente de perdoar. O melhor amigo pareceu se chatear, insinuou que eu o havia usado, me deu as costas com um profundo pesar que pude até sentir. Vê? Ninguém pode se proteger de mim, no fim das contas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bia ficou feliz de saber que eu estava grávida. Só ela, coitada. Jura que vai ser madrinha. Eu não posso ser mãe. Não tenho condições psicológicas pra parir um ser humano que futuramente, e num futuro breve, há de me trair. Sem contar o detalhe que eu não sei quem é o pai. Vou fazer exames na próxima semana. Porém, como sou sortuda, a contagem há de se iniciar justamente na semana em que meu ex-marido estava viajando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriel não ficou feliz de saber que seria pai. E eu não precisei mentir, tampouco. Só disse a ele: você será pai. Disse pelo telefone, por Deus, eu sou muito esquisita. E agora nem posso tomar remédios, nem tequila, largo o cigarro no mais tardar até o fim da semana. E minha mãe alcoólatra não quer ser avó, julga não ter idade, por Deus, a mulher tem quase sessenta anos. Só a Bia, cara amiga, continua feliz com essa palhaçada. Acho que vou dar a criança pra ela. Não, não o faria! Já disse que sou uma covarde. Mas dá vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi o filho. Caí da escada e perdi o filho. A Bia disse que foi não-proposital sendo o mais proposital possível. Não que eu tenha me jogado da escada, mas despendi tanta energia no processo de não amar essa gestação que a Divina Providência acabou por tomar providências, digamos assim.&lt;br /&gt;Café.&lt;br /&gt;Minha cabeça não pensa mais o que quer porque ela não pensa nada. Entrei num estado de letargia horrivelmente agradável. É como se um oco preenchesse todos os espaços, não sou feliz nem triste, só viva. E isso não é bom nem é ruim, é só vida. E vida, a gente sabe, é uma droga. Mas é vida.&lt;br /&gt;Cigarro.&lt;br /&gt;Voltei para os filtros vermelhos. Sei que estou morrendo aos poucos, mas a idéia de poluir meu pulmão é satisfatoriamente doentia, classificada como de baixo padrão diante das idéias verdadeiramente doentias que tenho. Gabriel se casou de novo, mas me visita toda semana, é sempre a mesma relação psicótica de amor e ódio. O melhor amigo também visita, bom sexo, sempre um bom sexo. Minha mãe foi pro interior, será que eu morro antes dela?&lt;br /&gt;Água.&lt;br /&gt;A Bia mora comigo e é até divertido, vê bem. Sempre tem um adolescente em fúria no quarto dela, vivo reclamando, vou denunciá-la por corrupção de menores, esses jovenzinhos a adoram. Um dia faço sexo a três, quem sabe?&lt;br /&gt;Preciso de um exorcista.&lt;br /&gt;[Ora, a culpa é do capeta mesmo].&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5025949625846962943?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5025949625846962943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5025949625846962943&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5025949625846962943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5025949625846962943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/10/catlogo-de-erros.html' title='Catálogo de erros'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8306267629041138734</id><published>2007-10-02T20:45:00.000-03:00</published><updated>2007-10-02T20:48:26.156-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Metatexto</title><content type='html'>“Ela tinha esse sorriso assim, que tomava qualquer coisa minha. Ela tinha esse cheiro assim, que ficava comigo por todo o dia, trazendo assim a lembrança dela em todos os meus momentos. Ela não parava de falar nunca, e sua voz era como um sopro em meus ouvidos tão necessitados dos sons dela. Ela era toda assim, era toda minha, e sendo toda minha eu era todo dela”.&lt;br /&gt;Não, não é um bom início. Um pouco menos de romance e um pouco mais de drama, talvez? Ah, detesto escrever.&lt;br /&gt;Não, não detesto escrever. O que eu detesto é essa cobrança, esse prazo estúpido, como se eu tivesse um conta-gotas de criatividade que pinga incessantemente, dia após dia. Hoje, por exemplo. Hoje começou ontem pra mim, porque ainda não dormi, feito idiota na frente desse computador, tentando iniciar um romance que eu devia ter terminado há uns dois meses. Já abri minha segunda carteira de cigarros, já ouvi Bob Dylan e nada da inspiração aparecer por aqui. Talvez tenha tirado férias, ou licença médica, talvez tenha enjoado da minha cara. Talvez seja um complô das editoras que me recusaram anteriormente, não é fácil transformar dois livros em best-sellers em apenas três anos.&lt;br /&gt;Ah, não posso dizer também que me orgulho de ser um boom editorial. Não era isso que eu queria. Queria só escrever. Porque isso sempre foi minha salvação, minha terapia particular, minha sessão de exorcismo com meus deuses e demônios. Cada letrinha no papel era um fantasma a menos. Era uma gota de sangue a menos. Agora é só o telefone que não pára e aquela mulher absurdamente insuportável perguntando quantas palavras já tenho escritas. E eu só queria falar do garoto que conhece a garota, se apaixona e casa e morre feliz, mas não pode falar disso, quem quer casar e morrer feliz? O universo é um saco.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo me sinto um hipócrita de primeira grandeza por reclamar tanto. Ora, minha obra está aí, qualquer um tem acesso a ela, baixe da internet se você quiser. Não, não era isso que eu queria. Então por quê? Por que causa, motivo, razão ou circunstância assinei aquele contrato megalomaníaco? Por que me dispus a ir de livraria em livraria desse país, com aquele uísque vagabundo, pra dar autógrafos pra milhares de pessoas que eu sei que não passariam da metade do livro? Eu sou uma farsa, um caso perdido, devia me envergonhar de envergonhar a classe dessa forma. Mas, olhando bem para meus companheiros escritores profissionais, somos todos parte da mesma latrina.&lt;br /&gt;Nossa, isso soou muito Bukowski.&lt;br /&gt;O telefone tocou sete vezes durante a madrugada. Sete. Dá pra acreditar nisso? Rosana, o ser humano maldito que merece tortura selvagem, querendo saber se já passei do 34º capítulo. A vontade que dá é dizer que ainda nem escrevi o epílogo, sequer tenho um título. A vontade que dá é ir até a editora e dizer que rasguem o contrato e façam uma fogueira numa noite fria, eu pago a rescisão, ou fico sem os lucros das próximas vendas, a vontade que dá é de voltar a ser um peso para minha mãe e para o Estado e escrever uma obra por dia, mas pra ficar guardada no porão, onde ninguém terá acesso e ninguém haverá de me cobrar por ela. Onde esteja a salvo inclusive das sanguessugas que tenho chamado de amigos.&lt;br /&gt;Dia desses tive que agüentar uma discussão acalorada no bar porque o Rubens se parecia muito com um dos meus personagens e o Fernando nunca esteve em uma linha dos meus escritos. Fiquei até feliz por isso, cheguei em casa e escrevi um texto enorme sobre aquele recalcado de merda. Mas aí o texto voltou da editora porque eu tinha usado a palavra “merda”, como se ninguém fizesse merda ou lesse merda ou comesse merda, como se o mundo não fosse uma merda. Ai, tão bom escrever merda merda merda. Odeio minha editora.&lt;br /&gt;Minha mãe não pode nem sonhar com isso, pobre mulher. Não me agüenta mais, está louca pra que eu vá embora da casa dela, agora que estou ganhando rios de dinheiro, talvez até mais do que o Paulo Coelho. Será que vou ter de fazer pactos demoníacos e aparecer na tevê também? Se assim for, peço demissão, não quero mais ser escritor profissional traduzido em 5.678 línguas, quero ser só o Miguel que bebe e joga pôquer e escreve umas besteiras aqui e acolá, de vez em quando, pra fingir que sabe fazer alguma coisa.&lt;br /&gt;Ranzinza. Ando muito ranzinza esses dias, a falta de inspiração me corrói. Bebi litros e litros de uísque essa semana e não saiu nada lível. Ah, essa maldita palavra nem existe, vê a que ponto cheguei? Era pra ser legível, mas escrevi lível, que coisa horrível, estou em decadência, sou um grande escritor em decadência, com dois livros publicados e tiragem que ultrapassa cinco milhões de cópias vendidas. Já estou em qual edição? 3ª, 4ª? De nada importa, não faz diferença, sou um escritorzinho de merda. Merda merda merda. E a desgraçada da Rosana volta a ligar, vou escrever um livro sobre uma revisora mal comida. Ah, não posso escrever coisas como essas, a editora não publica, tenho que fingir que sou o Machado de Assis. Com todo respeito a ele, claro, adoro. Mas prefiro ser Nelson Rodrigues, prefiro ser Bukowski, prefiro ser politicamente incorreto. Prefiro, mais uma vez, ser só o Miguel, um bêbado meio poético.&lt;br /&gt;Minha pequena Ana acordou. Vou preparar um café para ela, com margaridas e Roberto Carlos. Por Deus, como posso ser um bom escritor sendo desesperadamente brega assim?&lt;br /&gt;E esse texto, esse texto vou postar num blog. É isso. Vou criar um blog e postar todos os textos que contenham palavras e expressões como merda e mal comida. Os pseudo-intelectuais adoram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8306267629041138734?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8306267629041138734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8306267629041138734&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8306267629041138734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8306267629041138734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/10/metatexto.html' title='Metatexto'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-626625282386013423</id><published>2007-10-02T14:11:00.000-03:00</published><updated>2007-10-02T14:12:45.272-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Ponto final</title><content type='html'>Eu posso até me arrepender de estar te escrevendo, porque certas coisas são tão danosas que o simples fato de dedicarmos-lhes atenção já é uma coisa nociva ao nosso próprio bem-estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele dia eu te fiz a pergunta errada com o sentimento certo. A verdade é que eu não consigo racionalizar meus sentimentos com muita facilidade, ainda mais quando a necessidade de fazê-lo se manifesta assim, de maneira tão repentina. Como eu disse, eu não sei “jogar” de outra maneira, sou sincero e espontâneo, mesmo quando isso me prejudica por ter a necessidade de manifestar urgentemente o que eu sinto e esta urgência não me permite formular corretamente uma pergunta ou uma afirmação que defina meus sentimentos com clareza. A pergunta correta a ser feita domingo seria: “Por que pra você estou sempre em segundo plano?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta eu já tenho (na verdade eu sempre tenho essas respostas, nem sei por qual motivo ainda pergunto). A resposta é: porque eu mesmo deixo. Eu me entrego com facilidade, talvez por viver o passado. Eu revivo a paixão de nove anos atrás e me entrego àquela menina que eu conheci quando ela ainda tinha quinze anos, andava de skate e parecia estar começando a gostar de alguém pela primeira vez na vida, e esse alguém aparentemente era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando eu me entrego assim com facilidade, me torno cego para a pessoa que você se transformou nesse tempo, que eu não tenho direito algum de julgar, mas que eu desconheço quase completamente. Só conheço essa capacidade de aparecer de repente e causar estragos na minha cabeça e no meu coração. O mais hilário disso tudo é constatar que sou eu próprio que te outorgo esse direito, porque se você me faz tanto mal assim é pura e simplesmente porque eu mesmo deixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia lutar contra tudo e contra todos. Poderia propor que fossemos contra todas as adversidades porque é assim que um relacionamento de verdade cresce e se transforma em algo que muda as nossas vidas e nos marca para sempre, mas por que falar isso tudo se eu sei que seria uma batalha em vão? Eu estaria te propondo algo que você poderia aceitar racionalmente, mas que você nunca pensou em fazer de verdade com seu coração. Basta olhar para trás e ver a facilidade com que me largou sempre, sem nem mesmo se dar a oportunidade de experimentar algo que poderia ser diferente e transformador em sua vida, mas que você tem medo de viver. Eu imagino que é desta maneira que as coisas se passam aí dentro de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda procuro imaginar por qual motivo você às vezes me procura assim do nada, o que se passa na sua cabeça ou no seu coração: quando faz isso e também quando decide alçar vôo e me largar com um punhado de esperanças no coração e um monte de projetos na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo sincero, eu, atualmente, achava que estava imune a isso tudo, tendo em vista que há muito tempo esse tipo de coisa não me acontece de jeito nenhum, mesmo porque, como eu disse, não dou esse direito a ninguém, só me resta saber e entender porque ainda permito que especificamente você o faça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base em tudo o que eu já vivi, nos meus sentimentos e no atual contexto da minha vida, só me resta desejar novamente que você consiga achar o seu caminho, se concentrar naquilo que realmente te importa e te deixar um conselho muito importante: não deixe que os outros ditem a forma como você deve viver, ou o que deve fazer para ser feliz. É a terceira vez que você vai embora contra a sua vontade e por causa de outras pessoas (ou então você mente para mim quanto às suas razões).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu finalizo a carta pedindo a você que realmente não me procure mais, porque dessa vez o estrago foi grande. Maior até do que você pode imaginar, e como você foi a causa direta, nada mais certo do que te informar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nomes e sem datas. É melhor que seja assim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-626625282386013423?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/626625282386013423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=626625282386013423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/626625282386013423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/626625282386013423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/10/ponto-final.html' title='Ponto final'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3188994068406867309</id><published>2007-09-28T20:20:00.000-03:00</published><updated>2007-10-01T14:23:57.962-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Carta de agradecimento</title><content type='html'>Oi, Lisa, tudo bem? Desculpe-me o jeito assim, informal, de escrever, eu nunca fui muito de palavras e você sabe disso, assim como sabe que eu falo enquanto durmo, que eu gosto de leite com chocolate de manhã e assim como você sabe tudo mais que se possa saber a respeito de minha pessoa porque você, Lisa, você foi a única pessoa com quem eu convivi de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por você eu abandonei todos os meus vícios e manias, adqüiridos ao longo de vinte anos de solidão e isolamento. Você foi a única pessoa que pôs fim à minha misantropia. Depois que você entrou em minha vida tudo mudou. Graças a você aprendi a tratar decentemente as pessoas, independentemente de quem elas sejam ou do que elas tenham feito no passado, porque a vida começa sempre agora e sua única direção é o futuro. Sua alegria de viver mudou meu humor e os planos que você tinha para o futuro eram deslumbrantes e contagiantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisa, você realmente foi a pessoa que apareceu na minha vida para me tirar do lamaçal fétido em que eu vivia, sempre sufocado pelos meus rancores, pelos meus desgostos e preso pela minha falta de fé e de esperança em um futuro decente para mim, ou para qualquer ser vivo da espécie humana. Hoje vivo meus dias com grandes planos e procuro sempre concretizá-los, como aquela viagem à Inglaterra que eu sempre te falei. Os pubs londrinos são indescritíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje faz um ano que nos separamos, e eu só achei que eu devia isso a você. Eu aprendi tanto com você a respeito da vida e a respeito do que é viver que seria, no mínimo, falta de respeito se eu voltasse a ser o homem de outrora. Eu queria dizer também que eu ainda te amo, e muito. E que você não faz idéia da falta que me faz o seu sorriso, o seu cheiro, os cafunés que você me fazia de manhã, as suas ligações ao cair da tarde sempre me pedindo para levar alguma coisa diferente para o jantar. A sua ausência, a princípio, quase me levou à loucura, tanto que eu quase voltei a ser aquela criatura sorumbática de antes, mas me apeguei firmemente a tudo que aprendi com você, às nossas lembranças e à alegria de viver que você me ensinou. Não valia a pena voltar ao buraco negro onde eu me escondia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometo te escrever sempre, e te amar ainda mais com o passar dos anos, até o dia em que ela vier me buscar também. Aí então poderemos viver juntos novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3188994068406867309?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3188994068406867309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3188994068406867309&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3188994068406867309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3188994068406867309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/carta-de-agradecimento.html' title='Carta de agradecimento'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8981069523780062861</id><published>2007-09-27T18:30:00.001-03:00</published><updated>2007-09-27T20:15:47.180-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Pôr-do-sol</title><content type='html'>Ambos estávamos contemplando o pôr-do-sol na janela do meu apartamento. E após um longo tempo em silêncio ela diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe...&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- O melhor de tudo é que a gente se entende: e isso é o que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltou a contemplar o horizonte. Eu fiquei ali olhando aquele perfil dela, agora ainda mais maravilhoso por causa das luzes meio alaranjadas meio avermelhadas que davam a seu rosto traços ainda mais sensuais. Abracei-a, olhei para o horizonte e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso é porque a gente se ama: e isso basta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8981069523780062861?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8981069523780062861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8981069523780062861&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8981069523780062861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8981069523780062861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/pr-do-sol.html' title='Pôr-do-sol'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5350658639617439824</id><published>2007-09-27T18:30:00.000-03:00</published><updated>2007-09-27T18:32:41.146-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tragédias pessoais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Monólogo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sentimentalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Medo do inferno</title><content type='html'>E o que mais você poderia esperar de um cara como eu? Amor, esperança e confiabilidade? Sim, eu te garanto que eu também sou feito desse tipo de material, mas a verdade é que depois de tanto tempo tomando tapas na cara, a vida me moldou de uma maneira diferente. Eu já fui ao inferno algumas vezes, todas elas por causa de pessoas como você. O problema é que eu sempre volto diferente, muito diferente, e quando volto tem sempre outra escrota como você pronta pra me mandar pra lá de novo. Chega, cansei!!! Quem quiser conhecer o miolo agora vai ter que romper a casca, e ela é dura e fria, eu poderia até dizer, de maneira poética (ou dramática), que ela foi forjada no inferno. O mesmo inferno aonde você com certeza me jogaria. Essa minha atitude tem uma simples razão de ser: apesar de ter sido tantas vezes jogado lá por causa de criaturas como você, eu nunca percebo quando estou caindo. Eu te garanto que a gente só percebe que está no inferno quando é tarde demais. O coração gela, as lágrimas queimam e nosso rosto se distorce de maneira quase irreconhecível. Não, não ouse abrir a boca agora. Você me acusou de ser insensível, quem fala o que quer, ouve o que não quer. Você me acha insensível mas eu quero que perceba o quanto eu já sofri. Você acha realmente que eu estou disposto a sofrer de novo? Não, eu não sou insensível, no máximo posso ser acusado de ser medroso. Sim, confesso que sou um tremendo medroso, um borra-botas, caso prefira assim, mas o fato é que ninguém vai me jogar de volta naquele abismo medonho. Ninguém! Isso!!! Vá embora!!! É melhor pra você do que pra mim, aproveite e leve suas alianças. Adeus!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5350658639617439824?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5350658639617439824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5350658639617439824&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5350658639617439824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5350658639617439824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/medo-do-inferno.html' title='Medo do inferno'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2908028286046301228</id><published>2007-09-21T10:11:00.001-03:00</published><updated>2007-09-24T18:55:05.177-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>À beira da morte</title><content type='html'>- Essa porra dessa máscara deveria me ajuda a respirar.&lt;br /&gt;- Calma, Klaus... sua pressão não está boa.&lt;br /&gt;- Vá pro inferno, eu sou um velho doente. Pra quê perder seu tempo comigo?&lt;br /&gt;- É meu trabalho...&lt;br /&gt;- Você é ridícula, todos nós somos...&lt;br /&gt;- Olha, me deixa trabalhar em paz, por favor.&lt;br /&gt;- Está vendo, você não se importa comigo. Só se importa com seu trabalho de merda pra receber seu dinheiro de merda. Sua vendida...&lt;br /&gt;- Boa noite, Klaus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se despede apaga a luz e vai embora me deixando sozinho no apartamento. Agora eu só consigo ver as luzes dos aparelhos piscando. Cheio de tubos no corpo todo, eu sei que eu vou morrer em pouco tempo. E agora à beira da morte eu só consigo me lembrar de como foi a minha vida. Não me orgulho nem um pouco de nada que eu tenha feito, mas também não me envergonho, viver foi sacrificante para mim, assim como deveria ser para todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de quando eu era um adolescente cheio de ideais e planos para um mundo melhor. Eu desejava tornar o planeta um lugar que valesse esse desejo imbecil que todas as pessoas têm de se manter vivas. Eu sentia em mim a chama da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora deitado esperando a morte só consigo ver que aquele fogo todo que me impulsionava e ao mesmo tempo me consumia se extingüiu. Dizem que isso acontece porque o sistema te quebra no meio de um jeito ou de outro, pra mim o nome disso é envelhecer mesmo. Por quê se preocupar com o mundo e se fuder constantemente por pessoas que não vão nem mesmo saber quem você é, ou que nunca chegarão a ver o branco do seu olho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A síndrome do adolescente que quer salvar o mundo passa rápido, porque o mundo não quer ser salvo e no final todos nós acabamos nos tornando pessoas medíocres com objetivos de vida tão medíocres quanto os que nós criticávamos no auge da nossa adolescência utópica: somos todos patéticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2908028286046301228?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2908028286046301228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2908028286046301228&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2908028286046301228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2908028286046301228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/beira-da-morte.html' title='À beira da morte'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-307725493083848677</id><published>2007-09-21T10:11:00.000-03:00</published><updated>2007-09-21T10:15:07.788-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>Cotidiano</title><content type='html'>Junho. Para ser mais preciso, noite de junho, fria e solitária, como todos os anos anteriores. Sentado na poltrona enrolado em um cobertor, o maldito cachorro que não para de latir e de correr de um lado para o outro não me deixa pensar direito, acho que vou seguir o conselho do meu irmão e vou parar de dar café pra ele. Nem eu tomo o tanto de café que ele toma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendo um cigarro, e tento voltar a ler o livro. Gabriel Garcia Marquéz nunca foi meu predileto, mas é o único livro que sobrou pra ler. Já li e reli todos os outros, uns poucos que eu li uma única vez, diga-se de passagem os melhores, eu acabei emprestando e nunca mais recebi de volta. A verdade é que eu sou idiota o suficiente para continuar fazendo propaganda do que leio para as mesmas pessoas que nunca devolvem meus livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheiro de amêndoas estragadas: cianureto. Pronto, cheguei ao ponto do livro em que sempre paro, e é bem no começo. Como alguém pode ter cheirado cianureto, saber que tem cheiro de amêndoas estragadas e ainda assim continuar vivo pra falar pras pessoas que cianureto tem cheiro de amêndoas estragadas? Isso é coisa de gente doente, prefiro ler as esbórnias de Bukowski. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho o livro e vou à cozinha colocar mais café pro cachorro, ele ficou quieto de novo, tremendo e olhando para o canto da parede da sala. Aproveito e coloco uma xícara para mim também. Bebo metade e completo novamente com conhaque. Ah... isso que é vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone toca e eu atendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;- Klaus...&lt;br /&gt;- Eu.&lt;br /&gt;- É o Carlos.&lt;br /&gt;- Fala, viado...&lt;br /&gt;- Cara, é o seguinte, meu computador deu pau aqui em casa, e eu preciso dele pra falar com a Carolina. Ela tá me esperando na Internet pra gente conversar. Talvez eu vá a Brasília esse final de semana, preciso marcar um local pra vê-la.&lt;br /&gt;- Usa o telefone, filho-da-puta. Eu trabalho o dia inteiro com essa merda agüentando gente burra me perturbando e...&lt;br /&gt;- Eu comprei um Johnny Black.&lt;br /&gt;- Tô passando aí agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligo o telefone e calço meu coturno velho e surrado. O cachorro já tomou o café e voltou a correr. Ah... isso que é vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-307725493083848677?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/307725493083848677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=307725493083848677&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/307725493083848677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/307725493083848677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/cotidiano.html' title='Cotidiano'/><author><name>Paullus Nava</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18314220610792832715</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.geocities.com/shadow_the_darker/avatar_padrao.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8795240547317566425</id><published>2007-09-21T09:08:00.000-03:00</published><updated>2007-09-21T09:22:26.183-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Breve despedida</title><content type='html'>Amado, amigo, amante. Amado amigo amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já amanheceu aqui, nesta terra distante que é meu quarto. Nesse quarto vazio de ti. Já amanheceu e eu não durmo, por esperar esse amanhecer frio que me traz remotas lembranças de um tempo só teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanta força aqui, não vê? Há carinho e cuidado, há o sopro eterno do amor que lhe dedico assim, à distância, essa distância breve e avassaladora que impus para não te perder em definitivo. Há o perdão pelas palavras duras que disseste, sei o que te assola, conheço teus caminhos. Como haveria de não perdoar? Há dores imensas, ora, aceito a condição humana. Mas há um bem-querer de sempre, a ti e a mim. Há sempre fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenas magias, eu sempre disse, lembro-me com clareza. Sinto teu sorriso antigo como se fosse de ontem, por que te escondes? Sai desse canto obscuro, vem caminhar comigo em silêncio. Vem ver quanta vida tem lá fora e aqui dentro de mim. Não te prives de mim, é o que te peço em súplica rascante. Mas não me devaste o peito assim, sem reserva. Não te insurjas contra mim com o peito aberto à morte e a face aberta ao tapa. Não me venhas como animal sangrando de feridas velhas. Tampouco me julgues por buscar verdade na vastidão do meu coração. Sei a medida exata dele, aqui não há sobras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor meu, deixemos de nos lanhar por alguns pequenos instantes, para que a Divina Providência me mostre que não lutei por guerras vencidas, de tempos imemoriáveis. Para que eu saiba que meu prêmio de consolação não há de ser o desapego. Não, não estou a abandonar-te, nem a mim mesma, estou deixando em suspenso aquilo que me é mais caro, o tempo nosso, paro o tempo no tempo em que ainda temos um ao outro, antes que a chuva termine por levar de nós o que é só nosso, antes que deixemos de ser só um...inelutavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amado amigo amante...vou me deitar à sombra. Aceite essa breve despedida. Fecho as cortinas agora, mas deixo para ti uma fresta da minha alma. Deixo sobre o balcão a melhor parte de mim, com o aviso de sempre: manuseie com cuidado, existe vida aqui dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8795240547317566425?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8795240547317566425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8795240547317566425&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8795240547317566425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8795240547317566425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/breve-despedida.html' title='Breve despedida'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8892420352534460908</id><published>2007-09-19T19:31:00.000-03:00</published><updated>2007-09-19T19:41:58.132-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paullus'/><title type='text'>O bilhete</title><content type='html'>"Linda...Não tinha outras palavras para descrevê-la. Achava-a simplesmente linda... a perfeição do gênero feminino.Ele, estudante de medicina, admirava-a todos os dias enquanto percorria o caminho que o levava à Universidade. Ela, uma garota de família simples, estava sempre auxiliando a mãe nos afazeres domésticos. Sua casa ficava à beira da rua que o jovem estudante percorria todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo foi passando e o rapaz alimentando cada vez mais aquela paixão, até que decidiu, enfim, tentar uma investida. No entanto precisava, de alguma forma, certificar-se de que a moça não tinha nenhum pretendente oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanto passar em frente à casa, mesmo quando não havia necessidade, ele sabia qual a janela do seu quarto. Aguardando o anoitecer começou a percorrer o caminho sinuoso que levava à Universidade. Em uma curva, ao lado da pequena ruela adjacente à janela da moça, ele parou a charrete, temendo que o barulho dos cascos dos cavalos pudessem despertar a jovem amada ou, pior, a futura sogra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando, escondendo-se atrás de árvores e outros objetos comuns nas ruas da época, ele acabou aproximando-se da janela da moça e enfiou o bilhete por uma fresta da janela de seu quarto escuro. Logo após afastou-se rapidamente e retornou para a charrete, com medo de que o simples barulho do papel esfregando na madeira da janela desbotada e descascada da jovem pudesse acordá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bilhete:&lt;br /&gt;'Perdoe-me pela ousadia, mas não poderia deixar de expressar todo este amor tão puro e maravilhoso, que preenche o meu coração, simplesmente ao ver-te auxiliando tua mãe nos serviços do lar. Gostaria de apresentar-me, no entanto receio que já tenhas outro pretendente. Poderia deixar na tua janela esta noite um bilhete me dizendo se já és prometida a alguém?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite o jovem universitário não dormiu... no dia seguinte não foi à faculdade. Passou a noite e o dia pensando na mulher amada. Pensou em como se apresentaria à mãe da jovem, como seria seu casamento, pensou nos filhos; chegando até mesmo a batizá-los e imaginar a carreira de cada um. Sim, ele estava se deliciando com seu amor, que em breve deixaria de ser platônico... se tornaria real. Se concretizaria na carne e teria em seus filhos a representação viva de uma história de amor verdadeira, sublime, terna e amena, como todos os grandes verdadeiros amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já havia lido bastante a respeito, e imaginava para seu futuro todas as histórias de amor que já havia devorado na adolescência. Inútil... era assim que seus pais chamavam todas as histórias de amor que lia. Pois bem, ele lia muito mais do que apenas romances, ele lia a história da própria vida, e agora era a oportunidade de provar isso aos pais. Sim, nada se oporia ao seu caminho de felicidade!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao anoitecer, começou a preparar-se para receber a resposta da mulher amada. Imaginou-a esperando por ele na janela, com um sorriso lindo e olhos curiosos aguardando aquele que declarava a ela um grande amor. Perto da grande hora, quando o hoje está prestes a se tornar amanhã, ele decidiu ir receber a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repetiu o mesmo ritual da noite anterior. Não encontrando a jovem amada decepcionou-se, sua mente, obcecada pela idéia de ter a mulher amada à sua espera, quase o leva ao colapso. No entanto a ponta do papel estava visível na beira da janela. Subitamente uma onda de calor e alegria, palpitação e ofegância, um sorriso que insistia em permanecer no rosto; tudo ocorreu ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receoso de ler o bilhete ali, no local, voltou correndo à charrete e rumou para casa. Lá chegando, entrou correndo esbaforido para dentro de seu quarto. Jogou-se na cama de barriga pra baixo, um sorriso ardente em seu rosto; rapidamente retirou o bilhete do bolso e o abriu. Lá encontrou somente uma linha que dizia: VÁ TOMAR NO CÚ!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito por Paullus Castro em 12/05/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8892420352534460908?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8892420352534460908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8892420352534460908&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8892420352534460908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8892420352534460908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/o-bilhete.html' title='O bilhete'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-1817134996527498110</id><published>2007-09-10T01:28:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T01:35:07.535-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Retrato de família</title><content type='html'>Será que, se ele descobrir, há de me perdoar um dia? [gosto da idéia de começar a carta assim, parece-me um diálogo suspenso por um café, não por uma distância física assombrosa].&lt;br /&gt;Quero dizer, você bem sabe do que estou falando. Meu doce Caio viajou e seu irmão maldito, o vilão Eduardo, já tomou conta do travesseiro. Ah, como sou horrível. Bem sei o que você vai dizer, como a irmã indulgente e adorável que és, mas não há salvação para mim. Sou um caso perdido. Que outra razão há de haver? Quem mais arriscaria um casamento perfeito por um prazerzinho carnal frívolo e tolo? Com o irmão de seu marido? Isso se aceitaria se fosse Caio o vilão, se me deixasse feito nau à deriva. Mas não. Meu marido tem cheiro de tranqüilidade, e haveria de ser meu bastião de serenidade, se eu não fosse quem verdadeiramente sou.&lt;br /&gt;Vou tentar não me lamentar tanto. E definitivamente vou me concentrar em expulsar o vilão Eduardo da minha cama.&lt;br /&gt;Por aqui chove todos os dias, dá pra acreditar nisso? E começa sempre às quatro da manhã. O que nos dá um amanhecer cinzento e nada agradável.&lt;br /&gt;Minha cabeça pensa o que quer, coisa doentia. Pouco sono, muito café, muito cigarro. Se tudo der certo, morro antes que meu doce Caio descubra quem sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou indulgente e adorável coisa nenhuma. Com que direito você faz isso com o Caio, Marília? Em nome de Deus, você é louca e merece o inferno.&lt;br /&gt;Brincadeira.&lt;br /&gt;Sabe o que eu acho? Você, com essa sua vida de cinema, não vai se acostumar nunca à idéia de estar casada, independente do marido maravilhoso que você tem. E olha que sua vida nem é só rotina assim. Quantos lugares e pessoas você já conheceu desde que se casou com ele?&lt;br /&gt;Você ama seu marido. Pense nisso antes de enfiar o vilão Eduardo na sua cama, certo? Peço isso com especial carinho por Caio também. Não posso me privar de sentir o que sinto, mas se ele escolheu a ti, o mínimo que deves a mim é fazê-lo feliz.&lt;br /&gt;Mas não falemos disso.&lt;br /&gt;Por aqui as coisas vão bem, tudo dentro da normalidade. Passei o final de semana na praia com alguns amigos da redação, mas é muita loucura para o meu way of life. Tenho lido pouco, mas sem explicação de causa, é só preguiça mesmo. Volto a trabalhar na semana que vem, quem sabe revisar aquelas porcarias que esses jornalistas escrevem me estimule a procurar melhor leitura.&lt;br /&gt;Achei que não agüentava mais a faculdade. Agora tenho certeza que, mais um mês naquela redação, eu enlouqueço definitivamente.&lt;br /&gt;Mamãe te manda um beijo. Nada disse a ela sobre as tuas peripécias sexuais, papai não volta do interior nem tão cedo, algo de grandioso está para acontecer.&lt;br /&gt;E quanto a isso de morrer, eu conto ao Caio sobre você e Eduardo logo após o enterro. Pense nisso. Ódio em vida a gente resolve, talvez consiga absolvição. Agora ódio em morte eu não sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Arrepios.]&lt;br /&gt;Quão malvada você é! Mas eu bem entendi tua mensagem, sempre cifrada, coisa de escritor. Vocês são mesmo uns bestas.&lt;br /&gt;Você não sente, às vezes, que pregamos uma peça no destino [ou ele na gente] e talvez por isso as coisas todas sejam tão confusas? Digo, qualquer um que nos conheça pode afirmar, categoricamente, que vivemos uma a vida da outra. Você sempre foi o orgulho da família. Estudou a vida inteira, foi editora-chefa do jornal da faculdade e só amou um cara na vida (que por acaso é o meu marido). Mas quem é a casada-servidora-pública-classe-média sou eu. Eu me casei antes dos trinta, eu tenho o trabalho chato e eu comando a casa. Ironia. Absurda. Enquanto você passa finais de semana regados a álcool e drogas com os intelectuais interessantíssimos do jornal. E quantos livros você vai publicar? Quantas vidas de outras pessoas você vai forjar com teus personagens? E eu sempre achei que os escritores findam por morrerem sós, com um temível medo terrível e absurdo da morte em si. Mas não te assustes com isso. É a vida que eu sempre quis pra mim.&lt;br /&gt;Ah, eu definitivamente expulsei o vilão Eduardo da minha cama.&lt;br /&gt;Penso que há uma dor silenciosa em viver. Não sei bem o porquê, sequer encontro o contexto da afirmação. Mas penso isso sim. E sem dor, o que é curioso.&lt;br /&gt;Vai, Michele, viver tua vida empolgante. Vai enquanto eu descasco as batatas para o jantar.&lt;br /&gt;O doce Caio volta de viagem amanhã. Prometo que vou cuidar melhor da preciosidade que te tomei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cúpula da insanidade perpassou essa casa e causou um estrago que faria inveja a qualquer furacão da América Central. Nem o Papa tem poderes para exorcizar as gargalhadas que Satã tem dado às custas da nossa família.&lt;br /&gt;Papai voltou do interior e finalmente pediu o divórcio. Felicitações, bravos e tudo o mais, passamos os últimos dez anos esperando por isso. Mas a mamãe ainda tinha alguma esperança, pobre mulher. Quebrou a casa toda, atirou a prataria histórica na cabeça do pobre homem, que está a salvo em um hotel no centro. Não tem graça nenhuma nisso, e a dor silenciosa de viver grita histérica pela casa. Sei que não parece agradável, mas o que acha de uma visita?&lt;br /&gt;Quanto a tua última carta, pensei muito nela. Não quero sentir ódio ou inveja de ti, afinal você é minha irmã, e é a única que tenho. Mas não me faça acreditar que eu merecia a sua vida, seu marido, seu trabalho, sua casa. Talvez eu fosse mesmo a melhor opção para o Caio, mas o que fazer disso? Não vou tomá-lo de ti, ou esperar que você meta os pés pelas mãos. Há algo em ti que o encantou e não posso lutar com isso. E chego a crer que esse encantamento reside justamente no fato de sermos tão diferentes uma da outra. E seria justo, sensato e delicado da sua parte não me lembrar disso todo o tempo. Não vivo a vida que quero, mas certamente não quero a sua. Afinal, juventude de drogas e roquenrou, aliada à infidelidade com o cunhado não é lá meu estilo.&lt;br /&gt;Amo-te, Marília, sobremaneira. E Caio também. Reclama menos e valoriza mais, não deve ser assim tão difícil.&lt;br /&gt;Mamãe te espera, desesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Quanta hostilidade na tua última carta.&lt;br /&gt;__ Não começa, Marília. Ninguém aqui precisa do teu jogo.&lt;br /&gt;__ Eu sei. Desculpe.&lt;br /&gt;__ Já esteve com mamãe?&lt;br /&gt;__ Ah, sim. E não me sobra energia para mais nada. Quando você vai para Brasília?&lt;br /&gt;__ Não vou mais. Não posso deixá-la sozinha. É uma grande oportunidade, mas vou ter de esperar pela próxima.&lt;br /&gt;__ Vai tranqüila. Eu fico com ela.&lt;br /&gt;__ E Caio?&lt;br /&gt;__ Ah...acho que Caio não vai se importar se eu não voltar. Não depois da conversa que tivemos.&lt;br /&gt;__ E como devo entender isso?&lt;br /&gt;__ Da maneira correta. Meu casamento acabou.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;__ Até que demorou muito.&lt;br /&gt;__ Pro inferno, Michele. Vai pro inferno.&lt;br /&gt;__ Dá cá um abraço, criança. Não se morre dessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio não reconsiderou, o que eu já esperava. Agora a vilã Marília pensa em voltar à faculdade, passar um tempo com papai no interior e, quem sabe até, rever o vilão Eduardo. Deus sabe que tipo de resoluções sou capaz de tomar.&lt;br /&gt;Mamãe vai bem, acho que seis meses é tempo suficiente pra começar a aceitar certas coisas tão óbvias. Ela até faz piada com a situação, vê bem: uma divorciada com trinta anos de casamento e outra com três. Formamos uma boa dupla.&lt;br /&gt;Há tempos não recebemos suas cartas. Sei que Brasília te tira vida. Como se sente? Ainda respira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vilã Marília?&lt;br /&gt;[Risos gargalhantes].&lt;br /&gt;O trabalho me tira vida, mas é exatamente o que eu esperava. A cidade é linda e quente, gosto demais disso. Achei que fosse derreter sem praia, mas nem sinto falta.&lt;br /&gt;O vilão Eduardo está no exterior, não soube? Foi torrar a herança familiar na Europa. Pelo menos ele tem charme.&lt;br /&gt;E já que o assunto é família, o doce Caio vem à Brasília com certa freqüência. Parece-me bem, com saúde, trabalhando bastante. Mesmo sendo jornalista da concorrente, ainda conseguimos almoçar juntos sem maiores problemas de vez em quando.&lt;br /&gt;[Suspiro].&lt;br /&gt;Talvez nenhum de nós esteja pronto pra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que me vejo no centro de tudo. E não há ninguém ao redor.&lt;br /&gt;Papai se mudou em definitivo para o interior. Mamãe foi visitar parentes em Minas.&lt;br /&gt;Eu tinha um marido, que tomei de minha irmã, que está prestes a tomá-lo de volta.&lt;br /&gt;Eu tinha um amante, que a essa hora deve estar em meio a uma orgia com algumas francesinhas lascivas.&lt;br /&gt;Meus amigos dos tempos da faculdade sumiram, casaram, esqueceram...enfim.&lt;br /&gt;Vê bem, em carta anterior disse que meu sonho era morrer sozinha. Mas é difícil ter certeza disso agora, sozinha de fato. Não sei por que me mudei pra São Paulo, ela não me é acolhedora em nenhum sentido. Acho que volto pro Rio.&lt;br /&gt;Sei que existe dor em viver. Mas ela não silencia mais. Do contrário, grita enlouquecida pelas lacunas do peito.&lt;br /&gt;Ama o Caio como não amei, e o faz feliz como não o fiz. Eu sei que você pode isso. E sei que estamos todos prontos pra isso também.&lt;br /&gt;Preciso de gente por perto, Michele. Viver só comigo não é a melhor coisa do mundo.&lt;br /&gt;Ah, tia Mariana esteve por aqui dia desses, e fomos à igreja. Sou pouco religiosa. Vi logo que entrei lá. Não sabia da missa a metade. E não pense que dormi de babar. Ouvi tudo o que o padre disse. E tive de tomar um porre depois, pra ver se o desejo de morrer passava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Você disse certa vez que há uma dor silenciosa em viver. É possível que sim. Assim como é possível que haja um prazer inescrutável em sofrer. E penso, querendo estar errada, que você se apega a esse sofrer para que possa sentir essa dor, e concomitantemente, sentir sua própria vida jorrando pelos poros.&lt;br /&gt;Preciso dizer que isso é desnecessário, minha amada irmã? Preciso lembrar a ti que a vida é feita de escolhas, e a única coisa que há de nos restar dela é o usufruto da memória? Espero que não, afinal é o teu discurso, e odeio imaginar tanta inteligência perdida em meio a questionamentos vãos.&lt;br /&gt;Certo, ambas teríamos de concordar que tua vida não tem o céu azul de antes. Mas, apesar de me doer, tenho de dizer: você nublou seu céu. Lembre-se que a vida não faz escolhas por nós.&lt;br /&gt;Esqueça o vilão Eduardo, esqueça a paranóia da mamãe, esqueça a tentativa risível de papai de se tornar um eremita. Volte a se permitir, Marília. Viaje, conheça, conquiste. Depois esqueça, se assim lhe for conveniente. Mas não se prive. Não quero te ver assim engasgada, cara amiga.&lt;br /&gt;E quanto ao doce Caio, deixou um gosto amargo na boca. Preciso urgentemente variar meu paladar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que então Michele há de ser tia? E uma tia fantástica, suponho.&lt;br /&gt;Vilão Eduardo e eu chegamos há pouco de Paris, ele prepara o chá enquanto aqueço a água do banho no inverno londrino. Pois que há muito charme nisso, vê bem: quantas pessoas atravessam o oceano para recuperar um amor que se julgava perdido? Quem recomeça uma história de amor em Paris? Digo recomeçar com uma energia nova no peito, pois já havia um romance. Era só o alvo errado para a pessoa errada. E agradeço a ti e ao doce Caio por isso.&lt;br /&gt;O adorado Eduardo (vê? Até rima!) te manda abraços calorosos. Esteja certa, nossos dias de vilania estão prestes a findar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Pois que há magia em viver. Agradável certeza.&lt;br /&gt;Publico meu livro em dois meses, então volto à casa maternal. Caio não vem mesmo, e nada mais me dói. Aceito a condição. Certa feita você disse que escritores findam por morrerem sozinhos, com medo da morte.&lt;br /&gt;Não é isso. É amor à vida.&lt;br /&gt;Tanto clichê. Quando foi que nos tornamos assim?&lt;br /&gt;Bem, que assim seja. Há uma motivação nova em cada respirar do universo, por isso abro as janelas em par todas as manhãs.&lt;br /&gt;Vai, Marília, viver tua vida empolgante. Pode deixar que eu passo o café.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-1817134996527498110?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/1817134996527498110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=1817134996527498110&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1817134996527498110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/1817134996527498110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/retrato-de-famlia.html' title='Retrato de família'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5728774744182898048</id><published>2007-09-06T15:27:00.000-03:00</published><updated>2007-09-06T15:29:33.635-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>"Eu fico triste quando chega o carnaval"</title><content type='html'>Achei num baú antigo&lt;br /&gt;Uma pilha de fantasias de outrora&lt;br /&gt;De carnavais imemoriáveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas elas tinham o cheiro de lembrança&lt;br /&gt;Da mesma quarta-feira de cinzas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5728774744182898048?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5728774744182898048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5728774744182898048&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5728774744182898048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5728774744182898048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/09/eu-fico-triste-quando-chega-o-carnaval.html' title='&quot;Eu fico triste quando chega o carnaval&quot;'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-7087766692932766735</id><published>2007-08-30T17:58:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T18:01:01.185-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Carta a um destinatário vencido</title><content type='html'>Estava a pensar em você, no que ficou e no que nunca existiu. No que eu mais quis e acabei perdendo. Em tudo que ainda dói. Naquilo que ainda amo.&lt;br /&gt;Amo tua respiração. Quente e pausada, como quem está em constante descanso do torpor vespertino. Como quem desperta do sono para sonhar acordado. O teu leve ressonar, calmo e perturbador.&lt;br /&gt;Amo tua presença, constante e verdadeira. Essa capacidade que tens de estar somente comigo mesmo quando não estamos a sós, ainda que estejamos infinitamente separados.&lt;br /&gt;Amo teu sorriso, meigo e fácil, sincero e carregado de mistério, sorriso que entrega e mente, de maneira simultânea, clara e sigilosa.&lt;br /&gt;Amo tua paixão. Paixão pela música, pelo cinema, por teus amigos, pela sombra verde. Paixão pela vida. Amo a paixão que um dia dedicaste a mim. Paixão por aquilo que tens e por tudo que desconhece. Paixão por aquilo que entregas a outras pessoas, pela cor verde que nos é comum.&lt;br /&gt;Amo teu ombro reconfortante, que afaga meus temores e afasta meus medos, que recebe minhas lágrimas e me encoraja a sorrir. Que embala meu sono e me abriga de cada perturbação noturna.&lt;br /&gt;Amo teu cheiro. Teu cheiro de homem quando me ama, teu cheiro suave após o banho, o cheiro do teu cabelo molhado, da tua pele quente nas noites frias.&lt;br /&gt;Amo teus sons. Pequenos pontos de identificação, que me fazem reconhecê-lo ainda que à distância. Seus sons adormecidos, suas canções mais caras, suas batidas ritmadas no instrumento característico. O som que você produz quando está de chinelos, com seu andar pesado e concomitantemente displicente. Os sons que você produz na intimidade. Na nossa intimidade. Sua voz grave e melodiosa, como uma nota triste de um baixo num blues melancólico.&lt;br /&gt;Amo tua lembrança, nas horas insones, nas noites frias, nas tardes entorpecidas, nas manhãs que caprichosamente adormecem. Tua lembrança em momentos fugidios, em memórias esquecidas, em tudo que ainda dói porque não existe mais. Tua lembrança quando a saudade martiriza e os ungüentos e alquimias não estancam o sangramento. Quando mais nada parece dar certo, eu amo sua lembrança. Quando meus desejos são negados, eu amo essa lembrança. Cada dia de paixão nova me faz amar as velhas recordações.&lt;br /&gt;O que amo em ti é a ti mesmo, em suma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito em 2005.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-7087766692932766735?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/7087766692932766735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=7087766692932766735&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7087766692932766735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7087766692932766735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/carta-um-destinatrio-vencido.html' title='Carta a um destinatário vencido'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-3452709774159960561</id><published>2007-08-26T23:44:00.000-03:00</published><updated>2007-08-26T23:46:21.041-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Romance</title><content type='html'>Ela, a romancista, se encheu de arroubos românticos. Ela, que não usava apelidos carinhosos, que não gostava de ser abraçada, que não via futuro numa relação entre ela e qualquer outro ser vivente, se encheu de arroubos românticos. Encheu a casa de flores, cantou música brega em voz alta, ligou para a melhor amiga e narrou o acontecido como quem narra um conto de fadas, como se ela estivesse a falar das páginas de seu mais novo romance. Mas não era um romance literário, fictício. Era um romance real, impregnado de poesia e verdade. Ela, a romancista, se apaixonou por um cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu a ele o nome de seu último namorado, aquele ser maldito que merecia tortura selvagem. Comprou casinha, comprou almofada, coleira com pingente, gravou o nome dele no pingente e saiu pra passear no domingo. Parecia a mulher mais feliz e bem-amada da face da terra, ao lado do seu cachorro, o ser vivente mais feliz e bem-amado, que tinha encontrado sua outra parte no mundo. Viveram em lua-de-mel por onze anos, até que ele faleceu de velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, a romancista, perdeu a inspiração. Perdeu o prazo da editora. Perdeu o prazer pela vida. Encheu a cara no bar, brigou com o cara da sinuca e acabou fazendo sexo no banheiro com um dos garçons. Ela, a romancista, não queria mais escrever. Até que se apaixonou pelo garçom. Ela conseguiu voltar a escrever, recuperou o prazo na editora e continuou ganhando rios de dinheiro narrando romances. Viveram uma história de sexo, loucura e bebedeiras por longos cinco anos, até que ela foi trocada por uma gerente de um restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, a romancista, perdeu a inspiração de novo. Estava sem editora, estava sem amor, estava sem sexo há duas semanas. Ela, a romancista, decidiu que não dava pra viver assim. Foi até uma sex shop e comprou um consolo, alguns pornôs e chamou as amigas para uma girls night. Beberam champagne, deram risada e a romancista acabou ficando com a amiga lésbica de uma de suas amigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não se apaixonou. Foi uma noite e nada mais. Porém, a amiga lésbica de uma de suas amigas deu a ela a idéia de escrever uma autobiografia, mas em nome de outra pessoa, e depois dar escândalo dizendo que a tal biografia não era autorizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, a romancista, escreveu a autobiografia, registrou com um pseudônimo, foi aos jornais, deu escândalo e o livro vendeu feito água no deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, a romancista, estava podre de rica. E decidiu parar de escrever. Foi viver no mato, plantando pimenta, como dizia a música. Apaixonou-se pelo caseiro, tiveram três filhos e ela, a romancista, foi feliz pra sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-3452709774159960561?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/3452709774159960561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=3452709774159960561&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3452709774159960561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/3452709774159960561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/romance.html' title='Romance'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5277696232982193747</id><published>2007-08-23T14:50:00.000-03:00</published><updated>2007-08-23T14:53:42.476-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Da janela</title><content type='html'>O menino não saía mais de perto da janela nova do quarto novo da casa nova. De lá, ele conseguia ver toda a rua, algumas árvores, a molecada correndo atrás de bola. Ele não podia brincar na rua, por isso se dependurava no parapeito com gosto, até podia sentir o suor da brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empregada vinha lá da cozinha gritando: "Menino, sai dessa janela! Qualquer dia desses você cai de coco no chão e vai ficar rachado pra sempre!". Ele dava uma gargalhada gostosa, gostava do jeito dela falar, embora não entendesse às vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achava muito chato ter cinco anos e ser filho único. Seus pais trabalhavam o dia inteiro, não queriam jogar bola, ou videogame ou fazer algo legal, pra variar. Queriam, ao chegar, tomar banho, jantar, assistir aos jornais noturnos e finalmente descansar. Ele passava o dia com a empregada, e às vezes achava que gostava mais dela que da mamãe. Depois desachava, rapidinho, pra mamãe não se chatear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquele dia, ele estava bem entediado. Não havia meninos na rua, nem carros passando, nem passarinhos cantando nem nada acontecendo. Ele ousou sentar no parapeito pela primeira vez, e não sentiu medo algum, pelo contrário, só uma vontade imensa de voar. Sabia que meninos não voam, só homens feitos, e que ia demorar muito pra ele poder usar a cueca por cima das calças, mas sentiu aquela coisa crescendo dentro dele, tão forte, que quase não resistiu. Fez pose de decolagem, som de avião, mas não saiu do lugar. Ficou em pé, olhando a rua vazia de vida. Olhou para baixo, viu o chão nem tão perto nem tão longe, achou que uma queda dali não machucaria tanto, só o braço, daí ele não iria à escola, ficaria com a empregada o dia todo tomando sorvete e recebendo cafuné. Era tentador, mas mamãe não ia gostar nada dessa peripécia, melhor deixar a vida como estava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro de mamãe dobrou a esquina à direita. O de papai, a esquina à esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele os viu, começou a pular, a gritar, queria que o vissem, como já era grande e crescido, já poderia brincar com os meninos de bola na rua, não precisaria mais, nunca mais, ficar preso. Não entendeu porque mamãe ficou tão assustada, ou porque papai acelerou o carro. Parou de pular um instante, olhando para mamãe, preocupado. Nunca tinha percebido o quanto mamãe era jovem e bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empregada, quando viu, gritou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino, quando ouviu, se assustou. E caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No chão, ainda com um restinho de vida, ouviu papai frear o carro e vir correndo na sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__Filho! Fala com o pai, filho! Tá tudo bem, filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sentia dor. Não sentia medo. Não sentia os braços. Sentia apenas que o vôo tinha sido lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Nada, pai. Foi só o mundo que girou depressa demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5277696232982193747?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5277696232982193747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5277696232982193747&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5277696232982193747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5277696232982193747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/da-janela.html' title='Da janela'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-7475698735820269330</id><published>2007-08-20T17:03:00.000-03:00</published><updated>2007-08-20T17:25:33.548-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Profiteroles</title><content type='html'>eu estava deitada na cama comendo pizza adormecida, bebendo coca sem gás e vendo um programa muito ruim de comédia. sábado, eu completamente abandonada. só conseguia pensar em como a diversão dos meus amigos podia dar errado e eles podiam ir pra casa cedo e ficar assistindo ao mesmo programa que eu, mas sem a pizza e sem a coca. pensei em pedir uns profiteroles por telefone, mas não sei de nenhum lugar aqui nesse fim de mundo que entregue profiteroles. aliás, não sei de lugar nenhum que venda profiteroles. o que é uma pena, profiteroles for life. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fiquei lá na minha cama e por lá fui ficando. pensei um monte de besteira, pensei em gente morta, pensei em matar gente, cortar meu cabelo, levar o carro na oficina pra fazer aquela revisão dos vinte mil que eu devia ter feito quando ele tava nos trinta mil, enfim. pensei. e pensei nele também, aquele ser humano todo grande, de mãos imensas que pegam em mim toda de uma só vez. pensei na última vez que ele teve por aqui, me trouxe uns profiteroles e a gente fez sexo selvagem e lambuzado e ele com aquela língua imensa e as mãos imensas e ele todo imenso. ah. ele tinha sumido, tava com a namorada, pensei na namorada e só de pensar já me sentir pior, então preferi não pensar. fingi dar uma gargalhada de uma piada deveras sem-graça, comédia de sábado à noite, você sabe bem como é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele me ligou. deixei o telefone tocar umas quatro, cinco vezes. achei que ele fosse desistir, mas ele não desistiu, ele devia ter desistido de mim já fazia uns cinco anos, mas ele continuava. se ele tivesse desistido eu também desistia. resolvi atender. ele falou umas sessenta palavras em média, das quais filtrei cinco que eram realmente importantes: quero teu cheiro, porra. saudade. eu respondi: ié, babe - que é tudo que ando dizendo por agora. ele riu e falou mais umas setenta palavras sem profundidade alguma, das quais filtrei apenas as últimas: tou indo pra tua casa. antes de desligar, falei: me traz uns profiteroles. ele riu e disse: te levo outra coisa, babe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;joga pizza fora, coca sem gás pelo ralo da pia, toma banho e de repente, não mais que de repente, o sábado sem-graça se enche de glamour. ele vem. borrifa perfume no travesseiro, senta e ri feito idiota, se olha no espelho: tu não é mais adolescente, porra. controla o batimento cardíaco, não dê tão na cara, ele vai perceber. que perceba, foda-se. calcinha sexy rasgada, oh dog, a vida é ingrata e cruel. calcinha branca de algodão, ele gosta, ele gosta de mim toda e de tudo em mim. e o carro para na frente da casa e eu abro a porta de calcinha e blusa de alcinha e ele vem me comendo toda e a gente faz sexo no corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sexo no corredor for life. esqueçam os profiteroles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-7475698735820269330?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/7475698735820269330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=7475698735820269330&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7475698735820269330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/7475698735820269330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/profiteroles.html' title='Profiteroles'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8029502851858698746</id><published>2007-08-19T13:53:00.000-03:00</published><updated>2007-08-19T13:55:33.797-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>_ que bonitinho! ele chamou ela de meu bem!&lt;br /&gt;_ (cara de dúvida)&lt;br /&gt;_ tu viu, meu bem, ele chamou ela de meu bem... que bonitinho!&lt;br /&gt;_eu não chamei ela de meu bem! que história é essa de meu bem!&lt;br /&gt;_ eu também era assim "que porra é essa de meu bem"... até conhecer ela (aponta) agora ela é meu bem.&lt;br /&gt;_ (orgulhosa, feliz e bem-amada!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-8029502851858698746?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/8029502851858698746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=8029502851858698746&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8029502851858698746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/8029502851858698746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/que-bonitinho-ele-chamou-ela-de-meu-bem.html' title=''/><author><name>hires héglan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17415775622982647030</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_WOyBd4_B3YI/SXSy11rbZHI/AAAAAAAAANo/QHPlgz1itug/S220/15-08-06_1627.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-2826646297648004265</id><published>2007-08-18T00:25:00.001-03:00</published><updated>2007-08-18T00:26:13.832-03:00</updated><title type='text'>a drummond</title><content type='html'>nasce de novo gauche que de gente sem graça o mundo tá cheio!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-2826646297648004265?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/2826646297648004265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=2826646297648004265&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2826646297648004265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/2826646297648004265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/drummond.html' title='a drummond'/><author><name>hires héglan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17415775622982647030</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_WOyBd4_B3YI/SXSy11rbZHI/AAAAAAAAANo/QHPlgz1itug/S220/15-08-06_1627.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-9024466019926745828</id><published>2007-08-18T00:19:00.000-03:00</published><updated>2007-08-18T00:23:18.995-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>quase sem pensar, ela foi lá, se entupiu de chocolate, cerveja, brigadeiro, sorevte com calda quente e de choro e mágoa. ela se entupiu sem pensar duas vezes. chorou bêbada, cheia, solitária, magoada, feliz, satisfeito e muito, mas muito mesmo, gulosa. chorou até pelo chocolate que acabou, pelo grito que não deu, pela ex dele que reapareceu e pelas celulites que teria ganhado com aquelas mil barras de chocolate, as trocentasevinteecinco latinhas de cerveja, pelos três litros de leite condensado usados no brigadeiro e pelos 495,89 potes de sorvete. depois, levantou, lavou o rosto e recomeçou sua mágoa... a começar por comprar mais cerveja e chocolate pra apaziguar a dor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-9024466019926745828?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/9024466019926745828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=9024466019926745828&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/9024466019926745828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/9024466019926745828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/quase-sem-pensar-ela-foi-l-se-entupiu.html' title=''/><author><name>hires héglan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17415775622982647030</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_WOyBd4_B3YI/SXSy11rbZHI/AAAAAAAAANo/QHPlgz1itug/S220/15-08-06_1627.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-5509244656494801957</id><published>2007-08-17T15:00:00.000-03:00</published><updated>2007-08-17T15:05:11.412-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Canção desesperada</title><content type='html'>__ Você tem esse costume bobo de fazer sempre as mesmas perguntas...já te disse o quanto isso me irrita.&lt;br /&gt;__ Se eu faço sempre as mesmas perguntas é porque você nunca as responde. É tão simples, Nina. Basta dizer sim ou não.&lt;br /&gt;__ Por que você faz essas coisas comigo, Breno? Você não confia mesmo em mim. Não posso ficar com alguém assim.&lt;br /&gt;__ Nina, seja razoável, não temos mais treze anos. Pelo contrário, estamos juntos há treze anos. Responda, apenas responda.&lt;br /&gt;__ O que você quer ouvir? É só me dizer que eu respondo. Quer um sim? Um não? Pedidos de desculpas? Faça-me o favor, Breno! Sabe o que falta? Falta você chegar com um formulário esperando que eu o preencha com a boa-vontade suprema que carrego. Seja você razoável. Não sou uma menina.&lt;br /&gt;__ Então façamos o seguinte: eu saio, ordeno meus pensamentos, estabeleço minhas prioridades. Enquanto isso você fica aqui pensando no que realmente vale a pena pra você. Quando eu voltar sentaremos naquele sofá e juntos, eu espero, solucionaremos esse impasse.&lt;br /&gt;__ Aumenta o volume do som quando estiver saindo, se possível.&lt;br /&gt;__ Algo mais?&lt;br /&gt;__ Não seja idiota o tempo todo, Breno. Isso vai acabar conosco.&lt;br /&gt;__ Tentarei arduamente. Mas não prometo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem canções tristes como teus olhos outonais, e de tempos em tempos me lembro do cheiro do teu cabelo molhado. Existem canções melancólicas como todos os rompimentos do mundo, canções silenciosas como o silêncio imponderável do escuro. E por mais que eu saiba que existem canções alegres como o latir do cão cujo dono chega a casa, por algum desses inexplicáveis motivos não consigo me lembrar delas. Assim como não me lembro do teu sorriso meigo e fácil, das tuas mãos brancas de pianista, do relevo sedutor do teu seio. Quem é você que vejo diante de mim? Não te conheço, chego a crer que nunca te conheci, porque só me lembro dos gritos incompreensíveis, das palavras proferidas com tanta maldade por tua boca, boca essa que beijei mas já não lembro o gosto. Em que parte do mundo você está que não alcanço mais? Quem desfez o desenho do seu rosto não teve piedade para comigo. Da estação escura e fira que você partiu só me resta uma lembrança, mórbida e dolorosa, que volta em relances sombrios diante do meu rosto. Eu sei, é só o que sei. Existem canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ O que você espera de mim, sinceramente?&lt;br /&gt;__ Nada mais, Nina. Sinceramente.&lt;br /&gt;__ Então qual o porquê dessa carta?&lt;br /&gt;__ É apenas isso. Uma carta. Letras que, estando juntas, formam palavras. Que, por sua vez, estando juntas, formam frases e, consequentemente...&lt;br /&gt;__ Eu entendi! Por que você insiste nisso, Breno? Por que tenta arbitrariamente resolver as coisas do seu jeito, me machucando sempre?&lt;br /&gt;__ Como você pode estar machucada, Nina? É apenas uma carta. São pensamentos meus, coisas que me vêm, que apenas escrevi por se tratar de um exercício. Sequer achei que você fosse lê-la.&lt;br /&gt;__ Então ia guardar tudo, como um cão covarde?&lt;br /&gt;__ Não vou discutir com você.&lt;br /&gt;__ Típico. Você vem, desestabiliza tudo e tão simplesmente foge! Por que ainda me impressiono com você, Breno? O ser mais lugar-comum que eu conheço.&lt;br /&gt;__ Vou ao cinema. Desculpe dizer, mas talvez eu não volte.&lt;br /&gt;__ Por quê?&lt;br /&gt;__ Você discutiria um filme iraniano comigo?&lt;br /&gt;__ Está claro que não.&lt;br /&gt;__ Isso responde a questão. Venho amanhã à tarde buscar o que me restou dos livros e CD’s que não te interessaram e deixo as chaves com o porteiro.&lt;br /&gt;__ Breno, não faz isso...&lt;br /&gt;__ Olhando pra sua estante, vejo que pouco de mim interessou a você. Nem mesmo meus Aurelianos. Bem, o que se há de fazer, não é? Enfim, existem canções.&lt;br /&gt;__ Você consegue ser patético às vezes, amável quase nunca, apaixonante quase sempre e idiota a maior parte do tempo. Acho que já te disse isso, não?&lt;br /&gt;__ Disse. Todos os dias.&lt;br /&gt;__ Eu gosto muito de você, Breno.&lt;br /&gt;__ Preciso realmente ir. Tenho pressa.&lt;br /&gt;__ Por quê?&lt;br /&gt;__ Apesar do calor, acho que vai chover. Eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Pensei muito sobre ontem, Breno. Sabe, os Aurelianos. Tentei ler Cem Anos de Solidão, mas não sabia quem era filho de quem, nem conseguia entender aquelas mulheres...e o calor insano que emana do livro?&lt;br /&gt;__ ?&lt;br /&gt;__ Fala alguma coisa, faça valer o custo dessa ligação! Não posso amar todas as coisas que você ama, porque tenho minhas coisas para amar.&lt;br /&gt;__ ?&lt;br /&gt;__ Espere, eu sei o que você vai dizer, vai dizer que sempre há aquilo que nos é comum e nos cabe amar e alimentar. Mas...&lt;br /&gt;__ Jamais diria isso, Nina. Diria apenas que é lamentável você não ter percebido que não era necessário amar aquilo que é meu. Bastava amar a mim. Simples assim. A mim, ao menos, é o que bastaria. Não se engane julgando que eu te esqueci, não me seria possível e talvez eu não o queira. Porém, tempo esgotado. Descobri que existe vida fora do mundo mágico que a Nina criou com suas mãos brancas de pianista, e eu quero viver agora.&lt;br /&gt;__ Você me deixou, Breno.&lt;br /&gt;__ Existe uma canção que fala sobre isso, mas não me lembro a letra...só me vem a melodia na cabeça. Sabe aquele vento frio que corta e deixa o rosto vermelho? É isso que essa canção faz.&lt;br /&gt;__ Que história é essa de “existem canções”? Quando você vai voltar pra casa?&lt;br /&gt;__ Eu não vou voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Quer saber o que eu acho? Acho que você está em casa e não quer me atender. Pois bem, converso com essa maldita secretária eletrônica! Posso ouvir o eco dos seus passos, aposto quanto você quiser que seu apartamento está vazio, você sequer comprou um sofá. Deixe-me ver...no seu quarto tem um colchão bagunçado, CD’s espalhados, o aparelho de som ligado e fora de sintonia...o telefone, que você não atende há coisa de um mês. Ia me esquecendo do maço de cigarros amassado perto do isqueiro prata que eu te dei, e você acendia na perna. Parei de fumar Marlboro, eu te contei? Estou parando aos poucos, semana que vem devo estar no Free Ultra Lights, você logo vai entender. Atende, Breno! Ai, isso é tão angustiante! Sua cozinha deve estar uma zona, você sobrevivendo de lasanha congelada e miojo. Aposto que anda se entupindo de Coca, o maldito líquido negro. Breno...é sério, é realmente importante. Você vai ficar feliz, eu sei. Não precisa voltar pra mim, basta ficar feliz. Talvez até você me perdoe, nunca se sabe. Olha, não vou continuar a conversar com essa secretária. Vou dizer logo de uma vez, aí você me procura e a gente conversa, tá? Breno? Breno! Droga...tá bem, vou dizer: eu menti. Não fiz aborto nenhum. Continuo grávida do nosso Aureliano. Você ouviu? Continuo grávida. Eu amo você. Amo nosso filho. Ah, li Cem Anos de Solidão nesses últimos dois meses. Acho que agora entendo algumas coisas, e até sinto o calor de Macondo invadir meu quarto. Nosso quarto. Breno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ O que eu faço agora, Nina?&lt;br /&gt;__ Você engordou. Eu sempre acerto.&lt;br /&gt;__ Apenas responda. Há dois meses, quando eu saí do seu apartamento, você me garantiu ter feito o aborto. Lembra-se? Se me recordo bem, foi exatamente isso que me fez sair do seu apartamento, sair da sua vida. Eu achei que você tivesse mentido para mim quando daquela situação, mas agora não sei se você vem mentindo todo o tempo. Como hei de saber que você não mente agora?&lt;br /&gt;__ Eu tenho todos os exames lá em casa. Volta pra casa comigo, Breno. Não suporto os espaços vazios que você deixou.&lt;br /&gt;__ Por que tudo isso, Nina? Tive certeza que você fez o aborto, julguei inclusive que você o tivesse feito pra se afastar de mim. Como você vem agora dizer que continua grávida e, como se não bastasse, me pede que volte pra casa? Quem é você, Nina? Não é mais a mulher que amei.&lt;br /&gt;__ Eu não queria estar grávida. Você foi contra o aborto desde o começo, Breno.&lt;br /&gt;__ Isso é mais uma mentira, Nina. Sempre deixei claro que estava disposto a discutir isso, ter ou não ter filhos. Lembro-me que conversamos, meses atrás, e decidimos ter um filho. Espero que você não tenha esquecido isso também. Você engravidou, conversamos, decidimos ter o filho, duas semanas depois você me diz que abortou, para dois meses depois dizer que não, não abortou. Só falta eu esperar que dois anos se passem pra que você me diga que esse filho não é meu. Perdão, Nina, mas não preciso passar por isso.&lt;br /&gt;__ Breno, procure entender. Quando eu engravidei passamos por aquela crise, eu quis terminar. Eu deixei de te amar. Você me obrigou a mentir, a ferir, porque eu sabia que se eu dissesse tudo aquilo você se machucaria e daí caberia a você pôr fim em tudo. Talvez eu tenha errado nisso, porque bastou você bater a porta pra que eu soubesse que nunca tinha deixado de te amar. Então, nesse sentido, só me coube dizer a verdade. E agora que você já sabe que menti, agora que te pedi perdão, não custa você considerar tudo isso e levar em conta o quanto eu te amo, o quanto ainda nos amamos. Sim, porque você ainda me ama, mesmo que diga para o resto da vida que não. Nos amamos, Breno, isso não basta? Você me disse, meses atrás, que amar você bastaria. Era mentira também?&lt;br /&gt;__ Não seja ridícula, Nina, nem aja comigo como se me tivesse em tuas mãos. As coisas mudam, talvez eu não te ame mais, talvez você nunca mais tenha certezas como as que eu te ofereci um dia. E, por mais que pareça, não se trata de vingança, eu não sou assim. Caso queria saber minha opinião, faça o que quiser da gravidez. Se decidir mantê-la, me avise. Vou tentar deixar de ser um idiota a maior parte do tempo e ser um bom pai. Caso contrário, boa sorte nos teus caminhos. Eu vou descansar.&lt;br /&gt;__ Você foge.&lt;br /&gt;__ Você me conhece, Nina, sabe que não é isso o que acontece. Sinto muito, mas eu me cansei. Não esperava por isso, não desejava isso, mas não consigo olhar para você sem ver teu rosto borrado, teus olhos frios, tua boca crispada. Não sei mais quem você é, Nina, e isso me dilacera, porque eu te amei sem medidas. Porém isso parece pertencer a um passado tão distante que não justifica reavivá-lo. Continuo a ter uma única lembrança, como disse naquela carta, e o correr dos dias faz com ela se torne cada vez menos nítida. Talvez por isso eu consiga agora me lembrar da canção que tocava baixo quando nos perdemos.&lt;br /&gt;__ Olha pra mim, Breno.&lt;br /&gt;__ Nos teus olhos não vejo nada, Nina! Por mais que você chore não consigo enxergar a verdade. Você chora por você, chora por temer ficar sozinha. E, sinto dizer, nada posso fazer com relação a isso.&lt;br /&gt;__ O que você vai fazer agora?&lt;br /&gt;__ Vou pra casa, antes que chova. Vou tomar um bom capuccino, fumar um cigarro e ouvir alguma canção que seja melancólica sem ser triste, nostálgica sem ser saudosista. Depois vou escrever. Já te disse que estou escrevendo um livro?&lt;br /&gt;__ Sobre o quê? &lt;br /&gt;__ Sobre alguém dentro de um espelho.&lt;br /&gt;__ Essa história já foi escrita por alguém.&lt;br /&gt;__ Minha história está sendo escrita por mim, Nina. Lembre-se disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Até quando você vai me ignorar, Breno? Estou precisando de você. O aborto foi complicado, eu sangrei horrores. Será que você não vê? Nem tudo aconteceu da forma que esperávamos, mas não podemos simplesmente negligenciar o que existiu. E existiu tanta coisa, você deixou tanta coisa...há determinadas canções que não posso ouvir sem lembrar de ti. Tenho Cem Anos de Solidão decorado, porque bebo das palavras que você amou um dia. Descobri que o Paul McCartney não é o grande monstro mercenário dos Beatles, porque não sei contar o número de vezes que você disse que ele era apenas um workaholic, louco por trabalho. Esse, aliás, excelente. Tenho verdadeira adoração pelo cinema iraniano, porque desde que ter perdi resolvi amar tuas paixões, como forma de recuperar você. Ah, Breno, só agora consigo vislumbrar o quanto eu te amo, o quanto você é belo. Só agora sei o que teus olhos verdes causam em mim, mesmo que sejam os olhos que vejo em um retrato. Não pode ser assim pra sempre, pode? Não faz sentido estarmos longe um do outro, porque somos o encaixe perfeito um do outro. Lembra daquela senhora parada na rua que disse que eu tinha encontrado minha outra parte no mundo? As coisas andam tão fora do lugar que voltei a fumar uns baseados, pra sarar a dor, e me imaginei conversando com você. Eu choro pouco, você sabe, mas tenho chorado em excesso, porque o Chico Buarque chora em “Trocando em miúdos”. E isso foi você quem me ensinou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Por que você não ouve os recados da secretária? Eu disse a você que estaria do teu lado quando do aborto, não posso ser tão vil. Perdão por te deixar passar por isso sozinha, sincero pedido de perdão. De resto, agradeço por perguntar se estou bem, espero que você assim esteja. Tenho feito muitas coisas, escrito como nunca, acho que vou publicar um livro. Projetos, Nina, tenho projetos. Comprei um aparelho DVD mas ainda não o desvendei por completo. As coisas estão mais simples agora que quatro meses sem você já correram, e consigo me lembrar do que dizem as canções que existem. Tenho, inclusive, ouvido canções alegres, sinto o pulsar delas na minha própria vivência. Estou em paz comigo e com tua lembrança. Talvez eu ainda te ame, mas já faz tanto tempo...me sinto à vontade na minha cama enorme e posso receber meus amigos nas poltronas verdes da minha sala. Existe uma canção que fala sobre isso, sobre a ausência que liberta. É assim que me sinto, e enquanto escrevo a história do homem no espelho posso ouvir minha voz capricorniana ascendente controlar meus impulsos escorpianos regentes. Não faço sexo há meses, isso é definitivamente engraçado, porque mesmo tendo me acostumado com seu corpo já não sinto falta dele. Sinto falta daquilo que não vivi por estar com você, por julgar que minha existência deveria estar na sua órbita. Não me maltrato por errar, não faço mais essas coisas. Continuo fumando Carlton, e é nos dias de chuva que sinto prazer em ler Budapeste. Ah, Nina, tão branca quanto Kriska...vou jogar o macarrão na tua parede, para que me expulses de tua vida. Existe uma canção que me é sempre recorrente, e me faz lembrar daquela tarde de outono que nos perdemos. Ouça Revolver, Nina, faça seu próprio sonho. Leia Chico Buarque e se martirize – como eu – porque aquele maldito consegue sempre escrever coisas bonitas. Vá a um festival de cinema mexicano, viva outros amores, busque novas paixões. Você é uma pessoa tão linda...sei que existe uma vida pulsante de libriana em teu peito, exploda tudo isso. Escreva um livro, OUÇA AS CANÇÕES. Seja feliz, Nina...&lt;br /&gt;Acho que vou fazer um café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Recebi sua carta. É triste.&lt;br /&gt;__ Pelo contrário. Escrevi-a de uma só vez e a encaro como irreparavelmente esperançosa. Julguei que fosse perceber isso.&lt;br /&gt;__ É uma esperança morta, não vê? Você deixa claro que é o fim. Breno, eu sei que errei, mas não aceito que sua mágoa possa ter apagado o que vivemos.&lt;br /&gt;__ Não é mágoa, Nina, é desprendimento. Nos machucamos muito, não tinha razão continuar. Aliás, existe uma canção...&lt;br /&gt;__ Chega! Não posso mais com isso de canções, o tempo todo, pra lá, pra cá, sem fim! Você me fez enlouquecer, Breno. Queimei o maldito livro, porque ouvia o choro do nosso filho morto, quebrei os CD’s porque sentia sua dor, emanando como sangue das suas canções. Não tenho projetos e uma carteira de Marlboro não me é suficiente para uma manhã. Existe outra pessoa em mim, que chora e se flagela, mesmo sabendo que não tem culpa. Você me fez matar nosso Aureliano, e pelas minhas contas ultrapassa o número de 20 deles que morreram. Não comprei um aparelho DVD porque não consigo assistir à televisão sem odiar tudo, não consigo acordar sem ter a certeza de que deveria continuar dormindo. Enfim, qual o porquê disso?&lt;br /&gt;__ Nina, não chora. Por mais que você grite e fume desesperadamente e bata com as mãos na mesa, quando te vejo chorar a quebra da imagem é tão brusca que me assusto e me perco.&lt;br /&gt;__ Por que você não me abraça mais? Por que não ignoramos quase cinco meses de distância execrável? Podemos nos amar loucamente, como antes, podemos ouvir Chico e ter nosso filho. Me deixa pegar na tua mão, coloca tua cabeça perto da minha...&lt;br /&gt;__ Nina, não...&lt;br /&gt;__ Vamos nos lembrar do gosto das nossas bocas, maliciosas línguas...a noite nos encobrirá, e quando você se der conta já será tarde demais, e você será meu para sempre, conforme o prometido.&lt;br /&gt;__ Você tem noção das coisas que fala e faz? Você se machuca sem perceber, e depois, levianamente, atribui a culpa a mim. Conheço teus joguinhos, Nina, porque já caí em todos eles.&lt;br /&gt;__ Eu odeio você. Odeio o que você faz.&lt;br /&gt;__ É justo. Me empresta o isqueiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Eu sou uma farsa, Nina. Acho que você conseguiu destruir tudo com teu discurso de que a culpa era minha. Não consigo fazer as coisas direito, não consigo estruturar meus pensamentos. Precisava falar com você. Eu sei que um ano é tempo considerável, mas eu precisava falar com você. Estou morto, Nina, porque senti tanto medo e tanta dor que escolhi me proteger de tudo que era externo a mim, ou seja, o mundo que não é meu. Julguei que assim, protegido, as coisas tristes e melancólicas que ouço nas canções não me aconteceriam, eu poderia simplesmente seguir. Mas como seguir, se a tua lembrança corrosiva me assustava todos os dias, e eu esperava que o mundo fosse fazer o mesmo comigo? Então eu criei um universo paralelo para mim, do qual somente eu fazia parte, e tuas mãos brancas de pianista tocavam uma canção fúnebre por todo o tempo. Sou amargo, estou vazio, frio e ainda temeroso. Meus projetos se perderam de maneira irrecuperável e a chuva molhou meus melhores sapatos. Não sei se é o certo a dizer, mas preciso fazê-lo, preciso expurgar tais elementos de meu peito: eu te amo, Nina, e talvez precise que você me salve. Preciso que você me cure com tuas mãos brancas de pianista, como se eu saísse em uma noite de inverno europeu vestido apenas de cueca samba-canção verde com ursos polares. Preciso de ti, Nina, para trazer de volta o sentido que havia no meu existir. Volta pra mim. Eu te perdôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Em noites alternadas eu acordo ouvindo uma criança chorar, e tenho e ligeira sensação de que esse choro vem do meu útero. Nas noites em que não ouço o choro, sonho com crianças monstruosas que me enchem de medo e impossibilitam o sono. Você me obrigou a odiar meu corpo, porque não fiz uma escolha, e de tempos em tempos vejo uma assassina no espelho. Você me privou de liberdade quando condenou minha existência à essa culpa mesquinha e talvez mais corrosiva que tua lembrança dolorosa. Queimei todos os livros em frente ao teu apartamento, quebrei todos os CD’s e agora só ouço o silêncio pausado e angustiante que só a ausência insubstituível é capaz de forjar. Desde que nos perdemos eu sigo por seguir, porque você soube como ninguém obscurecer meu caminho, e eu vejo nuvens sombrias de chuva mesmo nas tardes mais quentes de meus dias, tardes quentes como só as tardes quentes de Brasília. Por isso me assustei quando o correio mostrou tua carta, tão evidente em minha frente que parecia querer ser lida. Não posso voltar pra você, Breno, porque teu fantasma me persegue por todos os lugares, e você carrega nosso Aureliano morto nos braços. Já não te amo mais, porque consegui destruir esse sentimento infeliz que me trazia a esperança morta de um dia te ter de volta. E quando eu percebi que todas as pessoas tinham teu rosto frio e irritantemente ponderado, desisti de todas elas. Sigo sozinha, depois de ter jurado mentiras imperdoáveis a mim e ao mundo. As coisas estão fora do lugar e eu não consigo vislumbrar a forma de corrigi-las. Estou cansada de você, das lembranças, de mim mesma. Me sinto fraca por não ter podido me reestruturar e pensar em você como um garotinho mal-educado que merecia um bom castigo. Não há mais nada aqui, e o teu lado da cama continua bagunçado, como da última vez que você esteve nela. Não tenho ódio, sequer paixões, tenho o silêncio, o escuro, o vazio que oprime, o frio que condena. De toda sorte, sinto que você esteja mal e tenha, em algum momento, se julgado culpado pelo que aconteceu. Ainda que meu discurso tenha sido nessa direção, a interpretação é tão somente sua, porque é reflexo de quem você verdadeiramente é. Perdão, mas não posso voltar pra você, nem considerar digna tua proposta. Posso ter cometido erros, mas um ano de solidão me mostrou que os mesmos não mereciam tamanha condenação, e se isso não é justo não deve ser continuado. Parei de fumar, mas em compensação tomo café de dez em dez minutos, e meu estômago dói a noite inteira. A cortina do meu quarto quebrou e uma luz pisca incessantemente, me mantendo acordada a observar as formas difusas que se espalham pelo meu teto. Tive de jogar meus brincos fora, porque machucavam muito a minha orelha, fazendo com que o sangue acumulado dentro de mim escorresse por dois pequenos furos de meu corpo. Vejo borboletas verdes nos jardins que raramente visito, e me lembro dos teus olhos congelados no único retrato que não destruí. Tal souvenir foi tudo que me restou, e o Breno do retrato está sempre triste quando o vejo. Eu o vejo todo o tempo. Antes eu me perguntava se seria sempre assim, mas agora já não tenho força para questionamentos. Não busco nada, dia desses saí sem pagar a conta do supermercado, quase fui presa por coisa de R$7,90. E por mais que você diga que eu devo te salvar, você está condenado à mesma dor que eu, e não cabe a um salvar o outro. Existem canções que falam sobre isso, e já que você gosta tanto delas busque nelas tuas soluções.&lt;br /&gt;É tarde, preciso dormir. Acho que vou deixar a luz acesa, para que as crianças entendam que gostaria muito de brincar com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Breno? Breno, abre logo essa porta! Eu não vou bater a tarde inteira, está me ouvindo? Céus, o que estou fazendo aqui? Vamos, Breno, seja razoável, faz um ano que não nos falamos, eu vim aqui disposta a conversar. Eu sei que você está em casa, o porteiro me disse que você não sai há semanas, até o seu cigarro é ele quem vai comprar. Por favor, Breno, abre essa porta. Se você não abrir em dez minutos eu vou embora e...Espera...A porta está aberta? Ah, Breno, por que não me avisou? Breno? Que estranho...a porta aberta, Breno não responde...Que casa escura, você nunca abre essas janelas, Breno? Abafado, nossa, parece a casa de um morto...E essa cozinha? Que revolução passou por aqui? Você costumava ser mais organizado quando...bem, antes de tudo acontecer, não é? Quantas garrafas de uísque, você virou um alcoólatra...Bem, pelo menos o banheiro é limpo, disso você sempre fez questão...Breno? &lt;br /&gt;__ Aqui no quarto, Nina. É só seguir a música.&lt;br /&gt;__ Ótimo, agora estamos brincando de pique - esconde. E então? Estou esquentando?&lt;br /&gt;__ Não seja infantil. É a última porta à direita.&lt;br /&gt;__ Obrigada pela dica, você não perde a chance de ajudar ao próximo e...Céus, Breno! O que está acontecendo aqui?&lt;br /&gt;__ Oi, Nina...que bom que você voltou.&lt;br /&gt;__ Eu não voltei, Breno. Vamos conversar, eu vou voltar pra minha casa e vamos seguir com nossas vidas. Você está bem?&lt;br /&gt;__ Mais ou menos. Alguma dificuldade pra respirar, alguma dor no peito. Eu sinto sua falta, Nina.&lt;br /&gt;__ Por favor, Breno, não faz assim. Posso abrir as janelas? As cortinas? Não me admira que você não consiga respirar, esse quarto é tabaco puro.&lt;br /&gt;__ Você parou de fumar, não é? Que engraçado. Por favor, deixe as janelas e cortinas fechadas. Luzes e sons me incomodam sobremaneira.&lt;br /&gt;__ O porteiro me disse que você está trancafiado nesse apartamento há coisa de uma semana...O que está havendo?&lt;br /&gt;__ Nada. Só não tenho vontade de sair, aonde ir, com quem conversar...Nina!&lt;br /&gt;__ Que foi?&lt;br /&gt;__ Você está usando amarelo!!! Exatamente como na noite em que nos conhecemos! Eu sempre detestei amarelo...mas em você...não sei...não me incomodo tanto quando é você quem usa amarelo. Nada do que você faz me incomoda, Nina...Você lembra da noite em que nos conhecemos, na faculdade...Estávamos naquela reunião idiota quando você entrou e recitou Pessoa...tenho que confessar que não gostava muito de Pessoa até você entrar na minha vida...eu não gostava da minha vida até você entrar nela, porque... &lt;br /&gt;__ Breno? Nossa, que tosse horrível! Breno, você está doente, e só você não percebeu isso. O que é isso aqui, no travesseiro? Sangue? Meu Deus! Breno, você está tossindo sangue! Eu vou chamar alguém!&lt;br /&gt;__ Não, Nina, não é necessário, daqui a pouco isso passa...não vá embora de novo, Nina. Fique pra sempre! Exato, fique pra sempre! A gente pode ficar aqui o resto de nossas vidas, você toca piano pra mim e eu escrevo e a gente volta a ser feliz! &lt;br /&gt;__ Breno, você está tossindo muito sangue, eu preciso chamar alguém! Quer fazer o favor de me soltar?&lt;br /&gt;__ Nina! Por que você nunca tocou piano pra mim? Você tem mãos lindas de pianista, mas nunca tocou piano pra mim...&lt;br /&gt;__ Eu nunca fui pianista, Breno. Com licença, vou pedir ajuda.&lt;br /&gt;__ Não vá, Nina...fique e toque piano pra mim...eu fico em silêncio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Srta. Nina Alencar?&lt;br /&gt;__ Dispenso o srta. Como ele está, doutor?&lt;br /&gt;__ Bem, como todos sabemos, o caso do Breno é muito sério. Ele já devia estar em tratamento há muito tempo. Mas foi irresponsável e negligente, e essa combinação, aliada ao câncer de pulmão, não é nada boa. &lt;br /&gt;__ Câncer de pulmão?&lt;br /&gt;__ Por Deus, você não sabia? Mas ele fala tanto de você, achei que soubesse.&lt;br /&gt;__ Não, eu não sabia de nada. Nós não tínhamos contato há quase um ano...&lt;br /&gt;__ Nina, o Breno tem um câncer diagnosticado nos pulmões há mais de seis meses. Nesse período, em que devíamos estar em tratamento, ele se escondeu do mundo em seu apartamento, e até onde me consta dobrou a quantidade diária de cigarros. Ele está se matando aos poucos. Se ele tivesse seguido o tratamento desde o início, talvez pudéssemos fazer alguma coisa...mas agora não temos mais tempo. O Breno não tem mais tempo... &lt;br /&gt;__ Não, doutor. Eu não aceito isso. Vou conversar com ele, vou demovê-lo dessa idéia estúpida de não fazer o tratamento...ele vai se curar, doutor, eu tenho certeza...&lt;br /&gt;__ Então tente, Nina. Qualquer coisa que você fizer pelo Breno vai dar a ele mais tempo, eu tenho certeza.&lt;br /&gt;__ Eu só preciso de um pouco mais de tempo, doutor...tempo para aprender a tocar piano pra ele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um dia bonito e ensolarado, apesar disso não sinto calor assim, vestindo preto. Meus olhos vermelhos e cansados não podem ser vistos porque não permito, e os escondo atrás de óculos e sorrisos de agradecimento pelo consolo. Todos eles já partiram, mas hei de ficar aqui, porque meu lugar é do teu lado. E não pense que faço isso por pena, de mim ou de você. Faço isso porque te amo, como fá foi dito somos o encaixe perfeito um do outro. E ainda que você tenha partido, posso te sentir aqui a me abraçar agora, a afagar a dor que tua ausência definitiva há de deixar. Estou doente, irrecuperavelmente doente, mas não tenho com o que me preocupar, porque tendo você partido só me resta fazer o mesmo. Talvez tenha te odiado quando soube que você desistira, mas consigo apreender a beleza e purificação veladas de teu gesto desesperado. Existem canções de morte, mas elas não dizem mais que teus olhos fechados e teu semblante de paz. Ah, Nina, peguei tuas mãos brancas de pianista antes da tua partida, e sinto o cheiro delas, cheiro de flores brancas, nas minhas próprias mãos. Faz um bom dia ensolarado, e a única canção que cabe nesse momento diz que “se um dia fores embora, te amarei bem mais do que esta hora”. Tua morte não te levou, Nina, porque te tenho em mim. Tem sido assim há quinze anos, e há de ser assim pra sempre, porque a chuva sempre vem. Além disso, ainda existem canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito em Abril de 2003.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-5509244656494801957?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/5509244656494801957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=5509244656494801957&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5509244656494801957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/5509244656494801957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/cano-desesperada.html' title='Canção desesperada'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-6738284321884584166</id><published>2007-08-13T17:11:00.000-03:00</published><updated>2007-08-13T17:28:47.629-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>No terapeuta</title><content type='html'>"Eu sei que essa é minha primeira sessão, doutor, e sei que as pessoas costumam não falar muito assim, de início. Mas eu já não aguento mais. Preciso compartilhar isso com alguém. Sabe o que é, doutor? Eu sou médico também, olha só, sou cardiologista. Mas há uns anos, antes da especialização, na época da residência, o senhor sabe como é, a gente faz a residência. Eu fui residente em um hospital da rede pública, e logo no meu primeiro mês foi me acontecer isso. Eu residia no pronto-atendimento, via de tudo, fratura exposta, buraco de bala, gripe, infarto. Achava poético cuidar das feridas dos outros, acabar com a dor dos outros, o senhor entende, né doutor? Aquela baboseira sentimental que ataca todo médico em formação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi logo no primeiro mês que aconteceu, doutor. Foi no meu primeiro mês de residência, numa madrugada fria e de chuva torrencial, que a Clarisse chegou. Não, eu não a conhecia, não era namorada ou coisa alguma. Nunca tinha visto Clarisse na minha vida. Mas ela chegou e eu fui tratar dela. Meu Deus, ainda me lembro com clareza do horror. Ela tinha sido encontrada à beira da rodovia, doutor, por um caminhoneiro que foi deixá-la no hospital. Tinha todos os documentos com ela, pobrezinha. Havia sido espancada, estuprada e esfaqueada, bem aqui, no flanco esquerdo, perto do coração. Perto do coração, doutor, o senhor entende? Fiquei chocado. Ela ainda estava viva quando me disseram pra cuidar dela. Peguei seu braço pra ver seu pulso e vi cortes, muitos cortes. Vi cicatrizes nos dois braços, depois verifiquei as pernas, a barriga...cheia de cicatrizes, a Clarisse. Era uma suicida, eu logo soube, que outra explicação praquelas cicatrizes? Mas ela não tinha feito a escolha, doutor, alguém escolheu por ela. Alguém quis que ela morresse, alguém a machucou daquele jeito horrendo. Ai, doutor, nem gosto de lembrar. Um enfermeiro chegou perto e disse que o pulmão estava perfurado, não dava dez minutos pra ela morrer, falou que ia fumar um cigarro e saiu, me deixando sozinho com ela. Doutor, eu fiquei tão pesado. Pedi a ela que abrisse os olhos e, quando ela abriu, o que vi foi um vazio, mas um vazio de um negrume absurdo e estarrecedor, vi duas janelas abertas para o nada infinito. Por Deus, doutor, o senhor não tem noção do que é aquilo. Aquela menina já estava morta, doutor, só que ainda viva. Nunca tinham me dito na faculdade que eu ia encontrar uma pessoa que morrera em vida. Por Deus do céu, ela devia ter menos de 20 anos, doutor. Morta em vida. Ela falou comigo, arre, voz baixa e silenciosa, quase uma prece. Ela falou: "faz passar". Eu levei as mãos à cabeça, assim, doutor, porque eu fiquei desesperado. Eu sabia de que dor ela estava falando, era da dor na alma dela, não tinha como curar aquilo. Não vende na farmácia, vende, doutor? Eu sorri sem graça, acho que já estava chorando quando ela falou, ainda mais baixo: "deixa pra lá". Eu entendi. Olhei o vazio do olho dela e entendi. E fui lá e desliguei todos os aparelhos que a mantinham viva. É isso mesmo, doutor. Matei uma pessoa que já estava morta. Meu Deus, finalmente consegui compartilhar isso com alguém. Obrigada, doutor, muito obrigada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Clínica de Psiquiatria, em que posso ajudar?&lt;br /&gt;__ Eu queria marcar uma consulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No consultório...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vim confessar, algo. Também sou psiquiatra. E agora sou cúmplice. Cúmplice de um assassinato. Ajudei alguém a matar alguém que já estava morto. O senhor entende, doutor?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7958515694261152257-6738284321884584166?l=cognome.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cognome.blogspot.com/feeds/6738284321884584166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7958515694261152257&amp;postID=6738284321884584166&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6738284321884584166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7958515694261152257/posts/default/6738284321884584166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cognome.blogspot.com/2007/08/no-terapeuta.html' title='No terapeuta'/><author><name>Daniela Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03896771745635668053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_ZRYw3Tf5HoY/SnhZN6cm_6I/AAAAAAAAAVM/Gzgpm1DB2Ag/S220/dani.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7958515694261152257.post-8039645506506171696</id><published>2007-08-07T19:37:00.000-03:00</published><updated>2007-08-07T19:40:26.721-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dani'/><title type='text'>Fragmentos de cartas</title><content type='html'>Choveu. Parou, feito qualquer outro dia. E não é mais. Deixou de ser um dia qualquer, e há dias tem sido assim. De outro modo, tem sido sim um dia qualquer, um dia como todos os outros. Porque todos os dias a angústia é a mesma, e há sempre desesperança. E não há mais preces silenciosas, um abraço de conforto ou uma palavra para afagar o coração que não se abarca mais. A angústia é a mesma, por isso é um dia como outro qualquer. Mas o fato é sempre novo, desqualificando o dia e a vida. Ontem foi a solidão, anteontem o abandono, hoje a resignação diante das coisas que não se podem transformar. E choveu novamente, e parou como sempre, e o sol é fraco e nunca aquece. A chuva já matou muita gente, solidão e angústia não entram nas estatísticas, mas aquela moça morreu disso. E eu estou certa em afirmar que os dias dela não eram os mesmos, embora os pais dela dissessem o contrário e os amigos não acreditassem. E, como não podia ser diferente, ela morreu sozinha na sua casinha de bonecas, abarrotada de sonhos e vazia de vida. A casa, não a moça. Essa, essa foi esvaziada muito nova, a essência dela já havia se perdido. E talvez por isso fosse tão diferente das pessoas todas deste mundo. Porque roubaram a essência dela e ela quis procurar, ao contrário daqueles que mantêm sua essência guardada em pequenos frascos mesquinhos e sem profundidade alguma. E ela procurou enquanto pôde, mas o caminho era longo, frio e deserto, e todos os atalhos eram tão incertos quanto a noite escura. E, ainda que não se pareça crível, um dia ela parou de procurar, porque alguém de sorriso bonito e olhos de perdição disse a ela que a busca era inútil. E como era de se esperar ela se perdeu, para todo o sempre, um sempre a perder de vista, exatamente como o coração dela. E nunca mais se encontrou, nem foi encontrada, e foi avistada pela última vez na beira de uma estrada que levava a lugar nenhum, fumando o cigarro sem número de uma das suas vidas, seja lá qual fosse. E eu estou certa em afirmar que chovia, e depois parou tudo de uma vez, de uma interrupção silenciosa e doentia, e os pais dela choraram por três dias e três noites e foram cuidar da vida, e os amigos dela logo a esqueceram, porque nós definimos a importância das pessoas na nossa vida, e os mortos só nos importam enquanto o corpo ainda é quente. E eu, que sofria de insônia, agora descanso, o descanso justo e merecido daqueles cuja mente perturba mais que todos os sons amontoados, cujo coração não compreende o verdadeiro sentido da palavra “paz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Mariana, você ainda está dormindo?&lt;br /&gt;__ Pergunta cretina.&lt;br /&gt;__ O que você disse?&lt;br /&gt;__ Nada, mãe. O que quer?&lt;br /&gt;__ Você soube? Clarisse foi encontrada.&lt;br /&gt;__ Já não era sem tempo. Como está?&lt;br /&gt;__ Morta.&lt;br /&gt;__ Puxa, quanto zelo no repasse da notícia.&lt;br /&gt;__ O quê?&lt;br /&gt;__ Nada, mãe. E a Regina?&lt;br /&gt;__ D. Regina, mocinha. E ela está bem. Se mostrando uma pessoa forte. Bem, tenho de ir trabalhar. Não enrole na cama, senão vai se atrasar.&lt;br /&gt;Pobre mamãe. Sempre acredita em tudo que dizem. Em tudo que mostram. Não é capaz de ler as pessoas.&lt;br /&gt;Meu pai tinha essa capacidade. Por isso partiu enquanto podia. Eu queria ter ido com ele. Nada pior que essa casa e essas ausências. Sobreviver é para quem sabe enganar a vida, e isso eu nunca aprendi.&lt;br /&gt;Tomei um banho quente ainda pensando em mamãe, mas logo desviei meus pensamentos para Clarisse. Fiquei me perguntando se ela havia conseguido enfim decifrar todas as nossas questões, e se de alguma forma pôde me passar a mensagem.&lt;br /&gt;Reli meu diário, costume bobo, tomei o café amargo de minha mãe amarga e fui para a faculdade. Não há uma manhã como outra, mas aquela me parecia exatamente igual. Angústia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso mais suportar isso. Digo, essa coisa de acordar, colégio, dormir, acordar...Há tanto para se ver, não concorda? Tenho medo da rotina, Mari, tanto medo que me cega. Olha os meus pais e me diz, em nome de qualquer coisa, se isso é justo. Me diz se faz sentido viver trancada nesse quarto, olhando pela janela as casas iguais, das pessoas iguais, que descem dos seus carros iguais e admiram seus jardins estupidamente iguais. O q
